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Velozes & Furiosos 4 – ** de *****

Sei que havia prometido, através do Twitter, que a próxima crítica que iria escrever seria a de “O Equilibrista”, mas acontece que acabei de sair da sessão deste “Velozes & Furiosos 4 e o filme está bem nítido em minha mente, logo, prefiro comentá-lo agora mesmo (isso sem contar que, não sejamos hipócritas, um filme como este atrai muito mais leitores ao blog do que um documentário como O Equilibrista). Já disse mil, quinhentas e noventa e sete vezes (1.598 agora, neste exato momento) que procuro evitar estabelecer conceitos prévios (leia-se pura e simplesmente, preconceitos, caso prefira) acerca de um filme antes mesmo de assistí-lo. Entretanto, em muitos casos é impossível não fazê-lo. Como não me encher de ânimo antes de assistir a um filme de Martin Scorsese ou de Woody Allen (apenas para citar dois exemplos)? Seguindo a contra-mão, como não nutrir forte receio ao saber que terei como missão acompanhar a mais um episódio da série “Velozes & Furiosos” (que é uma das coisas que mais execro (se não a que mais execro) quando o assunto em pauta é Cinema)? Mas desta vez confesso que me surpreendi. Juro que esperava muito mais nugacidades por parte do roteiro. Enfim, vamos ao texto, onde deixarei mais clara a minha opinião.


Ficha Técnica:

Título Original: Fast & Furious.
Gênero: Ação.
Tempo de Duração: 107 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Site Oficial: www.velozesefuriosos4ofilme.com.br
País de Origem: Estados Unidos da América.

Direção: Justin Lin.

Roteiro: Chris Morgan, baseado nos personagens criados por Gary Scott Thompson.

Elenco: Vin Diesel (Dominic Toretto), Paul Walker (Brian Spindler), Michelle Rodriguez (Letty), Jordana Brewster (Mia Toretto), Rick Yune (Johnny Tran), Beau Holden (Ted Gessner), Thom Barry (Sargento Bilkins), Reggie Lee (Lance Nguyen), Ted Levine (Sargento Tanner), Chad Lindberg (Jesse), Vyto Ruginis (Harry), Ja Rule (Edwin), Matt Schulze (Vince) e Johnny Strong (Leon).

Sinopse: Domenic Toretto (Vin Diesel) é o líder de uma gangue de corridas de ruas em Los Angeles que está sendo investigado pela polícia por roubo de equipamentos eletrônicos. Para investigá-lo é enviado Brian Spindler (Paul Walker), que se infiltra na gangue na intenção de descobrir se Toretto é realmente o autor dos crimes e se há alguém mais por trás deles.

Fonte Sinopse: http://www.adorocinema.com/filmes/velozes-e-furiosos-4/velozes-e-furiosos-4.asp

Fast & Furious – Trailer:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=sWUHN8VKXe8&hl=pt-br&fs=1]

Crítica:

É a primeira vez que vou aos cinemas conferir a um filme da saga “Velozes & Furiosos”. Quando os outros três episódios da série encontravam-se em cartaz, não tinha coragem de torrar dinheiro tão levianamente. Contudo, agora tenho carteirinha de crítico, escrevo para um periódico de uma cidade vizinha (cujo nome não estou autorizado a revelar pela internet) e posso entrar gratuitamente nos cinemas. Pensei: ___ Afinal de contas, por quê não Velozes & Furiosos 4?. Independentemente se a crítica for positiva ou negativa, ela atrairá uma quantidade satisfatória de leitores, não? Decidi então ir ao cinema local assistir ao filme.

Já havia assistido a todos os outros três episódios que formam a série (e juro que não estou dizendo isso para me gabar, afinal de contas, por que me gabaria de algo tão esdrúxulo?), mas o fiz em DVD. Lembro-me de que, ao assistir ao primeiro filme, concluí que o mesmo tratava-se de uma descarada releitura (e olhe que estou sendo deveras eufemista aqui, pois a palavra “plágio” se encaixaria muito melhor que “releitura” nesta situação) de “Caçadores de Emoção”, com Keanu Reeves e Patric
k Swayze. Em outras palavras, tratava-se de uma porcaria copiando outra porcaria, o que viria resultar em uma porcaria ainda maior.

O filme nada mais era do que o maior oceano de futilidades que a sétima Arte já havia presenciado até o presente momento (pouco tempo mais tarde, “Jackass – O Filme” viria a concorrer ao posto). Mulheres gostosonas e burras que se interessam por caras gostosões e burros que vivem em torno de um mundo ainda mais burro, onde pessoas com um visível complexo de inferioridade literalmente se matam a fim de ver quem chega em primeiro lugar em uma corrida, como se tal façanha fosse mudar o mundo para pior, ou para melhor. O que víamos então era um paraíso machista, banhado de mulheres gostosas com shortinhos excessivamente curtos (não que eu me incomode com isso, muito pelo contrário, mas enfim…), carrões “tunados” que são utilizados para medir o grau de superioridade entre os seus respectivos proprietários, cerveja, hip-hop, gírias ridículas, e tudo o que o decadente mundo capitalista pode nos oferecer de pior.

Não bastasse toda a podridão supracitada, ainda nos damos de cara com arcos dramáticos abomináveis. Personagens ridículos dão às caras (e o roteiro faz das tripas, coração, para fazer com que nos cativemos com eles), situações ainda mais ridículas começam a brotar e, não bastasse tudo isso, o filme ainda plagia (agora sim tive de utilizar esta palavra, não teve escapatória) a química estabelecida entre Reeves e Swayze, tentando formar uma dinâmica entre Paul Walker e Vin Diesel. É claro que não funciona. Mas o primeiro filme, apesar de ser um dos grandes responsáveis por essa juventude burra que assombra o mundo nos dias atuais (eles sabem montar e desmontar um carro inteiro, mas não sabem nem ao menos a diferença entre políticos de direita e políticos de esquerda), contava com os seus momentos de adrenalina e nos proporcionava um ou outro momento de tensão. O segundo episódio, por sua vez, nem isso faz, e o terceiro consegue cair ainda mais neste quesito.

Eis que surge o episódio 4 e a série que já se iniciou sem quaisquer resquícios de criatividade e/ou originalidade, aparenta chegar ao ápice de sua incapacidade inventiva. A começar pelo título. Se o episódio 2 (que é o pior de todos, ou seria o episódio 3? Dúvida cruel, hein? Creio que fique com o terceiro mesmo) teve, ao menos, a ousadia (gargalhadas) de alterar o seu título, e o sucessor mostrou-se digno de, no mínimo, criar um subtítulo (ainda que este seja ridículo), o quarto capítulo desta ignóbil quadrilogia (isso se não inventarem ainda mais filmes por aí) nem isso fez. Optou por chamar-se simplesmente “Velozes & Furiosos 4 e ponto final.

Aí começa o filme. O personagem interpretado pelo atual canastrão mor, Vin Diesel, volta do Panamá para investigar a morte de sua ex-namorada (era a namorada dele mesmo? Juro que nem me lembro (e nem faço questão de me lembrar) de qual era o grau de relacionamento deste para com a finada). O destino faz com que ele cruze o caminho de um velho conhecido, Brian Splinter (Paul Walker) – protagonista do longa original – e inferimos então que a produção é, de fato, uma continuação direta do primeiro filme (o que torna os outros dois episódios intermediários ainda mais desnecessários do que já o são).

Novamente a péssima química estabelecida entre Paul Walker e Vin Diesel (é difícil saber quem é o pior ator entre eles, não?) vem à tona, mas desta vez os realizadores tiveram o bom senso de observar que não há necessidade de se investir muito em arcos dramáticos frívolos. Os produtores, o roteirista (mas essa porcaria tem roteiro?) e o diretor provavelmente pensaram: “___ Porra (com o tardio perdão pela palavra), esse é um filme feito para pessoas burras. Pessoas que nem ao menos sabem que o mundo está passando por uma crise econômica. Para quê vamos nos preocupar com a estória, ou, principalmente, com a química entre os protagonistas? Eles querem só ação, então vamos dar ação a eles.”.

É a partir deste momento que “Velozes & Furiosos 4 (com o perdão pela redundância altamente desnecessária que virá a seguir) se revela unicamente um filme veloz e furioso. Muita ação, pouca estória, pouca inteligência e (quem diria?) pouca nugacidade. Ou melhor, pouca futilidade se o compararmos com os antecessores. Neste quarto episódio tem carrões? Tem sim, senhor. Tem a câmera do diretor realizando um travelling enquanto foca a bunda de uma hispano-americana saindo do carro utilizando um short curtíssimo? Tem sim, senhor. Tem Vin Diesel pagando de machão? Tem sim, senhor. Tem lesbianismo barato e promíscuo? Tem sim, senhor. Tem hip-hop? Tem sim, senhor. Mas acreditem, ou não, tem tudo isso em doses homeopáticas.

Por mais incrível que possa parecer, o filme revela-se unicamente uma aventura policial carregada de clichês, mas que conta com um ritmo interessante, do tipo “desligue o cérebro e coma pipoca, mas muita pipoca mesmo”. Finalmente, aquele excesso de corridas despropositais dá uma sossegada aqui neste quarto episódio, e quando elas acontecem, são realizadas de um modo que realmente acabe nos criando uma ou outra tensão, além de ter um escopo (pequeno, mas tem) no contexto geral do roteiro (e, particularmente, adorei o primeiro “pega”, bem como a importância que o diretor conferiu à utilização de GPS’s durante o desenrolar da mesma).

