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Oscar 2009 – Comentários Sobre a Premiação

Matarei três coelhos com uma cajadada só aqui neste post: publicarei a lista com os vencedores (‘negritados’) e indicados de cada categoria, contabilizarei meus acertos e erros com relação às previsões que realizei, e comentarei as injustiças cometidas (bem como os acertos, é lógico) pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Vamos lá?


Melhor Filme:
Quem Quer Ser um Milionário?
O Curioso Caso de Benjamin Button
Frost/Nixon
Milk – A Voz da Igualdade
O Leitor
1º acerto meu.

Comentários: há tempos eu dizia que a vitória deste filme seria uma das vitórias mais previsíveis da história do Oscar. “Quem Quer Ser um Milionário?” estava faturando todos os principais prêmios do ano e muito dificilmente deixaria de vencer o Oscar. Francamente, considero o longa filmado na Índia um tanto o quanto superestimado e, nem em meus sonhos mais bizarros, imaginaria ele vencendo oito estatuetas. Mas há o lado bom nisso tudo: a quebra de preconceitos da Academia. Quem, há dez anos atrás, iria imaginar a entidade dando total importância a uma produção rodada em um país completamente subdesenvolvido, rodeado pela pobreza? Quem, há dez anos atrás, iria imaginar que um filme com um elenco completamente desconhecido venceria tantos prêmios? Injusto ou não, merecido ou não, previsível ou não, ao menos a vitória de “… Milionário?” teve a sua importância no que diz respeito à quebra de paradigmas.

Melhor Ator:
Sean Penn – Milk – A Voz da Igualdade
Richard Jenkins – The Visitor
Frank Langella – Frost/Nixon
Brad Pitt – O Curioso Caso de Benjamin Button
Mickey Rourke – O Lutador

1° erro meu.
Comentários: a Academia vem sendo cada vez menos preconceituosa (a ponto de dar o prêmio a um ator que interpreta um homossexual), mas cada vez menos tolerante também. Rourke realizou um trabalho irretocável aqui e incorporou um ex-lutador famoso de maneira impecável, mas ainda assim os votantes não esqueceram da seguinte frase: “___ Seu passado o condena, Rourke!”. Sempre tido como canastrão, o ator ainda não conquistou os votantes a ponto de merecer um prêmio, segundo os membros da Academia. Torcia para ele, senão, para Frank Langella que encarnou Richard Nixon com uma perfeição e naturalidade fora do comum, mas enfim, deu Sean Penn. Injusto? Não, gostei muitíssimo de Sean Penn em “Milk – A Voz da Igualdade”, mas não julgo o trabalho dele digno de tanto merecimento. Não por ele, que repito: fez um ótimo trabalho encarnando Harvey Milk, mas por Rourke e Langella que, de fato, estavam melhor. Pitt e Jenkins também “mandaram” muito bem, mas ficaram longe de merecer faturar este importante prêmio.

Melhor Atriz:
Kate Winslet – O Leitor
Anne Hathaway – O Casamento de Rachel
Angelina Jolie – A Troca
Melissa Leo – Rio Congelado
Meryl Streep – Dúvida

2° acerto meu.

Comentários: a vitória de Kate Winslet foi mais política do que merecimento. Há muito tempo que a celebridade merecia faturar um prêmio e na ansiedade de livrar-se de uma vez por todas de comentários da natureza de: “___ Por que Winslet nunca venceu um Oscar?”, os membros da Academia logo deram o prêmio à eterna Rose do superestimado “Titanic” e livraram-se deste fardo. Winslet fez uma grande atuação em “O Leitor”, não se tenha dúvidas, mas francamente, creio que não conseguiu bater Meryl Streep, Angelina Jolie (tava gostosona no Oscar, hein?) e, principalmente, Anne Hathaway. De uma forma ou de outra, não creio que a sua vitória fora necessariamente injusta, só acredito que o prêmio estaria melhor nas mãos de outras concorrentes. Melissa Leo fez um bom trabalho no ótimo “Rio Congelado”, mas estava longe de merecer esta indicação.
Melhor Ator Coadjuvante:

Heath Ledger – Batman – O Cavaleiro das Trevas
Josh Brolin – Milk – A Voz da Igualdade
Robert Downey Jr. – Trovão Tropical
Philip Seymour Hoffman – Dúvida
Michael Shannon – Foi Apenas Um Sonho

3° acerto meu.
Se alguém duvidasse que Ledger venceria este prêmio, desculpe-me a sinceridade, mas deve parar de “brincar de adivinhar” o Oscar. Barbada, só isso. Mereceu? É claro que sim, foi um Oscar póstumo mais do que merecido, pois o trabalho dele é a segunda maior qualidade de “Batman – O Cavaleiro das Trevas”. A primeira? O personagem de Ledger, é claro. Enfim, não há muito o que comentar, em uma categoria onde o trabalho de todos os indicados foi, no mínimo, muito bom, Ledger se destacou por ser o único a conseguir “roubar” o filme todo para si mesmo.
Melhor Atriz Coadjuvante:

Penelope Cruz – Vicky Cristina Barcelona
Amy Adams – Dúvida
Viola Davis – Dúvida
Taraji P. Henson – O Curioso Caso de Benjamin Button
Marisa Tomei – O Lutador
4° acerto meu.
Comentários: a Academia não iria resistir à tentação de dar, ao menos, um Oscar a “Vicky Cristina Barcelona” (que deveria ter concorrido a Melhor Filme também). Muito menos iria resistir à tentação de dar, ao menos, um Oscar a Penélope Cruz e livrar-se de uma vez por todas dos mesmíssimos comentários que as pessoas faziam acerca de Kate Winslet: “___ Por que Cruz nunca venceu um Oscar?”. Sem contar, é claro, na oportunidade de ver o casal de “Vicky Cristina Barcelona” (Javier Barden e Penélope Cruz) juntos no palco. Um Oscar bastante previsível, quase tão certo quanto a vitória de Ledger. Cruz mereceu? Confesso que preferi o trabalho de Viola Davis em “Dúvida”, mas ainda assim não diria que a sua vitória foi necessariamente injusta. As demais atrizes também encarnaram muito bem os seus respectivos papéis.

Melhor Diretor:
Danny Boyle – Quem Quer ser um Milionário?
David Fincher – O Curioso Caso de Benjamin Button
Ron Howard – Frost/Nixon
Gus Van Sant – Milk – A Voz da Igualdade
Stephen Daldry – O Leitor
5° acerto meu.

Comentários: juro que considero “Quem Quer Ser um Milionário?” um filme apenas “na média”, mas se tem algo que me atraiu bastante nesta superestimada produção foi a direção de Danny Boyle. Revolucionária, certeira, inovadora, criativa. Com todos estes adjetivos, somados ao fato de eu a ter considerado a melhor direção de 2008, será que resta alguma dúvida de que considerei a premiação justíssima? Gostei muito das outras atuações, mas não indicaria Howard e Daldry. Van Sant talvez eu indi
casse e Fincher certamente marcaria presença aqui.
Melhor Roteiro Original:

Dustin Lance Black – Milk – A Voz da Igualdade
Courtney Hunt – Rio Congelado
Mike Leigh – Simplesmente Feliz
Martin McDonagh – Na Mira do Chefe
Andrew Stanton – WALL•E

6° acerto meu.

