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Up – Altas Aventuras – **** de *****

Redigido e editado por Daniel Esteves de Barros aos 02 de setembro de 2.009 e publicado pelo mesmo aos 03 de setembro de 2.009.

Up - Altas Aventuras

Ficha Técnica:
Título Original: Up.
Gênero: Animação / Aventura.
Tempo de Duração: 96 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Site Oficial: http://www.disney.com.br/cinema/up/
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Pete Docter.
Roteiro: Bob Peterson.
Elenco: Edward Asner (Carl Fredricksen), Chico Anysio (Carl Fredricksen – versão brasileira), Christopher Plummer (Charles Muntz), Jordan Nagai (Russell), Bob Peterson (Dug / Alpha), Delroy Lindo (Beta), Jerome Ranft (Gamma), John Ratzenberger (Tom), Mickie McGowan (Policial Edith), Danny Mann (Steve), Donald Fullilove (Enfermeiro George), Jess Harnell (Enfermeiro AJ), Josh Cooley (Omega), Elie Docter (Ellie – jovem), Jeremy Leary (Carl Fredricksen – jovem) e Pete Docter.

Sinopse: Carl Fredricksen (Edward Asner) é um vendedor de balões que, aos 78 anos, está prestes a perder a casa em que sempre viveu com sua esposa, a falecida Ellie. O terreno onde a casa fica localizada interessa a um empresário, que deseja construir no local um edifício. Após um incidente em que acerta um homem com sua bengala, Carl é considerado uma ameaça pública e forçado a ser internado em um asilo. Para evitar que isto aconteça, ele enche milhares de balões em sua casa, fazendo com que ela levante vôo. O objetivo de Carl é viajar para uma floresta na América do Sul, um local onde ele e Ellie sempre desejaram morar. Só que, após o início da aventura, ele descobre que seu pior pesadelo embarcou junto: Russell (Jordan Nagai), um menino de 8 anos.

Fonte Sinopse e Ficha Técnica: Adoro Cinema.

Up – Trailer:

Crítica:

A missão deste “Up – Altas Aventuras”, mais nova aposta da bilionária parceria entre Disney/Pixar, definitivamente, não é das mais fáceis. Substituir o espetacular “Wall-E” e, ao mesmo tempo, segurar com todas as forças o glamour que ronda o estúdio não é uma tarefa que exige pouca responsabilidade dos envolvidos com a mesma.

Não menos hercúlea é a missão do espectador que ainda nutre fortes laços com o mágico filme do robozinho e tem de esquecer-se daquela magnífica produção de 2.008 para poder conferir “Up – Altas Aventuras” (que a partir de agora chamarei unicamente pelo título original, ou seja, “Up”) de cabeça vazia e sem tentar estabelecer quaisquer elos ou criar quaisquer expectativas em cima desta animação tomando por base “Wall-E”.

Contudo, é justamente quando o filme começa que nos damos conta de que esta nova investida da Disney/Pixar perde veementemente para o seu antecessor em um quesito: sua parte gráfica. Se em “Wall-E” (ao menos durante o primeiro ato daquele longa) jurávamos não estar presenciando uma simples animação 3D, mas sim um filme com personagens de verdade, em “Up” temos a mais plena ciência de que realmente estamos diante de uma animação 3D muito bem feita, e só.

O que dizer então da dupla de protagonistas Carl/Russell se comparada ao personagem Wall-E que, ao lado de Gollum, da excepcional trilogia – “O Senhor dos Anéis”, se mostra a figura mais marcante do cinema nesta primeira década do século XXI? O velho e o garoto, indiscutivelmente, se completam e enchem “Up” de carisma, magia e emoção, mas não restam dúvidas de que um único gesto feito pelo simpático robozinho conseguia se mostrar ainda mais cativante do que praticamente tudo o que os dois protagonistas realizam juntos nesta animação.

Mas desvencilhemos “Up” de “Wall-E”, ok? Por mais duro que isto seja, deve-se avaliar um filme de maneira independente, e farei isso com “Up” a partir de agora.

