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Trovão Tropical – **** de *****

O ruim de você assistir a um determinado filme em DVD, sendo que poderia tê-lo feito no cinema há meses atrás, é que, caso tenha de criticá-lo após a sessão, terá de o fazer embasando-se na versão que o assistiu, e não na versão original, que passou nas telonas. Não tive oportunidade de assistir a “Trovão Tropical” nos cinemas (uma pena, pois aposto que seria uma experiência das mais agradáveis), logo, não faço a mínima idéia se os espectadores que tiveram esta ótima oportunidade puderam conferir os trechos pré-créditos que nos apresenta de maneira fantástica aos personagens. Enfim, comentarei em cima do material que tive em mãos, sem problema?

Crítica:

Não gosto de Ben Stiller. Seus filmes são, em sua grande maioria, dotados de uma bobagem fora do comum. Sem contar que, como ator, ele não empolga. Não tem expressão, não tem “timming” cômico, não tem talento, enfim, não tem nada. Contudo, felizmente pertenço ao grupo dos cinéfilos que não nutrem espectativas antes de conferir um determinado filme (a não ser que seja um Scorsese ou um Allen, aí já seria pedir demais para não se empolgar com os mesmos antes de ir conferí-los nos cinemas), o que me impede de agir preconceituosamente em relação a um filme. Foi assim que coloquei o DVD no reprodutor da sala de estar e comecei a assistir a “Trovão Tropical”. Sem preconceitos.

Logo no início vi uma cena pré-créditos (disse que falaria sobre a mesma na pré-crítica do filme): um rapper fútil, cantando uma música fútil, filmando um videoclipe fútil (a propósito, já repararam que, ao contrário do rap brasileiro, a palavra fútilidade caminha de mãos dadas com o rap estadunidense?). Odiei. Mais para frente vi um pseudo-trailer de um filme de ação onde um personagem utiliza um lança-chamas para derrotar inimigos na neve. Engraçadinho, mas só. Passei por um pseudo-trailer de uma comédia sobre uma família gorda que solta flatulos a todo o instante. Adivnhem, odiei. Assisti então a um último pseudo-trailer sobre um filme cult intelectuóide (do tipo que o leitor sabe que eu amo de paixão) que questiona a existência de Deus. Esse sim adorei. Não, não pelo fato de ser cult, mas pelo simples fato de ser hilário. Fulano de tal, vencedor de cinco Oscar, Tobey Maguire, vencedor do MTV Movie Awards de “Melhor Beijo”. Um sarro, ótima “sacada”.

A trama se desenrola e é aí que me dei conta de que tais vídeos pré-créditos visavam, na verdade, estudar os personagens do longa antes mesmo deste se iniciar (é, eu sei, sou lento demais, demorou para cair a ficha, mas enfim, caiu). O resultado? Fabuloso. Nos introduz à alma do filme antes mesmo que este se inicie. Uma jogada criativa e genial, bem como os seus personagens. Temos aqui todos os estereotipos que um filme de guerra pode ter, e digo isso positivamente. Oras, o longa em questão é uma sátira às obras de guerra hollywoodianas, existiria uma forma de esculhambá-las de outro modo? Não. Logo, todas as figuras que dão às caras por aqui se revelam inteligentes e, acima de tudo e mais importante, hilárias.

Temos o rapper que faz comercial publicitário de um energético para não ir à falência (Will Smith propagandeando outro tipo de produto), um popstar gordo e viciado em drogas (Amy Winehouse masculina e com dezenas de quilos a mais), um ator australiano vencedor de quatro Oscar que, acreditem, teve de fazer cirurgia para mudar a cor de pele, de branca para negra, para poder atuar em um filme (Michael Jackson às avesas) e, é claro, o fortão musculoso, astro dos filmes de ação, que agora encontra-se no anônimato em virtude de alguns projetos ridículos o qual participou, e que tenta voltar à fama a todo o custo (Silvester Stallone arriscando em “Rambo IV”, que não vi e nem quero ver). Sem falar no contra-regras desastrado e no herói de guerra que se revela uma verdadeira farsa.

