Posts Tagged ‘Robert DeNiro’
As Duas Faces da Lei – ** de *****
Site Oficial: http://www.righteouskill-themovie.com/
Elenco: Al Pacino (David Fisk), Robert De Niro (Thomas Cowan), John Leguizamo (Detetive Perez), Donnie Wahlberg (Detetive Riley), Carla Gugino (Karen Kleisner), 50 Cent (Spider), Brian Dennehy (Tenente Hingus), Frank Jhn Hughes (Randall), Shirley Brener (Natalya), Adrian Martinez (Glenn), Trilby Glover (Jessica) e Antonino Paone (Matthew Natrella).
Sinopse: Ao investigar o assassinato de um popular cafetão, a dupla de detetives Thomas Cowan (Robert De Niro) e David Fisk (Al Pacino) se vê diante de um crime parecido com um outro que fora investigado por eles mesmos anos atrás. Da mesma forma que ocorreu no assassinato anterior o homicida desta vez também deixou um poema justificando o crime. Mais assassinatos desta natureza passam a acontecer e os policiais logo se dão conta de que estão diante de um serial killer e que, possivelmente, prenderam as pessoas erradas na investigação anterior.
Righteous Kill – Trailer:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=1-wtC_TCaf8&hl=pt-br&fs=1]
Frustrante. Esta palavra define bem a sensação que se tem ao terminar de assistir a este “As Duas Faces da Lei” no cinema. Toda a expectativa gerada em volta do retorno da dupla Pacino e De Niro (eles atuaram juntos pela primeira vez no thriller “Fogo Contra Fogo”, há 13 anos, desde então, jamais voltaram a repetir a dose) fora por água abaixo, gerando um filme constituído por uma sinopse bastante interessante, mas trabalhada de maneira extremamente artificial pelo roteiro (que conta com o final mais forçado dos últimos tempos), que acaba se salvando ligeiramente graças às atuações de seus protagonistas e à direção de Jon Avnet que, embora se revele extremamente irregular durante o desenrolar da trama, confere bastante ritmo ao longa durante o seu primeiro ato.
Certamente, o maior problema com “As Duas Faces da Lei” reside na auto-confiança adquirida pelo mesmo, uma vez que este chega à errônea conclusão de que basta ter as duas maiores lendas vivas de Hollywood (e quando digo “maiores lendas vivas” refiro-me unicamente à profissão de ator) como ingrediente principal para se realizar uma obra brilhante e magnífica. O problema é que os responsáveis pelo filme se esquecem de que o principal ingrediente de uma obra-cinematográfica é o roteiro da mesma. Não que a estória do longa seja das piores, longe disso (apesar da mesma conter inúmeras falhas), mas o bem da verdade é que o mínimo que se pode esperar de um roteiro decente é que o mesmo aborde seus personagens principais de modo que faça o público se cativar com eles.
Em “As Duas Faces da Lei” a dupla de tiras interpretada por De Niro e Pacino é simplesmente jogada na tela e o filme sugere que o espectador, logo de cara, sinta-se envolvido pelos mesmos. Mas como podemos nos envolver com dois personagens que mal nos foram apresentados? Pois é, como havia mencionado anteriormente, é justamente aí que reside o maior defeito do filme: o de deduzir que somente o fato de contar com dois atores carismáticos e lendários em cena bastaria para que nos cativássemos instantaneamente com os seus respectivos personagens. Ledo engano.
Vide o personagem de Pacino, por exemplo. Não fosse a magistral atuação do eterno Michael Corleone, o detetive David Fisk não possuiria a menor razão de existir, uma vez que o mesmo nem ao menos diz a que veio na trama. Ou melhor, além de dar espaço para que o brilhante ator mostre todo o seu potencial, o personagem de Pacino tem sim um outro propósito no filme, afinal de contas, não fosse por ele, o desfecho de “As Duas Faces da Lei” seria completamente diferente. E é aí que caímos em um outro dilema: será que não valeria a pena o encerramento desta película ser completamente diferente, uma vez que o mesmo soa deveras artificial?
E o que podemos dizer então da postura de “cara durão” dos personagens de Robert De Niro e Al Pacino? Se há algo que me atraiu imensamente no ótimo “Rocky Balboa” foi a perspicácia que o roteiro, e o próprio Stallone, tiveram em reconhecer e admitir que um dos maiores astros dos anos 1970 estava velho demais para bancar o rapagão durão, conforme o fizera anos atrás. Os responsáveis por este “As Duas Faces da Lei” teriam que ter tido a mesma perspicácia e, ao invés de exibirem ambos os atores esmurrando bandidos, fazendo carrancas e mantendo conjunções carnais com jovens mulheres, deveriam nos apresentar aos protagonistas do longa de um modo mais realista, convincente e bem menos exagerado.