Comentários: “Na Mira do Chefe” ganhou o Bafta? Sim, ganhou. Ganhou outros prêmios importantíssimos? Sim, ganhou. Mas o que é isso tudo perante ao fato de “Milk – A Voz da Igualdade” ter sido indicado a Melhor Filme e “Na Mira do Chefe” não? Apesar de não ser tão previsível quanto outras categorias, a vitória de “Milk…” era mais provável que a vitória de seus demais concorrentes. Foi justa? Sob hipótese alguma. Oras, onde já se viu um roteiro que conta com uma narrativa tão ‘manjada’ e episódica vencer este prêmio? Francamente, julgo o roteiro de “Milk…” o segundo mais fraco dentre os indicados, “perdendo” apenas para “Simplesmente Feliz”, que é péssimo e repugnante. Quanto aos demais, acredito que somente “Wall-E” e “Rio Congelado” (e podem xingar a vontade que eu, com toda a falta de democracia que me é inerente, excluo o comentário, ou então faço outro xingando de volta com palavras muito mais pesadas, assim como fiz com o imbecil que se atreveu a discordar de mim em “Homem de Ferro”) tenham merecido a indicação.

Melhor Roteiro Adaptado:

Quem Quer ser um Milionário?, Simon Beaufoy
O Curioso Caso de Benjamin Button, Eric Roth e Robin Swicord
Dúvida, John Patrick Shanley
Frost/Nixon, Peter Morgan
O Leitor, David Hare

7° acerto meu.

Comentários: creio que raramente um vencedor de Melhor Filme perderia o prêmio de Melhor Roteiro, seja Original ou Adaptado. A vitória de “Quem Quer Ser um Milionário?” nessa categoria era mais do que óbvia. Mereceu? Não. Tanto “Dúvida”, quanto “Frost/Nixon”, quanto, principalmente, “O Leitor” eram bem melhores neste quesito. E “… Benjamin Button”? Já disse mil vezes e torno a repetir, o filme roteirizado por Eric Roth e Robin Swicord é fortíssimo do ponto de vista visual, mas se tem algo que o atrapalha completamente, é o seu fraco roteiro. Não merecia nem ao menos estar concorrendo aqui.

Melhor Filme Estrangeiro:

Departures
Der Baader Meinhof Komplex
The Class
Revanche
Waltz with Bashir

2° erro meu.
Comentários: Oscar também é política (e refiro-me à política no contexto global da palavra), logo, era quase certo que a guerra no Oriente Médio iria atrapalhar o filme israelense, e eu “dormi” no ponto ao não deduzir isso. De toda a forma, um filme que estava ganhando bastante respeito nesta categoria era “The Class”, e sabe-se lá o porquê a Academia optou pelo filme japonês, cujo simples fato de ser indicado já pareceu ser um zebra das grandes. Um prêmio estranho, a única grande surpresa da noite. Foi justo? Admito humildemente que não assisti a nenhum dos indicados, logo, mantenho-me calado aqui.

Melhor Animação:

WALL•E
Bolt – Supercão
Kung Fu Panda

8° acerto meu.

Comentários: “Bolt – Supercão” foi o último filme a que assisti antes da cerimônia e me apaixonei pelo mesmo. Adorei a saga do cãozinho, apesar de suas visíveis falhas. “Kung Fu Panda” assisti pela primeira vez em julho do ano passado, se não me falha a memória, e confesso não ter gostado muito do filme. “Wall-E”, por sua vez, além de contar com um personagem carismático e com uma beleza gráfica incomparável, nos traz uma estória bastante crítica no que diz respeito ao excesso de consumismo do ser humano neste mundo capitalista. Soma-se tudo isto ao apego que a Academia tem pela Pixar, agora Disney-Pixar, e aos outros Oscar a que “Wall-E” foi indicado, incluindo o importantíssimo prêmio de Melhor Roteiro Original, e pronto, não há Annie Awards que mude a cabeça dos votantes.

Melhor Fotografia:
Quem Quer Ser um Milionário?, Anthony Dod Mantle
A Troca, Tom Stern
O Curioso Caso de Benjamin Button, Claudio Miranda
Batman – O Cavaleiro das Trevas, Wally Pfister
O Leitor, Chris Menges e Roger Deakins
9° acerto meu.
Comentários: a Fotografia de “Quem Quer Ser um Milionário?” era, sem dúvidas, a mais ousada e revolucionária de todas (aliás, por que conferir uma parte técnica tão revolucionária a um filme tão convencional em sua parte artística?), o que não quer dizer que fosse, realmente, a melhor. Mencionei em meu texto sobre “… Benjamin Button” que a fotografia de Cláudio Mirando era uma das mais “limpas” que eu já havia visto desde “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei”, logo, torci bastante para que ela vencesse. Dentre os demais indicados, todos mereceram a indicação, apesar de “O Leitor” ter utilizado a sua fotografia para dar ênfase demais às cenas de sexo do filme.
Melhor Direção de Arte:

O Curioso Caso de Benjamin Button
A Troca
Batman – O Cavaleiro das Trevas
A Duquesa
Foi Apenas um Sonho
10° acerto meu.

Comentários: uma coisa era certa: se os membros cedessem Melhor Fotografia à “… Milionário” atribuiriam Melhor Direção de Arte ao seu maior concorrente. Por que? Porque além de o filme estrelado por Brad Pitt ser de uma beleza visual fantástica, e isso inclui até mesmo os cenários do longa, duvido muito que a Academia gostaria de vê-lo sair de mãos abanando da cerimônia, principalmente após ter deixado claro que adorou a parte visual do filme. Prêmio merecido? Sem dúvidas, afinal de contas, é muito difícil recriar várias décadas em um único filme.
Melhor Figurino:

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A Duquesa
Austrália
O Curioso Caso de Benjamin Button
Milk – A Voz da Igualdade
Foi Apenas um Sonho
11° acerto meu.
Comentários: queria muito ter o assistido antes da cerimônia e por pouco não fiz. Uma pena, sabia que iria vencer esta categoria e gostaria de poder comentar se merecia ou não. Particularmente, torcia para “… Benjamin Button” pelos mesmos motivos que torci em Melhor Direção de Arte, mas não há como negar que a Academia tende, cada vez mais, tende a conferir este prêmio a épicos sobre romances fúteis, como é o caso de “A Duquesa” neste ano e foi o caso de “Elizabeth – A Era de Ouro” no ano passado.

Melhor Documentário:
Man on Wire
The Betrayal (Nerakhoon)
Encounters at the End of the World
The Garden
Trouble the Water
12° acerto meu.
Comentários: o filme ingles era uma barbada ainda maior do que a vitória de “Quem Quer Ser um Milionário?” em Melhor Filme. “Man on Wire” vinha vencendo os principais prêmios que precediam o Oscar, logo, era de se esperar que saísse com a estatueta na mão. Merecido? Não sei, não assisti a nenhum documentário.
Melhor Documentário em Curta-Metragem:
Smile Pinki
The Final Inch
The Conscience of Nhem En
The Witness – From the Balcony of Room 306
3° erro meu.
Comentários: se “Departures” foi a grande surpresa da noite, este “Smile Pinki” foi a pequena surpresa da mesma. Tomando por base os boatos que tinha ouvido até então, decidi apostar em “The Conscience of Nhem En”, com uma grande impressão de que “The Witness – From the Balcony of Room 306” poderia vencer também. No entanto, nem um, nem outro, a Academia surpreendeu (algo que fez muito pouco durante a noite de ontem) e conferiu a estatueta ao desconhecidíssimo “Smile Pinki”. Não assisti a nenhum dos indicados.

