Posts Tagged ‘Suspense’
O Falcão Maltês – ***** de *****
Redigido, editado e originalmente publicado por Daniel Esteves de Barros aos 11 de junho de 2.009.
Assisti a “O Falcão Maltês” pela primeira vez no ano de 2.000, quando tinha apenas 16 anos, e mesmo não sendo um grande fã de filmes antigos naquela época, havia adorado o filme de John Huston. Não sei se fora necessariamente a trama complexa e bem bolada que me chamou atenção ou o personagem de Humphrey Bogart, com um charme e um carisma de fazer inveja a qualquer James Bond. Passados nove anos decidi assistir a “Acossado” de Jean-Luc Godard e logo nos primeiros minutos de projeção virei fã incondicional do filme francês, onde um dos destaques principais fica com o protagonista Michel, claramente influenciado pelo Sam Spade de Bogart. Fiquei tanto com o filme de Godard quanto com o filme de Huston na cabeça e, nesta semana, pude matar tal ansiedade quando, surpreendentemente, encontrei o DVD de “O Falcão Maltês”. Não pensei duas vezes, loquei o filme e trouxe para casa, onde poderia assisti-lo o quanto antes. O resultado é que continuo adorando a obra-prima mais influente do Cinema Noir.

Ficha Técnica:
Título Original: The Maltese Falcon
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 100 minutos
Ano de Lançamento:1941
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: John Huston
Roteiro: John Huston, baseado em livro de Dashiell Hammett
Elenco: Humphrey Bogart (Sam Spade), Mary Astor (Brigid O’Shaughnessy), Gladys George (Iva Archer), Peter Lorre (Joel Cairo), Barton MacLane (Detetive Dundy), Lee Patrick (Effie Perine), Sydney Greenstreet (Kasper Gutman), Ward Bond (Detetive Tom Polhaus), Jerome Cowan (Miles Archer) e Elisha Cook Jr. (Wilmer Cook).
Sinopse: Um detetive particular (Humphrey Bogart) é procurado por uma mulher misteriosa (Mary Astor), que alega estar sendo ameaçada. Mas tanto o seu perseguidor quanto o homem encarregado de protegê-la aparecem mortos e tudo gira em torno de uma estátua de falcão de valor incalculável.
The Maltese Falcon – Trailer:
Crítica:
Quando falamos sobre “O Falcão Maltês” (conhecido também como “Relíquia Macabra”, que nada mais é do que um título marqueteiro e inconveniente) logo temos certeza de dois pontos extraordinários: o primeiro é que o filme trata-se de um dos dois mais importantes exemplares da era noir do Cinema (concorre ao posto de “mais importante” diretamente com o perfeito “Crepúsculo dos Deuses” de Billy Wilder) e o segundo é que a obra em questão trata-se de um dos mais admiráveis filmes da história da sétima Arte, falando em um contexto geral.
Tido pela grande maioria dos críticos e cinéfilos do mundo todo como a obra-prima máxima do consagrado cineasta John Huston (alguns ainda afirmam ser “O Tesouro de Sierra Madre”, “Uma Aventura na África”. “Moulin Rouge (1952)” ou “O Homem Que Queria Ser Rei”, mas, ao menos desta vez, concordo com a opinião da maioria), o longa tem como maior atrativo a atuação de Humphrey Bogard, que transforma o seu Sam Spade em um dos personagens mais marcantes e inesquecíveis da história da Sétima Arte, seja pelo tom de voz inigualável empregado pelo ator (que também o fazia excelentemente bem no sensacional “Casablanca”), seja pelos inolvidáveis maneirismos utilizados pelo astro hollywoodiano.
Spade entra em cena através de uma clássica sequência onde, sentado atrás de uma mesa de escritório e vestindo um chapéu que quase lhe cobre os olhos por inteiro, enrola um cigarro e o fuma enquanto atende uma mulher formalmente trajada. A composição de Bogard é praticamente perfeita, seu personagem lhe cai tão bem quanto uma luva, e o ator consegue, com maestria, transformar o protagonista em um sujeito ainda mais cafajeste do que ele já é por si só. Longe de aparentar ser o típico herói de filmes deste gênero, Spade revela-se um sujeito moralmente incorreto e dotado de atitudes imprevisíveis (“___ Você é o homem mais imprevisível que já conheci.” ___ Menciona Brigid O’Shaughnessy em um determinado momento do filme), que não se vê capaz de esconder a sua ganância pelo dinheiro (nisso, o seu Spade lembra um pouco o seu Dobbs, só que em doses de ambição muito mais homeopáticas) e, não bastasse isso, tem um caso de amor com a esposa de seu sócio que, além de desprezar completamente, não demonstra a menor compaixão quando fica sabendo da morte deste.
As demais figuras que compõem o rol de personagens também seguem a linha do protagonista e, assim como na grande maioria das obras que constituem o subgênero film noir, são todos indivíduos de caráter duvidoso, variando desde a mocinha que se passa por garota meiga, mas na verdade é demasiadamente perigosa, ao vilão que se mostra capaz de sacrificar um grande amigo (que é tido como um filho para ele) a fim de conseguir um objeto extremamente ambicionado por si.
A trama também faz jus aos personagens que a integram e, mesmo aparentando ser um tanto o quanto previsível em alguns poucos momentos, é extremamente bem amarrada e suficientemente interessante e complexa para nos prender a atenção do início ao fim do longa, sem jamais se revelar fadigosa e/ou aborrecedora. Os diálogos, por sua vez, são ágeis, secos, ácidos, ríspidos e dinâmicos, e enriquecem ainda mais o roteiro que já se mostra excepcional se o analisarmos individualmente.
Longe de ser apenas um donairoso e excelente exemplar do gênero cinematográfico suspense-policial, “O Falcão Maltês” merece destaque mormente por ser um dos filmes que mais serviram de inspiração para formar, não somente a Hollywood, mas também o Cinema mundial o qual conhecemos hoje. Entre as películas e cineastas os quais podemos citar que foram direta ou indiretamente influenciados pela obra-prima máxima de John Huston (e leve em conta que este foi o primeiro filme por ele dirigido) estão: “Acossado” de Jean-Luc Godard, “Um Corpo Que Cai” de Alfred Hitchcock, “O Terceiro Homem” de Orson Welles e “Pacto de Sangue” de Billy Wilder. Em outras palavras: se é de seu interesse adquirir um estimável conhecimento em Cinema e, acima de tudo, em Cinema Noir, “O Falcão Maltês” torna-se um filme mais do que mister para tal.
Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.
Um Corpo Que Cai – ***** de *****
Título Original: Vertigo.
Gênero: Suspense.
Tempo de Duração: 128 minutos.
Ano de Lançamento: 1958.
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Alfred Hitchcock.
Roteiro: Samuel A. Taylor e Alec Coppel, baseado em livro de Pierre Boileau e Thomas Narcejac.
Elenco: James Stewart (John “Scottie” Ferguson), Kim Novak (Madeleine Elster), Barbara Bel Geddes (Marjorie “Midge” Wood), Tom Helmore (Gavin Elster), Raymond Bailey (Médico de John), Konstantin Shayne (Pop Leibel), Ellen Corby, Lee Patrick, Henry Jones e Alfred Hitchcock.
Sinopse: Em São Francisco, um detetive aposentado (James Stewart) que sofre de um terrível medo de alturas é encarregado de vigiar uma mulher (Kim Novak) com possíveis tendências suicidas, até que algo estranho acontece nesta missão.
Vertigo – Trailer:
Ao lado de “2001 – Uma Odisséia no Espaço” e “Apocalypse Now”, “Um Corpo Que Cai” figura facilmente no topo da lista dos filmes mais aterrorizantemente perturbadores a que já assisti. E quando menciono “perturbadores” não me refiro à capacidade deste filme fazer com que nos sintamos mal após o término de sua sessão, como é o que acontece no perfeito “Clube da Luta”, no excelente “Dogville” e no ótimo “Violência Gratuita”, mas sim à perfeição com a qual o mesmo nos passa uma incômoda e desesperadora sensação de que, até o desfecho do longa, iremos morrer (a sensação que o filme de Kubrick nos passa) ou ficarmos completamente alucinados (a sensação que o filme de Coppola nos passa).
