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Star Wars – Episódio IV – Uma Nova Esperança – ***** de *****

Uma das questões mais polêmicas envolvendo a crítica de Cinema encontra-se na eterna discussão sobre a avaliação de um filme ser realizada tomando por base a época de lançamento deste ou o modo como o mesmo envelheceu. Sempre fui crítico ferrenho das análises que levam em conta o envelhecimento do filme. Em primeiro lugar, porque a crítica, na grande maioria dos casos, avalia filmes que estão estreando nos cinemas de seu respectivo país e, muito dificilmente, avaliará os mesmos daqui a cinco anos, que seja. Sendo assim, se a grande maioria dos filmes que são criticados têm por base o período em que foram lançados, por que não fazer o mesmo com os clássicos? Em segundo lugar temos os filmes que revolucionam em sua parte técnica, como é o caso de obras do naipe de um “Metropolis”, “King Kong”, “2001 – Uma Odisséia no Espaço” e, obviamente, este “Star Wars – Episódio IV – Uma Nova Esperança”. Em 1977 ninguém ousaria dizer que este quarto episódio da saga (quarto cronologicamente falando, pois foi o primeiro a ser lançado nos cinemas do mundo todo) conta com efeitos visuais obsoletos, muito pelo contrário, o filme era altamente inovador na época no que diz respeito a este quesito. Entretanto, se o analisarmos fazendo um paralelo com os filmes atuais (inclusive com a nova trilogia – “Star Wars”, que engloba os episódios I, II e III da saga, cujas críticas encontram-se nesta seção do site, logo mais abaixo), o longa, muito bem dirigido por George Lucas, poderá ser tido como obsoleto no que se refere a efeitos visuais. E sejamos francos, podemos considerar uma obra-prima desta magnitude obsoleta? Certamente que não.

Ficha Técnica:
Título Original: Star Wars.
Gênero: Aventura/Ficção Científica.
Tempo de Duração: 121 minutos.
Ano de Lançamento (EUA): 1977.
Estúdio: LucasFilm Ltda.
Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation.
Direção: George Lucas.
Roteiro: George Lucas.
Produção: Gary Kurtz.
Música: John Williams.
Direção de Fotografia: Gilbert Taylor.
Desenho de Produção: John Barry.
Direção de Arte: Leslie Dilley e Norman Reynolds.
Figurino: John Mollo.
Edição: Richard Chew, Paul Hirsch e Marcia Lucas.
Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic.
Elenco: Mark Hamill (Luke Skywalker), Harrison Ford (Han Solo), Carrie Fisher (Princesa Leia Organa), Peter Cushing (Grand Moff Wilhuff Tarkin), Alec Guinness (Obi-Wan Kenobi), Anthony Daniels (C3PO), Kenny Baker (R2D2), Peter Mayhew (Chewbacca), David Prowse (Darth Vader), Phil Brown (Tio Owen Lars), Shelagh Fraser (Tia Beru Lars), Alex McCrindle (General Jan Dodonna), Eddie Byrne (Comandante Vanden Willard) e James Earl Jones (Darth Vader – Voz).
Sinopse: Após o seu tio adquirir dois andróides para auxiliá-lo nos afazeres de sua fazenda, Luke Skywalker (Mark Hammil) descobre em um deles uma mensagem gravada pela belíssima princesa Leia Organa (Carrie Fisher) para o cavaleiro Jedi Obi-Wan Kenobi (Alec Guiness). Luke decide então procurar o velho Jedi para informar-lhe sobre a mensagem e é a partir deste momento que ambos ficam sabendo que Leia fora seqüestrado e que o Império Galáctico (que assumiu o controle absoluta da Federação no episódio anterior), comandado por Lord Darth Vader (atuação de David Prowse e voz de James Earl Jones), planeja construir uma poderosa estação espacial alcunhada de Estrela da Morte, cuja capacidade de ataque é tão potente que se mostra capaz de destruir um planeta inteiro em fração de segundos. Ambos procuram pelo capitão Hans Solo (Harrison Ford), um piloto mercenário que os leva até a Estrela da Morte e os ajudará a resgatar a princesa Leia e a destruir esta terrível ameaça.
Star Wars – Episode IV – A New Hope – Trailer:

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Crítica:
A sensação que se tem ao assistir a este “Uma Nova Esperança” é a de que estamos assistindo a três filmes diferentes, conectados em um só, tamanha a riqueza de detalhes inserida no mesmo. O primeiro “filme” visa desenvolver os seus personagens e nos apresentar a estória de um modo menos amplo. O segundo “filme” já tem como objetivo principal explorar a estória abordada na primeira parte e delinear mais a mesma. O terceiro “filme”, por fim, visa ampliar a outra estória também discutida na primeira parte do longa mostrando o embate final entre a Aliança Rebelde e o Império Galáctico auxiliado pela sua estação espacial alcunhada de “Estrela da Morte”.
A abordagem de todos os personagens é simplesmente fantástica. Ao contrário dos três primeiros episódios da saga, todos os personagens que fazem parte da estória têm uma função importante para o desenvolvimento e conclusão da mesma e isso inclui até mesmo os dróides R2-D2 (Kenny Baker) e C3PO (Anthony Daniels) que, além de servirem como alívio cômico em muitos casos (e, desta vez, a maioria das gags protagonizada por ambos funcionam muito bem e extraem risos do público, ao contrário dos episódios anteriores onde tínhamos empregado um humor demasiado infantilóide em muitas cenas), desempenham, em muitos casos, um papel importantíssimo na trama.
Os personagens principais da estória também são abordados magistralmente pelo roteiro. Luke Skywalker (Mark Hammil), como protagonista da trama, convence muito mais que seu pai Anakin. O jovem é um típico adolescente sonhador cujo conservadorismo do tio, que é tutor do mesmo, o impede de ir para uma faculdade e seguir uma carreira que realmente lhe atraia. Bem diferente de Anakin Skywalker do primeiro episódio, que também residia no planeta Tatooine, Luke é um jovem de bom caráter, mas ainda assim se mostra impulsivo, rebelde, contestador e possui uma personalidade forte.
Os demais personagens também são muito bem desenvolvidos pelo roteiro e merecem destaque nesta análise. Obi-Wan Kenobi (Alec Guiness), que terminara o episódio anterior como um grande herói da República, agora, com a queda desta, aparece aqui como um velho eremita, tido como louco e bruxo aos olhos daqueles que não o conhecem, e nem fazem questão de o conhecer mais amplamente. A princesa Leia (Carrie Fisher), apesar de ser a mocinha que precisa ser resgatada, não segue, nem de longe, o estereotipo desta. Destemida, contestadora e de forte personalidade, mas ainda assim bela, garbosa e inteligente, a personagem é extremamente marcante e se mostra capaz de cativar o público.
Há, no entanto, dois personagens cujo desenvolvimento deixou um pouco a desejar. Refiro-me ao capitão Hans Solo (Harrison Ford) e, acreditem ou não, ao comandante Darth Vader (atuação de David Prowse e voz de James Earl Jones). Começarei pelo primeiro, uma vez que o segundo, certamente, gerará mais polêmica. Solo é um personagem deveras interessante. Seu código de ética e moral parece ter graves falhas e suas at
itudes nem um pouco altruístas o tornam um personagem interessantíssimo, principalmente se levarmos em conta que ele é um dos heróis da estória. Todas estas características o colocam em uma posição bem distante do estereotipo do herói altruísta e estóico que estamos acostumados a ver repetidamente nos filmes do gênero. Contudo, há uma passagem ocorrida no final do filme onde Solo toma uma atitude tão discrepante com relação aos seus princípios morais que põe em jogo todo esta concepção de “mercenário que só se preocupa com dinheiro” que havíamos absorvido do mesmo durante a projeção inteira. A justificativa utilizada por este (“___ Não deixaria você (Luke) ficar com a glória toda só para si”) torna a sua atitude um pouco menos artificial, mas ainda assim a mesma não deixa de ser discrepante.
Darth Vader, por sua vez, conta com características para lá de notáveis, que variam deste a sua vestimenta, que nos remete à sensação de estarmos diante de um personagem meio-humano, meio-máquina, à sua assustadora respiração lenta e profunda, passando por seu tom de voz marcante e suas habilidades de ex-cavaleiro Jedi, agora importante Lord Sith. Sempre que Vader está em cena o filme ganha ainda mais destaque, mas o roteiro, infelizmente, não deu a devida importância ao mesmo, sendo que as suas aparições na película acabam sendo poucas, comparadas à importância que este tem para toda a saga “Star Wars”.
O elenco está extremamente bem entrosado e a química entre os atores é um dos pontos mais altos do longa. Note, por exemplo, como as cenas em que Luke Skywalker contracena com Obi-Wan Kenobi conferem um tom bastante especial à trama. O mesmo ocorre com a química existente entre o capitão Hans Solo e a princesa Leia Organa ou então a dinâmica ocorrida nas cenas em que o mesmo Hans Solo contracena com o já citado Luke Skywalker. E é claro que não poderia deixar de destacar a dupla de dróides R2-D2 e C3PO e, até mesmo a cena onde Obi-Wan Kenobi enfrenta Darth Vader que, apesar de curtíssima, confere um tom especial à trama e a química decorrente da transigência das atuações.
