Posts Tagged ‘Simon Pegg’
A Era do Gelo 3 – *** de *****
Sei que vou chover no molhado, mas não tem como deixar de defender a seguinte tese: Hollywood está, cada vez mais, preocupando-se em produzir filmes animados para crianças de todas as idades. Um exemplo? Basta notar que, durante a sessão deste “A Era do Gelo 3”, haviam pessoas de todas as idades na sala de exibição (que, por sinal, estava lotadíssima, e confesso que há muito tempo (desde o mediano “Piratas do Caribe: No Fim do Mundo”, para ser mais exato) não me via dentro de uma sala de projeção tão cheia de espectadores). Não, essas pessoas, definitivamente, não estavam acompanhando os seus filhos, pois estavam, assim como eu, sentadas sozinhas nas poltronas do cinema. Pois é, essa é a prova de que Hollywood, felizmente, vem cada vez mais acabando com esse preconceito imaturo de que animações são exclusivamente destinadas ao público infantil ou, na melhor das hipóteses, ao público infanto-juvenil.

Ficha Técnica:
Título Original: Ice Age: Dawn of the Dinossaurs
Gênero: Animação
Tempo de Duração: 94 minutos
Ano de Lançamento: 2009
Site Oficial: www.aeradogelo3.com.br
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Carlos Saldanha
Roteiro: Michael Berg, Peter Ackerman, Mike Reiss e Yoni Brenner, baseado em história de Jason Carter Eaton
Elenco: John Leguizamo (Sid), Tadeu Mello (Sid – versão brasileira), Denis Leary (Diego), Márcio Garcia (Diego – versão brasileira), Ray Romano (Manny), Diogo Vilela (Manny – versão brasileira), Queen Latifah (Ellie), Cláudia Jimenez (Ellie – versão brasileira), Simon Pegg (Buck), Alexandre Moreno (Buck – versão brasileira), Seann William Scott (Crash), Josh Peck (Eddie), Crhis Wedge (Scrat), Karen Disher (Scratte) e Joey King (Esquilo).
Sinopse: Manny (Ray Romano) e Ellie (Queen Latifah) estão à espera de seu primeiro filho. Sid (John Leguizamo) sequestra alguns ovos de dinossauro, o que faz com que passe a ter sua própria família adotiva. Só que o roubo faz com que se meta em apuros, obrigando Manny, Ellie e Diego (Denis Leary) a entrarem em um mundo subterrâneo para resgatá-lo.
Fonte Ficha Técnica e Sinopse: Adoro Cinema.
Ice Age 3 – Trailer:
Crítica:
Quando o assunto em pauta é “A Era do Gelo”, só me encontro na possibilidade de mencionar o primeiro filme, uma vez que não assisti ao segundo episódio desta bem sucedida série cinematográfica.
Um dos grandes atrativos da saga protagonizada pelo trio de amigos Sid (John Leguizamo), Manny (Ray Romano) e Diego (Dennis Leary) não diz respeito necessariamente à parte diegética da animação, mas sim ao fato da mesma não ter sido produzida por nenhum dos dois grandes estúdios de animações da atualidade: a fenomenal Walt Disney Pictures / Pixar Animation Studios e a extremamente irregular DreamWorks Animation / Pacific Data Images. A bola da vez, ao menos durante o lançamento do primeiro longa desta franquia que se passa na era glacial, era dos estúdios Fox Animation Studios / Blue Sky Studios, que chegaram comendo pelas beiradas e, em pouco tempo, passaram a abocanhar uma interessante fatia do mercado (ainda que não conseguissem superar o faturamento de suas duas maiores concorrentes).
Outro ponto interessante no primeiro longa residia na genial idéia do diretor Chris Wedge em adotar as ligeiras aventuras protagonizadas pelo divertido e pé-frio esquilo Scart (magistralmente criado pelo brasileiro Carlos Saldanha, diretor do segundo e, também, deste terceiro episódio) a fim de entrelaçar as peripécias do azarado bichinho com a jornada dos três protagonistas, resultando assim na intercalação entre um curta metragem dinâmico e divertido, com a estória principal.
É justamente nesta estória principal, no entanto, que habitavam os maiores problemas da projeção. Se por um lado o humor empregado era suficientemente divertido para segurar o espectador nas poltronas das salas de cinema por aproximadamente 90 minutos, por outro lado a trama e os personagens que a compunham não contavam com o mínimo de originalidade, sendo que muitos deles tornavam-se previsíveis e insossos, como é o caso do tigre de dentes-de-sabre Diego, que pouco acrescenta à estória, além de sua mudança de “lado” ao longo da projeção ser algo um tanto o quanto fácil de se deduzir.
