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O Equilibrista – **** de *****
Pela primeira vez em minha vida… não, esperem um momento… pela segunda vez em minha vida critico um documentário. A primeira vez foi um pequeno texto (lembram-se daquele formato de 25 linhas o qual utilizava para escrever as minhas opiniões antigamente?) que fiz sobre o ótimo “Some Kind of Monster”, que narra a crise pela qual os quatro músicos que formam o Metallica passou antes da gravação do CD “St. Anger” (que, ao contrário da grande maioria dos headbangers, considero-o ótimo). Escrevi o texto, mas não cheguei a publicá-lo (ou será que o publiquei na época em que escrevia para o Papo Cinema? Provavelmente não), destarte, esta é a primeira vez que disponibilizo uma crítica de minha autoria direcionada a um filme do gênero documentário (sim, acabei de comprar uma caixa de rojões e estou disparando-os contra o céu e correndo pelas ruas cantando e chorando de felicidade). Vamos ao texto.
Ficha Técnica:
Título Original: Man on Wire.
Gênero: Documentário.
Tempo de Duração: 90 minutos.
Ano de Lançamento: 2008.
Site Oficial: http://manonwire.com
Países de Origem: Estados Unidos da América e Inglaterra.
Direção: James Marsh
Elenco: Philippe Petit, Jim Moore, Annie Allix, Jean-Louis Blondeau, David Forman, Barry Greenhouse, Jean François Heckel e Alan Welner, Paul McGill (Philippe Petit), Ardis Campbell (Annie), David Demato (Jean Louis), David Roland Frank (Alan).
Man on Wire – Trailer:
[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=zcuiC1NMCFE&hl=pt-br&fs=1]
Documentário geralmente é sinônimo de filme frio e banhado de entrevistas e/ou depoimentos que visam relatar um fato comum (“Some Kind of Monster”), ou um fato político (“Um Táxi Para a Escuridão”), ou então defender uma tese (“Supersize-me – A Dieta do Palhaço”), ou até mesmo adotar um caráter amplamente investigativo, trabalhando como uma forma de fonte de informação alternativa que nos traz à tona fatos que são ocultados do público em geral (“S.O.S. Saúde”). O quê? Ah, sim, claro, existem muitos outros formatos de documentário, mas por ora, fiquemos apenas com estes, tudo bem?
Vez ou outra, no entanto, surgem algumas obras deste gênero que acabam sendo difíceis de se encaixar em qualquer uma dessas subcategorias (se é que posso alcunhá-las de subcategorias). “O Equilibrista”, por exemplo, não trata de um acontecimento político qualquer, nem defende tese alguma, muito menos traz à tona fatos que são escondidos do público e nem se assume como relato do cotidiano de uma pessoa (ou de um grupo delas, como é o caso do recente “Flight 666”, que, infelizmente, ainda não assisti, o que é lamentável vindo de um fã incondicional de Iron Maiden, como é o caso deste que vos escreve). Do que o filme trata então? E o mais importante, o que faz com que ele seja digno de toda a fama que acumulou durante a corrida pelo Oscar® (tanto que faturou o prêmio de Melhor Documentário deste ano)?
A primeira questão proposta no parágrafo acima é facílima de ser respondida. O filme trata da aventura de um indivíduo cujo propósito existencial resumia-se a cruzar dois pontos distintos equilibrando-se apenas em um cabo de aço que é ligado entre ambos os locais. O problema é que ele decidia realizar tais feitos em lugares altíssimos, cujo risco de morte era mais elevado do que a minha pressão arterial (piadinha sem graça essa, não? Mas o que seria de um crítico de Cinema sem as suas piadinhas sem graça?) e, no ápice de sua carreira (e por que não dizer, loucura?), o protagonista Philippe Petit decide cruzar as torres gêmeas que formavam o recém extinto World Trade Center. E é justamente isso o que o filme aborda: os bastidores de tal travessia insana.
E quanto à segunda questão? Ah, essa já se mostra material o suficiente para se redigir uma crítica inteira. O que faz de “O Equilibrista” um documentário digno de toda a fama que vem recebendo? Primeiramente, creio que seja o fato de a “trama” focar-se justamente no World Trade Center, edifício este que pode ser considerado o símbolo máximo do atentado que se revelou o divisor de águas entre as Eras Pré e Pós 11 de Setembro. É interessante ratificarmos, através desta obra, a ingenuidade estadunidense quanto à sua segurança interna que, no final das contas, não era tão invulnerável quanto muitos julgavam ser (note o modo como Philippe se infiltra no prédio e chega ao último andar do mesmo).
Mas acima de tudo, creio que o sucesso desta fita, bem como o grande destaque da mesma, resida, de fato, no modo cativante como ela desenvolve os seus personagens, bem como o quão empenhados e persistentes estes se mostram a fim de tornarem o seu sonho uma visível realidade. Indo na contramão da grande maioria dos documentários, “O Equilibrista” opta, felizmente, por não adotar a frieza característica do gênero (e isto é, certamente, o que a obra nos oferece de melhor) e tenta desenvolver os seus personagens da maneira mais encantadora o possível, através de entrevistas e depoimentos honestos. Como não se identificar com o protagonista na cena em que testemunhamos os “esforços” por ele empregados a fim de destacar uma página de uma revista em um consultório dentário? Como não sentirmos na pele a aflição pela qual ele passa quando corre sério risco de ser apanhado pelos guardas do World Trade Center, quando se esconde debaixo de uma lona no último andar do edifício? E é claro, como não nos perturbarmos quando presenciamos Philippe andando sobre um cabo de aço em uma altura de 321 metros?
Todos esses são pontos que transformam “O Equilibrista” em um documentário bem diferente do que o que estamos acostumados a testemunhar e, se o fato de poder assistir a um homem andando sobre um cabo de aço a 321 metros de altura do chão não acrescenta absolutamente nada em nossas vidas, a fé e a perseverança por ele empregadas (e por sua equipe também) acrescentam, e muito.
Destaque para as “atuações” (se é que posso as chamar assim) de Philippe Petit e dos demais “atores” (se é que posso os chamar assim, também) que conferem um tom de naturalidade incrível a obra (e como não se identificar com o protagonista visto a expressividade, o carisma e o entusiasmo dele?). Ponto positivo também para a direção simplesmente fantástica de James Marsh que, além de conferir à obra a sensibilidade necessária para que ela funcione corretamente, ainda emprega muitas técnicas do tipo “takes aéreos”, “travellings” e “deep focus”.
