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Austrália – ** de *****
Título Original: Australia.
Gênero: Drama.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: http://www.australiafilme.com.br/
Nacionalidade: Estados Unidos.
Tempo de Duração: 165 minutos.
Direção: Baz Lurhmann.
Roteiro: Stuart Beattie, Baz Luhrmann, Ronald Harwood e Richard Flanagan, baseado em estória de Baz Luhrmann.
Elenco: Nicole Kidman (Sarah Ashley), Hugh Jackman (Drover), Brandon Walters (Nullah), David Wenham (Neil Fletcher), Ray Barrett (Bull), Bryan Brown (Rei Carney), Tony Barry (Sargento Callahan), Essie Davis (Cath Carney), Arthur Dignam (Padre Benedict), Sandy Gore (Gloria Carney), David Gulpilil (Rei George), Jamie Gulpilil (Porter), Jacek Koman (Ivan), Ben Mendelsohn (Capitão Dutton), David Ngoombujarra (Magarri), Angus Pilakui (Goolaj), Bruce Spence (Dr. Barker) e Kerry Walker (Myrtle Allsop).
Australia – Trailer:
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“Austrália” é mais um destes filmes imaturos e previsíveis que logo em seus dez primeiros minutos revela todos os defeitos que possui e virá a possuir durante o desenrolar de sua trama. Começamos com um garoto mestiço extremamente irritante, cujo nome é Nullah (e confesso que desde que assisti a “Star Wars – Episódio I – A Ameaça Fantasma” pela primeira vez, no ano de 1999, não via um personagem que conseguia ser tão irritante quanto Jar Jar Binks. Nullah conseguiu romper tal tabu) e assume a função de narrador da obra cinematográfica em questão. O problema é que além da narração ser gritantemente dispensável, o tom de voz empregado pelo ator mirim é simplesmente insuportável. Isso sem contar, é claro, a péssima escolha das palavras utilizadas pelo roteiro a fim de construir a narrativa, que se torna altamente previsível.
Leone). Coisa boa não poderia sair, não é mesmo? Pois é, o romance entre eles revela-se um dos maiores clichês já vistos até então. Ambos formam o casal que se odeia, mas que, aos poucos, passa a se amar, Algo parecido com o romance entre Lizzie Bennet e Mr. Darcy em “Orgulho & Preconceito”, com a diferença de que, no filme dirigido por Joe Wright, o casal era abordado com muito charme, coisa que não acontece neste “Austrália”. Aliás, charme é o que falta ao romance dos dois, uma vez que tudo é “jogado” ao espectador sem o menor resquício de sutileza (só para se ter uma idéia, a rica moça passa a se interessar pelo rude rapaz a partir de uma cena onde este se banha e, praticamente, faz pose para a câmera exibindo os seus músculos, algo que parece ter sido extraído de um comercial de suplementos alimentares para frequentadores de academias de musculação).
O Escafandro e a Borboleta – ***** de *****
Há alguns filmes que mexem conosco de uma forma, digamos, pessoal. Este “O Escafandro e a Borboleta”, por exemplo, me remeteu a uma lembrança bem parecida com a experiência passada pelo protagonista: as reflexões deste durante o seu período de internação hospitalar. Não, o meu caso nem passou perto dos problemas que Jean-Dominique Bauby teve de enfrentar, mas a semana em que fiquei internado no hospital serviu, ao menos, para que eu pudesse repensar a minha vida e dar mais valor a mesma, assim como o personagem de Mathieu Amalric o faz neste longa. Tendo em vista isso, foi impossível eu não criar uma relação pessoal com a obra magistralmente dirigida por Julian Schnabel.
Site Oficial: http://www.lescaphandre-lefilm.com/
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Crítica:
Desde que dei início à redação de críticas de Cinema (no intróito de 2.006), sempre mantive o conveniente costume de avaliar um filme (seja ele qual for) do ponto de vista artístico. Por este motivo, talvez, tenham me perguntado em um determinado dia qual seria a minha definição sobre Arte. Confesso ter ficado sem resposta exata a tal pergunta, mas subjetivamente respondi que Arte era a ferramenta com a qual um artista poderia demonstrar um sentimento seu tomando por base o mundo em que vive.