A princípio, o longa soa simples e convencional. Não reparamos em nada demais no mesmo. O protagonista é um velho detetive que se encontra afastado da polícia devido a um trauma que contraiu em uma missão onde ficou pendurado no telhado de um prédio a uma altura considerável do chão. Seu nome é John Ferguson, vulgo Scottie. Ferguson recebe uma proposta de um antigo colega de faculdade, Gavin Elster, que pede para que ele vigie a sua esposa, Madeleine Elster, que vem agindo com demasiada estranheza ultimamente, praticamente “vivendo” a vida de uma mulher que cometera suicídio no passado.
Conforme a trama vai se desenrolando e alguns pontos vão sendo claramente explicados, nos vemos diante de uma estória que mostra três possíveis caminhos a serem percorridos, e por mais que muitos deles se mostrem significantemente inverossímeis, eles jamais podem ser alcunhados de desconexos ou implausíveis de serem absorvidos dentro do contexto da obra em questão. Hitchcock cria aqui um emaranhado de possibilidades que podem muito bem ser estendidas tanto a um suspense, quanto a um terror paranormal, fazendo com que a curiosidade que passa a crescer dentro de nós, espectadores, se torne forte o bastante para não conseguirmos aprisioná-la racionalmente no interior de nossos próprios corpos, chegando a ponto de quase perdermos a razão e sairmos gritando pelas ruas.
O filme trata de um caso paranormal? De um encosto espiritual que muda completamente a personalidade de uma pessoa? De uma personagem com uma mera inclinação suicida? De um homicídio armado? De um caso de loucura elevada à máxima potência? Difícil respondermos até a metade da projeção. E por mais que a trama soe levemente previsível durante alguns poucos momentos, não há como deixarmos de levantar todas estas questões e traçarmos mentalmente as várias hipóteses as quais o longa pode real e definitivamente nos levar.
Enquanto não chegamos a uma exata conclusão do caso, passamos a nos perturbar imensamente. O filme incomoda, atormenta, ganha vida, nos abraça e não nos larga jamais. Chegamos a ter medo de ficar o acompanhando diante da tela e, quando o desfecho enfim acontece e os créditos finais aparecem, o suspense ainda se mostra capaz de nos deixar enleados com o que acabamos de presenciar em seus atormentadores últimos segundos de projeção.
E não só o suspense em si se revela intenso o bastante para nos fazer fixar e grudar os olhos na tela. Conforme fora mencionado na quarta linha do parágrafo anterior, o mistério tem uma luz quando o filme praticamente chega a sua metade. Mas então qual seria a graça de continuarmos acompanhando a trama por mais uma hora, já que sabemos parcialmente o que havia ocorrido? Respondendo sucintamente: a graça está em notarmos o modo como a vida de Ferguson fica alterada após o ocorrido. Os roteiristas Samuel A. Taylor e Alec Coppel acertam em cheio ao fazer com que os espectadores tenham um ligeiro conhecimento do ocorrido durante a metade do filme, pois é a partir daí que podemos sentir na pele o drama do protagonista, que sabe muito menos do que nós mesmos sabemos.
Passamos a nos incomodar com o rumo que a vida de Ferguson vai tomando e nutrimos uma vontade moral de penetrar na tela e dizer ao detetive o que realmente aconteceu. Obviamente nos vemos impossibilitados de realizar tal façanha, o que acaba nos atormentando ainda mais. Acompanhamos então a rotina de um homem que passa a viver a beira da loucura, até que um determinado incidente muda tudo. E é justamente quando pensamos que Scottie deixará de atormentar tanto a si mesmo que passamos a testemunhar uma subtrama ainda mais transtornadora. Trata-se do doentio romance que o protagonista passa a ter com uma personagem que surge próxima do desfecho do filme, algo que se revela tão cativante quanto o mistério que havíamos presenciado há pouco tempo atrás e se firma competente o bastante para segurar a trama com o mesmo ritmo com o qual esta se iniciou.
Entretanto, por mais destaque que a excelente trama mereça, não posso deixar de citar também a direção de Alfred Hitchcock. Por mais que o meu desejo ultimamente seja o de, cada vez mais, reduzir os meus textos, torna-se impossível não alongar esta crítica um pouco mais para falar do grande gênio do suspense cinematográfico e, considerado por muitos (o que está longe de ser o meu caso, mas enfim…), do Cinema como um todo, superando até mesmo mestres do naipe de Stanley Kubrick, Orson Welles, Jean-Luc Godard e Jean Renoir.
Hitchcock sempre levou fama de ser extremamente inventivo e ousado e “Um Corpo Que Cai” talvez seja a maior prova disso. Foi através deste filme que, a fim de fazer com que o espectador senti-se na pele a acrofobia característica do protagonista, o diretor criou a técnica chamada de “zoom out”, que viria a ser empregada por Stanley Kubrick em clássicos absolutos como “2001 – Uma Odisséia no Espaço” e, principalmente, “Laranja Mecânica”.
Um simples diretor teria filmado o excelente James Stewart olhando para baixo e fingindo estar com um terrível atordoamento, mas Hitchcock o fez de um modo muito
superior. Fez com que nós, espectadores, também partilhássemos da sensação vivenciada pelo protagonista. É como se “ganhássemos” o mesmo par de olhos utilizado por Scottie e começássemos a sentir a mesma vertigem que ele, o que só vem a fazer com que a trama toda soe ainda mais verossímil do que ela soaria nas mãos de um outro cineasta qualquer.
Não sei se “Um Corpo Que Cai” pode ser tida como a grande obra-prima da magistral carreira de Alfred Hitchcock. Talvez outras obras como “Janela Indiscreta”, “Psicose” e até mesmo “Rebecca – A Mulher Inesquecível” mereçam mais este título. Ou talvez não. Mas isso não importa. O importante é que “Um Corpo Que Cai” é um filme que deve obrigatoriamente fazer parte da lista de filmes assistidos por qualquer pessoa que se diga cinéfila.
Mais do que meramente recomendado, “Um Corpo Que Cai” é um filme obrigatório.
Avaliação Final: 9,5 na escala de 10,0.
Anjos & Demônios – *** de *****
Serei honesto e sucinto aqui: nunca li livro algum escrito por Dan Brown e nem ao menos assisti a “O Código da Vinci” (e posso dizer com certeza que não perdi nada com isso, muito pelo contrário. Perderia algo se deixasse, por exemplo, de ler um livro escrito por Schopenhauer ou de assistir a um filme dirigido por Bresson) e nem me interessa faze-los durante algum dos longos dias que ainda me restam de vida. O motivo? Simples, várias das pessoas mais estúpidas, alienadas e descartáveis que conheci em toda a minha existência são fãs inveteradas de Dan Brown e, consequentemente, do filme que teve a sua origem baseada no livro que lhe concebeu toda essa fama superestimada (e é óbvio que não menciono isso generalizando ninguém, até mesmo porque, conheço também muitas pessoas inteligentes e notáveis que também são fãs incondicionais de Dan Brown). Levando tudo isso em conta, por que eu iria perder o meu precioso tempo com tamanha bobagem, se posso dedicá-lo à filosofia alemã, ou seja, à filosofia responsável pelo surgimento dos dois sistemas econômicos mais fortes já criados: o comunismo e o nazismo (que, sejamos francos, só não derrotaram o capitalismo pois foram poucos os países que tiveram a audácia de adota-los)? Mas no fim das contas eu até que considerei “Anjos & Demônios” um filme interessante, apesar de ser unicamente bom e nada mais.

Título Original: Angels & Demons.
Gênero: Suspense.
Tempo de Duração: 138 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Site Oficial: http://www.anjosedemoniosofilme.com.br/
País de Origem: Estados Unidos da América.
Direção: Ron Howard.