A animação em questão começa muito bem. Deparamos-nos com um garoto que, assim como todos os outros, fantasia a sua vida vivendo entre um devaneio e a realidade. O pequeno e tímido Carl sonha em seguir os passos de seu ídolo Charles Muntz e viajar através de um veículo aéreo até a América do Sul, onde irá desbravar as maravilhas da natureza local. Carl conhece então a tagarela e espevitada Ellie que nutre as mesmíssimas paixões e desejos que ele. Ambos se tornam grandes amigos, crescem juntos e, como já era de se esperar, se casam.

Previsível, é claro, mas até aí a animação é simples e charmosa. Assim como o robô Wall-E (disse que evitaria comparações, não? Juro que esta será a última) nos remete à deliciosa sensação de estarmos dentro de um filme mudo enquanto ele protagoniza as suas divertidas palhaçadas isolado no planeta Terra (salvo pela companhia de sua barata de estimação, é claro), em “Up” temos à magistral sensação de estarmos assistindo a um curta metragem mudo durante os momentos em que a animação se dedica a desenvolver o casamento entre Carl e Ellie.

Por mais simples e batido que soe o romance de ambos, não há como não nos cativarmos com eles, seja vendo-os pintando a caixa de correio, seja vendo-os limpando a casa, seja vendo-os poupando dinheiro e armazenando tudo em um singelo recipiente, seja vendo-os sonhando com uma casa no topo de uma montanha localizada na América do Sul, seja vendo-os amargar a perda de um tão esperado filho que nem ao menos chegou a nascer.

Em uma sucessão de imagens que dura menos do que dez minutos, o filme já faz valer a pena o valor de seu ingresso, pois conseguimos rir, nos emocionar e nos lamentar com o triste fim que o matrimônio de ambos teve. É como se em dez minutos uma longa e duradoura estória nos fosse inteiramente narrada unicamente através do sábio uso de imagens que já falam por si só.

Eis que chegamos à trama principal. Carl, agora viúvo, torna-se um velho antipático, ranzinza e frustrado. A única lembrança concreta e material que possui de sua falecida esposa Ellie é a casa na qual viveram juntos durante as suas vidas inteiras e é justamente por este motivo que o protagonista recusa-se a abandonar a mesma.

Acontece um incidente, Carl é obrigado a ir para um asilo, mas antes, enche o seu lar de balões a fim de fazê-lo flutuar até a América do Sul. Graças à força do destino, o velho acaba involuntariamente levando consigo o garoto Russell, de oito anos, cuja tagarelice irrita o velho que, a partir de agora, deverá juntar forças e paciência para tolerar o mesmo.

Renasce então aquela relação exaustivamente batida entre o velho ranzinza e o garoto hiperativo e irritante. Sabe aquela química típica de Dennis Mitchel e o Sr. George Wilson? Pois é, ela é praticamente transportada para cá. O garoto que ama o velho e o velho que tenta fingir que odeia o garoto. Entretanto, há algo que difere completamente Carl e Russell de Dennis e Wilson. Aqui, um precisa do outro.

Carl perdeu a esposa e viu a vida se tornar insuportavelmente vazia e insossa sem essa. Russell viu o pai ir embora e raramente recebe visitas da parte deste. Ambos se tornam solitários e, por mais diferentes que sejam um do outro, eles se completam. Russell se torna o neto que Carl nunca teve, o segundo, por sua vez, se torna o avô que o primeiro também jamais possuiu e, francamente, não fosse a grande diferença de idade entre ambos, diria que a relação está muito mais para pai e filho do que avô e neto.

A dinâmica entra ambos é muito boa, contudo, previsível demais. Aliás, o filme todo é previsível, principalmente em suas gags. Dois exemplos (e se você segue o tipo que não gosta de saber de algumas piadas inseridas no roteiro antes de assistir ao filme, aconselho não ler o restante deste parágrafo e que pule diretamente para o final desta crítica): quando Russell exibe o seu GPS ao velho e, em uma jogada muito antigo que só acontece mesmo em Hollywood e sabemos perfeitamente que resultará em um pequeno “desastre”, abre os braços para tal fazendo com que a sua mão vá além de uma janela aberta, sabemos perfeitamente que o garoto irá arremessar o aparelho para fora. Uma previsibilidade de igual intensidade ocorre quando Carl tenta despistar a ave e o cão que passam a lhes seguir. Logo que o protagonista arremessa uma bola e uma barra de chocolates para distrair os animais e inicia uma pequena corrida para despistar os mesmos, temos a plena ciência de que, assim que parar para descansar, dará de cara com ambos.