Original, ou não, previsível, ou não, a jornada dos amigos, que se uniam para salvar um bebê humano da morte certa e restituí-lo ao seu bando, era bastante interessante e repleta de momentos inspirados e divertidos, como a sequência que envolve um grupo de pássaros drontes (mais conhecidos como dodôs) e a inteligentíssima cena (a melhor do filme, sem sombra de dúvidas) em que Sid admira a cadeia evolutiva de um determinado animal enquanto aprecia uma fileira indiana formada por diversos seres que se encontram congelados dentro de uma caverna tomada pelo gelo.
O terceiro episódio da série, por sua vez, nada mais é do que uma releitura do filme original. A trama é diferente em seu contexto, mas o formato é basicamente o mesmo: um grupo de personagens, com características exageradamente incompatíveis entre si, se une para salvar um amigo que, por sinal, também conta com inúmeras características incompatíveis com as demais de seus companheiros e, é claro que, ao longo desta jornada, seremos apresentados a várias lições que nos remetam ao verdadeiro valor da amizade, da família, da união e muito mais.
Contudo, há algo neste terceiro episódio que o difere positivamente do primeiro: o roteiro não bate tanto na tecla da diferença entre um personagem do bando para com os demais. Mas, se isto é bom, pois poupa o espectador de diversas piadinhas que soariam um tanto o quanto repetitivas caso a fórmula do primeiro filme fosse fielmente seguida aqui, também conta com aspectos extremamente negativos, pois ao mesmo tempo em que o roteiro evita realçar com muita insistência os traços das figuras dramáticas que o compõem, acaba esquecendo de os explorar individualmente, fazendo com que os únicos personagens interessantes acabem sendo, de fato, o adorável tagarela Sid e o lunático Buck, que é uma das grandes novidades que este novo episódio trás.
E é claro que o esquilo Scart e a sua “namoradinha” (a maior novidade do filme, talvez) também são extremamente interessantes. O longa, como não poderia deixar de ser, começa com a sua marca registrada: o roedor correndo incansavelmente atrás de sua tão cobiçada noz. Ainda que “A Era do Gelo 3” não insira o azarado esquilinho em situações tão engraçadas como a sequência no primeiro episódio onde ele, involuntariamente, se passava por um pára-raios e era atingido por uma devastadora carga elétrica, o filme se mostra bastante inspirado ao criar novos “desastres” para o pequeno animal que tenta, a todo o custo, proteger o seu fruto.
E se a aparição de uma namorada para o mais famoso personagem da franquia “A Era do Gelo” me fizera torcer o nariz antes mesmo de assistir ao filme, o roteiro, escrito à quatro mãos, se mostrou sagaz o bastante para criar situações que fizessem com que o romance entre ambos jamais se mostra-se cansativo, muito pelo contrário, diria até mesmo que Scart ganhou uma concorrente à altura, uma vez que a sua cara-metade adiciona uma carga de humor bem alta à animação, sendo que, assim como o seu “namorado”, a roedora não precisa dizer uma única palavra sequer para se revelar infinitamente mais cativante e atraente que a grande maioria das figuras que compõem o rol de personagens de “A Era do Gelo 3”, onde me vejo no direito de incluir: Diego, Crash, Eddie, Ellie e, acreditem, até mesmo Manny, que se revelava infinitamente mais conveniente no primeiro episódio.
Buck, por sua vez, mesmo seguindo o estereótipo do “tiozão-coronel-aposentado-biruta” (não, no filme ele não é coronel, mas segue bem a caricatura de um), revela-se um dos mais divertidos personagens. Longe de ser original, a doninha audaciosa ao menos confere a esta continuação vários de seus momentos mais cômicos e atraentes, bem como os excepcionais diálogos proferidos por ela (“___ Na verdade, descobri que havia ficado louco quando me apaixonei por um abacaxi, e olha que o bicho era feio que dói!”), além, é claro, de protagonizar os grandes momentos de adrenalina oferecidos por esta animação, entre as quais cito a cena onde ele “pilota” um ‘pterodactilo’.
Sid, entretanto, continua sendo a preguiça adoravelmente chata e tagarela de sempre. Sei que muitos irão discordar de mim, mas considero o protagonista desta animação o personagem mais atraente da mesma, superando até o próprio esquilo Scrat. Talvez seja justamente pelo fato de Sid ter essa personalidade paradoxal, já que ele é o chato-legal, o feio-engraçadinho e o inconveniente-pertinente. Pertinente também é a voz de seu dublador brasileiro, Tadeu Mello, que dá o tom ideal ao personagem (independentemente do quão bem Leguizamo tenha se saído dublando a preguiça na versão original) trazendo-o ainda mais próximo de seu público.