Melhor Montagem:
Quem Quer Ser um Milionário?
O Curioso Caso de Benjamin Button
Batman – O Cavaleiro das Trevas
Frost/Nixon
Milk – A Voz da Igualdade

13° acerto meu.
Comentários: é realmente a Melhor Montagem e a Academia tem dado, cada vez mais, preferências a filmes que contem com Edição que os tornem dinâmicos e ágeis. Isso aconteceu com “O Ultimato Bourne” no ano passado e não poderia ser diferente com “… Milionário?”. Prêmio mais do que merecido. Dos demais candidatos, não indicaria “Milk…” cuja edição é pavorosa, e nem “Frost/Nixon” que fez um bom trabalho nesta categoria e só.

Melhor Maquiagem:

O Curioso Caso de Benjamin Button, Greg Cannom
Batman – O Cavaleiro das Trevas, John Caglione, Jr. e Conor O’Sullivan
Hellboy II – O Exército Dourado, Mike Elizalde e Thom Floutz
14° acerto meu.

Comentários: é raro vermos a Academia esnobar um filme nesta categoria quando a mesma se torna inerente à sua estória. Imaginou como seria “… Benjamin Button” sem transformar Pitt, um sujeito de meia-idade, em uma uva-passa e ir rejuvenescendo-o cada vez mais, até transforma-lo em um garoto de seus quinze anos? Certamente os votantes levaram isso em conta e conferiram ao filme o merecido prêmio. Quanto aos demais, mereceram a indicação, mas estão longe de chegar aos pés de “… Benjamin Button” nesta categoria.
Melhor Trilha Sonora:

Quem Quer Ser um Milionário?
O Curioso Caso de Benjamin Button
Um Ato de Liberdade
Milk – A Voz da Igualdade
WALL-E

15° acerto meu.
Comentários: é uma trilha-sonora exótica, bem diferente das demais, e isso chamou a atenção da Academia, que parece estar querendo inovar ultimamente (o problema é que está inovando erroneamente, mas ainda assim, não há como negar que está, de fato, inovando). Particularmente, não achei a trilha sonora de “… Milionário?” lá muito excepcional, mas também não a achei tão manipuladora quanto às trilhas de “… Benjamin Button” e “Milk…” (que são belas sim, mas maniqueístas ao extremo). Torci para “Wall-E” que era bem superior às demais (e cadê “Batman – O Cavaleiro das Trevas” nesta categoria? Cadê “O Lutador”?). Não assisti a “Um Ato de Liberdade”, devo faze-lo amanhã, ou depois.

Melhores Efeitos Visuais:

O Curioso Caso de Benjamin Button
Batman – O Cavaleiro das Trevas
Homem de Ferro
16° acerto meu.
Comentários: assim como a Maquiagem de “… Benjamin Button” é inerente ao desenvolvimento da trama, os Efeitos Visuais do filme também o são, e a Academia adora isso. Logo, vitória merecida para o filme de Eric Roth que não utiliza os Efeitos Visuais para preencher buracos no roteiro, mas sim para tornar a narrativa mais real (se é que há algo de real naquilo).
Melhor Canção Original:

“Jai Ho”, Quem Quer Ser um Milionário?
“Down to Earth”, WALL-E
“O Saya”, Quem Quer Ser um Milionário?

4° erro meu.
Comentários: errei de teimoso, merecia apanhar na bunda. Sabia que “Jai Ho” tinha mais chances, mas ainda assim quis acreditar em “Down to Earth”. Os motivos da vitória de “… Milionário?” em Canção Original são os mesmos motivos do mesmo filme em Trilha Sonora: a Academia está buscando o novo e o exótico. Mereceu? Não, em contrapartida à cativante canção de “Wall-E”, “Jai Ho” é um monte de batuques insuportáveis de serem ouvido. E mais uma vez eu pergunto: cadê “O Lutador” nessa categoria?

Melhor Curta de Animação:

La Maison en Petits Cubes
Lavatory – Lovestory
Oktapodi
Presto
This Way Up

5° erro meu.

Comentários: outro erro que cometo por causa de minha teimosia, e desta vez mereço apanhar na bunda mais uma vez, só que de reio. Amei tanto a animação “Presto” que nem quis saber das chances que esta tinha ou não. Ignorei o fato de que, mesmo sendo favorita, “Presto” estava perdendo muita força é “La Maison em Petits Cubes” estava ganhando cada vez mais fôlego. A Academia deve-o ter premiado pois o curta conta com uma mensagem ambiental e tudo mais, os membros da entidade adoram isso.

Melhor Curta-Metragem:
Spielzeugland (Toyland)
Auf der Strecke (On the Line)
Manon on the Asphalt
New Boy
The Pig
6° erro meu.
Comentários: outra grande pequena surpresa da noite. Desta vez quem merece apanhar na bunda, e de reio, são os votantes. Muito comentava-se sobre o favoritismo de “New Boy”, mas ainda apontavam “The Pig” e “Auf der Strecke” como possíveis vencedores. Venceu o menos provável “Spielzeugland”. Bem, ao menos em algumas categorias a Academia tinha que ser imprevisível, não? Optou pelas categorias menos aclamadas. Qual achei o melhor? Adivinhem só, não assisti a nenhum deles.

Melhor Edição de Som:

Batman – O Cavaleiro das Trevas
Homem de Ferro
Quem Quer se um Milionário?
WALL-E
O Procurado
7° erro meu.
Comentários: nesta categoria eu tinha que apanhar não apenas nas nádegas como também no resto do corpo e ser apedrejado em seguida. Apostei em “… Milionário?”, mas comentei que tinha uma voz baixa em meu ouvido dizendo: “___ Daniel, seu burro, aposte em “Batman – O Cavaleiro das Trevas”. Pois é, levei em conta a vitória de “… Milionário?” no Bafta por Melhor Mixagem de Som e achei que a Academia fosse adotar a opinião dos ingleses para ambas as categorias de som.

Melhor Mixagem de Som:

Quem Quer ser um Milionário?
O Curioso Caso de Benjamin Button
Batman – O Cavaleiro das Trevas
WALL-E
O Procurado

17° acerto meu.
Comentários: pois bem, se a minha lógica em relação ao Bafta falhou em Edição de Som, ao menos ela serviu infalivelmente em Melhor Mixagem de Som. “… Milionário?” é o mais fraco dentre os demais indicados a essa categoria, mas sabe-se lá o porquê venceu? Tem coisas que nem Freud explica (e o que tem a ver Psicanálise com Cinema?).

Vencedores e total de prêmios:

Quem Quer Ser um Milionário? – 8 Oscar (Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Roterio Adaptado, Melhor Montagem, Melhor Fotografia, Melhor Trilha Sonora, Melhor Canção Original e Melhor Mixagem de Som).
O Curioso Caso de Benjamin Button – 3 Oscar (Melhor Direção de Arte, Melhor Maquiagem, Melhores Efeitos Visuais).
Milk – A Voz da Igualdade – 2 Oscar (Melhor Ator e Melhor Roteiro Original).
Batman – O Cavaleiro das Trevas – 2 Oscar (Melhor Ator Coadjuvante e Melhor Edição de Som).
O Leitor – 1 Oscar (Melhor Atriz).
Vicky Cristina Barcelona – 1 Oscar (Melhor Atriz Coadjuvante).
Departures – 1 Oscar (Melhor Filme Estrangeiro).
Wall-E – 1 Oscar (Melhor Animação).
A Duquesa – 1 Oscar (Melhor Figurino).
Man on Wire – 1 Oscar (Melhor Documentário).
Spielzeugland (Toyland) – 1 Oscar (Melhor Curta-Metragem).
Smile Pinki – 1 Oscar (Melhor Documentário em Curta-Metragem).
La Maison en Petits Cubes – 1 Oscar (Melhor Curta de Animação).

