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O Guerreiro Genghis Khan – ** de *****

Redigido, editado e publicado por Daniel Esteves de Barros aos 28 de julho de 2.009.

mongol

Ficha Técnica:
Título Original: Mongol.
Gênero: Drama / Épico.
Tempo de Duração: 120 minutos.
Ano de Lançamento: 2007.
Países de Origem: Casaquistão, Rússia, Mongólia e Alemanha.
Site: http://www.mongolmovie.com/
Direção: Sergei Bodrov.
Roteiro: Arif Aliyev, Sergei Bodrov.
Elenco: Tadanobu Asano (Temudjin), Honglei Sun (Jamukha), Khulan Chuluun (Börte), Aliya (Oelun – Mãe de Temudjin), Amadu Mamadakov (Targudai), He Qi (Dai-Sechen), Ben Ho Sun (Monge), Ji Ri Mu Tu (Boorchu), Tegen Ao (Charkhu), Ying Bai (Mercador com Anel de Ouro), Bao Di (Todoen), Odnyam Odsuren (Jovem Temudjin), Bayertsetseg Erdenebat (Jovem Börte), Deng Ba Te Er (Daritai), You Er (Sorgan-Shira), Ba Sen (Esugei – Pai de Temudjin), Amarbold Tuvshinbayar (Young Jamukha), Ba Ti (Juchi), Li Jia Qi (Mungun), Bu Ren (Taichar) e outros.

Sinopse: Reconstituição dos primeiros anos de vida de Genghis Khan, escravo que se tornou um dos maiores conquistadores de todos os tempos. Ele chegou a dominar metade do mundo conhecido até então, incluindo a Rússia no ano de 1206.

Fonte Sinopse: Cineclick.

Mongol – Trailer:

Crítica:

Temudjin, vulgo Genghis Khan, foi um dos maiores guerreiros e conquistadores da história da humanidade, figurando facilmente entre celebridades históricas do naipe de Alexandre Magno e Julio Caesar, dentre muitos outros grandes militares que tornaram-se imortais através de inúmeras lendas e estórias que passaram a ser tecidas sobre eles.

É lastimável, no entanto, que uma figura como o mongol mais importante e memorável de todos os tempos tenha sido tão pouco retratada e explorada pelo Cinema (há uma versão lançada em 1.965 sobre Khan, com Omar Scharif no elenco, mas nunca tive a oportunidade de assisti-la, infelizmente) fato que faz com que todo aquele que se diz amante da História e da sétima Arte (que é o meu caso), se arrepie por inteiro só de ouvir falar sobre uma produção que trará tal figura lendária como protagonista.

Se a produção em questão ainda for financiada por países que, salvo em raros casos, sempre primam pela Arte e raramente abaixam a cabeça para certos dogmas hollywoodianos, a experiência que teremos ao assisti-la tem tudo para se tornar muito mais excitante, não? E se a tal produção adotar como padrão um idioma cada vez mais raro de se ouvir e que era proferido por Khan? Aí todo e qualquer cinéfilo tende a ter vários orgasmos múltiplos, não é mesmo? Claro que sim, principalmente em tempos onde é cada vez mais comum irmos ao cinema e ouvirmos um oficial da Gestapo, interpretado por um ator estadunidense, diga-se de passagem, falar inglês com um sotaque alemão mais do que artificial.

Pois é, sei que não devemos nutrir expectativas sobre uma obra cinematográfica antes de conferi-la, afinal de contas, o correto é deixarmos que a mesma conquiste nossa total confiança, que deve sempre começar do zero. Entretanto, a pergunta que fica no ar é: como não se empolgar com um filme com as características supracitadas? Impossível, não? E como.

Eis que “O Guerreiro Genghis Khan” tem o seu tão aguardado (a menos para mim) início. À primeira vista, as expectativas são mais do que superadas. Começamos no Reino Tungus, local onde Temudjin orquestrou o caos durante sua campanha militar. A fotografia é brilhantemente escura (brilhantemente escura?! Sim, da série: antíteses ultra-paradoxais da vida), a direção de arte reflete bem à arquitetura da época e do local e Sergei Vladimirovich Bodrov (sim, outro motivo para nutrir excelentes expectativas acerca do filme: ele é dirigido por um experiente cineasta russo) faz jus ao seu nome e logo de cara efetua closes mais do que dinâmicos, além de realizar um eficiente travelling aéreo que capta toda a beleza do cenário magistralmente montado. O quê? Ah, sim, claro, como não… há várias pessoas falando o respectivo idioma local, o que confere um tom cultural muito maior ao filme.

A edição e o roteiro nos remetem então ao passado do grande guerreiro, mais precisamente quando ele tinha os seus nove anos de idade (e palmas para o letreiro que anuncia ser o ano do rato negro, de acordo com o calendário local, o que acaba conferindo à obra um apego cultural ainda mais forte com a região retratada). Sentimos então que vamos mergulhar profundamente no passado de Temudjin, e é aí que começam os erros crassos cometidos pelo roteiro.