Roteiro: David Koepp e Akiva Goldsman, baseado em livro de Dan Brown.
Elenco: Tom Hanks (Robert Langdon), Ewan McGregor (Camerlengo Patrick McKenna), Ayelet Zurer (Vittoria Vetra), Nikolaj Lie Kaas (Assassino), Stellan Skarsgard (Comandante Richter), Pierfrancesco Favino (Inspetor Olivetti), Armin Mueller-Stahl (Cardeal Strauss), Thure Lindhardt (Chartrand), David Pasquesi (Claudio Vincenzi), Cosimo Fusco (Padre Simeon), Victor Alfieri (Tenente Valenti), Franklin Amobi (Cardeal Lamasse), Curt Lowens (Cardeal Ebner), Bob Yerkes (Cardeal Guidera), Marc Fiorini (Cardeal Baggia), Howard Mungo (Cardeal Yoruba), Rance Howard (Cardeal Beck), Steve Franken (Cardeal Colbert), Gino Conforti (Cardeal Pugini), Elya Baskin (Cardeal Petrov), Carmen Argenziano (Silvano Bentivoglio) e Thomas Morris (Urs Weber).
Sinopse: O professor de simbologia Robert Langdon (Tom Hanks), depois de decifrar o código DaVinci, é chamado pelo Vaticano para investigar o misterioso desaparecimento de quatro cardeais. Agora, além de enfrentar a resistência da própria igreja em ajudá-lo nos detalhes de sua investigação, Langdon precisa decifrar charadas numa verdadeira corrida contra o tempo porque a sociedade secreta por trás do crime em andamento tem planos de explodir o Vaticano. (Roberto Cunha).
Fonte Sinopse: Adoro Cinema
Angels & Demons – Trailer:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=povVnZaCMiM&hl=pt-br&fs=1]
Crítica:
Dan Brown é considerado um terrível engodo de acordo com a opinião de inúmeros críticos literários espalhados pelo mundo todo. Seus livros, segundo tais jornalistas, são dotados de muita criatividade e conseguem cumprir o objetivo de entreter o seu público alvo, mas suas estórias geralmente acabam dando origem a situações que beiram o absurdo. Isso sem contar, é claro, que as obras de sua autoria são escritas com uma incompetência estilística fora do comum, além de contarem com uma pobreza literária terrível. Pois conforme mencionei na pré-crítica deste filme, não li, e nem pretendo ler, qualquer um de seus livros que seja, mas se tomar por base este “Anjos & Demônios”, posso dizer que a descrição tecida pelos meus colegas de profissão da outra vertente artística encaixa-se perfeitamente nesta obra cinematográfica.
Mas se por um lado a trama é “viajada”
demais (leia-se (exclusivamente neste caso), criativa em excesso), por outro lado o diretor Ron Howard se perde visivelmente durante a condução da mesma. Além do cineasta raramente movimentar a sua câmera no decurso do filme, quando ele finalmente decide o fazer realiza um trabalho digno de lamentações, uma vez que perde completamente o foco daquilo que está tentando filmar (algo que deve ser execrado ao máximo neste caso, pois estamos diante de uma obra de suspense e o jogo de movimentação de câmeras pode, ou não (como acontece aqui), ser fundamental para conferir à trama a intensidade a qual a mesma precisa para funcionar corretamente).
E não só a mão pesada de Howard atrapalha no desenvolvimento do filme, como também a insegurança do diretor. Aliás, sua direção se revela tão insegura aqui que, na certeza que o próprio cineasta parece ter de que não está conseguindo criar um clima de suspense imprescindível à obra, acaba empregando uma trilha sonora para lá de maniqueísta para tal. A propósito, há muito tempo não assistia a uma tergiversação tão grande para que se fosse adotado tão evidentemente o emprego de cantos gregorianos a todo o instante. A trilha sonora de “Anjos & Demônios” acaba, infelizmente, revelando-se incomoda, artificial e inconveniente, e, francamente, se o “troféu” Framboesa de Ouro abrangesse tal quesito, o mais novo filme de Ron Howard deveria, obrigatoriamente, ser indicado à premiação.
As atuações também são patéticas. Tom Hanks encarna o seu personagem conferindo ao mesmo uma boa (e apenas boa) dose de carisma, mas faltou muita empolgação ao ator, que também encontra-se extremamente fora de forma (não tanto quanto este que vos escreve, mas encontra-se) para encarnar um personagem tão ativo quanto o Professor Langdon. Ayelet Zurer, por sua vez, revela-se como a grande fragilidade do elenco. A atriz encarna a sua personagem com uma inexpressividade que há muito tempo eu não via no Cinema. Além de insossa, Zurer aparenta ser extremamente antipática e não convence em momento algum (bem como a sua personagem). Ewan McGregor é o grande destaque dentre os atores. Utilizando um tom de voz altamente terno, o ator transfere ao seu personagem a sutileza que lhe é cogente e faz com que o
E já que critiquei o modo como o roteiro desenvolve o personagem de Ewan McGregor no final do parágrafo acima, farei a mesma coisa com os demais personagens neste parágrafo. Não restam dúvidas de que a grande falha do filme reside no desenvolvimento de seus personagens. O Professor Langdon aparece aqui mais como uma releitura do excepcional e inesquecível Sherlock Holmes do que qualquer outra coisa. Seja pelo excesso de racionalidade que o personagem de Tom Hanks demonstra, seja pelo fato dele formar conclusões corretas rápido demais, a criação de Brown aparece aqui mais como uma cópia moderna da criação de Sir Arthur Conan Doyle. Fraco também é o desenvolvimento da Dra. Vetra. A princípio, ela aparece como uma importantíssima física e, repentinamente, desponta como uma grande conhecedora de história católica, sem mais, nem menos. Mas pior mesmo é o assassino do filme (cujo nome nem me lembro, e também não faço muita questão de me lembrar). Encarando as pessoas sempre com um olhar ameaçador e dando sorrisinhos a fim de provocar os seus oponentes, o personagem se revela extremamente inverossímil, principalmente em uma cena em que tem totais condições de matar o protagonista e, sabe-se lá o porquê, não o faz. E é claro que, para obter êxito em suas missões, o assassino mata todos que vê pela frente, salvo os protagonistas que sempre são poupados por ele.
Avaliação Final: 6,0 na escala de 10,0.
Presságio – **** de *****
Título Original: Knowing
Gênero: Suspense.
Tempo de Duração: 122 minutos.
Ano de Lançamento: 2009.
Site Oficial: http://www.knowing-themovie.com/
País(es) de Origem: Estados Unidos da América e Austrália.
Roteiro: Stuart Hazeldine, Ryne Douglas Pearson, Stiles White e Juliet Snowden, baseado em adaptação de Alex Proyas e em estória de Ryne Douglas Pearson.
Elenco: Nicolas Cage (John Koestler), Chandler Canterbury (Caleb Koestler), Rose Byrne (Diana Wayland), Lara Robinson (Lucinda Embry / Abby Wayland), Nadia Townsend (Grace Koestler), Alan Hopgood (Reverendo Koestler), Adrienne Pickering (Allison), Ben Mendelsohn (Phil Beckman), Joshua Long (Caleb Koestler – jovem), Danielle Carter (Srta. Taylor – 1959), Alethea McGrath (Srta. Taylor – 2009), David Lennie (Diretor Clark), Taara Donnellan (Mãe de Lucinda), Travis Waite (Pai de Lucinda) e D.G. Maloney (Estranho).
Sinopse: Em 1959, no interior dos Estados Unidos, um grupo de estudantes de uma escola primária realiza um desafio proposto pela professora local e desenham a concepção deles de como seria o mundo daqui a cinquenta anos. A introvertida aluna Lucinda Embry (Lara Robinson), no entanto, faz uma ilustração bem diferente das demais, sendo que, ao invés de figuras, a garota rabisca um monte de números que, aparentemente, soam desconexos. Passam-se cinquenta anos e o documento de autoria de Lucinda acaba indo parar nas mãos de Caleb Koestler (Chandler Canterbury). O pai do garoto, John Koestler (Nicolas Cage), um astrofísico extremamente dedicado à profissão, vê o desenho que agora pertence ao filho e decide estudá-lo. John infere que aquele pedaço de papel rabiscado é, na realidade, um presságio de todos os grandes acidentes pelos quais a humanidade irá passar, sendo que um deles em especial, prevê a destruição de toda a raça humana.