Total de palpites acertados – 17 (Melhor Filme, Melhor Diretor, Melhor Atriz, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Roteiro Original, Melhor Roteiro Adaptado, Melhor Documentário, Melhor Animação, Melhor Montagem, Melhor Direção de Arte, Melhor Fotografia, Melhor Figurino, Melhor Maquiagem, Melhor Trilha Sonora, Melhor Mixagem de Som, Melhores Efeitos Visuais).

Total de palpites errados – 7 (Melhor Ator, Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Curta, Melhor Curta de Animação, Melhor Documentário em Curta-Metragem, Melhor Canção Original e Melhor Edição de Som).

Percentual de acertos: 70,8%.

Percentual de erros: 29,2%.

Comentários finais:

Para um ano que eu mesmo julgava ser tão previsível, até que errei bastante. O percentual de 70,8% de acertos foi uma boa média, mas não posso me gabar muito levando em conta a previsibilidade desta 81ª Edição do mais importante prêmio do Cinema.
Contudo, devemos levar em conta que muitos prêmios foram verdadeiramente surpreendentes, como é o caso de Melhor Curta, Melhor Documentário em Curta-Metragem e, principalmente, Melhor Filme Estrangeiro.
Outros prêmios não foram necessariamente surpreendentes, mas sim difíceis de se deduzir, como é o caso de Melhor Ator, onde todos, inclusive este que vos escreve, apostavam em Mickey Rourke e o prêmio acabou caindo nas mãos de Sean Penn e Melhor Edição de Som, pois por mais barulhento que “Batman – O Cavaleiro das Trevas” seja (algo que o tornava provável vencedor), “Quem Quer Ser um Milionário?” estava ganhando tantos prêmios que imaginei que fosse faturar este também, uma vez que venceu um prêmio parecido no Bafta.
Melhor Curta de Animação e Melhor Canção Original errei de teimoso mesmo. Estava na cara que “Jai-Ho” venceria o segundo prêmio citado, mesmo com toda a adoração em cima de “Down to Earth”, e também era óbvio que “La Maison en Petits Cubes” estava ganhando muito mais força que “Presto” ultimamente, além de trazer uma mensagem ambiental em seu contexto, algo que a Academia adora (uma pergunta retórica agora: “Qual vocês acham que foi um dos motivos que fizeram a entidade gostar tanto de “Wall-E” e dar Melhor Animação a ele, além de indicá-lo a Melhor Roteiro Original?”).
Mas se não acertei tantos filmes quanto gostaria, ao menos pude assistir a quase tantos filmes quanto eu realmente adoraria. É claro que, dentre as produções indicadas a Melhor Filme Estrangeiro, Melhor Documentário, Melhor Curta-Metragem, Melhor Documentário em Curta-Metragem e Melhor Curta de Animação, encontrei dificuldades terríveis em conferi-las, pois moro no interior de São Paulo e estes filmes raramente chegam aqui, mas no que se refere à parte “mainstream” da premiação consegui conferir todas as produções, salvo “A Duquesa” que concorria a Melhor Figurino e Melhor Direção de Arte (venceu o primeiro) e “Um Ato de Liberdade” que concorria a Melhor Trilha Sonora.

Bem, encerro aqui os meus comentários sobre o Oscar 2009, mais tarde farei um breve (e este será breve mesmo) comentário sobre o Framboesa de Ouro 20
09.

Um grande abraço a todos!
Daniel Esteves de Barros – Editor do Cine-Phylum.

Oscar 2009 – Comentários Sobre a Cerimônia

Não disse que esse Oscar seria o mais chato e previsível dos últimos tempos (na verdade, não estou fazendo uma pergunta retórica, eu realmente não me lembro se disse isso ou não)? Pois é, independentemente de ter dito isso ou não, o Oscar 2009 foi uma cerimônia das mais patéticas de todos os tempos.

Em primeiro lugar, o que dizer da escolha de Hugh Jackman como apresentador? Ok, o ator é charmoso e tudo o mais, mas e daí? Charmoso por charmoso chamassem então o Pierce Brosnan. O quê? Ah, Pierce Brosnan não tem “timming” cômico nenhum? De fato, não tem mesmo, do contrário não teria “vencido” o Framboesa de Ouro de Pior Ator Coadjuvante pela comédia “Mamma Mia” (que não tive, e nem quero ter, a oportunidade de assistir), mas quem disse que Hugh Jackman tem “timming” cômico (esta sim, uma pergunta retórica)?

Porém, a culpa não é toda do ator. Afinal de contas, o roteirista do Oscar (que já está no cargo, sabe-se lá o porquê, há vinte anos), cujo nome já nem me lembro e nem faço lá muita questão de me lembrar, não tem capacidade de criar piadas novas e realmente engraçadas. Veja os números musicais, por exemplo. Boa parte deles se dedicaram a citar, do modo mais artificial o possível, o nome dos indicados a Melhor Filme. É claro que fazer uma música envolvendo os títulos das principais obras da noite não consistiria necessariamente um erro (apesar de soar oportunista de um modo ou de outro) caso o compositor tivesse trabalhado as canções de um modo mais sutil, coisa que ele não faz. Logo, sobra para Jackman tentar emendar os “buracos” deixado pelo fraco roteiro com uma infinidade de piadinhas insossas e números musicais bregas, conforme podemos conferir mais abaixo.

O que dizer então do homenageado da noite? Ao invés de homenagearem Paul Newman, falecido a pouco, homenageiam um dos humoristas que mais me causam repulsas. Refiro-me a Jerry Lewis. Ok, humor é algo muito pessoal, é difícil você encontrar duas pessoas que achem graça na mesma piada. Por exemplo, quando disse ao Radamés (co-editor daqui do Cine-Phylum), enquanto assistia à transmissão, que achava Lewis péssimo ele se revoltou, disse que o cara é um gênio, um ícone, e que ninguém fazia/faz humor pastelão como ele faz (e quanto a Grourcho Marx, Radamés?). Em seguida mencionei: “não vejo graça nele!” e ele emendou sucintamente: “disse bem: VOCÊ não vê graça nele!”. Francamente, não sou só eu. Conheço, ao menos, umas cento e quinze pessoas, além de mim, que não vem (sem circunflexo?) a menor graça nele. Dentre estas pessoas encontram-se, é claro, intelectuais e cinéfilos de verdade.

Lewis era um fracassado, seu humor era patético, ridículo e conseguia a façanha de ser inferior ao de Jim Carrey. Ao menos Carrey consegue ser sem graça sozinho, já Lewis, para ser apenas sem graça, dependia completamente de Dean Martin. Quando separou-se do mesmo, o “comediante” (gargalhadas) deixou de ser apenas sem graça e passou a ser realmente insuportável.

