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Max Payne – * de *****

“Max Payne” era um dos jogos de computador mais populares durante a época em que “Grand Theft Auto – Vice City” liderava os rankings de vendas mundiais, sendo assim, era mais do que óbvio que muito em breve teríamos uma obra cinematográfica baseada no game para PC. Diferentemente das demais obras do gênero, que confesso só não passar longe por motivos profissionais, nutria alguma expectativa de que este longa, dirigido por John Moore, fosse, ao menos, um interessante filme de entretenimento. Ledo engano. Além de chato, arrastado e cansativo (confesso que fiz um grande esforço para não cair no sono durante a sessão), “Max Payne”, seguindo a contra-mão do jogo que lhe inspirou, não se mostra nem um pouco inovador, muito pelo contrário, é plágio descarado de muitas outras obras cinematográficas produzidas entre os anos 80 e 90, conforme o leitor poderá constatar na crítica infra.


Ficha Técnica:

Título Original: Max Payne.
Gênero: Policial.
Ano de Lançamento: 2008.
Nacionalidade: EUA.
Tempo de Duração: 100 minutos.
Diretor: John Moore.
Roteirista: Beau Thorne.
Elenco: Mark Wahlberg (Max Payne), Mila Kunix (Mona Sax), Beau Bridges (BB Hensley), Ludacris (Jim Bravura), Chris O’Donnell (Jason Colvin), Donal Logue (Alex Balder), Amaury Nolasco (Jack Lupino), Kate Burton (Nicole Horne), Olga Kurylenko (Natasha), Rothaford Gray (Joe Salle), Joel Gordon (Owen Green), Jamie Hector (Lincoln DeNeuf), Andrew Friedman (Trevor), Marianthi Evans (Michelle Payne), Nelly Furtado (Christa Balder) e outros.

Sinopse: Max Payne (Mark Wahlberg) é um policial que, após ter a família assassinada, se infiltra em uma quadrilha de marginais viciados em uma nova droga criada pelo exército estadunidense a fim de vingar a morte de seus entes. Contudo, Payne acaba sendo culpado injustamente pela morte de seu parceiro e passa a ser perseguido por criminosos e policiais.

Max Payne – Trailer:

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Crítica:

O mais novo filme dirigido por John Moore é, na realidade, uma salada cinematográfica. Prepare-a da seguinte maneira: misture muitas fatias de “Desejo de Matar” (se a batida estória de vingança já era realmente batida nos tempos da série protagonizada por Charles Bronson, quiçá nos dias atuais), algumas folhas de “Constantine” (efeitos visuais com direito a anjos negros, construções em chamas (que nos remetem à lembrança do inferno) e muito mais, sem contar o final “redentor” do protagonista (“___ Agora sim eu creio em anjos!”), é claro), duzentos gramas fatiados de “Os Infiltrados” (leia a sinopse e saberá o porquê), cinqüenta gramas de “A Identidade Bourne” (repare na seqüência inicial do longa, que conta com Mark Wahlberg afundando na água), muito, mas muito mesmo, “Rambo 2: A Missão” (afinal de contas, o protagonista se mostra capaz de matar, sozinho, dezenas de pessoas armadas até os dentes) ralado, e pronto, teremos “Max Payne”. Ops, mas espere aí, não está faltando algo? Um ingrediente especial ou um toque do próprio cozinheiro? Acontece que o cozinheiro aqui, tal como a sua equipe de auxiliares, não faz nada além de inserir ingredientes já utilizados infinitas vezes por outros profissionais da área.

E se o filme em questão nada mais é do que uma descarada mistureba dos aspectos das obras mencionadas no parágrafo anterior, o mínimo que podemos esperar deste é que ao menos funcione corretamente como entretenimento, não é? Pois é, mas o problema mor está justamente aí, nem como mera diversão “Max Payne” funciona. Qual o maior defeito que uma produção cinematográfica que visa apenas divertir o seu público alvo pode possuir? Se revelar um filme chato e não conseguir diverti-lo, correto? Exato, e a obra protagonizada por Mark Wahlberg falha gravemente neste quesito, uma vez que a mesma conta com uma ação levemente eficaz, mas muito má distribuída ao longo de sua projeção.