A trama, conforme já fora mencionado anteriormente, lembra muito a do primeiro filme, no que diz respeito ao formato desta, e mesmo que traga um Manny bem menos interessante (por que será que todo homem, quando casa, se torna um sujeito patético e desinteressante?) e um Diego tão sem sal quanto no longa anterior, prima por focar-se bastante em Sid em seu primeiro ato, e conferir total importância a Buck, durante o segundo ato de projeção, permitindo com que o seu ato final fique dividido entre ambos. Desta forma, o roteiro faz com que os personagens que realmente são mais interessantes acabem ganhando mais destaques, relegando os demais à condição de coadjuvantes.
A inserção dos tão comentados dinossauros também foi uma jogada bem inteligente do roteiro, pois coloca personagens que, outrora pareciam indestrutíveis, em um patamar de extremo perigo (note, apenas para citar um exemplo, a seqüência em que o poderoso tigre Diego perde uma “disputa” com um dinossauro para ver quem rosna mais aterrorizantemente) proporcionando assim uma carga de aventura maior à animação.
Mas mesmo com tantas qualidades, “A Era do Gelo 3” não consegue superar o episódio original da saga em nenhum quesito, exceto, talvez, no que se refira à direção do mesmo. Carlos Saldanha não só cria tomadas aéreas de modo que possamos acompanhar a ação de maneira bem mais satisfatória do que no filme anterior, como também faz uma conveniente parceria com a boa edição de Harry Hitner e a utiliza a fim de criar cortes fantásticos, que acabam dando muito mais charme à obra. Repare em uma cena, em especial, onde as trincas de um lago congelado, em questão de segundos, se transforma em um pedaço partido de uma casca de ovo.
Ops… esperem um pouco, disse que a direção era, talvez, o único quesito de “A Era do Gelo 3” que acabava superando o filme original, não disse? Pois desconsidere isso. Dedico este parágrafo inteiro para dizer que a parte gráfica desta animação é infinitamente superior à parte gráfica da animação que lhe deu origem. No episódio que deu origem à franquia, tínhamos gráficos extremamente bem desenhados. A água correndo, por exemplo, era fenomenal e tínhamos a clara impressão de que se tratava de água de verdade mesmo. Contudo, por mais que os personagens fossem todos muito bem desenhados, ainda sentíamos uma certa artificialidade na movimentação destes, sobretudo na do mamute Manny. Isso não ocorre neste terceiro capítulo da saga, onde não só os personagens ganham muito mais elasticidade em seus movimentos, como também acabam sendo desenhados de maneira mais cautelosa e minuciosa. Como não se encantar, por exemplo, com o cuidado que os responsáveis pela computação gráfica tiveram ao inserir pêlos praticamente perfeitos em Manny (e quando a câmera se aproxima do mesmo, sentimos como se realmente estivéssemos diante de pêlos de verdade)? E quanto à cena em que Diego persegue uma gazela? Indubitavelmente, os produtores da franquia não deixaram de por a mão no bolso e liberar uma boa verba ao pessoal da computação gráfica que, para a alegria de nós, espectadores, acabaram fazendo um trabalho excepcional.
Em suma, “A Era do Gelo 3” se mostra uma clara releitura do filme que lhe concebeu a origem e que, por sinal, também não era dos mais originais. Entretanto, não há como negar que trata-se de uma experiência instigante e bastante irrepreensível em suas gags (bem divertidas em sua maioria) e em suas cenas de aventura. Ponto positivo para Carlos Saldanha, mais um cineasta brasileiro que vem mostrando cada vez mais competência lá fora.
Obs.: Não tive oportunidade de assistir ao filme com a tecnologia 3D, o que, certamente, teria influenciado mais em minha avaliação final.
Obs. 2: Quando for assistir ao filme, não deixe de reparar na clara referência que ele faz à clássicos como “Godzilla”, “Jurassic Park – O Parque dos Dinossauros” e à marcante animação da década de 1.980: “Em Busca do Vale Encantado” (este que, quando tinha apenas cinco anos de idade, era o meu filme predileto, ao lado de “Marcelino Pão e Vinho”, tanto que, em uma determinada ocasião, obriguei minha mãe a aluga-lo umas oito vezes seguidas para saciar de vez a minha incontrolável vontade de assisti-lo sem parar durante incontáveis dias).
Avaliação Final: 7,0 na escala de 10,0.
Um Louco Apaixonado – ** de *****
Título Original: How to Lose Friends & Alienate People.