Creio que a cerimônia, ao invés de perder tempo com imbecis e fracassados que fariam um grande favor à humanidade caso tivessem falecido por falta de ar durante o próprio parto, deveria ter homenageado Paul Newman, que nos deixou ano passado e tem uma importância muito maior ao Cinema. Ou já que era para se homenagear um humorista, que tal Jack Lemmon (que não era necessariamente comediante, mas já fez muitas comédias fantásticas como “Quanto Mais Quente Melhor”, “Se Meu Apartamento Falasse” e “Demônio de Mulher”) ou Graham Arthur Chapman (em ambos os casos seriam homenagens póstumas), do Monty Python, que eram muito melhores? O quê? Queriam homenagear um comediante vivo? Ótimo, Woody Allen é uma excelente pedida. Ou melhor ainda, John Cleese, ex-colega de Chapman no Monty Python (e Cleese era o mais engraçado de todos). Ah, mas eles queriam mesmo era homenagear Lewis pelo trabalho humanitário que este fez/faz, não é mesmo? Oras, e o que o Oscar tem a ver com causas humanitárias e filantrópicas? Deixem isso para as igrejas e casas de apoio. O Oscar deveria mesmo é se preocupar com o verdadeiro talento do artista, e não com o que ele faz ou deixa de fazer quando não está diante das câmeras. Enfim, é complicado. Falar sobre comédia é comentar sobre algo muito introspectivo e subjetivo.

E quanto ao grande acontecimento da noite: a entrega do Oscar póstumo a Heath Ledger? Bem, o Oscar foi entregue, os familiares (pais e irmã) do ator subiram no palco, proferiram um discurso clichê, embora sincero (e sejamos francos, algumas vezes não se pode fugir do clichê, e este é um desses casos), receberam o prêmio em nome de Heath, e depois foram-se embora. Simples assim. Pois é, o único momento, digamos, diferente da noite, não teve destaque algum. Comentei isso com uma jovem carioca amiga minha, a Juliana, que já postou algumas vezes por aqui (e dentre outros assuntos que comentamos durante a cerimônia de entrega do Oscar deste ano, este foi um dos poucos relevantes, já que passamos boa parte do tempo discutindo a ‘gostosura’ (ou não) de Jessica Alba, Scarlett Johansson e Rebecca Hall. Papo estranho para se desenvolver entre uma heterossexual e um assexuado, não?) e ela também achou a homenagem a Ledger curta demais. Comentei com o Radamés, ele me lembrou de que o ator já fora homenageado no Oscar do ano passado, mas aí eu pergunto: por que não homenageá-lo novamente, já que, teoricamente, ele recebeu um prêmio importantíssimo este ano? Enfim, o Oscar 2009 foi tão apagado que a cerimônia não soube nem ao menos se aproveitar do que era para ser os seus momentos mais marcantes, como o Oscar póstumo de Ledger e o prêmio de Penélope Cruz, entregue pelo seu parceiro no ótimo”Vic
ky Cristina Barcelona”, Javier Barden.

Mas a cerimônia deste ano não foi ao todo ridícula. É fato que homenagearam a pessoa errada, nos afogaram com uma “tsunami” de piadas sem graça, nos apresentaram a um anfitrião extremamente insosso e, acima de tudo, revelou-se brega demais com o excesso de números de dança. Contudo, é fato também que a mesma acertou em alguns aspectos. Como não reparar, por exemplo, na agilidade e dinamicidade da mesma? Se há alguns anos atrás a premiação se encerrava apenas às 3:30hs, este ano tivemos 1:30h de antecedência e, quando eram 2:00hs da matina, o Oscar já havia se encerrado. Sempre fui a favor de cerimônias enxutas e, este ano, parece que felizmente cortaram as “gordurinhas” dos Oscar anteriores.

Vale citar também a ótima idéia que tiveram no que diz respeito às categorias de Melhor Atriz Coadjuvante, Melhor Ator Coadjuvante, Melhor Atriz e Melhor Ator: ao anunciar o prêmio de cada uma destas modalidades, colocaram cinco atores/atrizes renomados(as) e fizeram com que cada um(a) deles(as) citasse um breve comentário ilustrando positivamente o trabalho de todos os cinco concorrentes para cada uma das quatro categorias. A idéia teria funcionado magistralmente bem se não fosse um porém: uma terrível gafe cometida por Marion Cotillard ao anunciar o prêmio de “Melhor Atriz”.

Kate Winslet a tempos vinha sendo indicada, mas não levava nada. As pessoas se questionavam: “quando Kate irá levar uma estatueta?”, “quando a Academia reconhecerá o seu trabalho?”. Aí ela faz um ótimo trabalho em “O Leitor” (não que seja digno do Oscar que levou, mas enfim…), recebe todos os principais prêmios que precedem o Oscar e, adivinhem, é lançada como favorita para faturar a sua tão sonhada estatueta. Todos sabiam que ela iria vencer, mas certeza mesmo, só depois de ouvir o seu nome sendo anunciado como ganhadora. E, de fato, ouvimos o nome dela, só que do modo mais indelicado o possível. Oras, há muito tempo esperávamos que a moça vencesse o prêmio, e quando chegou a vez desta vencer, é claro que queríamos ter a sensação de suspense, aquele dramatismo que é sempre empregado antes de mencionar o nome do vencedor. Entretanto, Cotillard simplesmente diz: “…E o Oscar vai para Kate Winslet”. Isso mesmo! Simplesmente diz: “…E o Oscar vai para Kate Winslet” e não faz uma única pausa (muito menos suspense) para tal.

Agora, imagine você, caro leitor, se herdasse uma fortuna de um parente distante e a pessoa incumbida de lhe dar a notícia dissesse abruptamente: “seu tio, que mora em uma região entre a Ucrânia Meridional e os Cafundós do Judas, faleceu, e você herdou toda a fortuna dele, ficando multimilionário!”. Certamente você teria um enfarto, não? Pois é, e não fosse a obviedade da vitória de Winslet, creio que um enfarto seria justamente o que ela teria em virtude da falta de sutileza da anunciação do prêmio.

Mas o pior eu deixo para o final. Se a gafe cometida por Marion Cotillard durante o anúncio da vitória de Winslet já quebrou ligeiramente o suspense da premiação, o que dizer então da falta de lógica com a qual os organizadores da cerimônia sequenciaram a distribuição de seus prêmios? Em primeiro lugar, por que cargas d’água colocou o prêmio de “Melhor Atriz Coadjuvante”, um dos mais importantes da noite, para abrir a cerimônia? Por que colocaram Melhor Ator Coadjuvante tão distante do final, sendo que, para muitas pessoas que estavam assistindo à premiação, o mais interessante da noite seria o Oscar póstumo de Heath Ledger? Por que entregaram “Melhor Roteiro” tão cedo, sendo que este é um prêmio que, praticamente, prevê quem vencerá “Melhor Filme”? E a mesmíssima coisa eu digo de “Melhor Diretor”, por que o colocar antes de “Melhor Ator e Atriz”? Será que foi para tornar a festa ainda mais previsível do que ela já seria por si só (afinal de contas, quem ainda não tinha certeza absoluta de que “Quem Quer Ser um Milionário?” se consagraria o grande vencedor da noite?)? Será que é por que eles adorariam perder a audiência em virtude da previsibilidade que se instaurou na cerimônia mediante a esta lógica desconexa das apresentações de cada premiação em cada categoria?

Enfim, o Oscar de 2009 foi, de fato, o mais carregado de erros dos últimos anos (e por que não dizer, de todos os tempos?) e não deverá mais ser lembrado daqui a algum tempo. A premiação pode até ter realizado a façanha de superestimar um filme independente e transformá-lo em um dos maiores vencedores de todos os tempos, mas ainda assim, a cerimônia foi completamente apagada e será esquecida com o passar de dois ou três anos, bem como “Quem Quer Ser um Milionário?”, o maior homenageado da noite, cujo título pessoa alguma ouvirá falar com o passar do tempo.