Mas devo admitir que nem todo alívio cômico é previsível em “Up”. Prova disso é a cena em que o garoto faz uma pausa para “ir ao banheiro” e fica na dúvida se deveria cavar um buraco no solo antes ou depois de fazer as necessidades. E é praticamente impossível conter a gargalhada quando o jovem comenta: “___ Oh, era antes!”.

Avaliando-o como uma animação produzida pelos estúdios Disney/Pixar, “Up – Altas Aventuras” se mostra levemente (bem levemente mesmo) aquém de alguns exemplares já produzidos pela empresa. Ao avaliar o filme individualmente, no entanto, o mesmo revela-se bastante divertido e até mesmo criativo. E mesmo que a dinâmica entre os seus dois protagonistas se revele altamente batida e o seu humor seja bastante previsível, a trama conta com a sua parcela de originalidade (uma casa sendo levantada por balões e servindo de dirigível para dois atípicos aventureiros é a prova disso), nos emociona satisfatoriamente e conta com uma bela mensagem inserida em suas entrelinhas.

Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.

Crítica – Wall-E

Eu não sei ao certo se sou eu quem sou conservador, ou melhor, retrógrado demais ou se foi a qualidade das animações que realmente caiu, e muito, de uns tempos para cá. Sinceramente, creio que a preocupação com a qualidade gráfica das produções atuais fez com que a criatividade do roteiro das mesmas fosse praticamente esquecida de uns tempos para cá, fazendo com que as obras perdessem bastante de sua qualidade artística. Não que eu não goste de animações como “Ratatouille”, “Wallace & Gromit – A Batalha dos Vegetais”, “Procurando Nemo“, “Shrek”, “Jimmy Neutron – O Menino Gênio” ou até mesmo “Os Incríveis”, muito pelo contrário, gosto muitíssimo das mesmas, mas ainda assim acredito que nenhuma destas chegue aos pés de um “O Rei Leão”, ou uma “Branca de Neve e os Sete Anões”, ou um “O Estranho Mundo de Jack”. Surpreendentemente, em 2008, os estúdios Disney-Pixar conseguiram, em apenas 5 minutos de projeção, criar uma animação mais criativa e divertida do que todas as outras animações feitas nestes últimos 14 anos. Me refiro ao curta “Presto”, cuja criatividade, simplicidade e sagacidade das piadinhas embutidas no roteiro, nos remete aos bons tempos de “Tom & Jerry”, “Pica-Pau” e é claro, “Mickey & Donald”. Mais surpreendente ainda é a animação que nos é apresentada logo em seguida que, além de ser extremamente criativa, divertida e emocionante (conseguiu arrancar lágrimas até mesmo deste que vos escreve, que, segundo algumas pessoas, é um niilista coração de pedra), une aspectos das animações antigas (criatividade e humor inteligente), com aspectos das animações recentes (parte gráfica perfeita) e debates existenciais. Estou falando de “Wall-E”, a melhor e mais bem feita (em todos os sentidos) animação que já tive a oportunidade de assistir nos últimos 14 anos, conforme o leitor poderá constatar a seguir.

Ficha Técnica:
Título Original: Wall-E
Gênero: Animação
Tempo de Duração: 97 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Site Oficial: www.disney.com.br/cinema/walle
Estúdio: Walt Disney Pictures / Pixar Animation Studios
Distribuição: Walt Disney Studios Motion Pictures
Direção: Andrew Stanton
Roteiro: Andrew Stanton
Produção: Jim Morris
Música: Thomas Newman
Desenho de Produção: Ralph Eggleston
Edição: Stephen Schaffer
Elenco (vozes): Ben Burtt (Wall-E / M-O), Elissa Knight (Eva), Jeff Garlin (Capitão), Fred Willard (Shelby Forthright), John Ratzenberger (John), Kathy Najimy (Mary) e Sigourney Weaver (Auto).