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Xc5A5BHn8aU&hl=pt-br&fs=1]
Em 2001, pouco após aos atentados terroristas do histórico 11 de setembro, vários críticos de Cinema do mundo inteiro, incluindo o nosso Rubens Ewald Filho, passaram a ser questionados sobre o rumo que a sétima Arte tomaria a partir de então, uma vez que os Estados Unidos, nação esta que muitos julgavam ser altamente invulnerável a ataques de tal natureza, haviam demonstrado total incapacidade ao lidar com aquela situação. O que aconteceria então com os personagens que protagonizavam os filmes-catástrofes e, sozinhos, ou com pouquíssimo auxílio, acabavam salvando a humanidade inteira? Concluiu-se que o Cinema iria sair daqueles eixos fantasiosos e passar a encarar a Arte de um modo bem mais realista e verossímil, admitindo que a Terra do Tio Sam é tão vulnerável quanto qualquer outro país do mundo. “Presságio” é uma obra cinematográfica que serve de exemplo para tal e vem ratificar esta conclusão.
Antes de me estender à questão abordada no parágrafo supra, comentemos sobre o longa em si. Juro que quando este teve o seu início, imaginei estar assistindo ao filme errado. Deduzi que estava diante de uma inesperada continuação da pavorosa série cinematográfica de horror alcunhada de “O Chamado”. O motivo? Logo na primeira tomada do filme de Proyas somos apresentados a uma garota sinistra e sombria que passa todos os seus momentos em cena com os olhos arregalados e aparenta estar assustada a todo o instante. Lembrou-se da Samara, do ridículo filme de terror produzido no ano de 2002 e estrelado por Naomi Watts? Pois é, e tal recordação não é concretizada sem grandes embasamentos.
O filme se desenvolve um pouco mais, tanto do ponto de vista diegético quanto do ponto de vista temporal. Passam-se cinquenta anos e somos apresentados ao astrofísico John Koestler. Sabem quem é que o interpreta aqui? Um doce para quem acertar. Pois é, Nicolas Cage. Mais uma vez Cage encarna um nerd sabichão que mais parece uma enciclopédia astrofísica do que uma pessoa comum. Aí o leitor me pergunta: “___ Ah, mas o roteiro cria situações que o desenvolvam de uma forma mais humana, não?”. Sim, o roteiro, de fato, tenta humaniza-lo, mas sabe como o faz? Apelando aos dramas familiares mais clichês o possível para tal.
John era casado, perdeu a esposa, seu relacionamento com o único filho (que é um jovem semi-nerd que, durante alguns momentos, parece mais uma cópia xerografada do próprio pai do que qualquer outra coisa) é muito afetado porque, em virtude de sua incansável dedicação ao trabalho, não consegue dar a devida atenção ao garoto, suprindo assim a falta que a sua progenitora lhe faz. A partir daí, tudo o que vemos então é um Nicolas Cage que adota medidas clichês para representar o seu personagem, tais como: suspirar a todo o instante com a finalidade de ilustrar a melancolia pela qual passa ao notar o afastamento emocional (e, de certa forma, físico) existente entre ele e o seu sucessor.
Durante mais de quarenta e cinco minutos o filme se estende desnecessariamente nos delineando este drama familiar mais do que batido pelas produções deste gênero e juro que, enquanto estava sentado na poltrona do cinema, escrevendo em meu bloco de anotações, cheguei a rabiscar: “P*** filme chato da p****! Por que essa m**** dessa sessão não acaba logo?”. E, ironicamente, foi só terminar de grafar tais palavras que, inesperadamente, me vejo dentro de um desastre aéreo que mata oitenta e uma pessoas. Além do espetáculo conferido pelos excelentes efeitos visuais e sonoros, o plano sequência nos choca e nos assusta em face de sua verossimilhança, sendo que passamos a nos sentir praticamente dentro desta cena.
A partir de então arregalei os olhos, a trama revelou-se assustadora e curiosa. O protagonista tem um pedaço de papel na mão repleto de números que passam a lhe indicar quando e onde ocorrerá o próximo acidente de tal proporção. Ele começa então a investigar o caso laboriosamente. Seres estranhos, trajados de terno preto (outro grave estereotipo do filme), entram em cena e nos fazem formular diversas questões. Não sabemos ao certo o que eles querem com o filho de John, Caleb Koestler (Chandler Canterbury). Será que eles almejam matar o garoto? Será que almejam utiliza-lo em alguma conspiração contra a humanidade? Será que almejam protege-lo de algum mal que está por vir? Enfim, nada ficamos sabendo até o final da trama e tais questionamentos passam a nos perturbar a ponto de nos fazer roer as unhas de tensão.
r />
Como acabará esta estória? Será que haverá um desastre causado por alienígenas que destruirá a humanidade? Será que estamos diante de um desastre ambiental que destruirá o planeta inteiro? Ou quem sabe estamos diante de uma batalha espiritual entre o Céu e o Inferno? Seria Caleb um personagem chave desta batalha (algo parecido com o ótimo “Constantine” e os fracos “Stigmata” e “Filha da Luz”)? Enfim, não sabemos ao certo com o que iremos nos deparar, e isso faz com que a tensão que os personagens passam a sentir, seja transportada diretamente até nós.
Aliás, tensão e suspense é o que não falta neste “Presságio”, principalmente graças à eficiente direção de Alex Proyas. Se por um lado o cineasta não realiza nenhum movimento com a câmera realmente satisfatório, ou nem ao menos se importa em posicioná-la de modo a criar ângulos verdadeiramente excepcionais, por outro lado o diretor se mostra um mestre em conferir terror aos seus espectadores. Repare no modo tenso como ele filma o supracitado plano-sequência do acidente aéreo, ou o cuidado que tem ao mostrar, da janela do quarto de Caleb, uma floresta em chamas, dando amostras do que poderá vir pela frente.
Estranho, no entanto, é constatarmos que, mesmo com tantas qualidades visíveis, o grande trunfo de “Presságio” resida, de fato, em uma única frase. Pois é, em uma única frase, o filme consegue obter o seu atestado de qualidade. Trata-se da singela cena em que o protagonista pranteia: “___ O Mundo está para acabar e eu nada posso fazer para evitar isso!”. Com estas reles palavras, o personagem de Nicolas Cage ilustra todo o pessimismo e o temor estadunidense ao se ver incapaz de lidar com uma catástrofe ainda maior do que o próprio 11 de Setembro. Presenciamos aqui então a velação definitiva dos grandes heróis cinematográficos que salvam o mundo sozinhos. É a concretização de uma nova era que se assume cada vez mais vulnerável aos possíveis desastres que venham a ocorrer. É a desmistificação de porcarias comerciais à lá “Independency Day”, “Armagedon”, “Godzilla”, entre outras produções fajutas.
Apesar do excessivo número de clichês e personagens caricatos empregados durante o seu primeiro ato, “Presságio” revela-se, ironicamente, um instigante sopro de originalidade que parece remover cada vez mais a cortina de hipocrisia existente em Hollywood, destruindo de uma vez por todas a máscara vestida pelos pseudo-grandes heróis dos filmes-catástrofes, relegando-os a uma incapacidade de ação perturbadora.
Obs.: Genial a idéia dos coelhos, já que, simbologicamente, eles representam a reprodução na natureza.
Obs. 2: Quem assistir a “Presságio” saberá o que estou desejando dizer na observação supra.
Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.