Diferentemente de 2008, a cerimônia de 2009 foi digna de ser eliminada de nossa memória.

Ah, sei que é extremamente fútil, mas assim mesmo gostaria de atribuir uma nota à cerimônia (e refiro-me à festa em si, não aos vencedores da mesma):

Avaliação Final: 3,0 na escala de 10,0.

Oscar 2009 – Chutômetro – Parte Final

Minha relação final das apostas para o Oscar 2009 (só citarei os filmes que acredito que vencerão, deixando de lado os que eu acredito que mereceriam vencer e os que tem chances de vencer).

Melhor Filme
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Direção
Danny Boyle por Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Roteiro Original
Milk – A Voz da Igualdade

Melhor Roteiro Adaptado
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Ator
Mickey Rourke por O Lutador

Melhor Atriz
Kate Winslet por O Leitor

Melhor Ator Coadjuvante
Heath Ledger (óbvio) por Batman – O Cavaleiro das Trevas

Melhor Atriz Coadjuvante
Penolope Cruz

Melhor Animação
Wall-E

Melhor Filme Estrangeiro
Valsa Com Bashir

Melhor Edição
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Fotografia
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Direção de Arte
O Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor Figurino
A Duquesa

Melhor Maquiagem
O Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor Trilha-Sonora
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Canção-Original
Down to Earth – Wall-E

Melhor Mixagem de Som
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhor Edição de Som
Quem Quer Ser um Milionário?

Melhores Efeitos Especiais
O Curioso Caso de Benjamin Button

Melhor Documentário
Man on Wire

Melhor Curta-Metragem
New Boy

Melhor Documentário em Curta Metragem
The Conscience of Nhem En

Melhor Curta de Animação
Presto
Ou seja, mexi, mexi, e no final, ficou tudo na mesma. Fazer o quê, cara teimoso é isso mesmo.

Um grande abraço a todos e bom Oscar (mesmo que este seja tão previsível e insosso quanto realmente será)!
Daniel Esteves de Barros – Cine-Phylum

Saldo da Aposta dos Indicados ao Oscar 2009

Uma vez publicadas as listas com os meus palpites sobre os possíveis indicados ao Oscar 2009 e os filmes que realmente foram indicados ao prêmio, farei aqui um balanço sobre os meus erros e acertos e, como não poderia deixar de ser, opinarei sobre a decisão dos membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas:

Melhor Filme:
Acertei 60% dos palpites.
Considerações: a grande surpresa fica por conta da esnobada que a Academia deu em “Foi Apenas um Sonho” ou, no original, “Revolutionary Road”. Com o perdão pelo péssimo trocadilho, a indicação deste aos principais prêmios “foi apenas um sonho” (é, eu sei, a piada foi infame, não é mesmo? Acontece que estou treinando para roteirizar o programa “Zorra Total”). Surpreendente também foi a não indicação de “The Wrestler” aos principais prêmios, uma vez que o mesmo era dado quase como certo na disputa. Outro grande acontecimento inesperado foi a indicação de “O Leitor” para Melhor Filme. O longa havia sendo esnobado pelas principais premiações e a sua indicação acabou deixando-nos boquiabertos. Não imaginava também que “Frost/Nixon” pudesse concorrer, uma vez que o mesmo estava recebendo muitas críticas negativas da mídia especializada. Os demais indicados? Só assisti a “O Curioso Caso de Benjamin Button” e “Quem Quer Ser um Milionário? (até que enfim “Slumdog Millionnarie” ganhou um título nacional, muito ruim diga-se, mas ainda assim é um título nacional) e digo, ambos são superestimados e, infelizmente, a disputa deverá ficar entre os dois. Lastimável “O Cavaleiro das Trevas”, “Wall-E” e “A Troca” terem ficado de fora.

Melhor Diretor:
Acertei 80% dos palpites.
Considerações: parece que, ao lado da esnobada atribuída a “Foi Apenas um Sonho”, a valorização de “O Leitor” foi a maior surpresa desta revelação de indicados ao Oscar. Da mesma forma que não contava com o filme de Stephen Daldry para Melhor Filme, também não apostava um centavo sequer na sua indicação para Melhor Diretor. Quanto aos demais, digo que eram previsíveis. Aproveito para ratificar a decisão da Academia em indicar Fincher e Boyle, afinal de contas, se seus filmes contam com defeitos, estes não se devem a seus trabalhos, sobretudo o primeiro que conferiu uma sensibilidade fora do comum a “O Curioso Caso de Benjamin Button”.

Melhor Roteiro Original:
Acertei 40% dos palpites (vergonha!!!).
Considerações: quem poderia imaginar que “Vicky Cristina Barcelona”, “Gran Torino” e “The Wresler” fossem ficar de fora (sobretudo o filme de Woody Allen, cineasta este que nunca fica de fora de uma disputa)? Todos os três estavam sendo ovacionados demais e esperava-se que a Academia reconhecesse isso. No entanto, não foi o que aconteceu. Lamentável o ótimo filme de Woody Allen ficar de fora deste quesito que, sem duvida alguma, merecia concorrer. Quanto a “Milk” e “Wall-E”, ambos eram previsíveis e confesso ter ficado extremamente feliz ao ver o filme do simpático e carismático robozinho concorrendo a um prêmio tão importante (apesar de que o mesmo também merecia concorrer por Melhor Diretor e Melhor Filme). Quanto aos demais filmes, terei de assistir aos mesmos para confirmar se merecem, ou não, tal indicação (e isso será ótimo, principalmente levando-se em conta que eu gostaria muito de assistir a “Na Mira do Chefe”, uma vez que não tive a oportunidade de conferir a sua estréia no Cinema).

Melhor Roteiro Adaptado:
Acertei 80% dos palpites (pronto, estou começando a recuperar minha honra!!!).
Considerações: preciso comentar? É claro que o único erro que cometi aqui deve-se à zebra desta temporada: o filme “O Leitor”. A propósito, preciso assisti-lo o quanto antes para confirmar o que ele possui de tão especial a ponto de surpreender todo mundo. Quanto aos demais, discordo das indicações de “Quem Quer Ser um Milionário?” e, principalmente, da enxurrada de clichês chamada “O Curioso Caso de Benjamin Button”. “Duvida” (Doubt) e “Frost/Nixon” estavam recebendo muitas indicações em outras premiações neste quesito, logo, tornou-se fácil deduzir que ambos seriam indicados aqui.

Melhor Montagem:
Acertei 100% dos palpites (UAU!!! Agora sim restabeleci minha honra por completo!!!).
Considerações: gostei muito da montagem de “O Cavaleiro das Trevas” e até mesmo das montagens de “O Curioso Caso de Benjamin Button” e “Quem Quer Ser um Milionário?”, logo, não tenho o que reclamar aqui (apesar de ter sentido uma falta tremenda de “A Troca” e “Wall-E”, mas tudo bem). Mais uma vez deduzi “Milk” e “Frost/Nixon” pelo mesmíssimo motivo: ambos estavam sendo muito bem cotados neste item e as chances de ficarem de fora seriam praticamente nulas. Quanto a “O Cavaleiro das Trevas”, este foi um filme muito bem recebido pela crítica e pelo público e era óbvio que a Academia iria lhe ceder ao menos uma vaga dentre, pelo menos um, dos prêmios principais.