Do ponto de vista individual o elenco também demonstra atuações magníficas, em especial por parte de Mark Hammil e Alec Guiness. O primeiro, se mostra um ator extremamente convincente e chama para si a responsabilidade de protagonizar o longa, sem que, para isso, precise roubar a cena dos demais atores. Hammil demonstra um tom de voz seguro, profere seus diálogos com extrema segurança, é hábil em sua interpretação, se mostra extremamente expressivo e carismático. Guiness também realiza uma atuação segura e confere ao seu personagem uma participação muito mais marcante do que a de McGregor nos primeiros episódios (nada contra o ator escocês, já que o ator realizou uma atuação convincente, mas nada que se aproxime da que Guiness realizou neste quarto episódio). O tom de voz empregado pelo ator também outorga ao seu personagem todo o ar de sapiência que lhe é inerente, uma vez que, neste quarto episódio, Obi-Wan adota uma postura de mentor intelectual (fato que também colabora para que o espectador se envolva bem mais com este mestre Kenobi que o protagonista dos episódios anteriores).
As seqüências de ação são todas bem empolgantes e Lucas as dirige de maneira sublime, ainda que movimente a câmera de maneira apenas satisfatória (salvo em uma ou outra seqüência quando arrisca realizar algum travelling) na grande maioria das vezes, o diretor sempre se mostra capaz de conferir mais tensão às mesmas, criando ângulos fantásticos a fim de acompanhá-las (vide, por exemplo, a seqüência em que Luke e Solo confrontam as naves imperiais durante o início do terceiro ato do filme). Dentre as cenas de aventura, destaco, é claro, uma das cenas mais clássicas de toda a saga: o ataque das naves rebeldes realizado à estação espacial “Estrela da Morte”. Francamente, não me recordo de ter assistido a outra cena produzida pela sétima Arte onde os heróis da trama se mostravam expostos a um perigo de vida tão iminente quanto George Lucas os expôs na seqüência em questão.
Há outras cenas de aventura também que merecem muitíssimo destaque, tais como: o resgate da princesa Léia, os tiroteios ocorridos nos corredores da “Estrela da Morte”, a seqüência em que os personagens caem no compartimento de lixo da estação espacial (um exemplo de que pode-se realizar uma cena perfeitamente tensa sem apelar ao uso de efeitos visuais mirabolantes ou gastar rios de dinheiro para tal), a conturbada fuga dos heróis que resulta em uma das perseguições espaciais mais marcantes da história do Cinema (e que empalidece a ótima perseguição espacial ocorrida entre Obi-Wan Kenobi e Jango Fett em “Ataque dos Clones”) e, como não poderia deixar de ser, a luta final de sabres de luz travada entre o Jedi Kenobi e o Sith Darth Vader que, apesar de ter envelhecido mal em virtude dos efeitos especiais da época estarem obsoletos nos tempos atuais, principalmente se levarmos em conta os efeitos empregados para conduzir as lutas do gênero ocorridas na trilogia atual, é extremamente marcante em virtude da maneira como se encerra e marcou uma geração inteira, aja visto que fora a primeira luta com armas desta categoria exibida nos cinemas.
Encerrando este texto, gostaria de comentar outros qautro aspectos que também marcaram este filme e o elevou à mais do que merecida intitulação de clássico absoluto do Cinema: refiro-me à trilha-sonora, ao figurino, à direção de arte e aos efeitos visuais. A primeira, como todos sabem, é marcante e figura facilmente entre as melhores da história do Cinema. A música tema é cativante, parece ter vida própria, só falta respirar (será?). As demais músicas também são fantásticas e realizam um casamento praticamente perfeito com as respectivas cenas em que são empregadas. O figurino, por sua vez, não poderia ser mais perfeito. Quem imaginaria, em plena década de 70, ver nos cinemas um homem com um traje igual ao de Darth Vader? Ou um uniforme igual ao do exército imperial? A direção de arte também é impecável, repare, por exemplo, na riqueza de detalhes das espaço-naves ou nos edifícios do planeta Tatooine. Os efeitos visuais, apesar de estarem ultrapassados se comparados aos filmes atuais foram revolucionários na época, e não é para menos. Imagine a sensação que se tem, em pleno ano de 1977, você ir ao cinema e se deparar com uma criatura como Jabba – The Hutt? E o que dizer então da perfeição com que os efeitos visuais construíram o personagem, dando ao mesmo movimentos bastante naturais?
Considerado pela grande maioria dos cinéfilos como a Ficção Científica de Cultura Pop definitiva, “Uma Nova Esperança” pode ser encarado como um marco na história do Cinema por ter dado início a uma das mais bem sucedidas (tanto do ponto de vista comercial como artístico) franquias já realizadas até os dias de hoje. O longa conta com algumas falhas na construção de alguns poucos personagens e a estória de resgate adotada aqui é um pouco batida, mas os seus protagonistas são bastante cativantes e o roteiro os aborda de um modo que os torna ainda mais marcantes. As atuações de todo o elenco são mais do que satisfatórias e os atores possuem uma química fantástica entre si. O filme se enriquece ainda mais com a ótima direção de George Lucas e outros aspectos tais como: edição, trilha-sonora, direção de arte, figurino, efeitos sonoros, efeitos visuais e, é claro, suas seqüências de aventura, que são tensas e memoráveis na medida certa. Uma aventura indiscutivelmente digna de toda a badalação que possui.
Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.