É provável que “Velozes & Furiosos 4 seja o episódio da série que menos contenha futilidades embutidas em seu roteiro (se é que isto aqui possui um roteiro), o que, sejamos francos, não quer dizer lá muita coisa. De qualquer forma, salva-se como uma fita de ação despretensiosa e descerebrada, igual a essas que são exibidas uma única vez na Tela Quente e, logo de cara, se veem relegadas a um Domingo Maior (isso, é claro, se não forem encaminhadas diretamente ao SBT ou a Record, o que é mais provável).

Obs.: O final do filme foi tão ridículo que, assim que começaram a ser exibidos os créditos, abandonei a sala. No entanto, fui o único que tomou tal atitude, sendo que os demais infelizes… digo… os demais espectadores, perman
eceram em suas poltronas, o que indica que o filme provavelmente conta com uma cena extra inserida em seus créditos. Agora, sejamos francos, se o final já se revelou um dos piores da história do Cinema (um ônibus que conta com prisioneiros da mais alta periculosidade e nem ao menos é escoltado pela polícia? Truco, papudo! É impressionante como Hollywood zomba da inteligência de seus espectadores. Apesar de que é de se esperar que os espectadores de
Velozes & Furiosos não contem com um pingo de inteligência sequer, não é mesmo?), o que se pode esperar então de uma cena extra inserida entre os créditos?

Avaliação Final: 4,0 na escala de 10,0.

Twitter

Eu tentei… juro que tentei resistir a esse tal de Twitter, mas a curiosidade falou mais alto.

Enfim, aqueles que se interessarem em nos seguir através desta nova ferramenta virtual, favor clicar no link abaixo:

Twitter – Cine-Phylum

Obs.: Quem optar por seguir o blog pelo Twitter poderá ficar atualizado sobre cada mudança que for realizada por aqui, sobretudo a postagem de novas críticas, além de ficar informado sobre o enfadonho cotidiano deste que vos escreve.

Vicky Cristina Barcelona – ***** de *****

Assisti a “Vicky Cristina Barcelona” em 30 de dezembro de 2.008 e durante a passagem deste para o último dia do ano, escrevi um breve comentário sobre o filme que acabara de assistir. Confesso que, naquela ocasião, não só a falta de tempo (pois é, é sempre culpa da bendita (ou maldita, que seja) falta de tempo) como também a falta de coragem (isso mesmo, falta de coragem, assumo sem problemas) me impediu de escrever algo sobre o mais recente exemplar dirigido por Woody Allen a chegar ao Brasil. Digo isto pois este mais novo tesouro da filmografia do cineasta judeu deve ser analisado cautelosamente, antes de receber quaisquer avaliações. Quando vi que o filme estava sendo exibido gratuitamente no Cinema Municipal de minha cidade, não pude deixar a oportunidade escapar e pensei: “é agora ou nunca!”. Eis que adentro a sessão, desta vez mais ciente do que iria encarar pela frente, e decido, por fim, escrever mais detalhadamente sobre o mesmo, conforme poderemos acompanhar mais abaixo.

Ficha Técnica:
Título Original: Vicky Cristina Barcelona.
Gênero: Drama.
Tempo de Duração: 96 minutos.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: www.vickycristina-movie.com
Países de Origem: Estados Unidos da América / Espanha.
Direção: Woody Allen.
Roteiro: Woody Allen.
Elenco: Javier Bardem (Juan Antonio), Scarlett Johansson (Cristina), Rebecca Hall (Vicky), Penélope Cruz (Maria Elena), Chris Messina (Doug), Patricia Clarkson (Judy Nash), Kevin Dunn (Mark Nash), Julio Perillán (Charles), Pablo Schreiber (Ben), Carrie Preston (Sally), Zak Orth (Adam), Abel Folk (Jay), Josep Maria Domenech (Julio Josep) e Christopher Evan Welch (Narrador).

Sinopse: Vicky (Rebecca Hall) e Scarlett Johansson (Cristina) são grandes amigas que estão em férias em Barcelona. Vicky procura ser sensata em relação ao amor e está noiva, enquanto que Cristina sempre busca uma nova paixão que possa virar sua cabeça. Um dia, em uma galeria de arte, elas conhecem Juan Antonio (Javier Bardem), um atraente pintor que teve um relacionamento problemático com sua ex, Maria Elena (Penélope Cruz). Ainda naquela noite, durante o jantar, Juan Antonio se aproxima da mesa em que Vicky e Cristina estão, fazendo-lhes a proposta de com ele viajar para Oviedo. Vicky inicialmente a rejeita, mas Cristina aceita de imediato e consegue convencer a amiga a acompanhá-la. É o início do relacionamento conturbado de ambas com Juan Antonio.

Fonte sinopse: www.adorocinema.com.br

Vicky Cristina Barcelona – Trailer:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=OQMpOyy7zgs&hl=pt-br&fs=1]

Crítica:

Quando escrevi um pequeno comentário sobre este filme em 31 de dezembro de 2.008, a primeira palavra que mencionei foi uma singela junção constituída de três vogais, ou seja (‘destucanando’ tudo isso, conforme diria José Simão): “uau!”. Tal onomatopéia visava retratar o esforço intelectual que a obra exigira de mim na ocasião. Agora, assisto a “Vicky Cristina Barcelona” pela segunda vez e novamente inicio um texto sobre o referido longa-metragem com o mesmo termo monossilábico: “uau!”.

O filme realmente exige um grande esforço intelectual por parte do espectador. Não no que diz respeito à compreensão da estória em si, mas sim nos vai-e-vem inseridos na trama, que passam a cobrar da platéia uma participação bastante ativa, pois, do contrário, muitos pontos importantes poderão passar batidos e ocasionarão em constantes dúvidas que certamente acarretarão na não apreciação por completo desta mais nova obra Alleniana.

Aqueles que estão acostumados com os ‘Woody Allen’ de praxe poderão surpreender-se consideravelmente com “Vicky Cristina Barcelona”. Ao contrário dos clássicos absolutos “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa” e “Manhattam”, este longa protagonizado por Scarlett Johansson não conta com uma estória simples, muito pelo contrário. A fim de obter êxito na composição de uma trama mais complexa, o cineasta judeu mais neurótico da história do Cinema realiza aqui um florilégio que adota inúmeros aspectos da Nouvelle Vague, trazendo à tona personagens imorais (até certo ponto) e a abordagem referente ao amor que é feita de um modo com que o mesmo passe a ser tratado mais como uma espécie de doença do que uma dádiva ou um sentimento próprio do ser humano.

Inspirando-se ligeiramente (bem ligeiramente mesmo) no perfeito “A Regra do Jogo” de Jean Renoir e no ‘quase tão perfeito o quanto’ “Jules & Jim – Uma Mulher Para Dois” de François Truffaut, Woody Allen faz de “Vicky Cristina Barcelona” uma interpolação mais do que completa sobre os relacionamentos amorosos contemporâneos que estão sendo, cada vez mais, temperados negativamente com as neuroses inerentes à nossa sociedade.

Contando com personagens ainda mais interessantes do que a própria trama em si (que também é espetacular), o roteiro desenvolve um abstruso esboço sobre o modo como o amor é encarado pelas pessoas que seguem as mais alternadas filosofias de vida possíveis. Variamos desde a sensata e centrada Vicky (magistralmente encarnada pela gostos… digo, pela eficiente Rebecca Hall) e terminamos com a problemática e neurótica Maria Elena (ainda mais magistralmente encarnada por Penelope Cruz), passando pelos conservadores Doug, pela empirista e “portadora de insatisfação crônica” (seja lá o que for isso) Cristina (que é interpretada pela monumental Scarlett Johansson (Ahhh Scarlett, se eu não fosse assexuado, ficaria chupando o dedo por você) e sabe perfeitamente o que não deseja, mas não tem a mínima idéia do que realmente deseja) e pelo hedonista Juan Antonio, que leva a vida como se a mesma não tivesse sentido algum e tenta desfrutar apenas os prazeres da mesma, sem assumir quaisquer compromissos que seja.

À primeira vista, a estória revela-se extremamente charmosa e divertida. Os personagens supra vão sendo desenvolvidos normalmente, até que surge Maria Elena na trama. Sucede-se então uma amálgama amorosa nunca vista no Cinema antes (ao menos eu não me lembro de nada parecido) e o roteiro preciso
escrito pelo mestre Woody Allen passa a dissecar amor, paixão e sexo de forma ainda mais emaranhada e eficiente do que o vinha fazendo até então. A trama ganha intensidade e se mostra cativante o bastante a ponto de transportar para a tela até mesmo o sujeito fanático por blockbusters, que não dá a mínima para comédias românticas “cabeça” como esta.

O filme começa a empregar características que nos remetem à lembraça de “Jules & Jim – Uma Mulher Para Dois”. Não há como não compara-lo ao filme de Truffaut (apesar de que o seu irmão francês obtém um resultado mais satisfatório). Seja pelo triângulo amoroso que assume um relacionamento aberto e que, aos poucos, ruma a uma neurose altamente doentia, seja pelas cenas praticamente iguais às da obra-prima estrelada por Jeanne Moreau, bem como as que mostram os protagonistas passeando de bicicleta pelas bucólicas rodovias, ou seja pelos personagens libertários, inconsequentes, impetuosos e (por que não dizer?) insanos que amam, deixam de amar, esquecem-se de seus amores, e quando menos se espera, voltam a os amar novamente (se é que pode-se chamar de amor um sentimento tão doentio como o que é adotado aqui).