Melhor Ator:
Acertei 80% dos palpites.
Considerações: conforme mencionei, ninguém esperava a esnobada da Academia em cima de “Foi Apenas um Sonho”, logo, a vaga de Leonardo DiCaprio sendo preenchida por Richard Jenkis era algo inesperado (ao menos para mim, levando-se em conta que DiCaprio sempre concorre a alguma coisa). Quanto aos demais, não há nenhuma novidade. Ah, e Brad Pitt merece sim ser indicado, pois é como disse, se “…Benjamin Button” possui falhas, as mesmas estão presentes no roteiro do mesmo, e não nos demais quesitos da obra, sobretudo na magnífica atuação de Pitt.

Melhor Atriz:
Acertei 80% dos palpites.
Considerações: longe de querer criar tergiversações para justificar meu erro, digo que a culpa foi da Academia. Sim, o papel de Kate Winslet em “O Leitor” é tido como coadjuvante, e não protagonista, logo, a atriz está concorrendo pelo filme errado na categoria errada. O correto seria indicá-la da maneira que previ, melhor atriz por “Foi Apenas um Sonho”. Preciso comentar o quão feliz fiquei com a indicação de Jolie por “A Troca”? Não, não é mesmo? A Academia tinha que atribuir uma indicação de peso ao filme de Eastwood, escolheu esta. Quanto as demais atuações, ainda não as conferi.

Melhor Ator Coadjuvante:
Acertei 80% dos palpites.
Considerações: juro que ia inserir Robert Downey Jr. por “Trovão Tropical”, mas na hora H optei por um dos queridinhos da Academia neste ano. Não, não me refiro a Dev Pael, mas sim a supervalorização de “Quem Quer Ser um Milionário?”. Afinal de contas, por mais que a atuação de Downey Jr. se mostrasse superior à de Pael, como seria possível a Academia deixar uma de suas maiores apostas de fora deste quesito e dar a vaga a u
m ator que trabalhou em um filme que não receberá nenhum prêmio durante a cerimônia? Pois é, acontece que os votantes decidiram quebrar alguns paradigmas e colocar um papel menos, digamos, sério para concorrer ao troféu em questão. Fora Downey Jr., os demais candidatos eram ridiculamente previsíveis e a indicação deles era mais do que óbvia, principalmente Heath Ledger que, certamente ficará com o prêmio póstumo.

Melhor Atriz Coadjuvante:
Acertei 60% dos palpites (minha honra volta a ser questionada!!!).
Considerações: aqui reconheço que foi falha minha. Bem, não apenas falha minha como também da Academia, afinal de contas, conforme já havia mencionado, quem poderia adivinhar que os votantes iriam considerar o papel de Winslet em “O Leitor” como sendo personagem principal e não coadjuvante? Agora, reconheço que falhei terrivelmente ao esnobar “Dúvida”, que irá concorrer contando com duas atrizes indicadas ao mesmo prêmio: Amy Adams e Viola Davis (algo raro de se ver no Oscar). Confesso que fui uma anta ao esnobar o filme em questão e, por este motivo, desperdicei dois votos. A indicação de Penelope Cruz é mais do que merecida e, quanto as demais atrizes, ainda não pude acompanhar o trabalho destas.

Melhor Trilha-Sonora Original:
Acertei 80% dos palpites (minha honra volta a ser enaltecida!!!).
Considerações: Uma coisa é certa, neste quesito, todo ano concorre a animação que irá levar o prêmio de Melhor Animação (no caso, “Wall-E”) e quase todo ano concorrem os dois filmes que têm mais chances de faturar o prêmio de Melhor Filme (no caso, “… Button” e “… Milionário?”). Há também o filme que disputará Melhor Filme sem muitas chances de vencer (no caso, “Milk”) e, como sempre, a obra surpresa. Esperava ser surpreendido por “Gran Torino”, marquei bobeira e fui surpreendido por “Defiance”. Coisas da vida. Enfim, gosto muito das trilhas de “Wall-E”, “… Button” e “… Milionário”, logo, todas as três mereceram a indicação. As outras duas desconheço.

Melhor Canção Original:
Acertei 66,6% dos palpites.
Considerações: não sei onde estava com a minha cabeça de girino a ponto de fazer 5 apostas em uma categoria que só permite 3 indicações. Enfim, gafes à parte, não esperava que, com tantas canções excepcionais, a Academia fosse ficar com duas de um mesmo filme. De qualquer forma gosto de todas as três, mas confesso que “Down to Earth” de “Wall-E” me atrai muito mais. Três indicações merecidas.

Melhor Maquiagem:
Acertei 66,6% dos palpites.
Considerações: muito têm-se comentado sobre a maquiagem de “O Leitor” e decidi apostar no mesmo. Me dei mal. Para o lugar deste a Academia indicou “Hellboy II – O Exército Dourado”. Sabia escolha, afinal de contas, a maquiagem contida no filme do “Vermelho” não só é magnífica como também é inerente à obra. “O Cavaleiro das Trevas” e “… Button” então nem se comenta, sobretudo a do segundo que consegue a façanha de deixar um bebê com a pele toda enrugada e o quarentão Brad Pitt com rosto de adolescente de 18 anos. Todas as indicações foram merecidas.

Melhor Direção de Arte:
Acertei 40% dos palpites.
Considerações: ai, ai, ai… que furada!!! Subestimei “Batman” e dava a indicação de “Australia” como quase certa. “O Leitor” foi um tiro no escuro e, justo uma das únicas categorias em que aposto no mesmo, o filme de Stephen Daldry me decepciona. Equivoquei-me amplamente também ao imaginar que “Indiana Jones 4” iria ser reconhecido pela Academia graças a força que o seu protagonista tem, mas parece que os votantes não quiseram nem saber, agiram objetivamente (ao menos uma vez na vida eles teriam que se portar de tal forma) e deixaram o filme de Spielberg de fora. Quanto a “… Button” e “Foi Apenas um Sonho” eram mais do que previsíveis as indicações de ambos. Merecidas, aliás.

Melhor Fotografia:
Acertei 60% dos palpites.
Considerações: “O Curioso Caso de Benjamin Button” não só mereceu a indicação como também merece o prêmio que certamente irá levar (uma das poucas estatuetas a que foi indicado e realmente merece por as mãos). “Quem Quer Ser um Milionário?” e “Foi Apenas um Sonho” também mereceram a indicação e foi fácil deduzir que ambos entrariam na disputa, pois estavam sendo muito bem elogiados pela qualidade de suas Direções de Fotografia. Fiquei feliz por ter errado extremamente em relação a “O Cavaleiro das Trevas” e “A Troca”, afinal de contas, ambos são dignos da indicação que receberam e se os subestimo, é porque sabia que a Academia também o viria a fazer, só não sabia que a mesma iria os reconhecer nesta categoria “Melhor Fotografia”. A esnobação sobre “Australia”, no entanto, foi, inquestionavelmente imprevisível, pois muitos profissionais não pouparam elogios em relação à qualidade da fotografia do longa em questão.