Outra falha crassa contida no longa é a dificuldade que o roteiro encontra ao tentar definir um gênero a si mesmo. Não sabemos ao certo se estamos diante de um drama policial, ou simplesmente de um filme policial, ou de um drama convencional, ou ainda de um filme de suspense ou um thriller. É claro que, caso o roteirista Russell Gerwitz houvesse, ao menos, explorado de maneira decente cada um destes gêneros, teríamos um longa bastante rico e cativante, mas não é isso o que acontece. Como drama, o filme falha, pois explora os seus protagonistas de maneira pouco satisfatória; como policial o maior defeito reside na estória, que é inicialmente interessante, mas durante o desenrolar da trama se revela muito artificial e, por fim, como suspense ou thriller, o longa decepciona, pois jamais consegue passar tensão ao espectador da maneira que deveria (muito pelo contrário, o filme é bem chato, diga-se).
Sendo assim, podemos concluir que as únicas qualidades da obra dizem respeito às brilhantes atuações de sua dupla de protagonistas e à direção dinâmica de Avnet que, apesar de se revelar simples demais durante o desenrolar da trama, se mostra bastante competente durante o início do longa, conferindo bastante ritmo a este. No mais, somos obrigados a enca
rar um filme totalmente falho e decepcionante, do tipo que De Niro e Pacino deveriam passar longe a fim de preservarem as próprias carreiras que, em um passado muito, muito distante, arrancaram diversos dos momentos mais marcantes, inspirados e clássicos da história do Cinema.
Era Uma Vez na América – **** de *****
Sinopse: No último filme de sua carreira, o cineasta Sergio Leone explora o mundo da máfia judia em Nova York. Narrando a estória de quatro amigos que, nos anos 1920, iniciam-se no submundo da marginalidade cometendo pequenos crimes, o longa traça um panorama sobre a amizade destes durante várias fases de suas vidas até que, graças à traição de um membro da quadrilha, o bando acaba tendo um trágico final.
Once Upon a Time in América – Trailer:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=mzhX2PD6Srw&hl=pt-br&fs=1]
Sensibilidade. Essa é a palavra que nos vem à mente quando pensamos em um filme de Sergio Leone. E se lucubrarmos um pouco mais, a palavra “sensibilidade” se mescla com algumas outras e forma uma sentença que passa a condizer mais com o que o cineasta italiano nos é capaz de transmitir através de sua Arte. Que tal então precedermos o vocabulo “sensibilidade” por “captação de” e procedermos a mesma por “artística”? Sim, “captação de sensibilidade artística”, é isso o que Leone nos passa mediante os seus filmes, sobretudo, clássicos absolutos como “Por uns Dolares a Mais”, “Três Homens em Conflito”, “Era Uma Vez no Oeste” e, é claro, este último regalo do grande legado cultural que o cineasta ofertou à humanidade: “Era Uma Vez na América”.
Assim como em quase todos os grandes clássicos de Leone, esta obra-prima do Cinema “gangster” submerge em poços de taciturnidades. Taciturnidades estas que valem muito mais do que mil palavras proferidas ininterruptamente. O silêncio aqui se revela muito conveniente, mais do que isso, diria até mesmo que é inerente à apreciação completa da trama. Qualquer diálogo que ouse contrastar com a maravilhosa trilha-sonora de Ennio Morricone soada ao fundo se torna mais do que mal vindo, se revela um agente desarmoniozo, um aniquilador de elos estabelecidos entre público e obra-prima.
Mas que silêncio tão importante vem a ser esse? O mesmo silêncio que abre clássicos absolutos como “Três Homens em Conflito”, representados pela isenção de diálogos que, magistralmente, nos remete à sensação de estarmos presenciando uma pintura em movimento, capaz de introduzir o espectador à trama capturando-o de tal maneira que passamos a nos sentir encarcerados (no melhor sentido o possível da palavra) dentro desta, como se fossemos parte inseparável da obra cinematográfica.