M – O Vampiro de Dusseldorf – **** de *****
Crítica:
O leitor já deve ter assistido a algum(ns) filme(s) de suspense onde o assassino da trama nos é apresentado através de uma sinistra sombra projetada na parede, não? Também já deve ter assistido a algum(ns) outro(s) filme(s) de suspense onde o diretor realiza uma tomada aérea para filmar várias escadas que formam diversos quadrados simetricamente alinhados, não? Certamente já deve ter assistido a algum(ns) outro(s) filme(s) em que observamos um grupo de policiais sentados em uma mesa, discutindo um caso intrincado, enquanto soltam fumaças de cigarros e charutos com a mesmíssima frequência que fazem as chaminés de uma indústria, não? Se a resposta para todas as três perguntas (ou duas delas que seja… ou uma… tanto faz) for: sim (o que é bem provável), seria interessante que o leitor soubesse que todas as cenas previamente citadas são oriundas do clássico de Fritz Lang: “M – O Vampiro de Dusseldorf”. Aliás, não só estas cenas são originárias do filme em questão, como também o subgênero suspense serial-killer também o é. Logo, filmes como “O Silêncio dos Inocentes”, “Se7en – Os Sete Crimes Capitais”, e é claro, os clássicos de Hitchcock, nem sequer existiriam se não fosse pela obra de Lang.
O longa falha, no entanto, por ser frio demais durante os seus dois primeiros atos. E tal frieza não seria necessariamente ruim caso “M…” mantivesse este ritmo até o final, mas não é o que acontece. Infelizmente, ao chegar em seu desfecho, o pai dos filmes noir se amedronta e tenta nos trazer um final humanista e sensibilizado demais, algo que não soa bem em uma película que demonstrou-se extremamente racional até então. Um final muito simples (coloque-se no lugar das mães e pense se você realmente tomaria tal atitude), para um filme muito complexo. De qualquer forma, “M – O Vampiro de Dusseldorf” é uma obra obrigatória na “bagagem” de qualquer pessoa que se diga cinéfila, não apenas por ser um dos principais filmes da brilhante carreira de Fritz Lang, ou por apresentar um interessantíssimo debate sobre a pena de morte, mas também por ser a grande fonte de inspiração dos suspenses sobre assassinos em série e, é claro, o berço do Cinema noir.
Sessão Nostalgia – parte 4: Janela Indiscreta (1954)
A Paramount acordava assustada ao ver um quase cortiço montado em seus estudios para filmar a mais nova obra do diretor mais popular da década de 50.A adapatação de um conto policial ganharia vida nas mãos de Hitchcock,ele não desperdiçou nos detalhes,a direção de arte tem uma riqueza incomparável no cinema,as janelas mostram casas,as casas mostram vidas e as vidas não tem importanica alguma,são bonequinhos de cera brincando em um cenário bem construido e servindo de diversão e passatempo para o fotografo Jeff,que com a perna quebrada não vê modo melhor de se divertir…ou de virar uma obsessão
Alternando a visita da enfermeira pela manhã e da namorada pela noite,Jeff leva sua vidinha particular tornando pública a mediocridade dos vizinhos,quão interessante as pessoas podem ir em sua privacidade… dançam,fazem musicas,choram,sonham,fazem sexo,matam,dorme…para: matam? Sim ou não? Nesse mistério “Janela Indiscreta” se agarra como estória principal e tira o seu melhor
Hitchcock,acostumado a inovar a cada direção de filme,faz de sua obra prima uma verdadeira aula de cinema,ele dizia que com o cinema falado,muitos diretores esquecem das imagens e as fazem virar diálogos.Ele não esquece.Filme tudo com uma riqueza e detalhes e respeita a limitação de seu protagonista,o que causa imenso desconforto ao público,pois nesse grande modo de fazer suspense,não somos onipresentes,sabemos e descobrimos tudo o que Jeff descobre e esse jeito de primeira pessoa que o cineasta filma se torna essenciala toda a trama,e em especial ao marcante desfecho…somos Jeff!
E quão fantástica pode ser a vida dos vizinhos,assassinato é o ponto alto do roteiro,mas não é apenas ali que ele se apoia,estórias paralelas umas as outras são desenvolvidas brilhantemente (sempre em primeira pessoa é claro) e até dentro do apartemento a câmera da um jeito de se movimentar com lentidão,passando o tédio do protagonista. O roteiro e a direção se respeitam em seu ritimo lento,um sem atropelar o outro com uma edição digna que nos coloca em xeque a cada momento,inclusive a reviravoltas durante toda a trama
Construindo uma das parcerias mais ricas do cinema,’Janela Indiscreta’ é o segundo de quatro filmes de Hitch-Stewart (e se Hitchcock subiu a deus nesse filme,também virei fã de Stewart,ainda mais que Janela e “A Felicidae não se Compra” foram alugados juntos),seria injusto desmerecer James Stewart e só dar meritos a Alfred nesse filme,a cara de entediado a de surpresa são obras do ator que fez do antipatico Jeff um personagem com humor tolerável de passar duas horas.Junto a ele a grande paixão de 10 em 10 cinéfilos,ela,a linda e talentosa Grace Kelly,no conto a personagem dela não existe,no filme ela é muito mais que uma ilustração,é peronagem essencial aos acontecimentos e que revela e desenvolve traços peculiares do protagonista.Grace é linda e no filme Hitchcock explora ao máximo sua beleza,ela é doce e esperta,e a responsável pela segunda maior cena do filme,onde de vez ela se infiltra no apartamento vizinho e pasa a virar um dos bonequinhos espionados,também é de Grace a melhor frase de “Janela Indiscreta”,quando a mesma diz que não acredita que estão chateados porque um assassinato não foi cometido,e a bela atriz só não é dona da melhor cena do filme,pois essa pertence exclusivamente ao diretor.
Fala marcante a da Grace…diálogos marcantes,afiados e cheios de humor não faltam nesse maravilhoso filme de 1954.Stewart-Kelly e uma terceira personagem interpretada por Thelma Ritter (deA Malvada) embalam o filme,fazendo do que seria um simples suspense,uma das mais complexas obras cinematográficas.
Com um legado incrível com dezenas de filmes,”Janela Indiscreta” permance vivo como trabalho influente do diretor,e não apenas isso,sobreviveu e se colocou como gigante em um ano que oferecia também “Sindicato de Ladrões” e “Os Sete Samurais”.Um filme que deve ser guardado em um baú de ouro,uma jóia não só na sétima arte,mas também nas artes em geral.
As Duas Faces da Lei – ** de *****
Site Oficial: http://www.righteouskill-themovie.com/
Elenco: Al Pacino (David Fisk), Robert De Niro (Thomas Cowan), John Leguizamo (Detetive Perez), Donnie Wahlberg (Detetive Riley), Carla Gugino (Karen Kleisner), 50 Cent (Spider), Brian Dennehy (Tenente Hingus), Frank Jhn Hughes (Randall), Shirley Brener (Natalya), Adrian Martinez (Glenn), Trilby Glover (Jessica) e Antonino Paone (Matthew Natrella).
Sinopse: Ao investigar o assassinato de um popular cafetão, a dupla de detetives Thomas Cowan (Robert De Niro) e David Fisk (Al Pacino) se vê diante de um crime parecido com um outro que fora investigado por eles mesmos anos atrás. Da mesma forma que ocorreu no assassinato anterior o homicida desta vez também deixou um poema justificando o crime. Mais assassinatos desta natureza passam a acontecer e os policiais logo se dão conta de que estão diante de um serial killer e que, possivelmente, prenderam as pessoas erradas na investigação anterior.
Righteous Kill – Trailer:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=1-wtC_TCaf8&hl=pt-br&fs=1]
Frustrante. Esta palavra define bem a sensação que se tem ao terminar de assistir a este “As Duas Faces da Lei” no cinema. Toda a expectativa gerada em volta do retorno da dupla Pacino e De Niro (eles atuaram juntos pela primeira vez no thriller “Fogo Contra Fogo”, há 13 anos, desde então, jamais voltaram a repetir a dose) fora por água abaixo, gerando um filme constituído por uma sinopse bastante interessante, mas trabalhada de maneira extremamente artificial pelo roteiro (que conta com o final mais forçado dos últimos tempos), que acaba se salvando ligeiramente graças às atuações de seus protagonistas e à direção de Jon Avnet que, embora se revele extremamente irregular durante o desenrolar da trama, confere bastante ritmo ao longa durante o seu primeiro ato.