E é justamente isso o que Julian Schnabel realiza neste “O Escafandro e a Borboleta”, uma obra-prima deveras sensorial, capaz de captar com maestria os sentimentos de solidão, angústia, vazio, depressão e medo de um homem que, após sofrer um fortíssimo derrame cerebral, se depara com os movimentos do corpo todos paralisados, salvo os movimentos de seu olho esquerdo, que possibilitam com que este possa se comunicar com as demais pessoas apenas “piscando letras do alfabeto”. Em outras palavras, Schnabel cria aqui uma verdadeira obra-de-arte.
Realizando um casamento perfeito entre direção e fotografia, Julian Schnabel e Janusz Kaminski (respectivamente: diretor e diretor de fotografia do filme) criam um dos primeiros atos mais inesquecíveis da história do Cinema. Infelizmente, o roteirista Ronald Harwood não colabora muito quando decide prolongar demais (e desnecessariamente, diga-se) a primeira parte do filme. Mas antes de citar os defeitos do longa, peço permissão ao caro leitor para mencionar as qualidades deste que, certamente, encontram-se em maior número.
Conforme havia informado acima, o casamento entre direção e fotografia de “O Escafandro e a Borboleta” funciona da maneira mais perfeita o possível durante o primeiro ato da obra. A fim de conferir o máximo de naturalidade possível à mesma, Schnabel adota a câmera em primeira pessoa (a mesma utilizada por Alfred Hitchcock no sensacional “Janela Indiscreta”), assumindo assim os “olhos” do protagonista, fazendo com que tudo seja exibido ao espectador da maneira mais verossímil o possível.
Kaminski, por sua vez, proporciona a nós, sortudos espectadores, uma fotografia que extrapola os limites da perfeição, alternando entre vários tons de cor, conforme o estado psíquico e/ou físico em que o protagonista se encontra. Só para mencionar alguns exemplos, após acordar do derrame cerebral pela primeira vez, a fotografia toma os devidos cuidados para que o espectador tenha a impressão de que Jean-Dominique Bauby (protagonista do filme) está com a visão inteiramente embaçada. Por outro lado, a fim de demonstrar ao espectador que o protagonista não se mostra capaz de permanecer com o olho aberto por muito tempo, Kaminski vai proporcionando tons cada vez mais escuros à fotografia conforme Jean-Do “luta” a fim de evitar com que o seu olho se cerre, demonstrando o quão exaustivo é tal esforço, caso o mesmo se prolongue por mais do que alguns míseros segundos.
Juliette Welfling, responsável pela (soberba) edição do longa, também merece ser aplaudida de pé. Assim como a direção e a fotografia colaboram muito para que o filme seja altamente impactante, não apenas mantendo a naturalidade da obra, como também encarnando no espectador todo o sentimento do protagonista, a edição possui praticamente as mesmas funções e só para que o leitor possa ter uma idéia do que estou afirmando, durante os minutos iniciais do longa, nas cenas em que Jean-Do encontra-se com a memória quase que totalmente baqueada, Welfling emprega cortes rápidos, a fim de retratar os lapsos memoriais do protagonista.
Infelizmente o roteiro não se mostra tão eficiente quanto a fotografia, a edição e a direção do longa se mostram. Não, em momento algum afirmei que o mesmo deixa de ser excelente, o trabalho de Ronald Harwood apenas não se mostra tão perfeito quanto o trabalho dos demais artistas envolvidos com a obra. Durante o primeiro ato (sempre o primeiro ato, mas fazer o quê? Ele é o grande diferencial da obra), por exemplo, o roteiro parece fazer questão de retratar em demasia o processo de tratamento de Jean-Do, algo que acaba não contribuindo tanto para a conclusão da obra. Se Harwood tivesse sido mais objetivo no
início do filme e aproveitado para se aprofundar mais durante o final do mesmo, certamente a experiência teria sido ainda melhor do que ela já foi.
Para finalizar, aproveito o gancho do primeiro parágrafo, acerca da pergunta sobre o que vem a ser Arte, e informo que, da próxima vez que me fizerem tal questionamento, respondê-lo-ei da seguinte maneira: “___ Assista a “O Escafandro e a Borboleta” e terá a concepção exata do que vem a ser Arte”.
Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.
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