Gênero: Comédia.
Tempo de Duração: 110 minutos.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: http://how2losefriends.com/
Nacionalidade: Inglaterra.
Direção: Robert B. Weide.
Roteiro: Peter Straughan, baseado em livro de Toby Young.
Elenco: Simon Pegg (Sidney Young), Kirsten Dunst (Alison Olsen), Danny Huston (Lawrence Maddox), Megan Fox (Sophie Maes), Jeff Bridges (Clayton Harding), Gillian Anderson (Eleanor Johnson), Max Minghella (Vincent Lepak), Miriam Margolyes (Sra. Kowalski), Diana Kent (Rachel Petkoff), Charlotte Devaney (Bobbie), Margo Stilley (Ingrid), Isabella Callthorpe (Anna), Hannah Waddingham (Elizabeth Maddox), Kelan Pannell (Sidney Young – jovem), Janette Scott (Sra. Young), Miquel Brown (Assistente de Clayton), Thandie Newton (Thandie Newton), Daniel Craig (Daniel Craig) e Kate Winslet (Kate Winslet).
Sinopse: Sidney Young (Simon Pegg) é um jovem editor de uma insignificante revista inglesa chamada Post Modern Reviews. O rapaz vive inconformado com o rumo o qual tem tomado o jornalismo cinematográfico ultimamente. Para ele, a profissão deveria ser mais ousada, mais descarada e, acima de tudo, mais sincera. Clayton Harding (Jeff Bridges), editor chefe da Sharps Magazine, uma das maiores revistas do mundo, se impressiona com o trabalho audacioso e polêmico que Young realizou na pequena empresa em que trabalha e decide o contratar como funcionário. Young se mostra extremamente fora dos padrões estipulados para ser um jornalista de sucesso, mas aos poucos vai conquistando fama e dinheiro. Young conquista também Sophie Maes (Megan Fox), a atriz “do momento”, mas o seu verdadeiro amor é Alison Olsen (Kristen Dunst) e decide investir pesado para conquistá-la.
How to Lose Friends & Alienate People – Trailer:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=r3AV4U-_tjE&hl=pt-br&fs=1]
Ah, o Cinema! Como o Cinema é fascinante! Uma verdadeira indústria, isso sim! Uma indústria de sonhos, uma indústria de fantasia, enfim, uma indústria “do bem”, não? De fato, é. E não bastasse a magia por trás do Cinema, temos também várias pessoas empregadas graças a esse. Sabe o que é mais curioso ainda? Que o Cinema emprega pessoas direta e indiretamente falando. Além de roteiristas, diretores, atores, editores, diretores de fotografia e muitas outras profissões, o Cinema emprega também profissionais adjacentes a ele. Dentre os “empregados” indiretos da indústria cinematográfica encontramos, é claro, os jornalistas cinematográficos. Nesta área o leque é muito grande e pode variar desde os famosos “paparazzi” (aliás, é curioso que o longa em questão cite tanto “A Doce Vida”, já que o termo “paparazzi” teve origem no filme de Fellini) até os editores de grandes revistas, passando até mesmo pelos críticos de Cinema.
Lendo o parágrafo supra, de cabo a rabo, não há como deixarmos de notar o quanto o Cinema mexe com a vida e, principalmente, com o bolso de muita gente, não é? De fato, mas todos nós sabemos que, onde tem dinheiro tem sujeira, não é mesmo? Pois é, e nos bastidores do Cinema, caros leitores, é assim que a coisa funciona, através de muita hipocrisia. Já vimos isso perfeitamente no perfeito (a redundância, aqui, é proposital) “Crepúsculo dos Deuses” e podemos vê-lo novamente, de modo infinitamente menos eficiente e pretensioso, no recente “Um Louco Apaixonado”. Entretanto, se o filme de Billy Wilder mostrava a banda podre de Hollywood focando-se no modo como a indústria despreza os grandes atores que já não tem mais o grande “brilho” que tiveram outrora, o longa dirigido por Robert B. Weide critica a maneira como os empresários da sétima Arte colocam no topo um desconhecido qualquer e manipula meio mundo para mantê-lo ali, enquanto lhes for conveniente.
“Um Louco Apaixonado” mostra então o modo como a fama é “comprada”. A primo, um empresário seleciona um ator (no caso do filme, uma atriz) de boa aparência física e um diretor tentando ser moderninho (Hum! Lembrei-me de Gus Van Sant agora) e faz de tudo para chamar a atenção da imprensa especializada. Feito isso, “compram” matérias positivando o talento de seus “clientes” e, por fim, “compram” críticas de Cinema que os enalteçam ainda mais, a ponto de serem indicados a um importante prêmio. Por fim, após lucrarem muito com os profissionais, os colocam na geladeira. Estes perdem todo o glamour e a badalação comandada, principalmente, pelos jornalistas, que os deixam de escanteio e correm atrás de novas estrelas.