“Max Payne” já começa mal. Logo no início somos bruscamente apresentados ao protagonista da estória imergindo vagarosamente em um lago de Nova York. Depois, ficamos sabendo que o mesmo almeja buscar vingança contra os responsáveis pela morte de sua família. Em seguida, o roteiro nos introduz a algumas cenas de ação que não cativam em momento algum e, a partir de então, o personagem-título nem ao menos é explorado pelo roteiro. Não sabemos nada mais sobre o mesmo, exceto o desejo deste em se infiltrar na quadrilha e, conforme fora citado há pouco, se vingar dos assassinos de sua esposa e filho (lembrou-se de mais algum filme? Exato, “Mad Max”, como pude deixar de mencioná-lo no primeiro parágrafo?). Agora, sejamos francos, se o roteiro nem ao menos se preocupa em abordar de forma mais ampla o protagonista da estória, como este quer que nos cativemos com o mesmo? A sensação que fica é a de que o filme só se compromete em agradar os fãs do game, uma vez que estes certamente estão muito mais familiarizados com o personagem-título.

Até mesmo Mark Wahlberg, que na grande maioria das vezes realiza uma atuação competente, se mostra insatisfatório devido à visível fragilidade do péssimo roteiro de Beau Thorne que força-o a atuar de maneira extremamente caricata. Wahlberg é o tipo de ator cujo talento consegue realizar a incrível façanha de maquiar ligeiramente o pavoroso roteiro de “Fim dos Tempos”, graças à seu seguro trabalho, mas em “Max Payne” ele não se mostra capaz de salvar nem um pouco o filme, muito pelo contrário, torna a situação ainda mais desastrosa.

Adotando uma carranca mal-humorada durante o tempo todo, o ex-rapper transforma o seu personagem no estereótipo do sujeito amargurado, taciturno, e que segue a batida linhagem do indivíduo “bata primeiro, pergunte depois”. Uma espécie de Charles Bronson da segunda idade (e não é a toa que citei “Desejo de Matar” no primeiro parágrafo desta crítica, afinal de contas, “Max Payne” copiou não somente a estória daquele filme como também os trejeitos do protagonista). As demais atuações também são todas desastrosas.

O quê? Ah sim, eu sei que as pessoas que vão aos cinemas assistir ao longa de John Moore não estão tão preocupadas em avaliar a obra tomando por base características como atuação do elenco, direção, roteiro, entre outras coisas. O que eles querem mesmo é ação e efeitos visuais de primeira. Pois é como já fora previamente citado, as seqüências de ação deste “Max Payne” são levemente eficazes, mas muito má distribuídas pelo roteiro, podendo ser conferidas apenas no terceiro ato da mesma. E mesmo sendo eletrizantes (em especial a seqüência final), não há como deixarmos de notar a artificialidade presente nas mesmas. Pode-se observar tal falta de naturalidade não só através da facilidade com que o personagem-título elimina os seus opositores, contando com pouco ou nenhum auxílio, mas também pelo “sexto sentido” que Payne possui, a ponto de notar a presença de seus opositores até mesmo quando estes encontram-se perfeitame
nte bem escondidos ou tentam assassinar-lhe de surpresa pelas costas.

Outra grave falha presente em tais seqüências é a praticamente nula periculosidade a qual o protagonista é exposto diante das mesmas. Lembro-me perfeitamente que ao dissertar sobre “Star Wars – Episódio IV – Uma Nova Esperança” informei que a maior qualidade daquele filme era o modo como as suas seqüências de aventura, sobretudo o ataque à Estrela da Morte, se mostravam capazes de criar um clima amplamente tenso no espectador, expondo sempre os heróis do longa a uma altíssima periculosidade. Em “Max Payne” isto nunca ocorre, e quando pensamos que irá ocorrer, simplesmente aparece alguém na hora H e salva o protagonista (criativo, não?). Não bastasse Moore conferir uma fraca direção (ele nada mais faz que manter a câmera ligada enquanto os atores fingem que atuam e os responsáveis pelos efeitos visuais e CGI trabalham) à obra, ele também não se revela capaz de (salvo em alguns momentos) criar quaisquer tensões em seus espectadores.