Ponto negativo para a fotografia que, desnecessariamente, abusa do preto e branco em cenas onde não há necessidade para o uso de tal.
Avaliação Final: 8,5 na escala de 10,0.
Semana 20/10 a 26/10/2008
Nunca havia feito algo deste tipo aqui no Cine-Phylum, mas decidi publicar este texto com o intento de informar ao leitor o que me aconteceu como cinéfilo durante esta semana toda (incluindo o dia de hoje).
Segunda-feira saí mais cedo da aula, quando cheguei em casa liguei a televisão e notei que estava passando o filme “Vôo Noturno” (cuja nano-crítica encontra-se no post anterior).
Na terça-feira, aproveitei para organizar todas as nano-críticas dos filmes a que assisti em Setembro e, aproveitando que estava muito atrasado com as publicações do nono mês do ano, publiquei também os textos referentes aos filmes que havia assistido na primeira quinzena do corrente mês (na verdade, inclui as resenhas das obras que conferi nos 20 primeiros dias deste décimo mês, uma vez que adicionei o filme “Vôo Noturno” (que assisti no dia 20 de outubro) no post).
Quarta-feira assisti a “Max Payne”, filme que não estreou no Brasil, mas que já está nas salas de cinema estadunidenses há um bom tempo. O resultado? Insatisfatório. O filme não possui qualquer conteúdo que seja, apresenta uma estória simples e mal trabalhada pelo roteiro, personagens muito mal desenvolvidos e, o que é pior, é muito chato. O longa inteiro conta com as típicas cenas de ação onde o seu protagonista, salvo em alguns momentos, não corre sério risco de vida e se revela auto-suficiente o bastante para dizimar, sozinho, grupos enormes de opositores. As seqüências de ação são muito mal distribuídas pelo filme, sendo que, a única realmente eletrizante, é a inserida ao final da película.
Na quinta redigi a crítica de “Max Payne” e a publiquei no Papo Cinema (para conferi-la, basta clicar aqui).
Sexta-feira tirei folga como cinéfilo e não fiz absolutamente nada ligado à Sétima Arte, exceto, é claro, ter tido uma idéia para um roteiro de um faroeste. Foi apenas um lampejo que tive, observando como é que funciona a política e a sociedade em minha cidade. Enquanto um bando de alienados votam em políticos corruptos pelo simples fato destes terem lhes dado um reles casebre em um bairro extremamente distante da cidade, o município não evolui e permanece sempre inerte. Baseado nisso, pensei em um filme que se passa em uma cidadela do Texas, onde um grupo de marginais recebe apoio de políticos locais, uma vez que muitos de seus membros ocupam posições altíssimas dentro da política local e estes recebem apoio do povo pelo simples fato de conferir alguns benefícios ao mesmo.
Sábado fiz a sinopse, que segue abaixo:
“Texas, 1873. Após décadas de confronto com uma quadrilha irlandesa protegida pela política local, os policiais de uma cidadela, sem receber o menor apoio do governo estadual e federal, conta com um número de agentes e delegados excessivamente reduzido. Para evitar que tal número reduza ainda mais, o velho e conformado xerife Jonathan C. Harley aceita a previsível vitória dos marginais e permite que estes comandem grande parte da cidade extorquindo comerciantes locais, contanto que estes respeitem certos limites. Destarte, um grupo de Carpetbaggers, inconformados com o descaso com que o governo estadunidense lhes atribuíra após o término do confronto norte-sul, invade a cidade e passa a extorquir os cidadãos com maior intensidade, desafiando a hegemonia do grupo irlandês. A fim de expulsar tal quadrilha, os policiais recorrem aos irlandeses e ambos formam uma aliança com o intento de combater os criminosos recém-chegados.”
Por fim, no dia de hoje (26/10/2008) assisti ao clássico de 1927 “Metropolis” e pretendo postar a crítica completa do mesmo no Papo Cinema e uma nano-crítica aqui, no Cine-Phylum.
Oscar e Suas Injustiças
Época de Oscar, no mundo do cinema não se fala em outra coisa,acontece é que um filme vencedor do Oscar ganha um respieto incrível e faz a produtora ganhar alguns milhões a mais.Foram lançados a lista dos indicados este ano: “Onde os Fracos não têm Vez”; “Sangue Negro”; “Juno”; “Desejo e Reparação” e “Conduta de Risco” e onde estaria “Sweeney Todd”? Será que não foi indicado pelo fato de a Academia não gostar de Tim Burton ou pelo excesso de conservadorismo? Quem vai saber! Acontece que quase nunca o melhor filme do ano vence o Oscar,e estou aqui para listar as maiores injustiças que a Academia fez desde que começou seus prêmios.
Concordam? Discordam? Leiam e opinem!
1939/1940 – Os erros não tardam a começar, durante a década de 30 a Academia ignorou de todo modo que podia o cinema mudo e principalmente o cinema de Charles Chaplin, 1939 foi um ano particularmente difícil a escolha: Nos Tempos da Diligências/O Morro dos Ventos Uivantes/O Mágico de Oz/A Mulher Faz o Homem/…E o Vento Levou concorreram, em 1940 não foi um ano com menos obras-primas:As Vinhas da Ira/Correspondente Estrangeiro/O Grande Ditador/Nupcias de Escândalo/Rebecca brigavam na categoria Melhor Filme,o fato é que com excessão de “Correspondente Estrangeiro” todos os outros nove mereciam um Oscar,quem leva a melhor foi “…E O Vento Levou” e “Rebecca”.Justo!
1941 -A quem diga que “Como Era Verde Meu Vale” é um filme muito bom,pois em 1941 ele concorria com ninguém menos que “Cidadão Kane”,considerado pelas listas de cinema o melhor filme de todos os tempos.”Como Era Verde Meu Vale” cai no esquecimento e não é considerado uma das melhores obras de John Ford,outros indicados eram “Suspeita” de Alfred Hitchcock e “O Falcão Maltês” de John Huston.Só por curiosidade,o filme de Orson Welles saiu apenas com o prêmio de Roteiro Original nas mãos.
