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Sinédoque, Nova York – **** de *****
Ficha Técnica:
Título Original: Synecdoche, New York.
Gênero: Drama.Tempo de Duração: 124 minutos.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: www.sonyclassics.com/synecdocheny
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Charlie Kaufman.
Roteiro: Charlie Kaufman.
Elenco: Philip Seymour Hoffman (Caden Cotard), Catherine Keener (Adele Lack), Sadie Goldstein (Olive – 4 anos), Robin Weigert (Olive – adulta), Tom Noonan (Sammy Barnathan), Josh Pais (Dr. Eisenberg), Daniel London (Tom), Robert Seay (David), Michelle Williams (Claire Keen), Stephen Adly Guirgis (Davis), Samantha Morton (Hazel), Hope Davis (Madeleine Gravis), Frank Girardeau (Plumber), Jennifer Jason Leigh (Maria), Paul Sparks (Derek), Daisy Tahan (Ariel), Timothy Doyle (Michael), Rosemary Murphy (Frances), Emily Watson (Tammy), William Ryall (Jimmy), Dianne Wiest (Ellen Bascomb / Millicent Weems), Joe Lisi (Maurice), Jerry Adler (Pai de Caden), Lynn Cohen (Mãe de Caden), Kat Peters (Ellen – 10 anos), Deirdre O’Connell (Mãe de Ellen) e Peter Friedman (Médico do setor de emergência).
Sinopse: Após ser abandonado pela esposa Adele (Catherine Keener) e pela filha Olive (Sadie Goldstein), o diretor de peças teatrais Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman) passa a enfrentar uma série de conflitos existenciais que parecem não ter fim. Eis que o diretor ganha um relevante prêmio em dinheiro e decide criar uma peça teatral embasada totalmente em sua vida. É aí que o mesmo passa a refletir sobre toda a sua existência.
Synedoche, New York – Trailer:
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Crítica:
Não é fácil assistir a “Sinédoque, Nova York”, o mais novo filme do roteirista e, agora diretor, Charlie Kaufman. Contando com uma narrativa extremamente abstrata e que mescla constantemente realidade com fantasia (ou delírio, que seja), o longa revela-se um intrincado quebra-cabeças que exige do espectador um forte esforço intelectual, emocional e lógico (ou seria ilógico?), a começar pelo próprio título da obra.
É comum que algumas pessoas saiam dos cinemas se perguntando: “Mas afinal de contas, por que diabos este filme chama-se “Sinédoque, Nova York”?”. Confesso que eu mesmo já nem me lembrava mais dos mínimos detalhes das aulas ginasiais de
português, inclusive no que se refere à figuras de linguagem. Logo, admito que procurei o significado de tal palavra antes de assistir ao filme. Descobri, ou melhor, redescobri que o termo ‘sinédoque’ trata-se na realidade de uma metonímia que substitui um conjunto de objetos, pessoas, animais e etc… Citemos um exemplo: “Assisti a todos os “Godards” que se possa imaginar.” (MENTIRA!!!). Neste caso, a palavra ‘Godards’ refere-se diretamente a toda a filmografia do cineasta francês. Logo, “Sinédoque, Nova York” trata-se de um magistral título (e confesso que desde “O Escafandro e a Borboleta” não via um título ser tão bem adequado a um filme quanto este o é) que ilustra um pequenino pedaço da cidade de Nova York que possui a função de representar uma cidade inteira, ou, quem sabe, a nação inteira, ou até mesmo o mundo inteiro.
E é nesta sinédoque nova-iorquina que o brilhante roteiro de Kaufman desenvolve o seu protagonista: o diretor de teatro Caden Cotart (encarnado com maestria por Philip Seymour Hoffman, em uma das melhores atuações de sua carreira, comprovando definitivamente que é um dos melhores atores estadunidenses em ação). Assumindo a função artística de alter-ego de Kaufman, Cotart é a personificação do pessimismo. Portador de uma doença que causa envelhecimento de pele precoce, o protagonista passa boa parte da vida esperando o pior, imaginando que a morte baterá em sua porta muito antes do conveniente. O diretor então se torna uma pessoa cada vez mais depressiva e desacreditada. As coisas só vem a piorar quando a esposa do personagem principal utiliza uma exposição (ela é uma artista que pinta micro (isso para não dizer “nano”) quadros) em Berlin como tergiversação para abandona-lo definitivamente, e levar a filha embora consigo.