Star Wars – Episódio I – A Ameaça Fantasma – *** de *****

Pois é, sei muito bem que este primeiro episódio da saga “Star Wars” está longe de ser um clássico absoluto da Sétima Arte, ao contrário dos episódios IV, V e VI que são um marco na história da mesma, mas decidi postar a crítica deste longa (e as dos outros dois episódios que acompanham esta nova trilogia filmada nos anos de 1.999, 2.002 e 2.005) na subseção de “filmes clássicos” acreditando ser interessante manter as análises de todos os seis filmes bem próximas uma da outra. Quanto à atitude que me levou a analisar todos os seis filmes, esta reflete a quatro fatores. Primeiro: adquiri recentemente a tão falada edição comemorativa de 30 anos de lançamento do quarto episódio da série e decidi, é claro, assisti-la o quanto antes, só que para isso achei que seria interessante assistir aos episódios iniciais, fazendo-o na ordem cronológica, e não na ordem de lançamento; segundo: a animação “Star Wars – Guerras Clônicas” estréia nos cinemas do Brasil muito em breve (próximo dia 15), nada mais conveniente então do que entrarmos no mágico clima “Guerra nas Estrelas”; terceiro: nunca critiquei nenhum dentre os seis filmes da saga em toda a minha vida; quarto e último: sou fã incondicional da saga e torna-se vergonhoso, na condição de crítico de Cinema, nunca ter analisado a mesma, portanto, é uma obrigação moral a minha fazê-lo agora.