Todos personagens hilários. E as situações pelas quais eles passam? Mais hilárias ainda. Temos um ótimo exemplar do humor negro quando um dos personagens brinca com uma cabeça humana acreditando ser falsa. O humor despojado também marca presença, repare quando o protagonista ataca um animal para se defender do mesmo e quando percebe o que realmente acabou matando liga para o seu empresário e diz: “___ Acabei de matar a coisa que mais amo em minha vida.”, este, por sua vez, sugere: “___ Você matou uma prostituta?”. O filme, aliás, é carregado de diálogos inteligentes, divertidos e escatológicos. Tudo na medida errada, felizmente. Sim, digo felizmente, pois, para um filme no estilo “Trovão Tropical”, quanto mais imbecil e idiota, melhor (e o “imbecil” e o “idiota” aqui não assumem a mesma função que assumem no insuportável “Simplesmente Feliz”. Ambos assumem um papel verdadeiramente engraçado).

O longa vai chegando perto do final. Aí o humor descamba para algo não tão bacana: um humor mais, digamos, físico. As ’sacadas’ inteligentes e divertidas do início do longa perdem o lugar para piadas um pouco aborrecedoras. O filme perde o ritmo mostrado outrora. Vale comentar também o descaso que o roteiro tem para com os personagens de Nick Nolte e Danny McBride. Ambos são hilários (é do personagem de McBride que vem uma das frases mais engraçadas do roteiro: “Perdi meu polegar trabalhando em “Conduzindo Miss Daisy!”), mas aparecem muito pouco em cena. E já que assisti ao filme em questão principalmente pelo Oscar o qual Downey Jr. está concorrendo, creio que devo fazer um breve comentário sobre a atuação deste, não? Downey Jr. se sai extraordinariamente bem na pele de Kirk Lazarus, sua atuação é bastante convincente e o mesmo tem um satisfatório “timming” cômico. Seu personagem confere um humor irrebatível à trama e a sua atuação é uma das grandes responsáveis por isso. Merecidíssima indicação ao Oscar, apesar de que a vitória seria extremamente injusta.

Em suma, Da próxima vez que você ver o nome de Ben Stiller em uma produção, não faça cara feia, apenas esqueça-se de seus trabalhos anteriores e lembre-se do ótimo trabalho (tanto como ator, como roteirista, e como diretor, onde é responsável por uma dinâmica direção) que ele realizou neste “Trovão Tropical”.
Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.

Boa Noite, e Boa Sorte – ***** de *****

Assisti a este filme, junto de um amigo meu, durante este último mês de julho enquanto encontrava-me de férias universitárias. Segundo este meu amigo, o filme era obrigatório a todas as pessoas que se dizem apaixonadas por Direito Processual Civil (o que não é o meu caso, já que faço curso de Direito, mas confesso não nutrir a menor paixão pelo mesmo, diferentemente dele que cursa e ama incondicionalmente a matéria) e por Jornalismo (este sim um curso que me atrai muito mais e passará a ser prioridade minha assim que encerrar a faculdade de Direito). Enfim, locamos o filme e durante uma noite de terça assistimos ao mesmo. Confirmei que o longa era realmente quase tão sensacional quanto ele afirmara, com a diferença de que não achei-o perfeito, conforme o leitor poderá conferir no texto a seguir.

Ficha Técnica:
Título Original: Good Night, and Good Luck.
Gênero: Drama.
Tempo de Duração: 93 minutos.
Ano de Lançamento (EUA): 2005.
Estúdio: Warner Independent Pictures / 2929 Productions / Redbus Pictures / Section Eight Ltd. / Metropolitan / Participant Productions / Davis-Films / Tohokashinsha Film Company Ltd.
Distribuição: Warner Bros.
Direção: George Clooney.
Roteiro: George Clooney, baseado em roteiro de Grant Heslov.
Produção: Grant Heslov.
Fotografia: Robert Elswit.
Desenho de Produção: James D. Bissell.
Direção de Arte: Christa Munro.
Figurino: Louise Frogley.
Edição: Stephen Mirrione.
Elenco: David Strathairn (Edward R. Murrow), Robert Downey Jr. (Joe Wershba), Patricia Clarkson (Shirley Wershba), Ray Wise (Don Hollenbeck), Frank Langella (William Paley), Jeff Daniels (Sig Mickelson), George Clooney (Fred Friendly), Tate Donovan (Jesse Zousmer), Thomas McCarthy (Palmer Williams), Matt Ross (Eddie Scott), Reed Diamond (John Aaron), Robert John Burke (Charlie Mack), Grant Heslov (Don Hewitt), Alex Borstein (Natalie) e Rosie Abdoo (Millie Lerner).
Sinopse: Edward R. Morrow (David Strathairn) é um âncora de TV que, em plena era do macarthismo, luta para mostrar em seu jornal os dois lados da questão. Para tanto ele revela as táticas e mentiras usadas pelo senador Joseph McCarthy em sua caça aos supostos comunistas. O senador, por sua vez, prefere intimidar Morrow ao invés de usar o direito de resposta por ele oferecido em seu jornal, iniciando um grande confronto público que trará consequências à recém-implantada TV nos Estados Unidos.
Good Night and Good Luck – Trailer:

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Crítica:
Filmes do tipo “Boa Noite e Boa Sorte” representam o estilo de filme que eu mais detesto criticar. Assim como “Forrest Gump – O Contador de Estórias”, “Chinatown” e “Nascido Para Matar”, este longa bem dirigido por George Clooney não possui um defeito propriamente dito, mas ainda assim não pode ser rotulado como “perfeita obra-prima” (apesar de eu reconhecer que ele possa ser rotulado como uma “pequena obra-prima”, mas nada além disso). Sei que está soando exacerbadamente paradoxal de minha parte afirmar que um filme, apesar de não possuir defeitos, não poder ser considerado perfeito, mas foi a estranha sensação que tive ao assistir a este “Boa Noite e Boa Sorte” e, sinceramente, não há sensação que me cause mais incômodo na condição de crítico de Cinema do que esta.
“Boa Noite e Boa Sorte” é um filme dificílimo de ser analisado, principalmente na pele de um brasileiro que não está completamente a par dos acontecimentos que se sucederam na época (e mesmo pesquisando bastante a respeito do protagonista do longa (encontrei, inclusive, no site Wikipédia, um texto em inglês e de seis páginas de Word (ou Open Office, caso o usuário utilize o Linux como Sistema Operacional) sobre a vida deste), não obtive tanta informação quanto gostaria de ter obtido a fim de me possibilitar um prévio conhecimento de causa antes de analisar o filme em si (algo que sempre faço antes de assistir a um filme histórico, ou uma biografia, como é o caso desta obra). E falando nisso, talvez seja este o maior, ou provavelmente o único, problema com o filme: o fato de seu foco estar voltado mais aos seus contemporâneos do que ao restante da população mundial.
Sim, da mesma forma como “Forrest Gump – O Contador de Estórias” (que em uma grande ironia citei no intróito deste texto) se mostra um filme voltado mais à população estadunidense (já que o restante da população mundial não conhece, necessariamente, a estória daquele país asqueroso nos mínimos detalhes), “Boa Noite e Boa Sorte” conta com a mesma falha: se revela um filme feito de estadunidenses para estadunidenses. “___ Mas qual o problema nisso?” ___ Me pergunta o leitor. O problema é que o longa não conseguiu definir o seu público alvo. “Boa Noite e Boa Sorte” foi um filme vendido para o mundo todo, só que o roteiro esqueceu-se de que pouquíssimas pessoas têm um prévio conhecimento da estória que irá abordar, sendo assim, o filme simplesmente arremessa o espectador na trama e proporciona duas opções a este: ou ele se familiariza com a mesma (que no meu caso, acabou dando certo, pois adoro jornalismo político (conforme citei na pré-crítica) e já havia tido um prévio, embora não suficiente, estudo sobre o protagonista) ou simplesmente desiste de tentar compreender o que está assistindo, o que é uma pena, tendo em vista que o filme é extraordinário.
Explicando o meu raciocínio de maneira exemplificada, diria que o longa não faz como “Tróia” (e confesso ser uma heresia comparar uma porcaria épica destas com o sensacional longa de George Clooney, mas a analogia torna-se necessária aqui), por exemplo, onde temos uma prévia explicação antes do intróito do filme sobre o que se passava naquela época e os motivos pelos quais os personagens do filme encontravam-se naquela situação. Talvez o roteiro deste “Boa Noite e Boa Sorte”, apesar de ser voltado a um público mais intelectual ao de “Tróia”, devesse ter realizado algumas explanações sobre o período em que os Estados Unidos da América se encontrara naquela época: a caça às bruxas organizada pelo repugnante senador do estado do Wisconsin: Joseph McCarthy e à maneira como Edward R (‘R’ de Roscoe) Murrow conduziu uma série de reportagens e comentários que conduziram à cassação do mandato do mesmo.
Traçando um perfeito paralelo à situação em que os Estados Unidos se encontravam na época de seu lançamento (refiro-me à impossibilidade de um estadunidense ir de encontro aos ideais de um dos piores presidentes da história dos Estados Unidos da América, o incompetente George W. Bush, e ser alcunhado de simpatizante do terrorismo), o longa merece ser aplaudido de pé por trazer à tona a polêmica discussão entre o senador e o jornalista supracitados. E por mais fria que seja
a postura adotada pelo longa a fim de retratar tal disputa (afinal de contas, a obra não poderia, sob hipótese alguma, deixar de ser parcial), não há como não se empolgar com o mesmo, principalmente quando este se volta às críticas que Murrow realiza contra McCarthy em seu programa See It Now e o roteiro magnificamente bem escrito por George Clooney, baseado em um outro roteiro composto por Grant Heslov, se mostra imprescindível para a elaboração de tal teor político da trama, já que os diálogos por ele apresentados são secos, ríspidos, ácidos e altamente aprofundados, além de realçarem bastante a tensa discussão política sugerida.