Sinopse: No ano de 2.815 d.C. o planeta Terra, mediante o desleixo de seus habitantes, encontra-se em uma situação caótica, coberto de lixo, fazendo com que a vida em sua superfície torne-se impossível de se proliferar. A fim de reverter tal situação, os terráqueos abandonaram o planeta e designaram a missão de limpá-lo ao robô Wall-E. Completamente isolado no mundo, Wall-E tem uma vida enfadonha e sem propósito, até que conhece Eve, uma robô que mudará o curso de seu destino para sempre e irá ajudá-lo a provar que ainda existe a possibilidade de se viver na superfície terrestre.

Wall-E – Trailer

Crítica:

Wall-E” inicia-se com uma belíssima música e um fantástico close da Via Láctea. Logo as câmeras nos direcionam à Terra e temos uma visão aérea do corpo celeste. O ano é 2.815 d.C., o planeta encontra-se abandonado e coberto de lixo, seus únicos habitantes são os insetos e um pequeno e desengonçado robô que tem como incumbência a tarefa de limpar todo o lixo da Terra. É aí que tomamos ciência de que a belíssima música que abre o filme estava sendo reproduzida e ouvida pelo robô com o único intuito de conferir mais alegria à vida solitária da triste e pobre máquina.

A animação vai se desenrolando, Wall-E vai sendo cada vez mais bem desenvolvido e aproveitado pelo roteiro que foca, acima de tudo, na tristeza que o mesmo sente devido à sua vida solitária, rotineira e depressiva. O único ser com quem ele se relaciona é uma barata, que é vista por ele como um animal de estimação, um cão, ou um gato, ou qualquer outro animal capaz de lhe fazer companhia.

Como o leitor pôde perceber, em apenas dez minutos de projeção já se é capaz de notar toda a criatividade e perspicácia do roteiro que, além de criar pequenas peculiaridades que contribuem, e muito, para o desenvolvimento do protagonista (a barata de estimação é a maior prova disso), consegue mesclar com maestria características de Charles Chaplin e Woody Allen ao personagem-título.

É isso mesmo, para desenvolver Wall-E os roteiristas do filme utilizaram várias características destes dois gênios do Cinema. Repare, por exemplo, no jeito simplório e desajeitado com que o simpático robô manuseia uma raquete de tênis, nos remetendo à imediata lembrança do maior ícone da história do Cinema mudo. Repare também nas feições do protagonista, no olhar depressivo deste, idênticos ao do intelectual de ascendência judia.

Wall-E” é um filme que já valeira cada centavo cobrado por seu ingresso apenas pelo pr
otagonista que, além de tremendamente cativante e perfeitamente bem desenvolvido pelo roteiro, fôra desenhado com uma competência fora do comum. E os responsáveis pelos efeitos visuais merecem todos os elogios existentes em nosso (e em todos os outros, diga-se) vocabulário. É incrível a perfeição com que o robô (e os demais personagens) fôra desenhado, tanto que chegamos a acreditar que Wall-E não é um desenho, mas sim um personagem real.

Tão bem produzida e desenvolvida quanto é Eve, o par romântico de nosso robozinho melancólico. E falando em par romântico, é incrível ver a sutileza com que o mesmo é desenvolvido pelo roteiro. Francamente, creio ser impossível não nos cativarmos com o casal que, desde já digo, possui uma das melhores químicas entre personagens já vista no Cinema deste início de século.

Outro ponto fortíssimo da animação reside na análise que a mesma realiza sobre a dependência humana perante o conforto que a alta tecnologia nos proporciona, tornando-nos seres sedentários ao extremo, além, é claro, “escravos” das máquinas. Para demonstrar isso, o longa opta, brilhantemente, por fazer referências (e porque não dizer, homenagens) ao sensacional “2001 – Uma Odisséia no Espaço”.

Perdido (e fascinado, diga-se) com tanta perfeição, é até estranho que eu tenha conseguido encontrar um defeito no filme, mas a verdade é que o mesmo cai bastante no intróito de seu segundo ato quando dá a entender que se transformará em uma aventura descerebrada e opta, terrivelmente, por parar de desenvolver seus personagens de modo tão cativante como vinha fazendo até então. Felizmente o roteiro abandona tal idéia durante o desenrolar da película e decide abordar, durante o seu terceiro ato, o tema existencial entre homem-tecnologia, conforme fôra supracitado.

Um filme fabuloso e, com o prévio perdão pela utilização da palavra meiga e piegas ao extremo, fofíssimo.

Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.


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