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Ficha Técnica:
Título Original:
Star Wars – Episode 1: The Phantom Menace
Gênero: Aventura/Ficção Científica
Tempo de Duração: 131 minutos
Ano de Lançamento (EUA):
1999
Site Oficial: www.starwars.com/episode-i
Estúdio: LucasFilm Ltda.
Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation
Direção: George Lucas
Roteiro: George Lucas
Produção: Rick McCallum
Música: John Williams
Direção de Fotografia: David Tattersall
Desenho de Produção: Gavin Bocquet
Direção de Arte: Phil Harvey, Fred Hole, John King, Rod McLean e Ben Scott
Figurino: Trisha Biggar
Edição: Ben Burtt e Paul Martin Smith
Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic
Elenco: Liam Neeson (Qui-Gon Jinn), Ewan McGregor (Obi-Wan Kenobi), Natalie Portman (Padmé), Jake Lloyd (Anakin Skywalker), Ian McDiarmid (Senador Palpatine/Darth Sidious), Pernilla August (Shmi Skywalker), Keira Knightley (Rainha Amidala), Oliver Ford Davies (Sio Bibble), Hugh Quarshie (Capitão Panaka), Ashmed Best (Jar Jar Bink) (voz), Anthony Daniels (C3PO), Kenny Bater (R2D2), Frank Oz (Yoda) (voz), Terence Stamp (Chanceler Finis Valorum), Andrew Secombe (Watto) (voz), Ray Park (Darth Maul), Samuel L. Jackson (Mace Windu), Sofia Coppola (Saché) e Dominic West.

Sinopse: Após sofrer um forte boicote econômico por parte da gananciosa Federação Comercial, o planeta Naboo solicita a ajuda do bravo cavaleiro Jedi Qui-Gon Jinn (Liam Neeson) e seu jovem aprendiz Obi-Wan Kenobi (Ewan McGregor) para resolver o impasse. Contudo, as negociações não saem justamente como eles esperavam e uma guerra é instaurada contra o planeta Naboo. Os dois Jedi recebem então uma outra missão, escoltar a jovem Rainha Amidala (Keira Knightley) e sua auxiliar Padmé (Natalie Portman) a Coruscant, capital da Federação, para solicitar ao Chanceler Finis Valorum (Terence Stamp) o fim de tal guerra sem propósito. Porém, após tentar trespassar o bloqueio espacial que a Federação realizou ao planeta Naboo, a nave real é atingida e o grupo se vê obrigado a realizar uma parada no planeta Tatooine, onde eles encontram o garoto Anakin Skywalker (Jake Lloyd), única pessoa capaz de conseguir as peças necessárias para que a nave seja devidamente reparada e possa seguir a viagem.

Star Wars – Episode I – The Phantom Menace – Trailer:

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Crítica:

“Star Wars – Episódio I – A Ameaça Fantasma” foi um longa que teve tudo, absolutamente tudo, para se tornar um grande marco na história da Sétima Arte. Temos aqui um competente elenco, um grande orçamento (US$ 115mi), uma sensacional equipe responsável pelos efeitos visuais e, acima de tudo, um roteiro que conta com personagens para lá de interessantes de serem devidamente abordados e explorados. Sem contar, é claro, a magia contida por trás de toda a obra (ocasionada pela trilogia que teve seu início nos fins da década de 70), algo que seria capaz (e foi) de arrastar milhões de fãs para os cinemas do mundo inteiro, a fim de testemunharem como toda a saga começou. Enfim, era um longa que tinha tudo para entrar para a história do Cinema, mas não entrou. Por qual motivo? Duas palavras: George Lucas.