Cotart se torna um sujeito ainda mais propenso a ataques de melancolia e crises existenciais, mas decide curar as mesmas investindo em dois mal-sucedidos romances com Hazel (a bilheteira de seu teatro) e Claire (uma de suas atrizes prediletas). Nada funciona corretamente na vida de Cotart, e talvez seja aí que resida uma das grandes falhas do filme, nesta artificialidade com a qual o roteiro cria algumas situações exageradas a fim de desenvolver o seu principal personagem. O protagonista, além de ser portador das patologias supracitadas, passa por uma maré de azar que torna-se difícil de crermos e levarmos a sério o seu sofrimento durante alguns poucos segundos. Tudo dá errado na vida do diretor teatral, tudo mesmo, e quando algo parece que vai tomar o rumo, acontece um incidente e o protagonista volta ao zero. Ou seja, Cotart é, na verdade, um Benjamin Button às avessas.
Mas, no geral, o filme conta com metáforas bastante satisfatórias e dá uma guinada incrível quando o protagonista recebe uma considerável quantia em dinheiro para que possa re
alizar uma peça teatral realmente pomposa. O diretor opta então por reproduzir a sua vida passo a passo, detalhe por detalhe, nos palcos de seu teatro. É construída uma magistral réplica de Nova York, vários atores são contratados para encenar os inúmeros incidentes ocorridos na vida de Cotart, e o modo como Kaufman (o diretor) conduz esse entrelaçamento entre realidade e fantasia é não menos do que maravilhoso, tanto que o cineasta consegue perfeitamente o que queria, deixar o espectador confuso.
Confuso, aliás, é uma palavra que descreve perfeitamente o rumo que a trama assume a partir daí. Já não conseguimos mais discernir realidade de fantasia e ficção de delírio. Tudo o que
vemos é uma série de metáforas fantásticas (no sentido ambíguo) que realizam uma conveniente abordagem sobre o sofrimento, sobre o amor, sobre o modo como o tempo avassalador castiga os seus soberanos (nós, pobres mortais) e, mormente, sobre a tênue linha que liga a vida à morte. A odisséia de Cotart revela-se então uma espelhação artística de nossas existências, afinal de contas, o que seria a vida, aos olhos de um pessimista tal como Charlie Kaufman, senão um eterno ensaio que não nos leva a lugar algum, que não seja à morte?
E é claro que quando citei a hipótese supra, descrevi apenas a minha interpretação relacionada ao eterno ensaio de Cotart, sendo que há muitas outras análises cinematográficas redigidas sobre o filme em questão que apontam a peça teatral como sendo uma metáfora à forma que um
projeto artístico consome o seu realizador de modo gradual, a ponto de sugar todas as forças deste.
Existe também a possibilidade de Kaufman ter feito deste “Sinédoque, Nova York” o que Stanley Kubrick fez com “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, transformando-o em uma obra com o intento de formular apenas questões, e não respostas (apesar de eu defender a tese (e é óbvio que apenas a defendo e não a julgo como sendo a tese definitivamente verdadeira) de que a obra-prima de Kubrick (e meu segundo filme predileto) trata-se de uma alegoria espacial sobre a evolução humana do ponto de vista nieztschiano – pois é, eu tinha que citar Nieztsche neste texto, não é mesmo?).
Independentemente da mensagem que Kaufman almejou nos transmitir com “Sinédoque, Nova
York”, o filme em questão trata-se de uma obra imperdível, recheada de características que nos remetem à lembrança de outras obras-primas, tais como “Um Cão Andaluz” (ainda que não seja tão dadaísta quanto o curta-metragem mais revolucionário da história do Cinema) de Luís Buñuel, e “Cidade dos Sonhos” de David Lynch.