1947 – Que ano delicado!A obra prima de dois dos melhores diretores acabam batendo de frente.William Wyler com “Os Melhores Anos de Nossas Vidas” e Frank Capra com “A Felicidade não se Compra”,ambos os cineastas já haviam recebidos Oscar,e não era a primeira vez que seus filmes concorriam entre si.O vencedor foi “Os Melhores Anos de Nossas Vidas”,hoje ambos os filmes são consagrados,mas “A Felicidade não se Compra” consegue sempre posições melhores em listas.Deixo por conta do leitor decidir quem seria o melhor representante do Oscar 1947.
1948 – Em um ano em que “O Tesouro de Sierra Madre” venceu as cateogorias Melhor Ator Coadjuvante,Melhor Direção e Melhor Roteiro Adaptado,o que explicaria “Hamlet” tirar o Oscar de Melhor Filme de suas mãos?
1949- “A Grande Ilusão”;”Tarde de Mais” e até “Ladrões de Bicicleta” dividiram todos os prêmios daquele Oscar.O que explicaria Joseph L. Mankiewicz vencer o Oscar de Melhor Diretor aquele ano por “Quem é o Infiel?”,logo o cara que quase faliu a Fox com “Cleopatra”?
1950 – Repito aqui o mesmo que aconteceu em 1947,era um ano com duas grandes obras primas:”A Malvada” de Joseph L. Mankiewicz e “Crepúsculo dos Deuses” de Billy Wilder,hoje ambos são filmes consagrados,porém “Crepúsculo dos Deuses” sempre está em posições mais elevadas nas listas.”A Malvada” venceu.Quem você acha que merecia vencer.
1952- Considerado por críticos o pior filme a vencer o oscar de melhor filme “O Maior Espetáculo da Terra”, de Cecil B. deMille, venceu naquele ano e pior, venceu em cima de “Matar ou Morrer”.
Nota: Aquele ano o Oscar ignorou de forma gritante maior musical de todos os tempos: “Cantando na Chuva”
1956 – Duas super produções concorriam: “Os Dez Mandamentos”, refilmagem de Cecil B. DeMille para seu próprio filme da década de 10 e “Assim Caminha a Humanidade”, grande e ousada produção de George Stevens. Naquele ano “A volta ao Mundo em 80 Dias” venceu. Alguém ai entendeu?
1959 – Aquele pode ser considerado um ano em que Alfred Hitchcock foi ignorado pelo seu “Intriga Internacional”, amargando apenas uma indicação como roteiro original, no mesmo ano “Morangos Silvestres” também não passou de indicado para Roteiro Original, e em Roteiro Adaptado “Quanto mais Quente Melhor” e “Ben-Hur” perderam para “Almas e Leião”
1960- Sou Grande fã de Billy Wilder e do seu “Se me apartamento falasse”, mas em ano em que existia “Spartacus” e “Psicose”, é um tanto quanto corajoso premiar o filme de Wilder.
1964 – A primeira de uma série de injustiças contra Stanley Kubrick começa aqui,”Dr. Fantástico” perde o Oscar para “Minha Bela Dama”, o musical é um dos mais famosos, também nada explica a ousadia de Kubrick e as multifaces de Peter Sellers perderem o Oscar de Melhor Diretor (para Minha Bela Dama); melhor roteiro adapatado (para Bocket) e melhor ator (para Minha Bela Dama).
1967- Este foi um ano em que o Oscar conseguiu se superar, entre os indicados a melhor filme estavam três clássicos consagrados:”A Primeira Noite de um Homem”;”Adivinhe quem Vem para o Jantar” e “Bonnie e Clyde”. Vence “No Calor da Noite”. Alguém conhece esse filme?
1971 – Um ano como poucos,três indicações de peso: Laranja Mecânica/A Última Sessão de Cinema/Operação França,o terceiro foi o vencedor,ele é considerado um dos melhores filmes policiais de todos os tempos.Laranja Mecância é considerado um dos melhores filmes de todos os tempos,e Stanley Kubrick teve uma das dez melhores direções de todos os tempos,já é a terceira ocasião que Kubrick merece ganhar o Oscar de Melhor Diretor e não vence.
1975 – Outro ano grande do Oscar, desta vez não houve injustiças,mas assim como 1939 esse foi um ano apenas com obras excepcionais concorrendo a Melhor Filme, difícil escolha: Barry Lyndon/Nashville/Tubarão/Um Dia de Cão/Um Estranho no Ninho.
1976- Alguém explica como “Taxi Driver” perdeu a estatueta de Melhor Filme para “Rocky”?Ou pior, porque Martin Scorsese não foi ao menos indicado para Melhor Diretor?
1979- Foi o ano em que “Apocalypse Now” concorreu a 8 Oscar e não levou nenhum,com direito a perder Melhor Filme para “Kramer Vs Kramer”. Fracis Ford Coppola perdeu o Oscar de Melhor Direção para Robert Benton (Kramer Vs Kramer) e o merecido Oscar de Melhor Ator Coadjuvante de Robert Duvall foi para Melvyn Douglas (Muito Além do Jardim).
1980-Em um ano em que “Touro Indomável” havia sido lançado e que Martin Scorsese merecia o prêmio de Melhor Diretor, em um ano em que “Star Wars V: O Império Contra Ataca havia sido ignorado das categorias principais e que “O Iluminado” foi subestimado de todas as formas possíveis e “O Homem Elefante” concorreu mas não venceu, não foi estranho “Gente como a Gente” sair vencedor.
1985 – Talvez ali tenha sido cometida a única injustiça contra Steven Spielberg, 85 era um ano para “A Cor Púrpura” vencer e a ótima atuação de Whoopi Goldberg sair consagrada. Nem uma coisa, nem outra.
1990 – “Dança com Lobos” é um filme excelente, bonito, mas em um ano que concorriam “O Poderoso Chefão parte 3″;”Tempo de Despertar” e sobretudo “Os Bons Companheiros” é de se estranhar que ele arremate Sete Oscars,ainda mais o de Melhor Filme e Melhor Diretor que estariam muito melhores nas mãos de “Os Bons Companheiros”e Martin Scorsese.