Sim, ele mesmo, o tão aclamado patrono de todos os nerds, o grande responsável pelo mais importante blockbuster da história do Cinema (me refiro, certamente, ao episódio de número 4 da saga: “Uma Nova Esperança”) e por uma das mais bem sucedidas e aclamadas trilogias já lançadas pela Sétima Arte. Enfim, o maior responsável pelo insucesso deste primeiro episódio (e até mesmo dos outros dois episódios posteriores, diga-se a verdade) é, justa e ironicamente, o maior responsável pelo sucesso da saga anterior, George Lucas, o pai da série.

“___ Mas onde foi que Lucas falhou?” ___ Me pergunta o leitor. “___ Naquilo que ele menos sabe fazer” ___ Respondo eu ___ “Na condução do elenco”. As falhas de Lucas como diretor de atores soavam gritantes até mesmo nos episódios anteriores da saga, mas ainda assim, não se mostravam tão visíveis como se mostram aqui. Atores talentosíssimos como Liam Neeson (este ainda se salva em algumas cenas), Ewan McGregor, Natalie Portman, Samuel L. Jackson e Keira Knightley tiveram quase toda a sua competência desperdiçada devido a atuações fracas, sem o menor carisma e expressividade.

Para citar um exemplo, repare no semblante de Natalie Portman ao (tentar) demonstrar um ar de preocupação relacionada à crise que seu planeta estava passando no presente momento. Uma hora depois, repare no mesmo semblante, da mesma Natalie Portman, ao (tentar) demonstrar satisfação total por ter resolvido tal crise que tanto a atormentava no início da projeção. Pois é, eu sei, não há mudança alguma. Mas não, a inexpressividade de todo o elenco (isso inclui tanto os atores primários, como secundários e, até mesmo terciários, para não dizer também os figurantes e extras) não é o maior defeito do longa no que diz respeito à atuações. Temos um problema ainda mais grave aqui: a entonação das vozes de todos (e eu disse todos, sem exceções) os atores.

Sempre gostei muito de assistir a um filme no idioma original do mesmo, para que pudesse, desta maneira, analisar o tom de voz que os atores empregaram a fim de compor os seus respectivos personagens e as situações pe
las quais estes estão passando. Contudo, nunca imaginei que, em toda a minha vida, pudesse utilizar isto um dia a fim de defini-lo como maior qualidade, ou maior defeito (como é o caso com este longa) de uma determinada obra cinematográfica. Sinceramente, não há como não notar, e é claro, se irritar veementemente, com a falta de dicção dos atores em várias cenas do longa.

Vide, por exemplo, a seqüência onde a personagem de Pernilla August diz a seu filho Anakin Skywalker (sim, ele mesmo): “___ Any, estou tão orgulhosa de você! Você trouxe esperança a quem não mais a tinha!”. O problema é que, uma frase que deveria ter sido proferida da maneira mais vigorosa o possível, acabou soando tão insossa quanto se a mesma personagem dissesse ao filho: “___ Any, vá dormir que já é tarde e amanhã você deve acordar cedo!”. Mas antes o tom de voz mono tônico fosse apenas um defeito correspondente ao elenco secundário do filme, isso seria uma verdadeira benção. Note a cena em que a personagem de Natalie Portman (uma das peças mais importantes não só deste longa, como da trilogia inteira) diz a seguinte frase: “___ Peço, ou melhor, imploro com todas as forças que nos ajudem!”. Francamente, um pedido de ajuda com uma entonação de voz daquelas não seria capaz nem ao menos de convencer uma criança com os bolsos cheios de dinheiro a comprar um doce, quiçá incentivar seres tão orgulhosos quanto os suplicados, no caso, a oferecerem ajuda.