Certamente, o maior problema com “As Duas Faces da Lei” reside na auto-confiança adquirida pelo mesmo, uma vez que este chega à errônea conclusão de que basta ter as duas maiores lendas vivas de Hollywood (e quando digo “maiores lendas vivas” refiro-me unicamente à profissão de ator) como ingrediente principal para se realizar uma obra brilhante e magnífica. O problema é que os responsáveis pelo filme se esquecem de que o principal ingrediente de uma obra-cinematográfica é o roteiro da mesma. Não que a estória do longa seja das piores, longe disso (apesar da mesma conter inúmeras falhas), mas o bem da verdade é que o mínimo que se pode esperar de um roteiro decente é que o mesmo aborde seus personagens principais de modo que faça o público se cativar com eles.
Em “As Duas Faces da Lei” a dupla de tiras interpretada por De Niro e Pacino é simplesmente jogada na tela e o filme sugere que o espectador, logo de cara, sinta-se envolvido pelos mesmos. Mas como podemos nos envolver com dois personagens que mal nos foram apresentados? Pois é, como havia mencionado anteriormente, é justamente aí que reside o maior defeito do filme: o de deduzir que somente o fato de contar com dois atores carismáticos e lendários em cena bastaria para que nos cativássemos instantaneamente com os seus respectivos personagens. Ledo engano.
Vide o personagem de Pacino, por exemplo. Não fosse a magistral atuação do eterno Michael Corleone, o detetive David Fisk não possuiria a menor razão de existir, uma vez que o mesmo nem ao menos diz a que veio na trama. Ou melhor, além de dar espaço para que o brilhante ator mostre todo o seu potencial, o personagem de Pacino tem sim um outro propósito no filme, afinal de contas, não fosse por ele, o desfecho de “As Duas Faces da Lei” seria completamente diferente. E é aí que caímos em um outro dilema: será que não valeria a pena o encerramento desta película ser completamente diferente, uma vez que o mesmo soa deveras artificial?
E o que podemos dizer então da postura de “cara durão” dos personagens de Robert De Niro e Al Pacino? Se há algo que me atraiu imensamente no ótimo “Rocky Balboa” foi a perspicácia que o roteiro, e o próprio Stallone, tiveram em reconhecer e admitir que um dos maiores astros dos anos 1970 estava velho demais para bancar o rapagão durão, conforme o fizera anos atrás. Os responsáveis por este “As Duas Faces da Lei” teriam que ter tido a mesma perspicácia e, ao invés de exibirem ambos os atores esmurrando bandidos, fazendo carrancas e mantendo conjunções carnais com jovens mulheres, deveriam nos apresentar aos protagonistas do longa de um modo mais realista, convincente e bem menos exagerado.
Outra falha crassa contida no longa é a dificuldade que o roteiro encontra ao tentar definir um gênero a si mesmo. Não sabemos ao certo se estamos diante de um drama policial, ou simplesmente de um filme policial, ou de um drama convencional, ou ainda de um filme de suspense ou um thriller. É claro que, caso o roteirista Russell Gerwitz houvesse, ao menos, explorado de maneira decente cada um destes gêneros, teríamos um longa bastante rico e cativante, mas não é isso o que acontece. Como drama, o filme falha, pois explora os seus protagonistas de maneira pouco satisfatória; como policial o maior defeito reside na estória, que é inicialmente interessante, mas durante o desenrolar da trama se revela muito artificial e, por fim, como suspense ou thriller, o longa decepciona, pois jamais consegue passar tensão ao espectador da maneira que deveria (muito pelo contrário, o filme é bem chato, diga-se).
Sendo assim, podemos concluir que as únicas qualidades da obra dizem respeito às brilhantes atuações de sua dupla de protagonistas e à direção dinâmica de Avnet que, apesar de se revelar simples demais durante o desenrolar da trama, se mostra bastante competente durante o início do longa, conferindo bastante ritmo a este. No mais, somos obrigados a enca
rar um filme totalmente falho e decepcionante, do tipo que De Niro e Pacino deveriam passar longe a fim de preservarem as próprias carreiras que, em um passado muito, muito distante, arrancaram diversos dos momentos mais marcantes, inspirados e clássicos da história do Cinema.
Violência Gratuita (2008) **** de *****
Sinopse: Uma família rica e aparentemente feliz recebe a visita inesperada e indesejada de dois indivíduos sádicos e perturbados que os seqüestram e passam a externar os seus instintos primitivos e psicóticos realizando um doentio jogo onde as chances dos “mocinhos” da estória escaparem com vida são mínimas.
Funny Games – Trailer:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=2umDxxUIWkk&hl=pt-br&fs=1]
É difícil avaliar este “Violência Gratuita” da mesma forma que eu avaliaria um filme convencional, pois, para ser sincero, não creio que o mesmo assuma tal formato. A refilmagem quadro-a-quadro da obra-prima de Michael Haneke se revela, na realidade, uma espécie de folder impresso com o intento de ilustrar a seu público alvo uma campanha antiviolência. Afinal de contas, como poderíamos encarar como filme uma obra cinematográfica onde o vilão olha para a câmera duas vezes e conversa diretamente com o público? Pior ainda, como poderíamos encarar como filme uma obra cinematográfica onde o vilão, a fim de evitar a morte de uma pessoa, usa um controle remoto para rebobinar o longa e evitar que isto aconteça? Pois é, esta é a prova definitiva de que “Violência Gratuita” foi uma obra cinematográfica feita para não ser analisada como um filme comum, e sim como uma mera crítica à maneira como a violência é utilizada com o intento de preencher os vazios existenciais nas patéticas vidas das pessoas comuns (no caso, nós mesmos, simples mortais).
O filme é, acima de tudo, um estudo sobre o modo como a violência gera ainda mais violência. Vide o intróito da película, para se ter uma idéia do que estou tentando afirmar. Começamos com alguns ovos que se quebram, em seguida temos um tapa no rosto, logo após um golpe desferido por um taco de golfe e, quando nos damos conta, uma família inteira é aprisionada e torturada por uma dupla de jovens sádicos que arquitetaram toda aquela situação.
Olhando por este prisma, podemos notar que toda a violência inserida no filme teve o seu início por um motivo pífio, no caso, por uns quatro ovos que se quebraram no chão. E por mais que a situação supracitada tenha sido voluntariamente planejada pelos delinqüentes, não há como não ligarmos o fato abordado nas telonas com a grande parte dos assassinatos ocorridos diariamente. Tomemos por exemplo uma reles batida de carro. Quantas pessoas, aparentemente inofensivas, já não cometeram homicídios apenas por terem o seu carro amassado por um outro indivíduo?
Outra questão abordada pelo filme é o modo como nos cativamos com a violência demonstrada na televisão e nos cinemas, muitas vezes exibidas de maneira amplamente maquiada. Vide desenhos animados como “Pica-Pau”, “Tom & Jerry” e “Beavis & Butt-Head” (e não é a toa que os vilões do filme utilizam os nomes dos protagonistas do desenho da MTV a fim de se alcunharem) que, aparentemente, se mostram inofensivos, quando na verdade, de uma forma ou de outra, faz a violência soar divertida aos olhos de quem os assiste (e não é involuntária a magnífica decisão do roteiro em inserir diálogos no filme do tipo: “___ A violência pode ser divertida!”).
No entanto, o que podemos esperar de uma criança que acha normal e divertido o sadismo empregado pelo Pica-Pau ou pelo rato Jerry? Pois é, podemos esperar que tal criança cresça vendo produções como estas e que vá se acostumando, cada vez mais, com a violência empregada de forma ainda mais enérgica e desumana em imbecilidades como “Jogos Mortais” (exceto o primeiro episódio que apresenta uma justificativa convincente para tudo o que está acontecendo ali) e “O Albergue”.