1994- Um ano de cinco obras primas do cinema,um ano que seria difícil escolher apenas um para vencer o prêmio. Concorriam Um Sonho de Liberdade/Quatro Casamentos e um Funeral/Quiz Show/Pulp Fiction/Forrest Gump. “Forrest Gump” acabou vencendo por atender mais as exigências da academia.
1998- Um ano de erros nas principais categorias do Oscar.”Shakespeare Apiaxonado” vencer melhor filme quando tinhamos “O Resgate do Soldado Ryan” concorrendo.Roberto Benigni com seu engodo “A Vida é Bela” vai e vence Edward Norton,que fez uma atuação de verdade em “A Outra História Americana”,ainda com “A Vida é Bela”,um insulto tal filme ter vencido de “Central do
Brasil” a categoria Melhor Filme estrangeiro e insulto igual foi Gwyneth Paltrow(Shakespeare Apaixonado) tirar o Oscar das mãos de Fernanda Montenegro (Central do Brasil) ou Cate Blanchett (Elizabeth),em Melhor Roteiro Original,ver “Sakespeare Apaixonado” tirar o Oscar do criativo “O Show de Trumar” é terrível,e em Roteiro Adaptado “Deuses e Monstros” vence “Além da linha Vermelha”.Festival de erros!
2002- Um ano com cinco grandes indicados: O Senhor dos Anéis:As Duas Torres/O Pianista/As Horas/Gangues de Nova York/Chicago. A única revolta é que o mais fraquinho dos cinco,”Chicago” levou o prêmio de Melhor Filme.
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Crítica – Paris, te amo
Imaginino-me andando pela rua e encontrando uma lâmpada mágica (não poderia ser mais clichê?) e dentro dela sai um gênio que diz:Você pode escolher um lugar,no mundo todo,para passar exatos três dias.Acredito que sem pensar duas vezes escolheria a França,sempre tive uma queda por este país,e talvez devo amá-lo quando tiver a oportunidade de conhecê-lo (não mais do que Minas Gerais,mesmo assim…),apenas isso já me deixaria com uma incontrolável vontade de assistir “Paris,te amo”,mas não apenas isso. Junte ao fato de que quem assume a direção do filme é Walter Salles, Irmãos Coen, Gus Van Sant, Alonso Cuáron, Was Craven, Alexander Payne… Tentador, não?
Crítica:
Paris,como definir Paris com um sentimento?Amor?Talvez,a cidade luz encanta pessoas do mundo todo,e um dos maiores cartões postais do mundo não passa em branco pelo cinema.Logo logo a cidade viraria protagonista de um filme,e que atuação formidável seria!Em 2007 não um,mas 20 cineastas decidiram adaptar sua visão da cidade luz, resultado disso foi “Paris,te amo”,uma incrível e sobretudo interessante homenagem àquela cidade.Um curta para cada cineasta,cinco minutos para cada um fazer sua declaração de amor para Paris e nesse meio tempo vemos uma confusão de sentimentos guardados,vemos o amor de um casal que não se ama mais,um amor indiferente,um amor de mãe recheado de culpa,um amor homossexual,um amor além de nacionalidades,um amor que não passa de atração física,um amor repleto de irônias,um amor mais ingênuo,um amor de modo sinistro,um amor florescendo através da conciência pesada de um homem,o amor de pai para filha,o amor entre os que não se conhecem,o amor entre os que se conhecem bem,um amor passando por crises e até mesmo os que não amam.São vários curtas com apenas um tema:AMOR.E tem de tudo.Alguns dos curtas ficam marcados em nossa cabeça por longo tempo,outros já esquecemos antes mesmo do filme acabar.Existem os bem produzidos,os que se afogam nos clichês.Os diretores mais consagrados ou os ainda em ascenssão são responsáveis pelos melhores curtas,mas não esqueceremos dos inciantes.Particulamente meu olho cresceu em cima de uma estória dirigida por Isabel Coixet,e olha que ela tem futuro.A cidade de Paris está lá e serve de inspiração,de cenário e protagoniza tudo,como julgar os cineastas que decidiram fugir dos clichês e não mostrar pontos referências como Arco do Triunfo ou Torre Eiffel ou como julgar os cineastas que simplesmente preferiram mostra o que a cidade tem de melhor?Difícil.O fato é que cada um teve uma vantagem:Liberdade para fazer o que quiser em Paris e uma desvantagem:Cinco minutos para contar uma estória,e rápido,afinal o público é cruel e os cinéfilos ainda mais,qualquer curta seria julgado e comparado com os outros quase 20 que tinham.Resultado final:agradáveis surpresas e surpresas horríveis.
Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0
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Crítica – Sweeney Todd: O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet
É no mínimo muito curioso que eu tenha assistido a este “Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet” minutos após ter comentado em meu artigo sobre “Conduta de Risco” que não se faziam filmes frios, sensível e artisticamente falando, tão bons quanto se faziam antigamente. Menciono isto em virtude à sensação que tive com o término da sessão da nova obra de Tim Burton de que havia assistido a um filme frio, mas sensacional e extremamente cativante. Diferentemente de longas como “Desejo e Reparação” e “Conduta de Risco”, a frieza deste “Sweeney Todd” em momento algum chegou a me incomodar, muito pelo contrário, além de me cativar completamente, a mesma pôde estabelecer um elo fantástico entre mim e os sentimentos doentios de seu protagonista. Aproveitando o ensejo, já que supra citei longas como “Desejo e Reparação” e “Conduta de Risco”, digo que este “Sweeney Todd” se mostra muito superior a ambos e a sua não indicação ao Oscar de Melhor Filme (e até mesmo Melhor Diretor) foi o maior absurdo que a Academia cometeu este ano. Resta-me agora torcer para que o longa ganhe ao menos o Oscar de Melhor Direção de Arte, que certamente irá faturar.