Curioso, no entanto, é que, após tantos vai-e-vem, tantas reviravoltas, tantas ocorrências; o longa se desfecha (e peço, por gentileza, que aqueles que não assistiram ao filme antes de ler este texto, não termine de ler este parágrafo e pule diretamente ao próximo) da mesma forma que se inicia. Todos os personagens (todos mesmo) voltam à escala zero. Voltam a ser como eram. Talvez seja um modo sutil de Allen retratar que cada um é o que realmente é e, por mais que tentemos fugir desses estereótipos, não nos sairemos bem sucedidos. Ou talvez não, talvez Allen tenha tentado nos passar qualquer outra mensagem que caiba única e exclusivamente a nós ser lucubrada sobre qual seria o sentido da mesma.

Encerro este texto parafraseando a mim mesmo, quando escrevi mais vagamente sobre o filme em questão: “Nunca pensei que fosse dizer isso, uma vez que considero os filmes de Woody Allen extremamente simples, embora reflexivos e subjetivos, mas pela primeira vez em minha vida saí completa e deliciosamente desnorteado de uma sessão Alleniana.”. A diferença é que agora já posso dizer que pela segunda vez em minha vida saí completa e deliciosamente desnorteado de uma sessão Alleniana.

Provavelmente, um dos maiores injustiçados do Oscar 2.009.

Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.

Je Vous Salue, Marie – **** de *****

Como todo e qualquer fã incondicional de Jean-Luc Godard, sempre que vejo toda e qualquer obra que esteja direta ou indiretamente ligada ao nome do cineasta e que esteja sendo comercializada, não penso duas vezes: abro a carteira, pego o cartão de crédito e adquiro tal bem material. Definitivamente, não há melhor forma de um cinéfilo pseudo-intelectual (bem como este que vos escreve) gastar o pouco dinheiro que possui com outra coisa que não seja um filme de Jean-Luc Godard. É como um programador especializado na linguagem de programação C++ gastar parte de seu patrimônio para adquirir o livro “Progamando em C++ – A Bíblia” de Kris Klander e Lars Jamsa, ou como uma “patricinha” burra, fútil e inútil (assim como todas elas, sem exceção, o são) torrar parte de seu patrimônio, ou melhor, parte do patrimônio do papai ou da mamãnio do papai, ou dependendo do caso, da mamegar o cart ao nome do cineastame do cineastae, dependendo do caso, com uma calça da Diesel Female. Por este motivo, ao ver o DVD de “Je Vous Salue Marie” sendo vendido pela irrisória quantia de R$ 12,90, não resisti à tentação e o adquiri sem pensar duas vezes. Oras, além de ser um filme de, ninguém mais, ninguém menos que, Jean-Luc Godard, é uma obra polêmica que provocou a ira de muitos cristãos (e o que pode ser mais cativante para um cinéfilo agnóstico, como é o meu caso, do que conferir uma obra cinematográfica que alarmou a Igreja e a mídia da época?). Todavia, ao terminar de assistir ao filme, inferi que o mesmo, assim como “A Última Tentação de Cristo”, era uma ótima obra cinematográfica, mas que não fazia jus a toda a polêmica que causou, conforme podemos conferir mais abaixo.

Ficha Técnica:
Título Original: Je Vous Salue, Marie.
Gênero: Drama.
Tempo de Duração: 75 minutos.
Ano de Lançamento: 1985.
País de Origem: França / Reino Unido / Suiça.
Direção: Jean-Luc Godard.
Roteiro: Jean-Luc Godard.
Elenco: Myriem Roussel (Maria), Thierry Rode (José), Johan Leysen (Professor de Ciências), Anne Gautier (Eva), Philippe Lacoste (Arcanjo Gabriel), Manon Andersen (A Menina), Malachi Jara Kohan (Jesus Cristo), Juliette Binoche (Juliette), Dick (A Criança) e Rapaz na Sala de Espera (Serge Musy).

Sinopse: Godard realiza aqui uma readaptação da concepção da Virgem Maria (Myriem Roussel) moldada nos dias atuais. Ao contrário da Maria bíblica, a protagonista deste filme é uma jovem comum, que joga basquete e trabalha no auto-posto de seu pai. A garota namora José (Thierry Rode), um taxista que, ao saber que a sua parceira está grávida, a acusa de traição, pois eles jamais mantiveram conjunções carnais entre si. O Anjo Gabriel (Philippe Lacoste), no entanto, se esforça para persuadir José de que Maria não o traiu, e que a mesma continua virgem e carrega consigo o filho de Deus. Paralelamente a esta trama, é narrada a estória de um professor (Johan Leysen) que mantém um caso de amor com a sua aluna Eva (Anne Gautier) e passa a discutir com a mesma a origem da vida na Terra.

Je Vous Salue, Marie – Trailer:

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Crítica:

Por mais que tente, não consigo idolatrar os ‘Godard’ da década de 1.980. Adoro incondicionalmente os seus filmes produzidos durante a década de 1.970 e, principalmente, os abrolhados durante a década de 1.960 (tanto que “Acossado” figura facilmente entre meus três filmes prediletos), mas dentre as produções mais atuais que dirigiu, nenhuma consegue agradar-me por completo, o que inclui até mesmo este “Je Vous Salue, Marie”. A impressão que fica é a de que o cineasta francês, após ter contribuído imensamente para a solidificação da Nouvelle Vague, decidiu inovar cada vez mais, a ponto de se ver obrigado, a cada filme que realiza, estar sempre inventando moda. É como se Godard se visse forçado a se reinventar a cada novo trabalho, adotando então maneirismos deveras desnecessários para tal.

Assim como na grande maioria de seus filmes oitentistas, em “Je Vous Salue, Marie” Godard explicita uma necessidade exacerbada e desnecessária de querer se auto-afirmar como gênio (seria um complexo de inferioridade característico dos artistas?), algo que ele já provou ser através de seus trabalhos sessentistas. Não que a sua direção aqui seja ruim, muito pelo contrário, é fantástica como sempre, mas não resta dúvidas de que a abundância de maneirismos empregados pelo gênio francês atrapalha consideravelmente no resultado final da obra.

Ao mesmo tempo em que posicionar a câmera apropinquada e fixamente à nuca de uma pessoa, enquanto esta assiste a uma aula de ciências, se mostra uma tática um tanto o quanto inteligente de fazer com que o espectador se sinta sentado exatamente atrás da moça, fazer cortes a todo o instante utilizando telas inteiramente negras com os dizeres: “En Ce Temps Lá” (“Naquela época”, em português) revela-se uma tentativa um tanto o quanto desesperada, desnecessária e carregada de alarde de se reinventar.

Mas e quanto a toda polêmica em volta do filme em questão? Mera neurose propagada pela mídia alarmista, pela Igreja conservadora e pela censura néscia daquela época. Não há nada de controverso na obra em si, salvo as excessivas cenas de nudez exibidas durante a sua projeção, mas nada que acabe justificando, de fato, toda a inquietação feita em cima da produção. Em momento algum notamos uma tentativa de ofender as crenças católicas. Também não podemos presenciar a suposta ode que o grande gênio da cinematografia francesa realizou ao cristianismo aqui (conforme muitos críticos alegam) pelo simples fato dele não ter realizado ode alguma (ou será que as pessoas que defendem tal tese (incluindo o Papa João Paulo II, pessoa a qual respeito muito) esqueceram-se de que Godard tem uma leve inclinação ao ateísmo (não tanto o quanto Federico Fellini, Ingmar Bergman, Marlon Brando e Luís Buñuel tinham, mas enfim…)?).

Pois se “Je Vous Salue, Marie” é um filme que nada tem de polêmico e não tece criticas, nem elogios, ao cristianismo, o que faz dele uma obra digna de ser assistida e venerada? Uma única palavra: versatilidade. Godard transfere para as telonas (e graças ao recente lançamento em DVD: para as telinhas também) uma original readequação do magnum opus da história do cristianismo: o nascimento de seu mártir. Como ele seria se fosse readaptado aos dias atuais? Como seria José? Como seria o Anjo Gabriel? Como seriam os três reis magos? E, acima de tudo, como seria Maria? Como seria a Maria moderna, em uma época onde carregar consigo uma missão divina consiste em um desafio ainda maior do que há dois mil anos atrás, uma vez que, atualmente, manter um perfeito equilíbrio entre corpo e alma torna-se cada vez mais difícil?

Mas não apenas o dogma mor do cristianismo é ilustrado aqui, como também o axioma absoluto adotado pela ciência cética, ou seja, o caminho percorrido através de métodos empíricos e/ou filosóficos que levem os pesquisadores a alcançar resultados cada vez mais concretos que se revelam capazes de derrubar definitivamente as teorias criacionistas. Assim como Godard realiza um complexo estudo sobre o nascimento de Cristo adaptado aos dias atuais, ele o faz de forma ainda mais perfeita quando opta por abordar (magistralmente, diga-se) uma subtrama dotada dos mais bem argumentados diálogos filosóficos e que é protagonizada por um professor de ciências (que crê na hipótese de nós, seres humanos, sermos descendentes de alienígenas) e sua aluna (e o fato do nome desta ser Eva, definitivamente, não se trata de mera coincidência), com a qual mantém um caso de amor secreto.