Mas as qualidades do roteiro não se resumem apenas aos diálogos entre os personagens do longa, ou aos monólogos proferidos por Murrow, ou ainda ao forte clima de tensão política abordada aqui. O trabalho de Clooney como roteirista também prima por explorar o seu protagonista da maneira mais eficaz o possível, abordando Murrow da maneira como ele realmente era: um sujeito extremamente sério, comprometido com o serviço, intrépido e um apaixonado pela defesa dos direitos cívicos.
A atuação de David Strathairn como Edward R. Murrow também não poderia ser mais concisa e real. Adotando aqui uma composição que muito me remeteu à frieza de Al Pacino como Michael Corleone em “O Poderoso Chefão – Parte II” e à facilidade de disparar diálogos ásperos de Humphrey Bogard em “Casablanca”, encarnando o papel de Richard Blane, o californiano Strathairn realiza uma atuação mágica, fazendo jus à indicação ao Oscar® de Melhor Ator em 2005. As demais atuações também são soberbas, em especial o ótimo Robert Downey Jr. como Joe Wershba.
George Clooney, como diretor, também se mostra eficiente e, apesar de não criar nenhum ângulo fantástico com as câmeras ou de não realizar nenhuma movimentação realmente satisfatória com as mesmas, o astro do Kentucky realiza um trabalho firme e consistente, seguindo bem de perto o roteiro que fôra concebido por ele mesmo. Conseguindo nos remeter todo o clima de angústia presente na época (entre outubro de 1953 e maio de 1954), causado, sobretudo, por dois fatores: a opressão que o projeto “Caça às Bruxas”, liderado por Joseph McCarthy, impusera às pessoas que iam de encontro aos ideais do senador e à falta de liberdade de expressão que a imprensa tinha na época, Clooney utiliza diversos artifícios extremamente eficazes a fim de mergulhar o espectador dentro do filme, dentre os quais destaco a angustiante fotografia preto e branco (algo que eu detesto quando é utilizada em filmes contemporâneos, mas neste caso caiu muitíssimo bem de acordo com a proposta do longa).
O grande destaque da produção, contudo, fica por conta da maneira como o mesmo opta por abordar à importância que um jornalismo realmente competente possui para a política do país e o modo como a ausência deste colabora negativamente com o progresso de uma nação. Através de uma direção detalhista e de um roteiro bem explorado, “Boa Noite e Boa Sorte” apresenta fortes críticas às frivolidades jornalísticas que são apresentadas com o intento de alienar o público (não sei porque, mas lembrei-me do programa “Fantástico” agora. Por que será?) e à dificuldade que um profissional disposto à apresentar um jornal de credibilidade sofre diante de uma sociedade fútil e consumista (repare nas cenas em que o longa nos apresenta a Murrow tendo de comandar um programa extremamente leviano, à lá “TV Fama”, a fim de obter recursos financeiros com este e poder produzir o politizado “See It Now”. Fazendo uma analogia mais palpável de ser absorvida em nossos cotidianos, Murrow fazia a mesma coisa que o excelente Paulo Henrique Amorim realiza atualmente como profissional: apresenta um programa fútil na Record (com um carisma peculiar, diga-se) a fim de poder financiar o jornalismo inteligente abordado em seu excelente site: o “Conversa Afiada”).
Em suma, “Boa Noite e Boa Sorte” é um filme independente de curtíssimo orçamento (US$ 7,5 milhões) e que em um curtíssimo prazo de duração (93 minutos) conseguiu a façanha de se mostrar eficaz e detalhista o bastante a fim de retratar todo um embate político ocorrido entre um gigante das comunicações e um outro gigante da política, resultando, inclusive, na cassação do mandato deste como senador. George Clooney realiza uma direção discreta, embora eficiente, o roteiro do longa aborda toda a crise vivenciada durante a época, incluindo a total falta de liberdade de expressão, sobretudo de imprensa e David Strathairn encarna Edward Roscoe Murrow de um modo magistral, merecendo, e muito, a indicação ao Oscar de Melhor Ator que obteve em 2005. Infelizmente o longa conta com um defeito (e sinceramente, não sei se posso chamá-lo de defeito): a dificuldade que o mesmo tem em familiarizar o público com a estória, já que torna-se altamente recomendável que o mesmo tenha um razoável conhecimento sobre os personagens que compõe a trama. No mais, temos aqui um excelente filme e uma aula de jornalismo verdadeiro e lição cívica.
Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.