O roteiro prima também por ser extremamente realista a ponto de, em momento algum, se render aos maneirismos hollywoodianos e tentar agradar as pessoas que estão assistindo ao longa. Não espere aqui um final feliz e amarradinho, isto faria com que toda a mensagem que o filme almeja nos passar fosse por água abaixo. “Violência Gratuita” foi escrito e filmado com o intento de chocar, de nos deixar abismados, de fazer com que sintamos repugnância por ele e pelos demais filmes do gênero. Ao invés do final convencional, temos aqui um desfecho revoltante, mas aí fica a pergunta no ar: como seria na vida real?
Se uma dupla de jovens delinqüentes, que passou a vida toda consumindo a violência vendida pela televisão, a ponto de tornarem-se sádicos e cruéis ao extremo, seqüestrasse você e o restante de sua família e os mantivesse aprisionados em um cativeiro distante de toda a civilização, quais as chances de vitória que vocês teriam? Exato, é triste termos de admitir, mas as chances seriam mínimas. Gostaria também de perguntar ao estimado leitor quantos seqüestros, arquitetados por pessoas que cresceram em um ambiente violento proporcionado pela televisão, não tiveram um final infeliz na vida real? Pois é, é triste, mas real e devemos encarar tal fato de frente.
No mais, além de realizar soberbamente uma abordagem filosófica e sociológica sobre a violência, Haneke se mostrou capaz de criar um suspense verdadeiramente tenso, inovador e original. Sua direção é soberba e conta com ângulos excepcionais e o elenco se mostra fantástico e extremamente entrosado. O longa só falha no que diz respeito à falta de propósito de sua existência, uma vez que, em 1997, o mesmo Michael Haneke roteirizou e dirigiu um filme com o mesmo nome, a mesma estória, os mesmos personagens, enfim, um filme exatamente igual a este, quadro a quadro, dialogo a dialogo, centímetro a centímetro. Seria isso uma empreitada realizada com o intento de fazer com que o publico estadunidense vá aos cinemas assistir a sua obra-prima falada na língua da terra do Tio Sam, uma vez que, de tão vagabunda e preguiçosa que aquela raça é, eles raramente assistiriam ao longa original pelo simples fato deste ser legendado? Pode apostar
que sim.
Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.
O Nevoeiro – **** de *****
Fugindo um pouco do convencional, pretendo fazer desta pré-crítica uma espécie de justificativa para várias das mudanças que passarei a adotar em meus textos a partir de agora. Comecemos pelo tamanho dos mesmos. As últimas críticas que postei neste site possuíam, aproximadamente, cerca de 2.000 palavras, tendo como resultado críticas muito extensas e que, além de tomarem um tempo enorme em meu cotidiano (já que minha vida está mais atribulada do que nunca, impossibilitando com que eu possa dedicar-me muito tempo ao Papo Cinema, que é o que eu mais gosto de fazer), tomam muito tempo também do leitor que, geralmente, não possui disponibilidade o bastante a fim de ler um texto com mais de 2.000 palavras falando sobre um determinado filme. Outra mudança que adotarei a partir de agora diz respeito nas fichas técnicas dos filmes, uma vez que não tenho encontrado mais tempo para pesquisar o responsável por cada aspecto do longa (direção, roteiro, elenco, direção de arte, fotografia e etc…), irei identificar agora apenas os responsáveis pelas principais características de uma obra cinematográfica, ou seja, diretor, roteirista e elenco. Outra mudança diz respeito ao parágrafo final da crítica, que não mais será um resumo da mesma. Concluí que, uma vez que meus textos passarão a ter, no máximo, 1.000 palavras, a partir de agora, o leitor não terá necessidade de ler apenas um resumo da análise, caso não tenha tempo de ler a mesma inteira, uma vez que 1.000 palavras podem, facilmente, ser lidas em cerca de dois minutos e, convenhamos, 120 segundos de leitura não fazem mal a ninguém. Justificadas às mudanças, vamos agora à análise deste ótimo, embora falho em alguns aspectos, filme de horror.
Ficha Técnica:
Título Original: The Mist.
Gênero: Horror.
Ano de Lançamento: 2007.
Nacionalidade: EUA.
Tempo de Duração: 126 minutos.
Diretor: Frank Darabont.
Roteirista: Frank Darabont, baseado em obra-literária de Stephen King.
Elenco: Thomas Jane (David Drayton), Marcia Gay Harden (Mrs. Carmody), Laurie Holden (Amanda Dumfries), Andre Braugher (Brent Norton), Toby Jones (Ollie Weeks), William Sadler (Jim), Jeffrey DeMunn (Dan Miller), Frances Sternhagen (Irene Reppler), Nathan Gamble (Billy Drayton), Alexa Davalos (Sally), Chris Owen (Norm), Sam Witwer (Private Jessup), Robert C. Treveiler (Bud Brown (como Robert Treveiler) e David Jensen (Myron).
Sinopse: Após um forte nevoeiro cobrir uma minúscula cidade interiorana, estranhos acontecimentos passam a aterrorizar os habitantes da mesma. A fim de se proteger dos ocorridos, um grupo de pessoas entram em um supermercado, porém, conforme o tempo vai passando, o forte nevoeiro vai se revelando cada vez mais perigoso e o estabelecimento comercial vai se revelando um abrigo bastante vulnerável.
The Mist – Trailer:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=HmwSD7S-fCg&hl=pt-br&fs=1]
Crítica:
Uma coisa não se pode negar: Frank Darabont, definitivamente, sabe como criar um clima irretocável de suspense. Durante uma seqüência deste “O Nevoeiro”, vemos os protagonistas da estória irem ao supermercado durante o dia, enquanto uma atípica névoa cobre uma pequena cidade interiorana. Até então, tudo é absolutamente natural, eis que a neblina aumenta cada vez mais e, repentinamente, surge um homem com o nariz escorrendo sangue e grita que uma determinada pessoa morreu, logo após adentrar a neblina. Um outro indivíduo, a fim de averiguar o que está acontecendo, decide adentrar o mesmo nevoeiro e então escutamos um forte grito do mesmo. Tementes de que a névoa seja uma nuvem de resíduos químicos provenientes de uma indústria local, as pessoas, completamente assustadas, se trancam dentro do supermercado. Todos se acalmam, até que um forte barulho é ouvido na porta dos fundos do estabelecimento comercial e, com o intento de checar o que está acontecendo, um jovem rapaz é assassinado por uma criatura que possui enormes tentáculos.
Que a cena supracitada conta com uma infinidade de clichês característicos do gênero “horror”, isso não há como negar (temos a mesma cidadezinha interiorana de sempre, a mesma neblina de sempre (com a diferença de que esta é muito mais intensa que as dos demais filmes), os mesmos gritos desesperados de horror de sempre, entre muitas (e ponha muitas nisso) outras coisas), mas também não há como negar que Darabont conduz a seqüência inteira de maneira genial e, apesar de estar a anos luz de realizar um trabalho tão excepcional quanto realizou nos excelentes “Um Sonho de Liberdade” e “A Espera de Um Milagre”, o diretor consegue criar um clima de suspense e urgência soberbamente, uma vez que o roteiro falha visivelmente neste quesito, principalmente no intróito da trama.
Darabont acerta também quando tenta inserir o espectador na estória. Conduzindo a câmera de uma maneira propositadamente tremida e desgovernada, o diretor faz com que nós, que nos encontramos do outro lado das telonas, tenhamos a sensação de estarmos assumindo os olhos de um terceiro, de um personagem que não participa ativamente da trama, mas encontra-se no interior do estabelecimento e se mostra capaz de testemunhar de perto, tudo o que se passa.
Mas as qualidades deste longa jamais se resumem ao ótimo trabalho do cineasta francês responsável por “Um Sonho de Liberdade”. Ao passo em que a trama se desenrola, o mesmo roteiro, que no início parecia não criar o clima tenso necessário com o propósito de cativar o espectador, nos insere em situações cada vez mais inquietantes. Outro acerto grandessíssimo de Darabont (e agora, refiro-me ao mesmo como roteirista, e não diretor) é a maneira como este decidiu abordar cada personagem. Se a estória por si só, já não é das melhores, ao menos os personagens que a compõem se mostram interessantes o bastante.