Em suma, ignore toda a polêmica envolvendo “Je Vous Salue, Marie”, pois trata-se de muitos relâmpagos para pouca tempestade. O filme é, na realidade, uma excelente abordagem contemporânea dos dois mais elevados pontos defendidos pela Igreja e pela Ciência: o nascimento de Cristo, por parte da primeira, e os métodos empíricos, adotados pela segunda, a fim de tornar obsoletas as teorias criacionistas. A fita é ótima e, não fosse por alguns maneirismos adotados por Godard a fim de, desnecessariamente, se auto-afirmar como um verdadeiro gênio da história do Cinema, o resultado final teria sido ainda mais completo do que realmente foi.

Avaliação Final: 8,5 na escala de 10,0.

X-Men Origens: Wolverine – **** de *****

Sugeri a mim mesmo (e aos leitores também) na crítica publicada anteriormente que talvez estivesse sendo bonzinho demais em minhas últimas avaliações. Sim, “Presságio” é um filme que vem sendo negativamente avaliado pelo resto da crítica, e o mesmo pode-se dizer de “Ele Não Está Tão a Fim de Você”, e não hesitei em conferir boas notas a ambos. Agora vem este “X-Men Origens: Wolverine” e, adivinhem só, assisto-o e passo a considera-lo um ótimo filme. Estaria eu mudando, imperceptivelmente, os meus métodos de avaliação? Ou será que são os filmes que realmente me agradaram? Ou quem sabe ambas as coisas? Ou talvez nenhuma delas? Enfim, somente o tempo irá me responder, até lá, fiquem com a crítica de “X-Men Origens: Wolverine”, e podem me criticar a vontade pelo simples fato de ter amado um filme que muitos, na certa, odiarão.

Ficha Técnica:
Título Original: X-Men Origins: Wolverine.
Gênero: Ação.
Tempo de Duração: 107 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Site Oficial: http://www.xmenorigenswolverine.com.br/
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Gavin Hood
Roteiro: David Benioff, baseado em personagens criados por Len Wein.
Elenco: Hugh Jackman (Logan / Wolverine), Liev Schreiber (Victor Creed / Dentes-de-sabre), Ryan Reynolds (Wade Wilson / Deadpool), Dominic Monaghan (Bradley), Lynn Collins (Raposa Prateada), Danny Huston (William Stryker), Daniel Henney (David North / Agente Zero), Taylor Kitsch (Remy LeBeau / Gambit), Kevin Durand (Frederick “Fred” J. Dunes / Blob), Stephen Leeder (General Munson), Alice Parkinson (Elizabeth Howlett), Tim Pocock (Scott Summers), Myles Pollard (Lumberjack), Tahyna Tozzi (Emma Frost), Will i Am (John Wraith), Troye Sivan (Logan – jovem), Michael-James Olsen (Victor Creed – jovem) e Patrick Stewart (Prof. Charles Xavier).

Sinopse: A Equipe X é formada apenas por mutantes, tendo fins militares. Entre seus integrantes estão Logan (Hugh Jackman), o selvagem Victor Creed (Liev Schreiber), o especialista em esgrima Wade Wilson (Ryan Reynolds), o teleportador John Wraith (Will i Am), o atirador David North (Daniel Henney), o extremamente forte Fred J. Dunes (Kevin Durand) e ainda Bradley (Dominic Monaghan), que manipula eletricidade. No comando está William Stryker (Danny Huston), que envolve alguns componentes do grupo no projeto Arma X, um experimento ultra-secreto. Entre eles está Logan, que precisa ainda lidar com o desfecho de seu romance com Raposa Prateada (Lynn Collins).

Fonte sinopse e ficha técnica: http://www.adorocinema.com.br/

X-Men Origins: Wolverine – Trailer:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=29iFfV1_U2w&hl=pt-br&fs=1]

Crítica:

Detesto criticar obras cinematográficas baseadas em histórias em quadrinhos. Por quê? Simples, porque, conforme já mencionei inúmeras vezes, não sou nem um pouco fã de quadrinhos. E para ser mais franco ainda, nada sei sobre os mesmos. O que me lembro com relação a X-Men diz respeito somente à série de desenho animado que passava na hora do almoço e eu acompanhava apenas pelo fato de ter o péssimo hábito de almoçar defronte à televisão. O quê? Ah sim, é claro que já assisti aos outros três episódios da saga cinematográfica, mas se formos analisar a origem do personagem Wolverine, realmente nada sei sobre a mesma.

Desta forma, seria extremamente incoerente e, acima de tudo, injusto, com o leitor caso não analisá-se o filme individualmente, mencionando que o mesmo foge bastante da obra original ou que o protagonista aqui não faz jus ao das histórias em quadrinhos. Analisarei “X-Men Origens: Wolverine” como um filme qualquer, da mesma forma que um espectador comum o faria, sem mencionar obras adjacentes a esta (exceto os três outros filmes da trilogia, que são ótimos) ou quaisquer outras características que estejam ligadas indiretamente ao filme objeto de análise.

É interessante constatarmos que a estória do protagonista tem o seu início em 1.845. Apesar de surreal (a menos que você julgue possível uma pessoa conseguir viver tanto tempo pelo simples fato de ser um mutante), nos dá a entender que ele já passou por inúmeras experiências. E se levarmos em conta a sua anormalidade física, concluímos que Wolverine vivenciou não apenas inúmeras experiências, como também diferentes ocorrências ao longo de sua vida inteira. Vide a sequência dos créditos iniciais, por exemplo, onde podemos acompanhar o protagonista, junto de seu amigo de infância Victor Creed, participando de importantíssimas guerras pelas quais o mundo já passou (uma cena em especial, quando Victor atira insanamente do helicóptero, nos remete ao ótimo “Nascido Para Matar” de Stanley Kubrick).

O filme se desenvolve, as guerras terminam, e Wolverine e Victor entram para um esquadrão especial formado pelo governo, onde apenas mutantes com super-poderes, como eles, passam a fazer parte da equipe. O protagonista passa a discordar da ideologia de tal esquadrão e decide abandonar o mesmo de uma vez por todas. Dentes-de-Sabre, por sua vez, já é um sujeito com características mais animalescas e continua integrando a equipe e cometendo atrocidades contra a humanidade.

E talvez seja justamente nesta polaridade entre os personagens Wolverine e Dentes-de-Sabre que resida o maior defeito do filme. Um é politicamente correto ao extremo, sendo que, quando foge dos eixos, basta gritarem: “___ Logan, você não é um animal!”, e pronto, ele fica calminho, calminho. Já Dentes-de-Sabre é malvado ao extremo. Quando não está quebrando espinhas ou arrancando cabeças por aí, está rindo de forma a provocar os seus adversários. Não há um equilíbrio entre os personagens, conforme havia entre o Batman (justiceiro reacionário) e o Coringa (niilista incompreendido) do excelente “Batman – O Cavaleiro das Trevas”. Logo, o espectador certamente notará uma certa artificialidade na formação da personalidade de ambos os personagens.

Por outro lado, “X-Men Origens: Wolverine” conta com muitos acertos. Vide o roteiro, por exemplo, que parece ter adotado uma tática “pega-crítico-de-Cinema”. Isso mesmo, “pega-crítico-de-Cinema”. Durante muitos momentos senti-me incomodado com os motivos que impulsionavam o personagem-sub-título a clamar por vingança, bem como considerei patética a sub-trama romântica inserida em seu primeiro ato. Já estava formulando em minha cabeça: “___ Quando for escrever a crítica do filme, deverei citar tais defeitos.”. Eis que a trama se desenrola e somos surpreendidos. Aquilo que parecia ser apenas um clichêzinho como outro qualquer torna-se um detalhe inerente para o resultado final da obra.

As sequências de ação do longa também são ótimas e, francamente, dentre todos os filmes que carregam consigo a marca “X-Men”, creio que este seja o que melhor se sai no quesito adrenalina. Não, não temos nenhuma cena que lembre a batalha final entre os mutantes
de Xavier e os mutantes de Magneto, tampouco uma cena em que mostre a Golden Gate sendo destruída, assim como também não temos nenhuma sequência de luta tão bem coreografada conforme tínhamos no desfecho do episódio 2, mas o “plus” deste novo capítulo da saga dos mutantes não reside necessariamente em uma única cena, e sim no modo como a ação do mesmo é distribuída durante a projeção inteira, a ponto de jamais fazer com que nos sintamos entediados na poltrona do cinema (e novamente peguei a poltrona central, na fileira central da sala, mesmo a sessão estando lotada ao extremo). Particularmente, penso que este episódio tem mais ritmo que os demais.

O final do filme, no entanto, causa um certo desapontamento, e só não digo que é um tremendo fracasso pois as partes que envolvem ação (sempre elas) são fantásticas, sobretudo a luta envolvendo Wolverine, Dentes-de-Sabre e Deadpool e os efeitos especiais fantásticos que regam a mesma (uma pena ela ser relativamente curta). No mais, a aparição do Professor Charles Xavier é ridícula e totalmente fora de foco (e quando digo fora de foco, refiro-me àquele exato momento), e o modo como o roteiro justifica uma amnésia do protagonista, utilizando para tal as balas de adamantium, soa um tanto o quanto artificial.

X-Men Origens: Wolverine” é um filme de ação despretensioso. Seu roteiro não conta com uma trama tão complexa como a de “X-Men 2”, tampouco realiza uma ampla e reflexiva abordagem sobre o preconceito a tudo o que é tido como fora do comum (de acordo com os padrões sociais, é claro), conforme os demais filmes da trilogia anterior o faziam, mas fornece ao espectador uma estória repleta de reviravoltas e surpresas interessantes, além de se revelar uma distração bem acima da média, recheada de cenas de ação bastante atraentes, temperadas com ótimos efeitos visuais.