Ficha Técnica:
Título Original: Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 116 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Site Oficial: http://www.sweeneytoddmovie.com/
Estúdio: DreamWorks SKG / Warner Bros. Pictures / The Zanuck Company / Film IT / Parkes/MacDonald Productions
Distribuição: Warner Bros. Pictures / DreamWorks SKG / Paramount Pictures
Direção: Tim Burton
Roteiro: John Logan (roteiro), Stephen Sondheim (musical), Hugh Wheeler (musical), Christopher Bond (adaptação do musical)
Produção: Richard D. Zanuck, Walter F. Parkes, Laurie MacDonald e John Logan
Música: Mike Higham
Fotografia: Dariusz Wolski
Desenho de Produção: Dante Ferretti
Direção de Arte:
Figurino: Colleen Atwood
Edição: Chris Lebenzon
Efeitos Especiais: Gentle Giant Studios / Moving Picture Company / Neal Scanlan Studios
Elenco: Jhonny Depp (Sweeney Todd / Benjamin Barker), Helena Bonham Carter (Mrs. Lovett), Alan Rickman (Juiz Turpin), Timothy Spall (Beadle Bamford), Ed Sanders (Toby), Jamie Campbell Bower (Anthony Hope), Jayne Wisener (Johanna), Sacha Baron Cohen (Signor Adolfo Pirelli) e Laura Michelle Kelly (mendiga).
Sinopse: Anos após ter sido julgado culpado por um crime que não cometeu e ver a sua família parcialmente destruída graças à intolerância do Juiz Turpin (Alan Rickman), o barbeiro Benjamim Barker, agora alcunhado de Sweeney Todd (Johnny Depp), retorna a Londres a fim de se vingar de todos aqueles que considera culpado pelo infortúnio ocorrido com ele outrora. Com a sede de vingança cada vez maior, a insanidade cresce à mente de Todd, transformando-o em um frio serial-killer que passa a não medir mais os motivos pelos quais elimina suas vítimas. Contando com a ajuda de uma excêntrica doceira, a Srta. Lovett (Helena Bonhan Carter), Todd se instala no mesmo lugar em que exercia sua função de barbeiro no passado e começa a atrair suas vítimas ao local. Após aparar a barba das mesmas, o serial-killer as executa e entrega seus corpos à sua cúmplice, para que a mesma utilize os corpos dos mesmos como ingrediente na composição de suas tortas, eliminando assim as evidências dos crimes.
Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street – Trailer
Sweeney Todd: The Demon Barber of Fleet Street – Trailer 2
Crítica:
Alfred Hitchcock disse certa vez: “___ Antes começar no clichê do que terminar nele”. Tim Burton realmente levou isto a sério neste “Sweeney Todd”. Baseado em um musical feito por, ninguém mais, ninguém menos que Stephen Sondheim (o maior escritor de musicais de sua geração) o longa aparenta ser uma espécie de conto de fadas às avessas. Assim como todo o conto de fadas, este aqui possui seus pequenos clichês, que variam desde uma batida estória de vingança a um casal de jovens que se apaixonam à primeira vista (um destes jovens, por sinal, é a filha do protagonista). Contudo, o roteiro trabalha tais clichês de maneira tão imprevisível que, conforme sugeria Hitchcock, os mesmos acabam sendo abandonados até o final da película, nos brindando com um desfecho satisfatório, embora perturbador e doentio, assim como o filme todo o é. Lamentavelmente os pontos fracos do longa não se resumem apenas em seus clichês e/ou estereótipos, mas também na falta de sagacidade do mesmo em alguns momentos. Benjamim Barker (protagonista da estória) é um homem que retorna a Londres em busca de vingança (o motivo? Leia a sinopse). Para isto ele almeja abandonar a sua antiga identidade, a fim de livrar-se de suspeitas e assume uma nova: Sweeney Todd. Contudo, se o desejo de Todd é esquivar-se de todo o tipo de suspeita, fica uma pergunta no ar: “___Por que o protagonista volta a exercer o seu ofício no exato lugar onde o fizera outrora, gerando suspeitas inclusive, em um antigo conhecido seu?” Fora estes detalhes, o longa é perfeito. Sombrio, psicótico e sanguinário na medida certa, Burton r
ealiza a façanha de transmitir sutileza a esta obra macabra, tornando-a extremamente cativante, obtendo aqui um de seus melhores resultados como diretor. Os números musicais também colaboram muito para a sutileza da obra, assim como as perfeitas atuações de Depp e Carter (a propósito, que afinados cantores eles se revelam, hein?). A maior qualidade do longa fica por conta do estudo psicológico de seu protagonista, mostrando o modo frio como este atrai suas vítimas e as executa.
Avaliação Final: 9,0 na escala de 10,0.
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Crítica – Conduta de Risco
Acredito estar tendo um sério problema com a maneira fria como os filmes têm sido desenvolvidos recentemente. A última vez que senti algo parecido com o que senti agora a pouco, enquanto assistia a este “Conduta de Risco” (mais um título nacional tão ridículo, apelativo e gratuitamente descartável quanto “Senhores do Crime”), foi quando assisti a “Desejo e Reparação”. Não sei exatamente o porquê, mas a maneira fria como tais filmes foram desenvolvidos acabaram colocando uma espécie de muralha anti-sensibilidade artística entre mim e as obras cinematográficas em questão. É aí que o leitor comenta: “___ Isso acontece porque você simplesmente não gosta de filmes desenvolvidos friamente.”. Pois eu digo justamente o contrário, adoro filmes frios. Querem uma prova disso? O meu 2° filme predileto é “2001 – Uma Odisséia no Espaço” e, cá entre nós, existe filme mais frio que este? Pois é, acredito que a única escapatória que me resta é apelar ao clichê e dizer que não se fazem mais filmes frios, sensível e artisticamente, como se faziam outrora.
Ficha Técnica:
Título Original: Michael Clayton
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 119 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Site Oficial: http://michaelclayton.warnerbros.com
Estúdio: Castle Rock Entertainment / Mirage Enterprises / Section Eight / Samuels Media
Distribuição: Warner Bros. Pictures / Imagem Filmes
Direção: Tony Gilroy
Roteiro: Tony Gilroy
Produção: Jennifer Fox, Kerry Orent, Sydney Pollack e Steve Samuels
Música: James Newton Howard
Fotografia: Robert Elswit
Desenho de Produção: Kevin Thompson
Direção de Arte: Clay Brown
Figurino: Sarah Edwards
Edição: John Gilroy
Efeitos Especiais: Handmade Digital
Elenco: George Clooney (Michael Clayton), Tom Wilkinson (Arthur Edens), Sydney Pollack (Marty Bach), Michael O’Keefe (Barry Grissom), Tilda Swinton (Karen Crowder), Dennis O’Hare (Sr. Greer), Julie White (Sra. Greer), Austin Williams (Henry Clayton), Jennifer Van Dyck (Ivy), Frank Wood (Gerald), Bill Raymond (Gabe Zabel), Sharon Washington (Pam), Ken Howard (Don Jefferies), Rachel Black (Maude), Christopher Mann (Tenente Elston), Cynthia Mace (Wendy – voz), Michael Countryman (Evan – voz), Jonathan Walker (Del – voz), Thomas McCarthy (Walter – voz), Danielle Skraastad (Bridget Klein – voz) e Wai Chan (Traficante chinês).