Fica a recomendação para que o leitor, quando for assistir ao filme, ao invés de tentar amarrar todas as pontas do longa, apenas embarque na surreal viagem de Charlie Kaufman e lucubre, após o término da sessão, sobre um (ou mais) dos vários questionamentos que a produção em questão nos remete.
Avaliação Final: 8,7 na escala de 10,0.
Dúvida – **** de *****
Ficha Técnica:
Título Original: Doubt.
Sinopse: Em 1964, a diretora da escola St. Nicholas, a reacionária Irmã Aloysius Beauvier (Meryl Streep), entra em total conflito com o liberal Padre Brendan Flynn (Philip Seymour Hoffman), após ouvir uma estória contada pela inocente e ingênua Irmã James (Amy Adams), que desconfia que o pároco abusa sexualmente de Donald Miller (Joseph Foster), o primeiro aluno negro a ser aceito na instituição conservadora. A partir daí Beauvier assume uma investigação informal para tentar comprovar a veracidade do boato.
Doubt – Trailer:
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Por um acaso o leitor já assistiu ao clássico de Akira Kurosawa, “Rashomon”? Se a resposta for “não”, pule esta e as próximas três linhas. Se a resposta for “sim”, por obséquio, leia a pergunta que se segue. O leitor gostou do final de “Rashomon”? Se a resposta for “não”, há uma grande chance de não gostar do final deste “Dúvida”, mas caso a resposta seja “sim”, você provavelmente irá se sentir atraído pelo final de “Dúvida”. Digo isto pois o filme de Shanley tem algumas semelhanças (não muitas, confesso, e lamento dizer que esta analogia cinematográfica não foi das melhores) com a obra de Kurosawa, sobretudo no que diz respeito ao seu encerramento. Uma pessoa (um padre) é acusada de ter cometido um determinado crime (no caso, pedofilia). Passa-se um longo tempo tentando provar algo contra, ou até mesmo a favor do suspeito e, quando chegamos ao final da trama, não temos certeza absoluta se o indivíduo cometeu, ou não, o delito do qual fora acusado (a propósito, gostaria de informar que não estou “estragando” o filme de ninguém ao revelar que o mesmo não tem uma resolução). Como podem notar, o final fica em aberto, assim como ocorre com “Rashomon”. Mas da mesma forma que o filme japonês, o desfecho irregular (se é que posso tachá-lo assim) de “Dúvida” só tem a contribuir para o ótimo resultado final do mesmo, pois somente desta forma podemos levantar questionamentos imparciais acerca da filosofia de vida adotada por cada personagem. Isto sem contar, é claro, que o desfecho obscuro só vem a frisar ainda mais a palavra que dá título ao filme.
A propósito, do início ao fim da trama, a ‘dúvida’ parece estar presente durante todo o instante. Desde o sermão feito pelo Padre Flynn, logo na abertura do filme, passando pelos questionamentos levantados pela Irmã Beauvier e encerrando-se com a incógnita que toma conta da finalização do longa. A ‘dúvida’, ironicamente, parece ser a grande vilã do filme. A impressão que fica é que ela assume, simultaneamente, a função de antagonista e protagonista da obra que leva o seu nome. A ‘dúvida’ parece ser personificada durante o desenrolar da trama, tanto que diálogos como “O que vocês fazem quando não têm certeza?” e “A dúvida pode ser um elo tão encorajador e certeiro quanto a certeza.” marcam presença direta por aqui.
E afinal de contas, o que pode ser mais perturbador do que uma ‘dúvida’? Assim como tal sentimento pode ser instigante (segundo Albert Einstein: “O misterioso (que, neste caso, pode ser substituído pela dúvida de alguma coisa) é a coisa mais bela que pode existir, pois ele é a razão de toda a Ciência a de toda a Arte”), ele também pode ser a causa de muitas injustiças e muitas acusações levantadas por mero senso comum, como é o caso das indagações de Irmã Aloysius sobre o Padre Brendan. Enfim, se você almeja ir ao cinema e deparar-se com uma obra que lhe bombardeie a mente com vários pensamentos, talvez este “Dúvida” seja um dos mais indicados, dentre os demais que estão em cartaz no presente momento, para tal.