Em suma, vá ao cinema, e divirta-se.

Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.

Ele Não Está Tão a Fim de Você – **** de *****

Será que eu estou muito bonzinho ultimamente? Oras, é a segunda vez consultiva que atribuo ótimas notas a duas obras cinematográficas que seguem duas das vertentes cinematográficas mais falhas o possível. Mas não, acredito mesmo que, tanto “Presságio” quanto este “Ele Não Está Tão a Fim de Você” são filmes que merecem um grande destaque e, falar bem dos mesmos, não é sinônimo de maleabilidade crítica, mas sim de bom senso. Outra coisa, gostaria de oferecer ao público do sexo masculino três grandes motivos para conferir este filme (e só não o faço com o público feminino, pois as mulheres sempre se interessam por obras deste gênero, sendo que não precisam consultar uma análise cinematográfica a fim de saber se vale a pena, ou não, gastar tempo e dinheiro com um filme desta vertente cinematográfica): 1°: não é uma comédia romântica necessariamente feminina, conforme indica o título; 2°: não trata-se de uma comédia romântica bobinha, assim como também sugere o título, mas sim de um interessante estudo sobre os relacionamentos amorosos atuais; 3° e mais importante: o elenco conta com Scarlett Johansson e há uma cena em especial onde ela aparece apenas de lingerie e tem aqueles suculentos seios apalpados e… ops… errr, digo… o filme tem Scarlett Johansson em uma grande atuação… pronto, era isso o que eu queria dizer.

Título Original: He’s Just Not That Into You.
Gênero: Comédia Romântica.
Tempo de Duração: 129 minutos.
Ano de Lançamento: 2009
Site Oficial: http://www.hesjustnotthatintoyoumovie.com/
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Ken Kwapis.
Roteiro: Abby Kohn e Marc Silverstein, baseado em livro de Greg Behrendt e Liz Tuccillo.
Elenco: Ginnifer Goodwin (Gigi), Justin Long (Alex), Bradley Cooper (Ben), Scarlett Johansson (Anna), Jennifer Connelly (Janine), Jennifer Aniston (Beth), Ben Affleck (Neil), Drew Barrymore (Mary), Natasha Leggero (Amber), Busy Phillips (Kelli Ann), Angela Shelton (Angela), Frances Callier (Frances), Brandon Keener (Jarrad), Rod Keller (Bruce), Leonardo Nam (Joshua), Wilson Cruz (Nathan), Brooke Bloom (Paige), Hedy Burress (Laura), Sasha Alexander (Catherine), Kris Kristofferson (Ken Murphy), Kevin Connolly (Conor) e Michelle Carmichael (Mãe).

Sinopse: Gigi (Ginnifer Goodwin) é uma romântica incurável, que um dia resolve sair com Conor (Kevin Connolly). Ela espera que ele ligue no dia seguinte, o que não acontece. Gigi resolve ir até o bar onde se conheceram, na esperança de reencontrá-lo. Lá ela conhece Alex (Justin Long), amigo de Conor. Ele tem uma visão bastante realista sobre os relacionamentos amorosos e tenta apresentá-la a Gigi, através de seu ponto de vista masculino. Por sua vez Conor é apaixonado por Anna (Scalett Johansson), uma cantora que o trata apenas como amigo e que se interessa por Ben (Bradley Cooper), casado com Janine (Jennifer Connelly). O casamento deles está em crise, o que não impede que Janine dê conselhos amorosos a Gigi, com quem trabalha. Outra colega de serviço é Beth (Jennifer Aniston), que namora Neil (Ben Affleck) há 7 anos e sonha em um dia se casar, apesar dele ser contrário à idéia.

He’s Just Not That Into You – Trailer:

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Crítica:

Tenho uma pergunta a ser feita ao leitor. Você passa em frente ao cinema e vê o cartaz de um filme cujo título é “Ele Não Está Tão a Fim de Você”, se aproxima do poster e logo vê inúmeras caras e bocas, todas sorridentes. Lembra-se de ter lido na internet que o roteiro de tal obra cinematográfica foi inspirado em um livro de auto-ajuda. O que se pode concluir a partir daí? Que o filme em questão trata-se de uma comédia romântica descartável, com uma liçãozinha de moral ainda mais descartável, direcionado a casais amorosos ainda mais descartáveis e sem personalidade alguma, não? Pois esta foi a mesmíssima conclusão a que cheguei antes de assistir a “Ele Não Está Tão a Fim de Você” e, pela segunda vez no dia (a primeira foi ao assistir a “Presságio”), equivoquei-me exacerbadamente, tendo uma bela de uma surpresa, dessas que só a sétima Arte pode nos fazer conferir.

Adentrei a sala de cinema, acomodei-me na poltrona (pela segunda vez do dia tive a sorte de pegar a poltrona central da fileira central) e o filme então começou. Já de cara se mostrou uma obra minimamente interessante. Somos apresentados a Gigi, a mais cativante personagem do filme. Trata-se de uma romântica crônica. A garota é bela e meiga o bastante para despertar interesse em qualquer homem que seja, mas não se vê capaz de atrair a pessoa ideal para manter um relacionamento sério consigo. O motivo? Sua insegurança, sua ansiedade e suas manias neuróticas. E não apenas o gênio da moça a atrapalha em tal “missão”, como também os caminhos pelos quais os relacionamentos amorosos atuais estão rumando, ou seja, aquele amor que dura apenas uma noite e nada mais.

E não apenas a doce Gigi compõe o rol de personagens interessantes deste “Ele Não Está Tão a Fim de Você”. Há também Anna, a mulher sensual que emplaca em um relacionamento amoroso extremamente descompromissado com Connor, um vendedor de imóveis pelo qual Gigi tem uma forte queda, mas que ama incondicionalmente a sua parceira amorosa semi-oficial. Anna, entretanto, nutre uma forte paixão por Ben, um sujeito de boa aparência que ela conheceu ao acaso. No entanto, o rapaz casou-se com Janine anos atrás, mesmo sem nutrir uma forte paixão pela mesma e sem saber ao certo se era isso o que queria pelo resto de sua vida. Por este motivo, o matrimônio de ambos passa por uma crise que nem mesmo eles dois parecem estar certos da existência de tal colapso. Mesmo com este problema amoroso relativamente invisível, Janine não deixa de dar conselhos amorosos à colega de trabalho Gigi.

Mas espere aí! Quer dizer então que a trama envolve os mais diversos personagens e encontra uma forma de fazer com que todos eles tenham a vida entrelaçada entre si, sendo que Gigi é o centro desta divertida, embora confusa, amalgama amorosa? Pois é, e é justamente isso que “Ele Não Está Tão a Fim de Você” faz, desenvolver uma trama deliciosamente embaraçosa, com personagens que encaram o amor das mais diferentes formas, desde o mais conservador ao mais liberal.

E é claro que há muitos outros filmes do gênero que optam por realizar uma abordagem bastante parecida com a acima mencionada, mas o bem da verdade é que o filme, muitíssimo bem dirigido por Ken Kwapis (que adota uma movimentação de câmera extremamente satisfatória aqui), conta com um roteiro inteligente que, na grande maioria dos casos, desenvolve suas estórias através de situações extremamente naturais, sem apelar às baboseiras artificiais que são utilizadas com excessiva frequência pela maioria das comédias românticas atuais. Aqui quase tudo soa natural, e a aproximação que sentimos para com os personagens faz com que o filme raramente se mostre enfadonho, cansativo ou desnecessário.

Raramente? Pois é, a comédia romântica em questão infelizmente não se mostra um perfeito exemplar do gênero, e apesar de estar infinitamente acima da média em que os filmes atuais se encon
tram, revela-se enfadonha, cansativa e desnecessária em alguns poucos momentos, sobretudo quando cai no erro de desenvolver personagens demais ao mesmo tempo. Se a trama batesse em cima apenas de Gigi, Alex, Anna, Ben, Janine, e, até mesmo, Connor, que, dentre os demais citados, revela-se o menos interessante, o resultado teria sido muito mais satisfatório e já se revelaria um instigante estudo de personagens, mas infelizmente o roteiro conta com uma certa megalomania por parte de seus escritores, que optam por inserir algumas figuras que nada acrescentam à trama. Refiro-me a Beth, Neil e Mary (que conta com a gag mais engraçada de todo o filme (quando ouve duas mensagens em sua secretária eletrônica que a fazem mudar de humor terrivelmente, de uma hora para outra), mas ainda assim não diz ao certo a que veio), que, além de pouco interessantes, protagonizam estórias que não acrescentam uma carga dramática realmente necessária à obra, e o que é pior, atrapalham no desenvolvimento das outras tramas que, de fato, tornam este filme um atraente exemplar de um dos gêneros mais decadentes da sétima Arte, a comédia-romântica.

Em suma, “Ele Não Está Tão a Fim de Você” não é, definitivamente, um perfeito exemplar do gênero cinematográfico que optou seguir. Seu excesso de personagens atrapalha, e muito, o desenvolvimento daqueles que realmente são dignos de uma abordagem mais ampla. O filme, porém, conta com uma trama deveras cativante, uma direção eficiente, uma edição bastante dinâmica que, na maior parte dos casos, alterna muito bem entre uma estória e outra, e, acima de tudo, revela-se um instigante estudo sobre os relacionamentos amorosos modernos, repletos de seus vai-e-vem e de suas crises neuróticas. As estórias aqui são, em sua maioria, protagonizadas por figuras dramáticas excessivamente atraentes e jamais aderem ao melodrama barato e piegas a fim de atrair a atenção do espectador. E é claro que é muito importante sabermos também que, todas estas qualidades, tornam-se ainda mais amplas quando o elenco mostra-se bastante concatenado entre si (exceto Ben Affleck que, como sempre, está péssimo), fazendo com que todos os atores sintam-se muito a vontade com os seus respectivos papéis, proporcionando uma sensibilidade ainda maior aos seus personagens.