Uau! Quem poderia imaginar que uma produção com um título nacional tão tosco quanto “Um Louco Apaixonado” teria a capacidade de nos levar a uma reflexão tão profunda, hein? De fato, a produção nos remete a altas reflexões acerca dos imundos bastidores da sétima Arte. Mas esperem aí, antes de qualquer coisa, a obra protagonizada por Simon Pegg é uma comédia, não? Sendo assim, antes de nos fazer refletir sobre o que quer que seja, ela deve nos fazer rir. E será ela consegue realizar tal feito? Aí é que está, não consegue.
O que se vê então é um roteiro, escrito por Peter Straughan, muito falho e que nos chama mais a atenção do que a sirene de uma ambulância. A todo o instante somos apresentados a cenas ridículas e o roteiro praticamente fala: “___ Olha, prestem atenção, essa vai ser uma boa “gag”, preparem-se para rir.”. O problema é que você não ri de forma alguma, pois não acontece nada demais, ou nada que você já não tenha visto em outros inúmeros filmes do gênero. O velho truque de enganar os espectadores inserindo na trama mulheres aparentemente gostosonas que, no final das contas, se revelam travestis extremamente “turbinados” revela-se um dos pontos mais altos da produção (para se ter a idéia da mediocridade da mesma). E sabem o que é pior? Não bastasse o fato da “gag” ser utilizada uma vez, ela se repete minutos mais tarde, o que atesta a total falta de criatividade, inspiração e bom humor de “Um Louco Apaixonado”.
No mais, a comédia tenta nos divertir com cenas fraquíssimas e extremamente artificiais. Tão artificiais quanto os seus personagens que resumem-se ao cara babaca que não faz nada certo mas que, repentinamente, se revela um gênio do jornalismo cinematográfico; à moça que trabalha com ele e, a princípio, o odeia, mas com o passar do tempo passa a amá-lo; ao chefe hipócrita, oportunista e falso; ao patrão carrancudo e mal humorado; ao cineasta “blasé” que é superestimado pela crítica, dentre vários outros personagens que nem vale a pena ficar citando neste texto.
É extremamente estranho, porém, que uma comédia tão visivelmente insossa quanto “Um Louco Apaixonado” conte com uma direção ligeiramente aceitável e atuações competentes. Logo no início do filme Robert B. Weide emprega aspectos técnicos bastante satisfatórios, fazendo o uso de técnicas como “close outs”, “travilings”, “handcam”, ou jsutapondo uma cena sobre a outra verticalmente e horizontalmente (um recurso muito empregado no seriado “Everybody Hates Chris”, ou, como é chamado aqui no Brasil, “Todo Mundo Odeia o Chris”).
Os atores também fazem o que podem com os seus papéis, e não é culpa deles que o roteiro os desenvolva de forma tão burlesca. Veja o personagem de Simon Pegg, por exemplo, não passa do típico fracassado das comédias deste naipe que, próximo ao final do filme, dará uma guinada em seu destino. No entanto, Pegg atua muito bem, sente-se natural com o papel e conta com bastante carisma. O mesmo ocorre com Kristen Dunst. A “Spidergirl” encarna o papel mais simplório e menos criativo que se possa imaginar, mas, como sempre, o faz de um modo natural, conferindo muito charme à sem-graça Alison Olsen (e podem me xingar à vontade, mas gosto muito do trabalho de Dunst, mesmo quando ela assume o caricato papel de Mary Jane Watson). Os demais atores também estão muitíssimo bem (salvo Megan Fox, Gillian Anderson (que já era canastra desde os tempos do superestimado seriado “Arquivo X”) e Max Minghella), em especial Jeff Bridges que, mesmo sendo caricato, esbanja carisma e charme, como de praxe.
É lamentável, no entanto, vermos que uma comédia que conta com uma direção interessante, um elenco ligeiramente afiado e, de quebra, aborda a podridão contida nos bastidores da sétima Arte, escorregue em um roteiro tão imaturo e que se mostra visivelmente falho na tentativa de construir “gags” forçadas e artificiais a todo o instante, transformando “Um Louco Apaixonado” em um filme nada mais do que meramente esquecível.
Avaliação Final: 4,0 na escala de 10,0.
English
Español
Niederlande
Français
Русский
Italiano
日本語
Svenska
Deutsch
Suomen