Os efeitos visuais também deixam muito a desejar, funcionando apenas quando “resolvem” criar explosões e simular edifícios pegando fogo. No mais, se revelam cópias fiéis dos efeitos do ótimo “Constantine”, principalmente no que diz respeito a aparição de anjos negros.

Mas nem tudo são falhas no filme. Além das raras seqüências de ação que realmente valem a pena ser conferidas e dos poucos efeitos visuais que funcionam bem, “Max Payne” conta com uma fotografia magistralmente escura que, casada com uma direção de arte responsável pela construção de uma Nova York sombria e tomada pelo crime e pelas drogas, cria um clima gótico mais do que apropriado ao longa, uma vez que, após perder a família, o policial infiltrado no submundo da delinqüência passa a olhar o mundo de maneira depressiva e pessimista.

Visualmente belo, mas visivelmente falho como entretenimento e, principalmente, Arte. Esta frase resume bem “Max Payne”, um filme que se atreveu a plagiar sem quaisquer indícios de escrúpulos aspectos de diversas obras cinematográficas.

Avaliação Final: 3,0 na escala 10,0.

007 – Quantum of Solace – ** de *****

Nada mais justo do que utilizar esta pré-crítica a fim de demonstrar o carinho que sinto pela série “007”, uma vez que, como crítico de Cinema, jamais tive a oportunidade de fazê-lo, haja visto que nunca havia criticado um outro filme da saga anteriormente (exceto “007 – Cassino Royale” onde eu realizei um breve comentário sobre o mesmo). Quando escrevi sobre “Os Caçadores da Arca Perdida” fiz questão de deixar bem claro que nunca fui, e continuo não sendo, um grande fã da saga “Indiana Jones”, apesar de reconhecer todos os acertos da mesma. No mesmo texto mencionei o meu fanatismo incondicional pelas franquias “Guerra nas Estrelas”, “De Volta Para o Futuro” e “007”, uma vez que, não fosse pelas mesmas, jamais nutriria o amor que hoje em dia nutro por Cinema e nunca seria capaz de apreciar a filmes de cineastas como Kubrick, Fellini, Antonioni, Leone, Bergman, Kurosawa, Renoir, Truffaut, Bresson e muitos outros. Sendo assim, só tenho a agradecer à maravilhosa saga “007” e, mesmo que este 22° episódio da mesma tenha se revelado um dos piores filmes de toda a franquia, é uma honra incontestável poder criticá-lo durante a época de seu lançamento nos cinemas. Vamos à análise então.

Ficha Técnica:
Titulo Original: 007 – Quantum of Solace.
Gênero: Aventura.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: http://www.007quantumofsolace.com.br/
Tempo de Duração: 105 minutos.
Diretor: Marc Forster.
Roteirista(s): Paul Haggis, Neal Purvis e Robert Wade.
Elenco: Daniel Craig (James Bond), Olga Kurylenko (Camille), Mathieu Amalric (Dominic Greene), Judi Dench (M), Giancarlo Giannini (Mathis), Gemma Arterton (Strawberry Fields), Jeffrey Wright (Felix Leiter), David Harbour (Gregg Beam), Jesper Christensen (Sr. White), Anatole Taubman (Elvis), Rory Kinnear (Tanner), Joaquín Cosio (General Medrano), Lucrezia Lante della Rovere (Gemma), Glenn Foster (Mitchell), Paul Ritter (Guy Haynes), Simon Kassianides (Yusef), Stana Katic (Corinne), Neil Jackson (Sr. Slate), Fernando Guillén Cuervo (Coronel da polícia), Guillermo del Toro (voz) e Alfonso Cuarón (voz).
Sinopse: Após capturar o criminoso Mr. White (Jesper Christensen), James Bond (Daniel Craig) descobre a existência de uma perigosa organização alcunhada de Quantum que pretende auxiliar um ex-ditador a retomar o poder na Bolívia em troca de uma parte significante de um deserto no interior daquele país.
007 – Quatum of Solace – Trailer:

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Crítica:
A seqüência pré-crédito de “007 – Quantum of Solace” (que, diga-se de passagem, se revela a pior seqüência de abertura de um filme protagonizado por James Bond) resume bem a produção em sua totalidade: ação frenética e desenfreada, embora execravelmente dirigida e curta demais. Pois é, logo em seu intróito, esta 22ª aventura do agente secreto mais famoso do Cinema já revela todos os erros e todos os acertos inseridos no longa inteiro. Começamos com uma perseguição de carros simplesmente eletrizante e desesperadora, mas que acaba sendo atrapalhada pelo péssimo trabalho de Marc Forster que, infelizmente, realiza cortes rápidos demais entre uma cena e outra, tornando a ação desnecessariamente artificial e, não fosse pelo brilhante trabalho realizado pelo diretor alemão no fraco “O Caçador de Pipas” (cuja exigüidade do longa reside no roteiro deste, e não na direção que é simplesmente ótima), diria que o mesmo deveria ter abandonado a sua carreira há anos.
Mas o maior responsável pelo fracasso de “Quantum of Solace” não é a direção de Forster e sim o roteiro de Robert Wade, Neal Purvis e Paul Haggis (aliás, muito me surpreende ver o nome de Haggis em um roteiro tão patético como este, uma vez que o roteirista foi o responsável pelos oscarizados “Crash – No Limite” e “Menina de Ouro”). Contando com uma premissa fraca e nada atraente, o script do longa em questão se revela fraco o bastante a ponto de torná-la ainda mais desinteressante do que esta já seria por si só, conforme será explanado no parágrafo infra.
Baseado na crescente onda de líderes comunistas que dão golpes de estado e assumem o poder absoluto em países latino-americanos (a propósito, é incrível ver como Hollywood adora atacar líderes de esquerda, não? Será que eles não sabem que Hugo Chaves assumiu o poder mediante voto popular, ou seja, não deu golpe algum? É fácil para a imprensa, inclusive a nacional (liderada pela repugnante Rede Globo de Televisão), deturpar os fatos do que vem acontecendo na Venezuela a fim de alienar o povo, difícil mesmo é mostrar imparcialmente o que realmente está ocorrendo), o filme narra o envolvimento da organização criminosa Quantum (a mesma de “007 – Cassino Royale”) com um ex-líder comunista boliviano que almeja voltar ao poder. Ao passo em que a organização contribui de todas as formas possíveis para que o político regresse ao poder, esta passa a exigir do mesmo uma significante parte de um deserto localizado no interior do país. Aparentemente, o interesse dos vilões naquela parte árida da América do Sul consiste na obtenção de petróleo, contudo, o filme se desenvolve e constatamos que o bem almejado pela organização Quantum é outro muito mais inerente ao ser humano. E é justamente aí que reside um dos maiores defeitos do longa: o plano absurdo, inverossímil e implausível dos terroristas. Tão intangível que nos remete à lembrança de “007 Contra o Foguete da Morte” (não no que diz respeito à execução deste, mas sim ao excesso de abstração do mesmo).
E falando em “007 Contra o Foguete da Morte”, é absurdamente impossível não ligarmos um outro grave defeito presente no filme de 1.979 a este mais novo exemplar da série “007”: o excesso de locações para um filme que possui uma estória quase nula. Ao invés de concentrar-se em um único lugar do globo terrestre, o roteiro parece fazer questão de jogar o espectador em vários locais do planeta, funcionando mais como um guia turístico de 105 minutos do que como um filme propriamente dito. O maior problema é que a trama, em momento algum, faz jus a tantas idas e vindas, assim como ocorria em “007 Contra Gondeneye”, filme onde cada viagem realizada pelo protagonista contava com um motivo plausível para ser efetuada.
Não bastasse a direção insatisfatória de Forster, o roteiro pífio de Wade, Purvis e Haggis, e o injustificável excesso de locações, “Quantum of Solace” ainda nos faz o “favor” de criar um vilão e uma bondgirl nada interessantes. Dominic Greene só não é um antagonista ainda mais patético em virtude à ótima atuação de Mathieu Amalric (que já havia mostrado um trabalho fabuloso em “O Escafandro e a Borboleta”), que confere ao personagem um garboso sotaque francês e algumas risadas cínicas que denotam um pouco de seu caráter, do contrário, Greene poderia muito bem ter sido substituído por um efeito em CGI, bem como um rato gigante traj
ado em um terno, caso tal permuta não soasse uma jogada tão artificial e absurda por parte do roteiro, é claro.
Mais desprezível que o vilão Greene é a bondgirl Camille, vivida por Olga Kurylenko, que parece só fazer parte da trama para não fugir de uma tradição que a série vem mantendo desde o seu primeiro episódio. Composta de maneira nada cativante, Camille é, talvez, a bondgirl mais dispensável de todos os tempos. Absolutamente nenhuma característica proveniente da moça se revela capaz de chamar a nossa atenção (salvo, é claro, a mescla de beleza latina com charme europeu desta), nem mesmo a sua sofrida estória. Uma parte desta culpa deve-se à inexpressividade de Kurylenko, que em momento algum confere o carisma inerente à personagem, a outra parte deve-se ao roteiro que não se preocupa nem um pouco em caracterizar a mocinha da estória de maneira mais cativante.