Crítica – Homem de Ferro

Quem acompanha as minhas publicações há algum tempo já deve ter percebido que nunca fui lá muito fã de histórias em quadrinhos e, por este motivo, sempre que vou analisar um filme inspirado em uma, creio que seja mais do que conveniente mencionar isto antes de dar início à crítica, afinal de contas, seria um prévio aviso ao leitor de que não irei analisar um filme realizando analogias entre este e a fonte que o inspirou. Partindo do ponto de vista nulo, este “Homem de Ferro” será por mim analisado apenas como um filme, e não como uma adaptação, destarte, qualquer falha desta natureza encontrada em meu texto peço desculpas adiantadas ao leitor.

Ficha Técnica:
Título Original: Iron Man
Gênero: Aventura
Tempo de Duração: 126 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Site Oficial: www.homemdeferro.com.br
Estúdio: Dark Blades Film / Marvel Entertainment / Road Rebel
Distribuição: Paramount Pictures / UIP
Direção: Jon Favreau
Roteiro: Art Marcum, Matt Holloway, Mark Fergus e Hawk Otsby, baseado em personagens criados por Stan Lee, Don Heck, Jack Kirby e Larry Lieber
Produção: Avi Arad e Kevin Feige
Música: Ramin Djawadi
Fotografia: Matthew Libatique
Desenho de Produção: J. Michael Riva
Direção de Arte: Suzan Wexler
Figurino: Rebecca Bentjen e Laura Jean Shannon
Edição: Dan Lebental
Efeitos Especiais: Industrial Light & Magic / The Orphanage / Lola Visual Effects / The Embassy / Pixel Liberation Front / Stan Winston Studio / Gentle Giant Studios
Elenco: Robert Downey Jr. (Tony Stark / Homem de Ferro), Terrence Howard (Tenente-coronel James “Jim” Rhodes), Jeff Bridges (Obadiah Stane / Monge de Ferro), Leslie Bibb (Christine Everhart), Shaun Toub (Yinsen), Faran Tahir (Raza), Sayed Badreya (Abu Bakaar), Bill Smitrovich (General Gabriel), Clark Gregg (Agente Phil Coulson), Tim Guinee (Major Allen), Gwyneth Paltrow (Virginia “Pepper” Potts), Kevin Foster (Jimmy), Garett Noel (Pratt), Eileen Weisinger (Ramirez), Ahmed Ahmed (Ahmed), Gerard Sanders (Howard Stark), Jon Favreau (Hogan), Thomas Craig Plumer (Coronel Craig), Samuel L. Jackson (Nick Fury) e Stan Lee.