Sinopse: Michael Clayton (George Clooney) trabalha numa das maiores firmas de advocacia de Nova York, tendo por função limpar os nomes e os erros de seus clientes. Tendo trabalhado anteriormente como promotor de justiça e vindo de uma família de policiais, Clayton é o responsável por realizar o serviço sujo da firma Kenner, Bach & Ledeen, que tem Marty Bach (Sydney Pollack) como um de seus fundadores. Apesar de estar cansado e infeliz com o trabalho, Clayton não tem como deixar o emprego, já que o vício no jogo, seu divórcio e o fracasso em um negócio arriscado o deixaram repleto de dívidas. Quando Arthur Evans (Tom Wilkinson), o principal advogado da empresa, sofre um colapso e tenta sabotar todos os casos da U/North, uma empresa que é cliente da Kenner, Bach & Ledeen, Clayton é enviado para solucionar o problema. É quando ele nota a pessoa em que se tornou.
Crítica:
Iniciando esta análise com uma péssima metáfora: “Conduta de Risco” me fez imaginar uma sardinha engarrafada em um recipiente para salmão. O longa possui tudo para engrenar o expectador em uma ótima experiência cinematográfica, mas existe uma pessoa por trás da estória que não permite que isso realmente aconteça. O nome desta pessoa? Tony Gilroy. E quando me refiro a este cidadão, me refiro ao Tony Gilroy roteirista e não ao Tony Gilroy diretor (apesar deste não colaborar muito para o desenvolvimento da trama). Contando com uma trama extremamente interessante, bem como o seu protagonista, o diretor e roteirista deste “Conduta de Risco” parece se perder no desenvolvimento do filme. Temos aqui uma estória que, por si só, se revela deveras cativante abordando o maior mal do mundo capitalista em que vivemos: as grandes coorporações. Mas Gilroy (roteirista) não se esforça muito a fim de criar-nos um laço realmente envolvente com a trama. Quando o assunto é o desenvolvimento de seu protagonista, a situação se revela ainda mais alarmante. Michael Clayton, magistralmente interpretado por George Clooney, é uma pessoa repleta de dilemas. Sua vida se resume a trabalhar em um emprego que detesta e acredita ser politicamente incorreto, mas devido a certos infortúnios (que varia desde o seu vício nos jogos de azar, até em uma fracassada tentativa de transformar-se em empresário) fazem-no tornar-se cada vez mais dependente do salário que este lhe proporciona. A esta altura o leitor me pergunta: “___ Temos aqui um personagem dos mais interessantes, não?”. Correto, mas o roteiro de Gilroy não o desenvolve de maneira cativante o bastante a ponto de fazer com que o espectador crie uma relação realmente forte com o mesmo. Não bastasse isso, a estória do longa é desenvolvida com a mesma frieza. Apesar de excelente, a trama se revela tão distante que por vários minutos senti-me perdido em meio à mesma. Com todos estes defeitos, o longa em questão se revela uma experiência int
eressante, mas está longe de ser tão magnífico quanto deveria.
Avaliação Final: 7,0 na escala de 10,0.
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Crítica – Senhores do Crime
Contrariando a maioria dos cinéfilos, não considero os títulos nacionais tão ruins como afirmam. “Sangue Negro”, por exemplo, foi um título muito criticado pela grande maioria dos admiradores da Sétima Arte, mas eu, sinceramente, não o achei ruim. Muito pelo contrário, achei bem superior a “Haverá Sangue” (título traduzido ao pé da letra de “There Will Be Blood”). Entretanto, em alguns casos a tradução nacional é visivelmente pavorosa, principalmente quando nutre forte apelo comercial, como é o caso deste “Senhores do Crime”. Em primeiro lugar, tal título é extremamente falso, pois somos induzidos a crer que o longa irá abordar as estórias de grandes mestres do crime, tais como Charles “Lucky” Luciano ou Alphonsus Gabriel Capone. Em 2° lugar o título é comercialmente apelativo, pois a palavra “senhor” ligada à palavra “crime” têm uma união indelicadamente chamativa. Em 3° e último lugar, o título é visivelmente inferior e é bem menos ligado à estória do filme que o título original. Tendo em vista que todos os personagens do longa possuem ascendência ou nacionalidade russa, ou dos demais países do leste europeu, “Eastern Promises” condiz mais com a proposta da obra.
Ficha Técnica:
Título Original: Eastern Promises
Gênero: Suspense
Tempo de Duração: 100 minutos
Ano de Lançamento (EUA / Canadá / Inglaterra): 2007
Site Oficial: www.focusfeatures.com/easternpromises
Estúdio: BBC Films / Scion Films Limited / Focus Features / Serendipity Point Films / Kudos Film and Television
Distribuição: Focus Features / PlayArte
Direção: David Cronenberg
Roteiro: Steven Knight
Produção: Robert Lantos e Paul Webster
Música: Howard Shore
Fotografia: Peter Suschitzky
Desenho de Produção: Carol Spier
Direção de Arte: Rebecca Holmes
Figurino: Denise Cronenberg
Edição: Ronald Sanders
Efeitos Especiais: Mr. X / Invisible Pictures
Elenco: Naomi Watts (Anna), Viggo Mortensen (Nikolai), Vincent Cassel (Kirill), Armin Mueller-Stahl (Semyon), Josef Altin (Ekrem), Mina E. Mina (Azim), Aleksandar Mikic (Soyka), Sarah-Jeanne Labrosse (Tatiana), Raza Jaffrey (Dr. Aziz), Sinéad Cusack (Helen), Jerzy Skolimowski (Stepan), Shannon-Fleur Roux (Maria), Donald Sumpter (Yuri), Tereza Srbova (Kirilenko) e Mia Soteriou (Esposa de Azim).