Não bastasse as falhas supracitadas, a direção de Lucas não falha apenas no que diz respeito à condução do elenco. Sem demonstrar a menor capacidade para criar ângulos satisfatórios com a câmera, ou acompanhar as seqüências de ação realizando travellings que as tornaria muito mais convincentes e realistas, ou ainda conduzir o filme de uma maneira que fosse capaz de fugir do convencional, George Lucas nos apresenta a uma direção verdadeiramente falha e incompetente do ponto de vista geral, merecendo, incontestavelmente, o prêmio Framboesa de Ouro® de pior diretor que concorreu em 2.000.

Além da direção patética de Lucas e das atuações nada convincentes por parte de todo o elenco (salvo Liam Neeson que salva-se em muitas cenas), o longa investe em um humor recheado de gags previsíveis e totalmente desnecessárias que, durante muitas cenas, acabam até mesmo quebrando um clima de tensão que o filme está tentando conferir ao seu público durante as suas seqüências de ação. Pior ainda é constatarmos que tais gags vêem de um personagem nem um pouco inerente à trama, refiro-me, é claro, ao insuportavelmente irritante Jar Jar Bink.

Na verdade, confesso ter exagerado ligeiramente quando mencionei que Bink é “insuportavelmente irritante”. Não creio que Bink seja um personagem tão irritante quanto a maioria esmagadora das pessoas que assistem ao filme o considera, mas que ele incomoda muito, isso incomoda. Principalmente se prestarmos atenção na falta de uma justificativa realmente convincente para que o personagem se torne inerente à trama. Parece que o único propósito de Jar Jar no longa foi realmente o de servir de subterfúgio para os produtores explicarem o alto custo gasto com os efeitos visuais deste, já que a criatura fora o primeiro personagem 100% digital que a Sétima Arte já nos apresentou (fato que foi muito ressaltado e comentado durante a época).

E aproveitando o ensejo, uma vez que mencionei os efeitos visuais do longa, talvez seja esta a melhor ocasião para listar as qualidades do mesmo que, sim, são muitas. Falemos um pouco mais sobre os efeitos visuais do filme, sobretudo os que compõem a criatura Jar Jar Binks que, sim, é perfeita, em especial se levarmos em conta a inovação que a mesma trouxe para o Cinema, possibilitando com que mais tarde outros personagens 100% digitais pudessem ser confeccionados, como é o caso de Gollum, da excelente trilogia: “O Senhor dos Anéis”.

Para se comentar sobre a criatura Jar Jar, deve-se esquecer que esta foi criada anteriormente ao Gollum e que, naturalmente, não é tão bem animada quanto o anti-herói da saga de Peter Jackson. Bink é bem animado, seus movimentos são todos naturais, mas a algo de errado com o semblante da criatura: a falta de brilho em seus olhos. Entretanto, devemos levar em conta que fora a primeira criatura 100% digital criada pelo Cinema, e só isto já basta para que o personagem seja totalmente respeitado por nós (me refiro do ponto de vista técnico, já que do ponto de vista artístico a criatura não têm nenhuma função na trama).

Os demais efeitos visuais também são muito bem empregados e, ao contrário da maioria dos filmes do gênero, eles não são utilizados apenas com o intento de cobrir os buracos no roteiro ou a falta de uma estória verdadeiramente decente. Aqui, a grande maioria dos efeitos visuais são utilizados a fim de conferir mais dinamicidade e realismo às seqüências de aventura (estas que são muito má dirigidas por Lucas, conforme consta supracitado). Vide a clássica corrida de pods, por exemplo, que apesar de perder muita tensão graças à câmera pesada de Lucas, se mostra bastante emocionante devido ao uso extremamente de efeitos visuais que a engrandece e a torna uma das cenas mais marcantes de toda a saga.