Melhor Mixagem de Som:
Acertei 60% dos palpites.
Considerações: é aquela estória: apostei em “… Benjamin Button” nesta categoria porque muitos profissionais da área falavam bem e blá, blá, blá… Mereceu? Sim, tanto que em minha crítica feita ao filme de Fincher, a fim de elogiar o trabalho dos responsáveis pela mixagem de som, citei o exemplo do vento uivando e o modo como este nos introduz ao clima da obra. Vale lembrar também a cena da batalha naval, onde a mixagem de som colabora muito para a perfeita execução desta. Apostei em “Batman – O Cavaleiro das Trevas” e “Wall-E” por ter deduzido que ambos eram barulhentos o suficiente para concorrem ao prêmio. Agora, seguindo a lógica de que quanto mais barulhento for um determinado filme maior é chance deste concorrer à categoria “Melhor Mixagem de Som”, por que cargas d’água não apostei em “O Procurado” e “Quem Quer Ser um Milionário?”?

Melhor Edição de Som:
Acertei 60% dos palpites.
Considerações: os mesmíssimos comentários da categoria supra, mas com um único acréscimo: “Australia” e “Defiance” são filmes barulhentos, mas “O Procurado” e “Quem Quer Ser um Milionário?” são ainda mais. Por este motivo a vaga ficou com estes dois últimos e não com os filmes em que eu havia apostado outrora.

Melhores Efeitos Especiais:
Acertei 100% dos palpites.
Considerações: não só são os três mais bem comentados no que diz respeito a efeitos especiais como também são, definitivamente, os três longas que mais se destacam nesta categoria. Todos muito bons. Todos mesmo.


Melhor Animação:
Acertei 66,6% dos palpites.
Considerações: “Bolt – O Supercão” no lugar de “Valsa Com Bashir”?! Mas que m… é essa? Pro inferno com essa Academia ridícula. Já não basta indicar o superestimado “O Curioso Caso de Benjamin Button” em 13 categorias, os velhotes ridículos ainda colocam um filminho tolo como “Bolt…” no lugar de “… Bashir”? Enfim, tão previsível quanto a vitória de Ledger em “Melhor Ator Coadjuvante” é a vitória de “Wall-E” nesta categoria. Aliás, em um mundo minimamente decente, “Wall-E” não só mereceria vencer nesta categoria como também mereceria concorrer e vencer na categoria de “Melhor Filme” também (é claro que caso a animação de Stanton concorresse diretamente com “O Cavaleiro das Trevas”, o longa do Homem-Morcego justamente levaria a melhor). Quanto às outras animações, ambas são duas porcarias superestimadas. Vaias para a Academia! Morte aos membros que a compõe!

Melhor Filme Estrangeiro:
Acertei 60% dos palpites.
Considerações: dentre os indicados, confesso ter assistido somente a “Valsa Com Bashir” e os demais foram meros ‘chutes’ embasados em outras premiações. Ainda assim tive a felicidade de ter acertado a maioria dos filmes.
Considerações finais: estou muito contente por ter acertado a maior parte dos filmes em que apostei (salvo “Melhor Roteiro Original” e “Melhor Direção de Arte”. Pesquisei bastante a respeito antes de postar a minha lista e meu esforço não foi em vão. Quanto às decisões da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, só uma coisa a declarar: que Hitler, Mussolini, Pinochet e Stalin renasçam e passem a perseguir todos os membros da Academia, submetendo-os (não apenas eles mas as suas próximas dez gerações) a todos os tipos de torturas cruéis, insanas, psicóticas e desumanas que se possa imaginar. Em breve, postarei um texto sobre a minha indignação para com o Oscar deste ano.

Abraços a todos!

Daniel Esteves de Barros – Editor do Cine-Phylum.

Comentários Pós-Oscar

Ai, ai, ai… de que maneira eu poderia me desculpar com relação aos inúmeros erros que tive em minha previsão para os vencedores do Oscar 2008®? Eu bem que poderia dizer que muitos filmes ganharam inesperadamente, o que de fato ocorreu, mas acredito que grande parte de meus erros tenha ocorrido em razão a minha teimosia. Tudo realmente indicava que “Onde os Fracos Não Têm Vez” iria levar os prêmios de Melhor Filme, Direção, Roteiro Adaptado e até mesmo Montagem, que acabou perdendo para “O Ultimato Bourne” (esta que, para mim, fôra a maior surpresa de todo o Oscar®), mas ainda assim decidi apostar numa surpreendente e, por que não dizer, improvável vitória de “Sangue Negro” nesta reta final.

O resultado é que o filme dos Coen, assim como todos esperavam (salvo esta mula teimosa que vos escreve), foi o grande destaque da noite do Oscar® e faturou quase todos os principais prêmios.

O que achei da premiação? Justa, até certo ponto. É óbvio que em virtude de meu fanatismo incondicional por “Sangue Negro” estava torcendo pela obra-prima de Paul Thomas Anderson, mas o fato de “Onde os Fracos Não Têm Vez” ter levado o prêmio não me deixou necessariamente magoado (decepcionado, viria mais a calhar nesta hora).

O fato de um filme extremamente inovador ter levado o prêmio principal demonstra que, felizmente, a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas não está mais tão conservadora quanto antigamente. Sempre disse que “Sangue Negro” era um filme mais redondinho e tinha mais a cara de Oscar® que “Onde os Fracos Não Têm Vez”, mas a vitória do filme dos Coen sobre a obra de Anderson demonstrou, ao menos, que os membros da Academia estão valorizando cada vez mais os projetos ousados e arriscados.

Outro acontecimento que me deixou extremamente satisfeito na referida noite foi a vitória de Marion Cotillard sobre Julie Christie. Ambas as atrizes se saíram muitíssimo bem em seus respectivos filmes e mereciam a vitória, contudo, seguindo a lógica de que o bairrismo e o ufanismo dos membros da Academia chega a ser exacerbado, era muito mais provável a vitória de Julie Christie, que fez uma atuação em língua inglesa. Felizmente os votantes decidiram fazer justiça e premiaram Cotillard, que se mostrou um pouco mais competente que Christie em sua composição. De uma só vez matou-se dois coelhos com uma cajadada só, a Academia esqueceu-se da fama que possui de proteger sempre os seus queridinhos (no caso, Christie) e decidiu premiar uma atriz que, individualmente falando e esquecendo-se de sua carreira e da carreira de sua concorrente, mereceu levar o prêmio para casa e esqueceu-se também da fama de bairrista, que só premia atores e atrizes que compõem papéis em língua inglesa, não levando em conta o talento destes (lembram de quando Fernanda Montenegro perdeu o Oscar® para a apenas razoável Gwyneth Paltrow?).

Nem tão imprevisível quanto o prêmio de Melhor Atriz foi o prêmio de Melhor Roteiro Original. Para ser sincero, era bem previsível a vitória de Diablo Cody, mas a verdade é que sempre ficávamos com um pé atrás graças ao passado da roteirista. Todos sabem o quão conservadores são os votantes e o quanto eles repudiam pessoas e/ou atos que fujam dos princípios da moral cristã e/ou judia (no caso, judia viria mais a calhar, tendo em vista que a maior parte dos membros que constituem a Academia de Artes e Ciências Cinematográficas seguem tal religião) e, mesmo tendo todo o favoritismo a seu lado, foi surpreendente vermos uma ex-stripper recebendo um prêmio tão importante em uma cerimônia tão conservadora como é o Oscar®.

Em suma, fiquei deveras decepcionado com alguns resultados da 80ª festa de entrega do Oscar® (fiquei mais decepcionado ainda com os inúmeros erros de dedução que tive ao elaborar meus palpites sobre os prováveis vencedores), mas no geral, gostei, e muito, de ver os membros da Academia inovando e deixando o seu característico conservadorismo de lado.

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