Enfim, uma comédia romântica não Alleniana que conseguiu se destacar com mérito diante das demais.

Obs.: Antes que alguém questione sobre o final feliz que citei na crítica objetiva deste filme e não citei aqui neste texto, devo mencionar que, se não o fiz, foi a fim de evitar o uso dos desagradáveis spoilers que tornariam-se indispensáveis nesta situação.

Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.

Presságio – **** de *****

Gostaria de ter assistido a “Presságio” antes, mas o filme apenas estreou em minha cidade nesta última sexta (24 de abril de 2009), logo, pude ir conferi-lo somente no sábado (25 de abril de 2009). Fui ao cinema sem saber absolutamente nada sobre esta produção. Não fazia a mínima idéia da opinião da crítica internacional perante o mesmo, nem ao menos da crítica nacional e, acreditem, nem a sinopse do filme havia lido antes de o assistir. A única coisa que sabia é que tratava-se de uma produção catástrofe, gênero este que encontra-se demasiadamente batido e desgastado. Durante o primeiro ato, “Presságio” revelou-se, de fato, um típico blockbuster catástrofe feito para nerd ver (nada contra os intelectuais das ciências exatas, é claro). Tudo caminha insuportavelmente mal até que um avião “rasga” uma rodovia, e o resto o leitor poderá conferir no texto a seguir.

Ficha Técnica:
Título Original: Knowing
Gênero: Suspense.
Tempo de Duração: 122 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Site Oficial: http://www.knowing-themovie.com/
País(es) de Origem: Estados Unidos da América e Austrália.
Direção: Alex Proyas.
Roteiro: Stuart Hazeldine, Ryne Douglas Pearson, Stiles White e Juliet Snowden, baseado em adaptação de Alex Proyas e em estória de Ryne Douglas Pearson.
Elenco: Nicolas Cage (John Koestler), Chandler Canterbury (Caleb Koestler), Rose Byrne (Diana Wayland), Lara Robinson (Lucinda Embry / Abby Wayland), Nadia Townsend (Grace Koestler), Alan Hopgood (Reverendo Koestler), Adrienne Pickering (Allison), Ben Mendelsohn (Phil Beckman), Joshua Long (Caleb Koestler – jovem), Danielle Carter (Srta. Taylor – 1959), Alethea McGrath (Srta. Taylor – 2009), David Lennie (Diretor Clark), Taara Donnellan (Mãe de Lucinda), Travis Waite (Pai de Lucinda) e D.G. Maloney (Estranho).

Sinopse: Em 1959, no interior dos Estados Unidos, um grupo de estudantes de uma escola primária realiza um desafio proposto pela professora local e desenham a concepção deles de como seria o mundo daqui a cinquenta anos. A introvertida aluna Lucinda Embry (Lara Robinson), no entanto, faz uma ilustração bem diferente das demais, sendo que, ao invés de figuras, a garota rabisca um monte de números que, aparentemente, soam desconexos. Passam-se cinquenta anos e o documento de autoria de Lucinda acaba indo parar nas mãos de Caleb Koestler (Chandler Canterbury). O pai do garoto, John Koestler (Nicolas Cage), um astrofísico extremamente dedicado à profissão, vê o desenho que agora pertence ao filho e decide estudá-lo. John infere que aquele pedaço de papel rabiscado é, na realidade, um presságio de todos os grandes acidentes pelos quais a humanidade irá passar, sendo que um deles em especial, prevê a destruição de toda a raça humana.

Knowing – Trailer:

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Crítica:

Em 2001, pouco após aos atentados terroristas do histórico 11 de setembro, vários críticos de Cinema do mundo inteiro, incluindo o nosso Rubens Ewald Filho, passaram a ser questionados sobre o rumo que a sétima Arte tomaria a partir de então, uma vez que os Estados Unidos, nação esta que muitos julgavam ser altamente invulnerável a ataques de tal natureza, haviam demonstrado total incapacidade ao lidar com aquela situação. O que aconteceria então com os personagens que protagonizavam os filmes-catástrofes e, sozinhos, ou com pouquíssimo auxílio, acabavam salvando a humanidade inteira? Concluiu-se que o Cinema iria sair daqueles eixos fantasiosos e passar a encarar a Arte de um modo bem mais realista e verossímil, admitindo que a Terra do Tio Sam é tão vulnerável quanto qualquer outro país do mundo. “Presságio” é uma obra cinematográfica que serve de exemplo para tal e vem ratificar esta conclusão.

Antes de me estender à questão abordada no parágrafo supra, comentemos sobre o longa em si. Juro que quando este teve o seu início, imaginei estar assistindo ao filme errado. Deduzi que estava diante de uma inesperada continuação da pavorosa série cinematográfica de horror alcunhada de “O Chamado”. O motivo? Logo na primeira tomada do filme de Proyas somos apresentados a uma garota sinistra e sombria que passa todos os seus momentos em cena com os olhos arregalados e aparenta estar assustada a todo o instante. Lembrou-se da Samara, do ridículo filme de terror produzido no ano de 2002 e estrelado por Naomi Watts? Pois é, e tal recordação não é concretizada sem grandes embasamentos.

O filme se desenvolve um pouco mais, tanto do ponto de vista diegético quanto do ponto de vista temporal. Passam-se cinquenta anos e somos apresentados ao astrofísico John Koestler. Sabem quem é que o interpreta aqui? Um doce para quem acertar. Pois é, Nicolas Cage. Mais uma vez Cage encarna um nerd sabichão que mais parece uma enciclopédia astrofísica do que uma pessoa comum. Aí o leitor me pergunta: “___ Ah, mas o roteiro cria situações que o desenvolvam de uma forma mais humana, não?”. Sim, o roteiro, de fato, tenta humaniza-lo, mas sabe como o faz? Apelando aos dramas familiares mais clichês o possível para tal.

John era casado, perdeu a esposa, seu relacionamento com o único filho (que é um jovem semi-nerd que, durante alguns momentos, parece mais uma cópia xerografada do próprio pai do que qualquer outra coisa) é muito afetado porque, em virtude de sua incansável dedicação ao trabalho, não consegue dar a devida atenção ao garoto, suprindo assim a falta que a sua progenitora lhe faz. A partir daí, tudo o que vemos então é um Nicolas Cage que adota medidas clichês para representar o seu personagem, tais como: suspirar a todo o instante com a finalidade de ilustrar a melancolia pela qual passa ao notar o afastamento emocional (e, de certa forma, físico) existente entre ele e o seu sucessor.

Durante mais de quarenta e cinco minutos o filme se estende desnecessariamente nos delineando este drama familiar mais do que batido pelas produções deste gênero e juro que, enquanto estava sentado na poltrona do cinema, escrevendo em meu bloco de anotações, cheguei a rabiscar: “P*** filme chato da p****! Por que essa m**** dessa sessão não acaba logo?”. E, ironicamente, foi só terminar de grafar tais palavras que, inesperadamente, me vejo dentro de um desastre aéreo que mata oitenta e uma pessoas. Além do espetáculo conferido pelos excelentes efeitos visuais e sonoros, o plano sequência nos choca e nos assusta em face de sua verossimilhança, sendo que passamos a nos sentir praticamente dentro desta cena.

A partir de então arregalei os olhos, a trama revelou-se assustadora e curiosa. O protagonista tem um pedaço de papel na mão repleto de números que passam a lhe indicar quando e onde ocorrerá o próximo acidente de tal proporção. Ele começa então a investigar o caso laboriosamente. Seres estranhos, trajados de terno preto (outro grave estereotipo do filme), entram em cena e nos fazem formular diversas questões. Não sabemos ao certo o que eles querem com o filho de John, Caleb Koestler (Chandler Canterbury). Será que eles almejam matar o garoto? Será que almejam utiliza-lo em alguma conspiração contra a humanidade? Será que almejam protege-lo de algum mal que está por vir? Enfim, nada ficamos sabendo até o final da trama e tais questionamentos passam a nos perturbar a ponto de nos fazer roer as unhas de tensão. r />
Como acabará esta estória? Será que haverá um desastre causado por alienígenas que destruirá a humanidade? Será que estamos diante de um desastre ambiental que destruirá o planeta inteiro? Ou quem sabe estamos diante de uma batalha espiritual entre o Céu e o Inferno? Seria Caleb um personagem chave desta batalha (algo parecido com o ótimo “Constantine” e os fracos “Stigmata” e “Filha da Luz”)? Enfim, não sabemos ao certo com o que iremos nos deparar, e isso faz com que a tensão que os personagens passam a sentir, seja transportada diretamente até nós.

Aliás, tensão e suspense é o que não falta neste “Presságio”, principalmente graças à eficiente direção de Alex Proyas. Se por um lado o cineasta não realiza nenhum movimento com a câmera realmente satisfatório, ou nem ao menos se importa em posicioná-la de modo a criar ângulos verdadeiramente excepcionais, por outro lado o diretor se mostra um mestre em conferir terror aos seus espectadores. Repare no modo tenso como ele filma o supracitado plano-sequência do acidente aéreo, ou o cuidado que tem ao mostrar, da janela do quarto de Caleb, uma floresta em chamas, dando amostras do que poderá vir pela frente.