E é justamente destes personagens que o longa consegue exportar ao espectador aquilo que ele tem de mais interessante: os debates moldados nas discussões atuais que envolvem diversas questões convividas pela sociedade estadunidense atual, dentre os quais cito: experiências científicas de alto risco, conspirações políticas e debates religiosos. A propósito, é incrível vermos o modo como o filme mostra que a ciência e a religião, quando elevadas à máxima potência, se mostram requisitos inerentes a uma sociedade decadente e em pânico.
Antes de encerrar, gostaria de comentar o final do longa, este que vem sendo muito criticado negativamente. Particularmente, creio que Darabont realizou aqui um desfecho formi
dável, justamente por ser perturbador e nos provar o quão decisões tomadas de maneira precipitada e por medidas drásticas podem provocar danos irreversíveis em nossas vidas.
Ah, e é claro, não há como negar que, com um final destes, Darabont anulou, com total sapiência, vários clichês que seriam capazes de transformar este “O Nevoeiro” em um filme de horror apenas convencional.
É como diria o mestre Alfred Hitchcock: “___ Antes iniciar em um clichê, do que terminar neste!”. E é justamente isso o que presenciamos aqui.
Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0.
Crítica – Fim dos Tempos
Um dos motivos que mais me despertou curiosidade em assistir a este “Fim dos Tempos” foi a polêmica alastrada em torno do mesmo. Não, a polêmica não gira necessariamente em torno de qualquer questão interna abordada pelo filme, mas sim em torno das críticas e opiniões populares levantadas em cima do mesmo. Odiado pela maioria e amado por uma minoria, “Fim dos Tempos” acabou despertando o interesse em mim graças a essa divisão de opiniões. O problema é que, ao terminar de assistir à obra de Shyamalan, acabei ficando em cima do muro, mas não por receio de dar uma opinião positiva ou negativa e sim pelo simples fato de o filme ser simplesmente medíocre (e não falo no sentido pejorativo da palavra) e nada mais. Pedindo desculpas adiantadas ao leitor pelo péssimo trocadilho que irei realizar agora, digo que todas as polêmicas levantadas em cima de “Fim dos Tempos” acabam fazendo muita ventania por nada.
Ficha Técnica:
Título Original: The Happening
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 91 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2008
Site Oficial: www.fimdostempos-ofilme.com.br
Estúdio: 20th Century Fox Film Corporation / Barry Mendel Productions / Spyglass Entertainment / Blinding Edge Pictures / UTV Motion Pictures
Distribuição: 20th Century Fox Film Corporation
Direção: M. Night Shyamalan
Roteiro: M. Night Shyamalan
Produção: Barry Mendel, Sam Mercer e M. Night Shyamalan
Música: James Newton Howard
Fotografia: Tak Fujimoto
Desenho de Produção: Jeannine Claudia Oppewall
Direção de Arte: Anthony Dunne
Figurino: Betsy Heimann
Edição: Conrad Buff IV
Efeitos Especiais: Industrial Light and Magic / CafeFX / The Third Floor / Quantum Creation FX
Elenco: Mark Wahlberg (Elliot Moore), Zooey Deschanel (Alma Moore), John Leguizamo (Julian), Ashlyn Sanchez (Jess), Betty Buckley (Sra. Jones), Spencer Breslin (Josh), Jeremy Strong (Recruta Auster), Alan Ruck (Diretor), M. Night Shyamalan (Joey), Robert Lenzi (Jake), Edward James Hyland (Prof. Kendall Wallace) e Stephen Singer (Dr. Ross).
Sinopse: Após uma série de inexplicáveis suicídios em massa, o professor Elliot Moore (Mark Wahlberg) decide, junto com a esposa Alma Moore (Zooey Deschanel) abandonar a cidade em que reside e partir para o campo, onde crê que estará a salvo de tais acontecimentos. Contudo, é justamente nesta região do globo terrestre que o estranho fenômeno passa a ocorrer com mais intensidade, criando um estado de pânico e calamidade pública, obrigando o casal a fugir para salvar a própria vida.
Crítica:
“Fim dos Tempos” é mais um destes filmes egoístas onde um gigantesco número de pessoas corre sério risco de vida, mas o roteiro insiste em voltar a atenção apenas a um minúsculo grupo de pessoas (no caso, os protagonistas da estória) e cabe a nós, espectadores, torcer para que este pequenino grupo consiga se manter vivo até o desfecho da estória, pouco nos importando o que venha a acontecer com os demais personagens. Em outras palavras, “Fim dos Tempos” (e que titulizinho mais marqueteiro e megalomaníaco este, não?) é um filme que lembra bastante “Guerra dos Mundos”, com a diferença de que aqui os predadores não são alienígenas e sim as plantas.
É isso mesmo que o leitor leu: plantas. Ao invés de seres bizarros ameaçando a humanidade, temos vegetais que, a fim de preservar a própria espécie (já que o ser humano ameaça a natureza constante e diariamente), organizam um complô contra a nossa raça liberando toxinas que inibem os instintos de autodefesa humana fazendo com que todas as pessoas infectadas com a substância lançada pelas plantas cometam suicídio (hã?).
Pois é, a estória extrapola os limites do absurdo, mas ainda assim não há como negar a originalidade da mesma e, por mais inverossímil que o argumento soe, ele tem um pouco (bem pouco, diga-se) de coerência, sendo que a natureza “vinga-se” do Homem com certa freqüência através dos desastres naturais (vide o Furacão Katrina, apenas para citar um exemplo), ainda que não o faça voluntariamente, conforme sugere o filme.
Muito se tem reclamado também de certas cenas do longa como, por exemplo, a seqüência onde um grupo de pessoas foge do vento. Pois onde muitos críticos vêem uma cena ridícula eu vejo uma cena comum, afinal de contas, o que mais poderia se esperar? Que as plantas disparassem tiros de raio laser ou liberassem um gás visível e venenoso? É lógico que se estas quisessem lançar uma toxina contra os seres humanos elas o fariam através do vento, portanto, não notei nada demais na cena, a não ser, é claro, na capacidade que Shyamalan teve para criar uma seqüência ligeiramente tensa (e já digo que era obrigação do diretor indiano ter conferido muito mais tensão ao espectador durante o desenrolar de tal seqüência) sem precisar fazer uso de efeitos especiais mirabolantes ou CGI.
Outro ponto fortíssimo do filme (e prov
avelmente é a maior qualidade do mesmo) reside na capacidade que este tem de criar um clima claustrofóbico e angustiante sendo que, ironicamente, 85% de sua projeção é realizada em ambientes abertos e, ao contrário da grande maioria de filmes de suspense/horror, “Fim dos Tempos” é realizado quase que inteiramente em locações abertas, fato que condiz plenamente com a sua sinopse.
Mas para que um filme deste gênero seja considerado, no mínimo, bom, é mais do que obrigatório que o mesmo contenha cenas fortes e impactantes, capazes de deixar o espectador tenso. E para deixar o espectador tenso, não basta apenas criar um clima angustiante, deve-se conseguir dar origem a cenas que causem impacto em quem está do outro lado da telona. Infelizmente, “Fim dos Tempos” conta com pouquíssimas cenas desta natureza, tais como o suicídio coletivo no Central Park e a seqüência em que nos deparamos com várias pessoas enforcadas em diversas árvores.
No final das contas, este “Fim dos Tempos” se equipara (mais uma vez peço desculpas pelo trocadilho de mau gosto) àquele vento que bate em seu rosto em uma manhã de agosto. Enquanto você sente a corrente de ar em sua face, obviamente tem ciência desta, depois que passa você simplesmente esquece que a sentiu há pouquíssimos minutos atrás.
Avaliação Final: 5,0 na escala de 10,0.

English
Español
Niederlande
Français
Русский
Italiano
日本語
Svenska
Deutsch
Suomen