Mas quais seriam esses erros? Bem, qualquer um que apeteça saber algo sobre a estória do grande conquistador mongol deve ter a plena ciência de que o mesmo adotou certas estratégias para derrotar os seus inimigos e que tais táticas de combate só funcionavam perfeitamente bem em virtude do sábio uso de cavaleiros mangudai(s) que o mesmo ministrava e… espere aí, Mangudai(s)?! Isso mesmo, Mangudai(s), uma mescla de arqueiro e cavaleiro, a unidade de ataque principal contida nos exércitos de Khan e que, sabe-se lá o porquê, nem ao menos aparecem ou são comentadas durante o desenrolar do épico.

Aliás, chamar isto daqui de épico é, no mínimo, uma ofensa a este majestoso gênero cinematográfico que, por muitas vezes, elevou o Cinema à condição de espetáculo. Tudo o que “O Guerreiro Genghis Khan” tem a nos oferecer é, no máximo, um draminha clichê nos padrões hollywoodianos, algo bem distante do patamar de um épico.

E falando em Hollywood, sabe aquele filme estrangeiro pertencente a uma terra onde o Cinema raramente segue os dogmas adotados pela maior indústria cinematográfica do mundo? Pois é, ele morre logo nos primeiros minutos de projeção, já que aqui, a sensação que temos é a de que estamos longe de presenciar as típicas produções cazaquistanêsas, mongóis, alemãs ou russas.

O motivo? Simples. Não bastasse a falta de conteúdo histórico do filme, que perde tempo com estorinhas de vingança mais do que batidas e romances mais forçados e artificiais que os de uma novela global, não dando a mínima importância a acontecimentos realmente importantes à vida do grande guerreiro, bem como a invasão que este executou contra a China e o relacionamento dele com o seu conselheiro chinês Yeh-lu Ch’u-ts’-ai (que, no filme em questão, nem ao menos é citado), o mesmo ainda romantiza demasiadamente a figura do militar mongol, retratando-o como um homem bom e justo, mas esquecendo-se de que Temudjin, na verdade, era um conquistador cruel, sádico e sanguináreo, um dos piores que o mundo já conheceu.

O que dizer então do modo como o roteiro desenvolve o protagonista? Se dissesse que o aborda vergonhosamente, estaria fazendo um elogio. A palavra incongruente certamente viria mais a calhar. Francamente, assim como ocorre no também fraco “Alexandre”, aqueles que saírem da sessão sem ter obtido um prévio conhecimento sobre o líder mongol, jamais saberão ao certo como o jovem patético do filme pôde se transformar no grande militar que ele foi.

Se em “Alexandre” víamos Colin Farrel chorando no colo de marmanjos feito uma criança mimada, em “O Guerreiro Genghis Khan” vemos o protagonista fugindo dos inimigos feito uma galinha durante uma hora inteira de projeção e, inexplicavelmente, o mesmo garoto fujão de outrora se transforma, sem mais nem menos e, de uma hora para outra, em um hábil lutador que mais parece um Rambo com espadas. Essa, aliás, revela-se uma das mais artificiais metamorfoses da história do Cinema, afinal de contas, em algum momento o filme explica como o garoto amedrontado de antes conseguiu se transformar em um grande combatente no futuro, sem ter passado por quaisquer formas de treinamento para tal?

Contando com um elenco irregular, cenas absurdas (reparem na estranha facilidade que Hollywood (o quê? O filme não é hollywoodiano? Mas que parece, parece) tem em fazer com que grandes batalhas atraiam gigantescas tempestades que se formam do nada) e informações que pouco acrescentam àqueles que realmente desejam realmente conhecer o homem, o mito e a lenda Genghis Khan, o filme ainda falha terrivelmente ao tratar o mesmo como um verdadeiro covarde durante boa parte da projeção e romantizá-lo ao extremo durante a sua fase adulta, transformando um dos líderes militares mais sádicos de todos os tempos em um homem justo e piedoso.

Salva-se graças à impecável produção, que nos brinda com uma obra inteira pronunciada no idioma mongol, à magistral fotografia e à cuidadosa direção de Sergei Bodrov que, mesmo conduzindo a trama muito mal, cria ângulos excepcionais (vide a batalha onde a câmera assume “os olhos do protagonista”  durante o seu desenrolar) e suntuosos planos abertos a fim de retratar toda a beleza natural do local, como na cena onde o personagem, pela primeira vez na vida, enfrenta, sozinho, as congeladas paisagens durante o rígido período hiemal daquela região do globo terrestre (apesar que confesso não saber ao certo se Bodrov imaginava estar dirigindo um épico dramático bem raso ou um documentário produzido pela National Geografic, já que, durante alguns momentos, ele parece se preocupar mais em captar a formosura da natureza local do que o próprio filme em si).

Avaliação Final: 4,0 na escala de 10,0.

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