O filme fluia muito bem desde o início de seu segundo ato até então, eis que entra em cena duas pessoas em especial: Diana Wayland (Rose Byrne) e sua filha Abby Wayland (Lara Robinson). Foi neste momento que pensei: “pronto, o roteiro cometerá a asneira de proporcionar a John e a Caleb dois pares românticos.”. Felizmente, estava errado, e vocês nem imaginam o quão gosto de estar errado nestes casos em específico. “Presságio”, conforme havia citado no primeiro parágrafo desta crítica, é um filme pós 11 de setembro e que encarna todo o sentimento pessimista pelo qual os Estados Unidos estão passando neste atual momento. Logo, é de se esperar que John, Caleb, Diana e Abby sofram um desfecho bem diferente do que estamos acostumados a testemunhar nos blockbusters hollywoodianos (apesar de não ser algo tão trágico quanto o inesperado desfecho do ótimo “O Nevoeiro”). Aliás, o filme todo, apesar de conter bastantes clichês em seu roteiro, nos proporciona vários aspectos bem diferentes do que estamos acostumados a assistir ultimamente, e isso pode ser notado também nos motivos que poderão resultar no tão esperado desastre final (ao menos, eu nunca vi o cinema estadunidense abordar algo tão parecido).

Estranho, no entanto, é constatarmos que, mesmo com tantas qualidades visíveis, o grande trunfo de “Presságio” resida, de fato, em uma única frase. Pois é, em uma única frase, o filme consegue obter o seu atestado de qualidade. Trata-se da singela cena em que o protagonista pranteia: “___ O Mundo está para acabar e eu nada posso fazer para evitar isso!”. Com estas reles palavras, o personagem de Nicolas Cage ilustra todo o pessimismo e o temor estadunidense ao se ver incapaz de lidar com uma catástrofe ainda maior do que o próprio 11 de Setembro. Presenciamos aqui então a velação definitiva dos grandes heróis cinematográficos que salvam o mundo sozinhos. É a concretização de uma nova era que se assume cada vez mais vulnerável aos possíveis desastres que venham a ocorrer. É a desmistificação de porcarias comerciais à lá “Independency Day”, “Armagedon”, “Godzilla”, entre outras produções fajutas.

Apesar do excessivo número de clichês e personagens caricatos empregados durante o seu primeiro ato, “Presságio” revela-se, ironicamente, um instigante sopro de originalidade que parece remover cada vez mais a cortina de hipocrisia existente em Hollywood, destruindo de uma vez por todas a máscara vestida pelos pseudo-grandes heróis dos filmes-catástrofes, relegando-os a uma incapacidade de ação perturbadora.

É o retorno do bom, e verdadeiro, cinema-catástrofe, que dá as mãos a Nicolas Cage e o trás de volta à excelente atuação (apesar de seu primeiro ato ridículo, o ator encarna seu personagem com maestria na metade e no final da trama).

Obs.: Genial a idéia dos coelhos, já que, simbologicamente, eles representam a reprodução na natureza.

Obs. 2: Quem assistir a “Presságio” saberá o que estou desejando dizer na observação supra.

Obs. 3: Por motivos de coerência, optei retificar o último parágrafo, que antes encontrava-se assim: “Presságio” revela-se, ironicamente, um instigante sopro de originalidade, apesar do excessivo número de clichês e personagens caricatos empregados durante o seu primeiro ato…”, para “Apesar do excessivo número de clichês e personagens caricatos empregados durante o seu primeiro ato, “Presságio” revela-se, ironicamente, um instigante sopro de originalidade que parece remover cada vez mais a cortina de hipocrisia existente em Hollywood, destruindo de uma vez por todas a máscara vestida pelos pseudo-grandes heróis dos filmes-catástrofes, relegando-os a uma incapacidade de ação perturbadora.”

Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.

Presságio e Ele Não Está Tão Afim de Você – Prévias

Odeio escrever estas prévias, pois a única vez que o fiz acabei não cumprindo com o prometido: postar uma crítica mais ampla do filme em questão, que na ocasião tratava-se do ótimo “Vicky Cristina Barcelona” de Woody Allen.
Mas acontece que estou tão atarefado hoje que não poderei postar a crítica completa de “Presságio” e “Ele Não Está Tão Afim de Você”, algo que farei apenas amanhã ou, no máximo, segunda-feira, dia 27.

Vamos às prévias, que nada mais serão do que duas críticas altamente objetivas, destes dois filmes que acabaram me surpreendendo da maneira mais positiva o possível:

Presságio (EUA/AUS, 2009, Alex Proyas) – **** de *****

Pontos Positivos:

* Original em muitos aspectos;
* Adota pouquíssimas características clichês do gênero;
* Tenso e assustador durante boa parte da projeção;
* Trama bastante inteligente, principalmente se comparada às demais produções do gênero;
* Trama surpreende em muitos momentos;
* Excelente emprego de efeitos visuais e efeitos sonoros;
* Ótima atuação de Nicolas Cage, o restante do elenco não atrapalha;
* Direção contida, mas bastante eficiente;
* Funciona muito bem como filme-pipoca.

Pontos Negativos:

* Drama familiar altamente dispensável;
* Alguns personagens revelam-se muito caricatos;
* Narrativamente lento em seu primeiro ato;
* Trilha-sonora “tenta” aplicar sustos nos espectadores apostando em acordes pesados.

Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.

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Ele Não Está Tão Afim de Você (EUA, 2009, Ken Kwapis) – **** de *****

Pontos Positivos:

* Interessante abordagem sobre relacionamentos amorosos que são afetados pelas neuroses do dia a dia;
* Interessante abordagem sobre os rumos que os relacionamentos amorosos atuais estão tomando;
* Personagens dramaticamente atraentes;
* Ótima trama;
* Final feliz interessante e, de certa forma, diferente;
* Situações bem boladas e naturais;
* Não cai no melodrama barato em momento algum quando opta por adotar o drama durante alguns momentos;
* Algumas situações são bem divertidas;
* Direção bastante satisfatória;
* Edição alterna muito bem entre uma estória e outra;
* Elenco muitíssimo bem introsado, rendendo atuações altamente naturais (exceto Ben Afleck que, como era de se imaginar, se sai muito mal).
* Scarlett Johansson é gostosa pra caral… ops, não posso utilizar isso como ponto positivo do filme, peço ao leitor que esqueça essa última indicação.

Pontos Negativos:

* Excesso de personagens e subtramas acaba atrapalhando um estudo mais amplo dos personagens e subtramas mais interessantes;
* Apesar de ser uma comédia romântica, o filme deixa a desejar um pouco pelo lado cômico, mas consegue nos fazer rir bastante em alguns momentos.

Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.

Amanhã começarei a escrever as críticas subjetivas dos filmes supra. Espero postá-las ainda à noite, mas caso não seja possível, o faço na segunda-feira.

Operação Valquíria – *** de *****

Primeiramente, gostaria de parabenizar a Prefeitura Municipal de Jahu (cidade onde resido) pela política cultural adotada recentemente: a de disponibilizar entrada franca em seu Cine Municipal. Se por um lado o povo jauense não tem acesso imediato à grande maioria dos filmes que estréiam nos grandes centros, por outro lado pode adquirir cultura gratuitamente.
Em segundo lugar, pretendia assistir a “Operação Valquíria” antes, mas me vi impossibilitado de o fazer na ocasião, me vendo na obrigação de conferí-lo apenas quando o mesmo fosse lançado em DVD. Felizmente o longa estrelado por Tom Cruise entrou no circuito do Cinema Municipal Jauense ainda hoje e me vi capaz de assistí-lo antes mesmo de ser lançado em vídeo.
O quê? Ah sim, o filme… bem, é assistível, mas deixa a desejar.
Não me estenderei muito e serei bastante objetivo, até mesmo porque já existem inúmeras críticas do mesmo e a minha opinião é gritantemente parecida com a da grande maioria dos demais críticos brasileiros, logo, não acrescentaria muita coisa ao filme.

De qualquer forma, gostaria de deixar registrada a minha opinião aqui:

Como thriller, “Operação Valquíria” funciona muito bem, ainda que aparente mais ser uma releitura de “Missão Impossível” (no que diz respeito ao segundo ato da obra) adaptada aos tempos da Segunda Grande Guerra do que qualquer outra coisa. O filme se mostra bastante tenso e, por mais que siga o mesmo caminho que muitas obras do gênero também seguem, não deixa de ser bastante interessante e cativante.
Como objeto de estudo histórico, “Operação Valquíria” comete terríveis falhas. A estória foi visivelmente deturpada a fim de criar um gancho dramático maior, estabelecendo assim um flerte mais, digamos, cativante com o espectador, mas a tentativa de elevar o Coronel Claus Von Stauffenberg ao status de herói é execrável. O longa ainda faz questão de ocultar o anti-semitismo característico do personagem de Tom Cruise, que também foi um dos grandes responsáveis pela invasão da Polônia.
Não bastasse isso, o longa é também artisticamente falho. Os motivos que levam o protagonista a iniciar uma campanha anti-Hitler não convencem em momento algum. O grande responsável por isso é Bryan Singer que, na utilização de uma direção excessivamente fria, não se vê capaz de conferir ao protagonista um desenvolvimento sensível, capaz de nos cativar com a sua causa logo de início.
A péssima atuação de Tom Cruise também se mostra um ponto fraquíssimo para o resultado final da obra.
Suas qualidades ficam por conta mesmo da original e interessante premissa e da proposta inicial, que é parcialmente cumprida (na tentativa de realizar um ótimo thriller com importantes pinceladas históricas, Singer acaba realizando apenas um ótimo thriller, e nada mais).