Mas o forte do filme não está nas reflexões que ele nos remete. Não, de forma alguma. O roteiro até que se mostra sagaz quando o assunto em pauta é a abordagem das mesmas, mas a direção de John Patrick Shanley é fraca demais para captar toda a sutileza embutida em seu script. Planos-sequências como a cena do vento, onde várias penas voam livremente pelo ar, são difíceis de serem encontradas por aqui, e um filme que nos levanta tantas indagações não pode se dar ao luxo de contar com tão poucas metáforas como “Dúvida” conta. Não bastasse isso, o diretor ainda apela a recursos muito artificiais na tentativa de aumentar a carga dramática de determinadas cenas, como as lâmpadas que queimam a todo o instante ou as sequências em que a governanta aparece do nada com um gato nas mãos. A movimentação com as câmeras também não é das melhores. Raramente vemos Shanley criar um ângulo realmente convincente com a sua câmera e o uso de recursos como travelings, closes ou deep focus é praticamente nulo. “___ E no que diz respeito à condução de elenco? Como se sai Shanley?”. O elenco se sai magistralmente bem, todos os atores estão excelentes, todos os atores são dignos de todas as indicações ao Oscar que receberam (embora nenhuma das atuações seja digna de se faturar o prêmio), mas convenhamos, uma equipe composta por Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman e Amy Adams não precisa de um grande cineasta para render atuações incríveis, não é mesmo? Logo, nem mesmo as fantásticas atuações podem contar pontos positivos para o diretor.
Continuemos. Antes de acoimar a direç
ão de “Dúvida” lembro-me de que iria citar o ponto forte da obra, não? Pois então vamos lá. Conforme já dei a dica no parágrafo acima, o ápice do longa reside nas atuações do mesmo, bem como na construção de seus respectivos protagonistas. Começando pela Sra. Miller, o pouco tempo em que ela aparece em cena já se revela o suficiente para explora-la. Não, não é uma personagem simples, muito pelo contrário. Acontece que o roteiro troca o quantitativo pelo qualitativo e faz com que os menos de dez minutos em que a mesma aparece em cena sejam o suficiente para transforma-la em uma mulher que parece ter sofrido a vida inteira nas mãos do marido. O modo estóico como encara certos problemas (se é que posso chamar assim) do filho também é algo que chama muita atenção em sua composição. A atuação de Viola Davis acrescenta muito à sua personagem e é incrível notarmos a capacidade da atriz que, com pouquíssimo tempo em cena, desbanca atores do naipe de Streep e Hoffman que tem o filme inteiro pelo frente (e olha que ambos atuaram muito bem em seus respectivos papéis).
Amy Adams também convence na pele de Irmã James. Aparentemente, a personagem não passa de uma freira bondosa e sonsa, mas conforme a trama vai se desenrolando passamos a nos dar conta de que a mesma é fundamental para a trama, e isso não se deve apenas ao fato de ser ela quem começa a levantar os boatos a cerca do comportamento do Padre Flynn. Dentre todos os personagens, James parece ser a que mais conta com o sentimento que dá título ao filme. Ora a jovem é meiga, delicada e, assim como Flynn, crê na bondade e na tolerância como métodos educativos. Ora ela é rígida, enérgica e rude, assim como Irmã Aloysius Beauvier. Talvez tenha sido o modo natural como a atriz alterna entre estas duas personalidades, em frações de minutos, que tenha chamado tanto a atenção da Academia, a ponto de faze-la receber uma indicação ao prêmio de Melhor Atriz Coadjuvante. A propósito, é ótimo vermos uma atriz tão jovem e bela se destacando tão bem no Cinema. Pena Keira Knightley não ter seguido o mesmo caminho.