Destarte, “007 – Quantum of Solace” não é somente esta pilha de defeitos que fora comentada até então. Muito pelo contrário, apesar de estar a anos-luz de poder ser simplesmente encarado como um filme bom (para falar a verdade, é um dos piores da franquia), esta 22ª aventura da saga se mostra, ao menos, capaz de divertir o seu público alvo. No primeiro parágrafo desta crítica fora comentado o fato das cenas de ação do filme serem curtas demais. Sim, são tão curtas que quando você começa a se emocionar com as mesmas, elas repentinamente se encerram, tornando-se um tanto o quanto, com o prévio perdão da palavra, broxantes. Contudo, não há como negar que as mesmas sejam cativantes e suficientemente divertidas a ponto de prender o espectador na poltrona durante o filme todo.

O modo como o roteiro distribui as seqüências de aventura também é algo invejável. A trama pode não ser das melhores, bem como o desenvolvimento de muitos de seus personagens, mas o script ao menos foi capaz de “maquiar” este terrível engodo semeando estrategicamente diversas cenas curtas de aventura por todo o filme, fazendo com que o mesmo, em raros momentos, se torne cansativo e/ou entediante (e sejamos francos, está cada vez mais difícil ir aos cinemas e conferir um filme de ação que realmente valha a pena, prova disso é o recente e enfadonho “Max Payne”). Em outras palavras, apesar de todos os defeitos, “Quantum of Solace” se revela um longa tão dinâmico quanto “007 Contra Octopussy” (que, por incrível que pareça, durante a minha infância era o meu ‘Bond’ predileto), “007 – Somente Para os Seus Olhos”, “007 – Permissão Para Matar” e “Moscou Contra 007”.

O grande trunfo do filme, no entanto, fica por conta de Daniel Craig e a sua perfeita composição de James Bond. Encarnando o protagonista com a mesma frieza (repare como ele deixa, sem demonstrar quaisquer sinais de arrependimentos, o corpo de um amigo recém falecido guardado em uma lixeira) e violência utilizada no ótimo “007 – Cassino Royale”, o primeiro ator loiro que veio a protagonizar os filmes da franquia usa todo o seu talento a fim de executar uma atuação ainda mais convincente e cativante do que a que fora realizada no 21° filme da saga. E se no filme anterior Craig mostrava-se bem menos charmoso do que Pierce Brosnan se revelou em “007 – O Amanhã Nunca Morre”, neste “Quantum of Solace” o britânico dá a volta por cima e confere ao longa, praticamente, o mesmo garbo adotado por Sean Connery em “007 Contra Goldfinger”. É simplesmente cativante vermos o modo natural como o ator alterna entre o agente secreto extremamente bruto (vide a seqüência em que Bond elimina quatro oponentes dentro de um elevador) e charmoso (vide a seqüência, logo após a do elevador, onde Bond utiliza o calcanhar para empurrar delicadamente o braço de um oponente seu para dentro da cabina, a fim de permitir com que a porta desta se feche automaticamente).

“Quantum of Solace” falha gravemente no que diz respeito à direção e roteiro, além de criar seqüências de ação curtas demais, mas ao menos se revela um filme dinâmico e violento na medida certa, mantendo o mesmo ritmo que o seu antecessor e provando que Daniel Craig, definitivamente, veio para ficar.

Avaliação Final: 5,0 na escala de 10,0.

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