Como Leone consegue isso? Não sei dizer, só sei que o diretor o faz, e muito bem feito, diga-se de passagem. Da mesma forma que sentíamos a riqueza de detalhes de “Era Uma Vez no Oeste” nos transportar suavemente para o lado oposto do visor fazendo o uso de pequenos efeitos de sonoplastia, como o perturbador rugido de um velho moinho volteando ou então o som emitido por uma mosca voando pelo cenário, percebemos que a mesma riqueza de detalhes fora empregada também em “Era Uma Vez na América” com o mesmo propósito. E sabem o que é o melhor nisso tudo? Leone conseguiu faze-lo com ainda mais êxito neste drama de 1984 do que o fizera no western de 1969.
Vide a seqüência inicial, por exemplo. Temos uma gama de efeitos de sonoplastia cuidadosamente distribuídos pelo filme que tornam a trama altamente verossímil. É como se realmente estivéssemos dentro do cenário. Como não se sentir inserido na obra ouvindo os ruídos de um telefone tocando, ou de um trem chegando à estação, ou até mesmo ao perceber a importância que Leone atribui, inclusive, ao som que um par de sapatos emite enquanto o indivíduo que o está calçando caminha por uma sala vazia? É justamente este tipo de característica que torna os filmes do mestre dos western spaghetti tão prazerosos de serem assistidos.
Mas não é exclusivamente através de silêncios profundos, ou semi-profundos, e ruídos extremamente convenientes que se alicerça a total captação artística deste “Era Uma Vez na América“. Não, muito pelo contrário, a preocupação que o cineasta tem para com o modo como as cenas são filmadas colaboram muito mais com o resultado final do filme, artisticamente falando. Como não se cativar com o modo com que Leone concretiza algo tão abstrato quanto a inocência durante uma cena extremamente simples, embora indubitavelmente precisa em seu objetivo mor, onde um garoto come um modesto pedaço de bolo (repare que, ao tomar tal atitude, a criança opta pela inocente e deliciosa sensação que se tem ao degustar um doce, ao invés de por em prática a sua tão esperada iniciação sexual. É o maior deleite de uma criança confrontando, e derrotando, o maior deleite de uma pessoa adulta, tudo em uma única cena)?
A crueldade e a frieza com que a máfia realiza as suas operações também pode ser resumida em uma única cena do filme e o que mais acaba surpreendendo é o modo como a mesma é executada: sem utilizar violência física, ou até mesmo verbal ou psicológica. Refiro-me à seqüência hilária, e ao mesmo tempo revoltante e vil, em que os quatro amigos de infância, agora ligados à máfia judia, trocam um grande número de bebês dentro de uma maternidade. Ao mesmo tempo em que presenciamos toda a sagacidade e originalidade do roteiro mostrando o modo como os gangsters realizam uma espécie de seqüestro (com a diferença de que, aqui, a vítima não é mantida em cativeiro sob a tutela dos seqüestradores) sem nem ao menos ameaçar a integridade física
ou o direito à liberdade das vítimas, nos sentimos tremendamente perturbados e inconformados com a crueldade e a frieza adotadas pelos bandidos durante tal ação. Afinal de contas, o que pode ser mais cruel: colocar a cabeça de um cavalo de corrida debaixo dos lençóis do proprietário do mesmo ou tirar de inúmeros pais, mesmo sem utilizar-se de violência e/ou grave ameaça, o direito que estes possuem à guarda de seus filhos? A aspereza da cena agrava-se ainda mais quando os marginais dizem: “___ Somos mais fortes que o destino. Damos pais com condições de conferirem vidas boas à crianças que deveriam ter famílias pobres, e fazemos o contrário com as demais crianças.“. Sem dúvida, algo repugnante. Em menos de vinte minutos Leone se mostra capaz de retratar toda a maldade presente no submundo do crime, e o que é melhor, sem fazer uso de violência direta. Algo que o Cinema jamais havia presenciado antes, nem mesmo em “O Poderoso Chefão“.
Contudo, de que adianta tanta sensibilidade artística sendo projetada bem diante de nossos olhos se não tivermos grandes profissionais para vivenciá-las? Pois é, Leone pensou muito a respeito disso e chamou um elenco absurdamente competente para cumprir tal tarefa. O destaque dentre os atores, como não poderia deixar de ser, fica com a soberba dinâmica desenvolvida entre a dupla Robert De Niro e James Woods. O primeiro, como sempre, adere às suas clássicas expressões para compor o seu personagem, variando desde a elevação labial demonstrando preocupação, ao seu clássico sorriso sem dentes de orelha a orelha. Woods, por sua vez, faz o milagre de conseguir roubar a cena do próprio De Niro sempre que entra em ação. Detentor de um carisma mais do que inerente à construção de Maximillian Bercouicz, o ator esbanja talento durante o filme todo e nos presenteia com um trabalho extremamente consistente. O elenco secundário, inclusive os atores mirins, que se mostram perfeitamente bem entrosados, também cumpre magistralmente bem a sua função e se mostra altamente imprescindível para o satisfatório resultado final do filme.