Avaliação Final: 6,0 na escala de 10,0.

Sinédoque, Nova York – **** de *****

Passei dias admiráveis conferindo clássicos do Cinema Italiano e do Cinema Francês e percebi que já estava na hora de voltar à realidade. Pensei: “Preciso voltar a criticar os filmes “hollywoodianos”, pois, por mais decadentes que estes sejam, são os que mais abundam nos cinemas do mundo todo”. E sejamos francos, por mais prazerosa que seja a sensação de se criticar uma obra cinematográfica antiga, são as produções mais recentes que atraem uma maior quantia de leitores aos sites e blogs de Cinema. Vi-me então obrigado a voltar a analisar os típicos filmes produzidos por Hollywood e, para a minha surpresa, recomecei com um que está longe de seguir tal estereotipo. Mas também, o que mais poderia se esperar de algo produzido por uma mente tão brilhante e, ao mesmo tempo, tão perturbada quanto a de Charlie Kaufman?

Ficha Técnica:
Título Original: Synecdoche, New York.
Gênero: Drama.Tempo de Duração: 124 minutos.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: www.sonyclassics.com/synecdocheny
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Charlie Kaufman.
Roteiro: Charlie Kaufman.
Elenco: Philip Seymour Hoffman (Caden Cotard), Catherine Keener (Adele Lack), Sadie Goldstein (Olive – 4 anos), Robin Weigert (Olive – adulta), Tom Noonan (Sammy Barnathan), Josh Pais (Dr. Eisenberg), Daniel London (Tom), Robert Seay (David), Michelle Williams (Claire Keen), Stephen Adly Guirgis (Davis), Samantha Morton (Hazel), Hope Davis (Madeleine Gravis), Frank Girardeau (Plumber), Jennifer Jason Leigh (Maria), Paul Sparks (Derek), Daisy Tahan (Ariel), Timothy Doyle (Michael), Rosemary Murphy (Frances), Emily Watson (Tammy), William Ryall (Jimmy), Dianne Wiest (Ellen Bascomb / Millicent Weems), Joe Lisi (Maurice), Jerry Adler (Pai de Caden), Lynn Cohen (Mãe de Caden), Kat Peters (Ellen – 10 anos), Deirdre O’Connell (Mãe de Ellen) e Peter Friedman (Médico do setor de emergência).

Sinopse: Após ser abandonado pela esposa Adele (Catherine Keener) e pela filha Olive (Sadie Goldstein), o diretor de peças teatrais Caden Cotard (Philip Seymour Hoffman) passa a enfrentar uma série de conflitos existenciais que parecem não ter fim. Eis que o diretor ganha um relevante prêmio em dinheiro e decide criar uma peça teatral embasada totalmente em sua vida. É aí que o mesmo passa a refletir sobre toda a sua existência.

Synedoche, New York – Trailer:

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Crítica:

Não é fácil assistir a “Sinédoque, Nova York”, o mais novo filme do roteirista e, agora diretor, Charlie Kaufman. Contando com uma narrativa extremamente abstrata e que mescla constantemente realidade com fantasia (ou delírio, que seja), o longa revela-se um intrincado quebra-cabeças que exige do espectador um forte esforço intelectual, emocional e lógico (ou seria ilógico?), a começar pelo próprio título da obra.

É comum que algumas pessoas saiam dos cinemas se perguntando: “Mas afinal de contas, por que diabos este filme chama-se “Sinédoque, Nova York”?”. Confesso que eu mesmo já nem me lembrava mais dos mínimos detalhes das aulas ginasiais de português, inclusive no que se refere à figuras de linguagem. Logo, admito que procurei o significado de tal palavra antes de assistir ao filme. Descobri, ou melhor, redescobri que o termo ‘sinédoque’ trata-se na realidade de uma metonímia que substitui um conjunto de objetos, pessoas, animais e etc… Citemos um exemplo: “Assisti a todos os “Godards” que se possa imaginar.” (MENTIRA!!!). Neste caso, a palavra ‘Godards’ refere-se diretamente a toda a filmografia do cineasta francês. Logo, “Sinédoque, Nova York” trata-se de um magistral título (e confesso que desde “O Escafandro e a Borboleta” não via um título ser tão bem adequado a um filme quanto este o é) que ilustra um pequenino pedaço da cidade de Nova York que possui a função de representar uma cidade inteira, ou, quem sabe, a nação inteira, ou até mesmo o mundo inteiro.

E é nesta sinédoque nova-iorquina que o brilhante roteiro de Kaufman desenvolve o seu protagonista: o diretor de teatro Caden Cotart (encarnado com maestria por Philip Seymour Hoffman, em uma das melhores atuações de sua carreira, comprovando definitivamente que é um dos melhores atores estadunidenses em ação). Assumindo a função artística de alter-ego de Kaufman, Cotart é a personificação do pessimismo. Portador de uma doença que causa envelhecimento de pele precoce, o protagonista passa boa parte da vida esperando o pior, imaginando que a morte baterá em sua porta muito antes do conveniente. O diretor então se torna uma pessoa cada vez mais depressiva e desacreditada. As coisas só vem a piorar quando a esposa do personagem principal utiliza uma exposição (ela é uma artista que pinta micro (isso para não dizer “nano”) quadros) em Berlin como tergiversação para abandona-lo definitivamente, e levar a filha embora consigo.

Cotart se torna um sujeito ainda mais propenso a ataques de melancolia e crises existenciais, mas decide curar as mesmas investindo em dois mal-sucedidos romances com Hazel (a bilheteira de seu teatro) e Claire (uma de suas atrizes prediletas). Nada funciona corretamente na vida de Cotart, e talvez seja aí que resida uma das grandes falhas do filme, nesta artificialidade com a qual o roteiro cria algumas situações exageradas a fim de desenvolver o seu principal personagem. O protagonista, além de ser portador das patologias supracitadas, passa por uma maré de azar que torna-se difícil de crermos e levarmos a sério o seu sofrimento durante alguns poucos segundos. Tudo dá errado na vida do diretor teatral, tudo mesmo, e quando algo parece que vai tomar o rumo, acontece um incidente e o protagonista volta ao zero. Ou seja, Cotart é, na verdade, um Benjamin Button às avessas.

Mas, no geral, o filme conta com metáforas bastante satisfatórias e dá uma guinada incrível quando o protagonista recebe uma considerável quantia em dinheiro para que possa re
alizar uma peça teatral realmente pomposa. O diretor opta então por reproduzir a sua vida passo a passo, detalhe por detalhe, nos palcos de seu teatro. É construída uma magistral réplica de Nova York, vários atores são contratados para encenar os inúmeros incidentes ocorridos na vida de Cotart, e o modo como Kaufman (o diretor) conduz esse entrelaçamento entre realidade e fantasia é não menos do que maravilhoso, tanto que o cineasta consegue perfeitamente o que queria, deixar o espectador confuso.

Confuso, aliás, é uma palavra que descreve perfeitamente o rumo que a trama assume a partir daí. Já não conseguimos mais discernir realidade de fantasia e ficção de delírio. Tudo o que vemos é uma série de metáforas fantásticas (no sentido ambíguo) que realizam uma conveniente abordagem sobre o sofrimento, sobre o amor, sobre o modo como o tempo avassalador castiga os seus soberanos (nós, pobres mortais) e, mormente, sobre a tênue linha que liga a vida à morte. A odisséia de Cotart revela-se então uma espelhação artística de nossas existências, afinal de contas, o que seria a vida, aos olhos de um pessimista tal como Charlie Kaufman, senão um eterno ensaio que não nos leva a lugar algum, que não seja à morte?

E é claro que quando citei a hipótese supra, descrevi apenas a minha interpretação relacionada ao eterno ensaio de Cotart, sendo que há muitas outras análises cinematográficas redigidas sobre o filme em questão que apontam a peça teatral como sendo uma metáfora à forma que um projeto artístico consome o seu realizador de modo gradual, a ponto de sugar todas as forças deste.

Existe também a possibilidade de Kaufman ter feito deste “Sinédoque, Nova York” o que Stanley Kubrick fez com “2001 – Uma Odisséia no Espaço”, transformando-o em uma obra com o intento de formular apenas questões, e não respostas (apesar de eu defender a tese (e é óbvio que apenas a defendo e não a julgo como sendo a tese definitivamente verdadeira) de que a obra-prima de Kubrick (e meu segundo filme predileto) trata-se de uma alegoria espacial sobre a evolução humana do ponto de vista nieztschiano – pois é, eu tinha que citar Nieztsche neste texto, não é mesmo?).

Independentemente da mensagem que Kaufman almejou nos transmitir com “Sinédoque, Nova York”, o filme em questão trata-se de uma obra imperdível, recheada de características que nos remetem à lembrança de outras obras-primas, tais como “Um Cão Andaluz” (ainda que não seja tão dadaísta quanto o curta-metragem mais revolucionário da história do Cinema) de Luís Buñuel, e “Cidade dos Sonhos” de David Lynch.

Fica a recomendação para que o leitor, quando for assistir ao filme, ao invés de tentar amarrar todas as pontas do longa, apenas embarque na surreal viagem de Charlie Kaufman e lucubre, após o término da sessão, sobre um (ou mais) dos vários questionamentos que a produção em questão nos remete.

Avaliação Final: 8,7 na escala de 10,0.

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