Sinopse: Anna (Naomi Watts) é uma parteira que trabalha em um hospital de Londres. Um dia ela testemunha a morte de uma jovem, durante um parto realizado em pleno Natal. Ela decide dar a notícia de seu falecimento pessoalmente, o que a faz pesquisar sobre sua identidade e família. A busca acaba colocando-a em contato com o lucrativo tráfico do sexo, comandado por uma organização criminosa da Rússia. Logo Anna conhece Nikolai (Viggo Mortensen), um homem violento e misterioso que é mais do que aparenta.
Crítica:
Nunca considerei Viggo Mortensen um grande ator. Sua carreira é apenas correta e são raros os papéis onde o astro mostra uma atuação realmente acima da média (a última atuação interessante de Mortensen foi em 2003 quando encarnou as fortes crises de insegurança de seu personagem Aragorn, filho de Aratorn, no excelente “O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei”. Ouve também “Marcas da Violência” onde o ator se saiu muito bem, mas nada que me fizesse mudar de opinião sobre o mesmo. Naomi Watts também foi uma atriz que nunca me convenceu muito. Suas únicas atuações convincentes, ao meu ver, estão em filmes como “Cidade dos Sonhos” e “21 Gramas”. Baseando-se nisso, é deveras estranho que a maior qualidade deste longa resida justamente na química desenvolvida entre ambos os atores, sobretudo Mortensen. Diferentemente de alguns de seus filmes, neste aqui sua atuação é de importância crucial. O ator encarna o personagem com uma naturalidade incrível, principalmente quando utiliza o sotaque russo do mesmo de maneira bem convincente. Cronenberg, por sua vez, realiza uma ótima direção, contando com travelings horizontais muitíssimo bem empregados. Contudo, o grande trunfo do longa reside na cautela com que o roteiro do mesmo foi redigido. Ao mesmo tempo em que este nos oferece um intróito muito desinteressante e arrastado, além uma abordagem demasiadamente previsível de seu protagonista (quando sabemos a verdadeira função deste na estória não conseguimos nos surpreender, pois o roteiro dá pistas disto a todo momento), o mesmo, paradoxalmente, se revela o ponto alto do longa abordando a Máfia Russa de uma maneira raramente vista na Sétima Arte. Aqui, esta retratação é realizada da maneira mais surpreendente o possível, fazendo uso desde os gestos típicos dos membros desta forte organização criminosa até o significado que cada imagem tatuada no corpo de seus gangsters possui. Infelizmente o longa decepciona, seu início não cativa e quando o filme passa a ter algum ritmo, o mesmo se encerra abruptamente.
Avaliação Final: 7,5 na escala de 10,0.
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Crítica – Onde os Fracos Não Têm Vez
Lembro-me que em meu artigo sobre os possíveis vencedores do Oscar apostei em “Onde os Fracos Não Têm Vez” como vencedor do prêmio principal. Entretanto, na época ainda não o havia assistido e para realizar tal afirmação apostei na popularidade que o mesmo vem conquistando entre os membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. Após o assistir a pouquíssimos dias atrás concluí que o mesmo é um filme revolucionário, inovador e inteligente, ou seja, a típica obra que geralmente recebe uma indicação ao Oscar de Melhor Filme, mas infelizmente não vence o prêmio. Isso acontece porque a Academia geralmente gosta de ver produções arriscando em inovar a linguagem cinematográfica, mas os membros que compõe a mesma acabam dando preferência a filmes, digamos, mais redondinhos. Quer um exemplo disso? Em 1995 o excelente “Pulp Fiction” perde o Oscar de Melhor Filme para o apenas ótimo “Forrest Gump”. Contudo, mesmo o longa dos Cohen tendo poucas chances de derrotar o de Paul Thomas Anderson (a não ser que este também seja inovador demais), minha aposta para melhor filme continua sendo este ótimo (e apenas ótimo) “Onde os Fracos Não Têm Vez”.
Ficha Técnica:
Título Original: No Country for Old Men
Gênero: Drama
Tempo de Duração: 122 minutos
Ano de Lançamento (EUA): 2007
Site Oficial: www.nocountryforoldmen.com
Estúdio: Paramount Vantage / Miramax Films / Mike Zoss Productions / Scott Rudin Productions
Distribuição: Miramax Films / Paramount Pictures
Direção: Ethan Coen e Joel Coen
Roteiro: Ethan Coen e Joel Coen, baseado em livro de Cormac McCarthy
Produção: Ethan Coen, Joel Coen e Scott Rudin
Música: Carter Burwell
Fotografia: Roger Deakins
Desenho de Produção: Jess Gonchor
Direção de Arte: John P. Goldsmith
Figurino: Mary Zophres
Edição: Ethan Coen e Joel Coen
Efeitos Especiais: Luma Pictures / Tinsley Transfers
Elenco: Tommy Lee Jones (Ed Tom Bell), Javier Bardem (Anton Chigurh), Josh Brolin (Llewelyn Moss), Woody Harrelson (Carson Wells), Kelly Macdonald (Carla Jean Moss), Garrett Dillahunt (Wendell), Tess Harper (Loretta Bell), Barry Corbin (Ellis), Beth Grant (Agnes), Kit Gwin (Molly) e Rodger Boyce (Xerife de El Paso).
Sinopse: Texas, década de 80. Um traficante de drogas é encontrado no deserto por um caçador pouco esperto, Llewelyn Moss (Josh Brolin), que pega uma valise cheia de dinheiro mesmo sabendo que em breve alguém irá procurá-lo devido a isso. Logo Anton Chigurh (Javier Bardem), um assassino psicótico sem senso de humor e piedade, é enviado em seu encalço. Porém para alcançar Moss ele precisará passar pelo xerife local, Ed Tom Bell (Tommy Lee Jones).