Outro atributo extremamente importante do filme é a sua montagem. É fascinante vermos o modo como Nino Baragli consegue realizar convenientes e gigantescos saltos temporais retroativos e ultrativos de modo vastamente sutil, a ponto de nem percebermos que a narrativa avançou, ou regrediu, décadas e mais décadas a partir do momento em que a mesma parou. E é claro que, tão importante quanto a montagem de Baragli para a obtenção de tal clarividência na estrutura da narração, é a direção de Leone que confere efeitos imperceptíveis à composição desta. Note a seqüência em que o personagem de Robert De Niro sai pela porta de uma estação ferroviária e, logo em seguida, adentra pela mesma porta que havia saído outrora. Apesar de tal cena ter sido realizada em uma única tomada, ela surpreende o espectador por avançar 35 anos na trama, de modo que nem notamos tal progressão.
Analisando tudo o que fora mencionado até este exato momento, o leitor deve ter observado que o filme é pura perfeição técnica e artística, correto? Não, infelizmente não. Os momentos finais deste “Era Uma Vez na América” acabaram sendo uma das mais decepcionantes sensações que já tive ao assistir a um determinado filme. É lamentável vermos o modo como um roteiro brilhante, que até então havia realizado um complexo estudo sobre a amizade, a ambição, a crueldade, a ganância, o poder e o crime organizado, se propõe a encerrar a sua narrativa de modo extremamente simplório, nada original e, mormente, artificial.
O desfecho trazendo um “Noodles” arrependido, bom caráter e carregado de valores morais é de uma artificialidade que chega a causar gravíssimos incômodos e insuportáveis repulsas ao espectador. Um modo completamente tolo e dispensável de se encerrar a saga de um dos maiores mafiosos da estória do Cinema. A alteração da índole do protagonista da estória, além de previsível, se revela uma solução exorbitantemente simplória que os roteiristas acabaram adotando a fim de amarrar as pontas de um longa-metragem de quase quatro horas de duração (indiscutivelmente, o mais longo filme que já assisti em toda a minha vida). Uma pena, uma obra tão perfeita quanto esta merecia um desfecho muito menos “redondinho” do que o que lhe fora atribuído. De qualquer forma, uma obra fantástica, indispensável ao “currículo” de um cinéfilo.
Obs.: Não deixem de conferir total atenção à participação marcante que o diretor Sergio Leone realiza no filme como vendedor de ingressos na estação ferroviária.
Avaliação Final: 8,5 na escala de 10,0.
Crítica – Era Uma Vez na América
Os filmes de Sergio Leone são geralmente pontuados por longos e contemplativos silêncios. Silêncios que explicitam toda uma situação dramática, toda uma nuance das personagens. Silêncios que falam mais do que uma hora de diálogos. Era Uma Vez na América carrega em si essa característica marcante do diretor, a dos planos longos, silenciosos, apenas com a bela trilha sonora de Morricone ao fundo. Todo um conflito se desnudando. A máfia começando a tomar forma numa Nova York pútrida, fedida, corrupta.
Leone entra no território de Coppola e, posteriormente, de Scorsese com um filme antes de tudo sensível, porém não romantizado. Consegue como poucos trabalhar com um elenco infantil. Ele tem a sensilibidade necessária para comover o espectador numa cena em que uma criança come um simples bolo e nos chocar noutra onde uma criança é assassinada. O retrado da adolescência que o diretor pinta aqui, é um dos mais belos já visto. Impossível não se vê ali. O diretor trata esse período da vida com humor, mas também não deixa de expôr o lado cruel da vida dessas crianças sugadas pela criminalidade. É a visão da máfia pelo olha puro e inocente da infância, uma infância roubada que vê ali uma forma de subir na vida, de ganhar status, de ser respeitado pelos demais. Se quando vemos aquelas crianças vestidas como gângsters não conseguimos conter uma risadinha, Leone trata logo em seguida de nos dar um choque de realidade, mostrado que não há nada de engraçado naquilo tudo.
Num filme encabeçado por monstros cinematográficos, é curioso que a parte mais brilhante seja justamente a mais inexperiente.
____________________________________________________________________

English
Español
Niederlande
Français
Русский
Italiano
日本語
Svenska
Deutsch
Suomen