A fotografia e a direção de arte são outros aspectos que engrandecem, e muito, o filme. Não há como não se cativar com a beleza plástica que é o reino subaquático de Gunga City, ou com a suntuosidade dos palácios contidos na capital do planeta Naboo, ou as paisagens áridas de Tatooine, o saguão onde ocorre a luta entre Qui-Gon Jinn, Obi-Wan Kenobi e Darth Maul, e, principalmente, com a maravilha gráfica que é o planeta Coruscant (principalmente quando se tem a visão noturna do planeta, a capital da Federação. Aliás, a fotografia e a direção de arte que nos apresentam a Coruscant deveriam ser comentadas individualmente, já que o planeta está recheado de cenários deslumbrantes, como é o caso da pista de pouso, da sala de reuniões do Conselho Jedi e, especialmente, a sala onde ocorre a Assembléia entre os Senadores que representam os planetas ligados à Federação. Não restam duvidas de que, visualmente, “A Ameaça Fantasma” é um filme perfeito e tanto a sua direção de arte quanto a sua fotografia merecem ocupar um lugar entre as 50 melhores de todos os tempos.

George Lucas, por mais incrível que isso possa parecer, também colabora um pouco para que o filme se torne agradável. Se por um lado Lucas se mostra incompetente na condução de câmeras, por outro lado o diretor se mostra sabiamente oportunista no que diz respeito à maneira como ele utiliza os efeitos visuais do longa a fim de nos proporcionar seqüências de ação absurdamente fantásticas, dentre as quais menciono a já citada corrida de pods e a batalha final, ocorrida no planeta Naboo (esta, aliás, uma seqüência fantástica, que confere um ritmo incrível ao filme).

No entanto, é como roteirista que Lucas quase se redime de todas as suas falhas como diretor. Injustamente criticado por sua estória aparentemente fraca, o roteiro deste “A Ameaça Fantasma” cumpre muito bem o seu propósito, que nada mais é do que simplesmente iniciar a saga. Para isso, era necessário que uma estória altamente complexa e bem desenvolvida nos fosse apresentada (como a trama contida nos episódios IV, V e VI)? Certamente que não. Bastava apenas o roteiro nos introduzir ao “mundo Star Wars” completando algumas informações que acabaram ficando incompletas ou vagas com o desfecho da trilogia anterior, tais como: o que vem a ser a tão comentada Força? Qual é a origem de Anakin Skywalker? Por que um jovem tão humilde e repleto de valores morais viria a se tornar o vilão mais temido da história do Cinema (esta questão, na realidade, será melhor desenvolvida nos dois episódios posteriores a este)? Como Obi-Wan Kenobi conheceu Anakin Skywalker? Como o conselho Jedi se organizava? “___
E o roteiro concebido por Lucas consegue responder as questões supra?” ___ Me pergunta o leitor. Eu respondo que não apenas consegue as responder, como o faz de um modo bastante natural e convincente e, de quebra, conta com uma trama dinâmica que, mesmo estando longe de ser tão grandiosa como a dos demais episódios da saga, se revela suficientemente divertida.

Em suma, este primeiro episódio da saga “Star Wars” se revela uma experiência suficiente e individualmente divertida, apesar de empalidecer muito perante os demais episódios da saga. Lucas se mostra extremamente incompetente na direção do longa, sobretudo na condução do elenco, mas consegue conceber seqüências de aventura (em especial as lutas com sabres de luz, estas que, devido à falta de tecnologia na época, não eram tão empolgantes na trilogia anterior, se tornam o ponto alto do filme em questão) que tornam a experiência bastante dinâmica e agradável e, principalmente, divertida. O longa se revela narrativamente interessante, uma vez que cumpre o seu papel de nos introduzir no mundo “Guerra nas Estrelas” e é de uma beleza visual estonteantemente arrebatadora.

Avaliação Final: 7,0 na escala de 10,0.

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