Sinopse:

Tony Stark (Robert Downey Jr.) é um industrial bilionário e um brilhante inventor. Ao ser seqüestrado ele é obrigado, por terroristas, a construir uma arma devastadora, mas, ao invés disto, constrói uma armadura de alta tecnologia que permite que fuja de seu cativeiro. A partir de então ele passa a usá-la para combater o crime, sob o alter-ego do Homem de Ferro.

Iron Man – Trailer

Crítica:

Não é preciso ser um leitor aficionado por histórias em quadrinhos (meu caso) para inferir que estas tratam, quase sempre, da mesma coisa: ou temos uma pessoa extremamente comum que ganha super poderes após sofrer uma mutação genética (e na grande maioria dos casos, tal mutação ocorre em virtude a uma experiência radioativa que acaba sendo mal sucedida) ou então temos a mesma pessoa extremamente comum, mas rica ao extremo, que se sensibiliza com os fracos e oprimidos e decide utilizar toda a sua fortuna para protegê-los dos vilões gananciosos que tanto os ameaça. Este “Homem de Ferro” utiliza a segunda hipótese a fim de construir o seu personagem principal e, como já era de se esperar, afunda em boa parte dos clichês do gênero.

O protagonista é um típico playboy que ocupa o seu tempo única e exclusivamente com mulheres, carrões, jogos de azar e dinheiro, mas após passar por uma experiência traumática (é seqüestrado por um grupo terrorista no Afeganistão que comete atentados utilizando armas fabricadas pela indústria bélica dirigida e administrada por ele) decide, da maneira mais artificial o possível (o roteiro deveria ter desenvolvido o lado sentimental do personagem de maneira mais convincente, sem dúvida alguma), utilizar sua indústria para fazer o bem. A partir deste momento, Stark (protagonista do longa, que será chamado assim de agora em diante) constrói uma armadura com um tremendo poder de defesa e destruição e utiliza a mesma para tornar o mundo um lugar melhor para se viver (ohhh! O bom homem estadunidense).

Mas os clichês não param por aí. Stark ainda arruma tempo para se envolver amorosamente com a secretária (o típico romance dispensável à trama) que, é claro, trata-se de uma moça assaz bondosa, amável, simpática, atenciosa, fiel e confiável, ao passo que o vilão coadjuvante (se é que este termo existe), se alicerça no estereótipo do vilão carrancudo e cruel que, a fim de aumentar ainda mais a artificialidade por trás de si, conta com um desnecessário arrigo por parte da maquiagem que se atreve a pintar uma enorme mancha vermelha (sinceramente não sei se aquilo vem a ser sangue ou não) em sua nuca (ah, e é claro que o vilão coadjuvante é calvo, como não poderia deixar de ser). No entanto, confesso ter me surpreendido, e muito, com o vilão principal do filme que, apesar de megalomaníaco ao extremo, não possui, aparentemente, quaisquer características inamistosas ou caricatas ao extremo (o que é uma benção em produções cinematográficas desta estirpe).

Voltando aos defeitos do longa, infelizmente estes não se resumem apenas a seus clichês. O desenvolvimento inicial do super-herói da produção também deixa bastante a desejar. É incrível como o diretor Jon Favreau realiza tal desenvolvimento de maneira burocrática e, consequentemente, demasiadamente lenta, fazendo com que o público demore excessivamente para se identificar com o herói, além, é claro, de tornar o filme monótono e cansativo durante o seu primeiro ato.

Mas nem tudo são erros em “Homem de Ferro”. Se por um lado o roteiro, assim como a direção, deixa a desejar, por outro lado temos uma ótima direção de arte (repare só no modo cauteloso como as armaduras do personagem-título e do vilão do filme foram criadas), efeitos visuais muito bons, tal como os efeitos sonoros, uma trilha-sonora fantástica (apesar de que o longa abre justamente com a música mais lugar-comum do AC/DC),  as seqüências de ação que, apesar de poucas, são ótimas e a atuação de Robert Downey Jr., que é bem consistente (pena que Gwyneth Paltrow, aqui, esteja mais canastrona do que nunca).

Avaliação Final: 3,5 na escala de 10,0.

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