Brendan Flynn, por sua vez, é, de longe, o personagem mais instigante da trama. Apesar de levar o seu trabalho extremamente a sério, o pároco se revela bastante liberal e provavelmente esta seja a maior causa das suspeitas que as freiras passam a ter dele. Ao mesmo tempo em que o vigário trata os seus jovens pupilos com toda a sutileza e afetividade possíveis, o mesmo passa as horas de folga bebendo cerveja, comendo carne vermelha em grandes quantidades, fumando, e contando aos seus amigos, muitos deles também pessoas de certo renome dentro da Igreja Católica, sobre experiências sexuais que já vivenciou. Hoffman, além de contar com todos os pré-requisitos (é com hífen? Até hoje confundo) físicos para compor Flynn, possui o carisma necessário para construir o seu personagem e, sempre que entra em cena, a qualidade do filme é elevada. É ainda mais elevada quando temos um fantástico duelo de atuações entre ele e a personagem de Meryl Streep.
E falando em Streep, a sua personagem é, sem sombra de dúvidas, a mais difícil de se analisar. Assim como a sua Miranda Priestly do fraco “O Diabo Veste Prada”, Irmã Aloysius Beauvier se revela uma personagem amplamente caricata. Sempre séria e rígida, a diretora da escola St. Nicholas é o estereótipo da megera que raramente sorri, exceto quando solta aqueles sorrisos sem dentes e de canto de boca que indicam desgosto com determinada coisa. Deve-se comentar também o fato da mesma anunciar sua presença através de seu olhar ditador e da secura de sua voz. Contudo, essa “maldade” toda parece ser apenas uma fachada para enganar as demais pessoas que convivem com ela e fazer com que as mesmas aceitem, a todo o custo, a sua filosofia de vida e de ensino. Note, por exemplo, que por mais reacionária que a mesma aparente ser, ela conta com alguns desvios de caráter, como comprova a cena em que oculta os problemas visuais que uma professora possui, a fim de assegurar o emprego da mesma. Ou seja, deixa de cumprir friamente com o seu dever, assim como está acostumada a fazer, e coloca a bondade em primeiro plano. O quê? A atuação de Streep? É difícil de se analisar. A atriz, como de costume, esbanja profissionalismo, expressividade e, acreditem, até mesmo carisma (e olha que conferir carisma a uma personagem tão insuportável quanto Beauvier é algo louvável). Sem contar que ela não tem culpa de seu papel ser bastante caricato. Logo, mantenho a opinião que expus em meu texto sobre “O Leitor”: a atuação dela neste filme supera a de Winslet no longa roteirizado por David Hare.
“Dúvida” se revela, no final das contas, um interessantíssimo estudo de personagens, bem como o modo com que o sentimento que intitulou o filme pode influenciar o cotidiano destes e, muitas vezes, mudar a vida de várias pessoas para melhor, ou para pior. O longa também nos leva a muitos questionamentos, dentre os quais pode-se destacar o rumo que a Igreja deveria adotar: a incerteza dos pensadores liberais, ou a frieza e o preconceito empregados pelos pensadores conservadores (apesar de que, francamente, acredito que a Igreja deveria simplesmente deixar de existir, mas isso não vem ao caso agora)? O elenco se destaca muito bem e o duelo de atuações entre Streep e Hoffman consegue corresponder às expectativas previamente formuladas pelos cinéfilos (exceto por este que vos escreve, pois como sempre digo, em raros os casos formo expectativas antes mesmo de assistir a um determinado filme). Infelizmente, um filme que tinha várias chances de se tornar um marco na história do Cinema, acabou se rendendo ao trabalho pouco pretensioso, técnica e artisticamente falando, de John Patrick Shanley (neste caso, refiro-me a ele como diretor de “Dúvida”, e não como roteirista do mesmo) e à exagerada caracterização de sua protagonista. Um ótimo filme, mesmo assim.
Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.
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