No Country For Old Men – Trailer
Crítica:
Todo e qualquer filme que tenha a intenção de inovar de alguma forma, por pior que seja, merece algum respeito por parte dos espectadores. Quando o filme tem a intenção de inovar e se revela uma experiência agradabilíssima, o mesmo merece, e deve, ser respeitado e idolatrado por todos aqueles que se dizem cinéfilos. Mas não restam dúvidas de que inovar é algo deveras arriscado, pois exige total ousadia por parte dos responsáveis pelo projeto. Os responsáveis por este “Onde os Fracos Não Têm Vez” foram extremamente ousados e arriscaram bastante, realizando um longa metragem muitíssimo competente, apesar de falho em seu desfecho. Alicerçado por uma sinopse extremamente simples, o longa metragem, magistralmente dirigido pelos irmãos Cohen, se desenvolve de maneira sensacional, trazendo até nós a estória de uma maleta com dois milhões de dólares em seu interior e três personagens ligados a mesma, sendo dois diretamente e um indiretamente. Os protagonistas da estória se revelam tipos bastante interessantes. Temos aqui um ex-militar ambicioso, cuja ganância o leva a pôr em risco a vida da própria esposa a fim de se apoderar da maleta; um xerife cansado e às vésperas de sua aposentadoria, cuja vontade de combater o crime é visível, mas não tão visível quanto o desgaste físico causado pela idade e aquele que considero um dos poucos defeitos do filme: o vilão, cujos maneirismos me fizeram lembrar o Professor Severo Snape, da série “Harry Potter”. Não fosse a soberba atuação de Javier Bardem tal personagem teria me irritado profundamente. E já que mencionei os personagens gostaria de citar que uma grande curiosidade do filme é a alternância entre seus protagonistas. Em certa parte, por exemplo, quando um personagem parece estar assumindo o papel principal do longa ele, inesperada e bruscamente, sai de cena, sendo substituído por um outro protagonista. “___ E esta reviravolta indelicada prejudica o filme?” ___ Me pergunta o leitor. Muito pelo contrário, este é o grande trunfo do longa. É isto que o transforma em algo tão inovador, surpreendente e digníssimo de se assistir.
Avaliação Final: 8,5 na escala de 10,0.
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Crítica – Juno
Quando li em um site especializado em Cinema (mais precisamente o Cinema em Cena) que este “Juno” havia sido indicado a quase todas as principais categorias do Oscar deste ano logo, imaginei que o mesmo seria o “Pequena Miss Sunshine” de 2008. Afinal de contas, trata-se de um filme leve e simples, com um senso de humor extremamente descompromissado, personagens extravagantes, aborda temas complexos com singularidade e é claro, é uma obra cinematográfica extremamente redondinha (com o perdão de ter colocado o adjetivo em sua forma diminutiva, mas isto acaba retratando bem o que o filme representa). Enfim, é o típico longa que acaba caindo nas graças dos componentes da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e é indicado ao Oscar. Contudo, ao contrário de “Pequena Miss Sunshine”, considerei “Juno” fascinante e digno de todas as indicações que conseguiu.
Ficha Técnica:
Título Original: Juno
Gênero: Comédia
Tempo de Duração: 96 minutos
Ano de Lançamento (EUA / Canadá / Hungria): 2007
Site Oficial: www.foxsearchlight.com/juno
Estúdio: Fox Searchlight Pictures / Mandate Pictures / Mr. Mudd
Distribuição: Fox Searchlight Pictures
Direção: Jason Reitman
Roteiro: Diablo Cody
Produção: Lianne Halfon, John Malkovich, Mason Novick e Russell Smith
Música: Matt Messina
Fotografia: Eric Steelberg
Desenho de Produção: Steve Saklad
Direção de Arte: Michael Diner e Catherine Schroer
Figurino: Monique Prudhomme
Edição: Dana E. Glauberman
Elenco: Ellen Page (Juno MacGuff), Michael Cera (Paulie Bleeker), Jennifer Garner (Vanessa Loring), Jason Bateman (Mark Loring), Allison Janney (Bren MacGuff), J.K. Simmons (Mac MacGuff), Olivia Thirlby (Leah), Eileen Pedde (Gerta Rauss), Rainn Wilson (Rollo), Daniel Clark (Steve Rendazo), Darla Vandenbossche (Mãe de Bleeker), Aman Johal (Vijay) e Valerie Tian (Su-Chin)
Sinopse: Juno MacGuff (Ellen Page) é uma típica adolescente que toma as rédeas de sua vida de uma forma calma e despreocupada ao embarcar em uma emocionante aventura de nove meses a caminho da vida adulta. Esperta e muito peculiar, Juno tem seu próprio ritmo, mas por trás de seu exterior durão, existe uma garota que simplesmente tenta entender as coisas. Até que uma típica tarde entediante torna-se uma aventura quando ela decide transar com o charmoso e discreto Bleeker. Quando descobre que ficou grávida, Juno bola um plano para encontrar os pais perfeitos para o futuro bebê.
Crítica:
A pessoa que ler a sinopse deste ótimo “Juno”, antes de conferir o mesmo, certamente imaginará que o longa irá abordar profundamente o tema “gravidez na adolescência”. Sim, o filme realmente aborda esta questão polêmica e atual, mas infelizmente não o realiza de maneira tão aprofundada como deveria realizar. É claro que, ao conferir esta cativante obra, o espectador verá algumas das dificuldades sociais, psicológicas e físicas pelas quais a protagonista terá de passar durante o período de gestação e, inclusive, há um diálogo entre esta e a provável futura mãe adotiva de seu filho que ilustra bem tal situação: “___ Você sabe, as pessoas encaram a gravidez em minha idade como sendo uma doença!”. Falando em diálogos inteligentes, afiados e ilustrativos, esta ótima comédia é recheada deles, tanto que por várias vezes lembrei-me dos filmes dirigidos por Woody Allen no final da década de 70 (e, sinceramente, não vejo como realizar um comentário mais favorável a uma obra deste gênero do que compará-la a um filme de Allen que, coincidentemente, é citado nesta obra). Outro ponto do longa que me fez lembrar os filmes de Allen é a composição de sua protagonista. Juno é uma típica adolescente neurótica, rabugenta, insegura (só para citar outro ótimo diálogo inserido no roteiro: “___ Não sei que tipo de garota eu sou!”) e irresponsável e a atuação de Ellen Page (que, adivinhem só, me remeteu a imagem de um Woody Allen mirim feminino) torna a protagonista ainda mais natural e cativante do que ela já é. E falando em Ellen Page, a atriz é a alma do filme. Que atuação! Que garota cativante! Page atuando é um colírio para os olhos! Page falando é música para os ouvidos! Falando a curto e grosso modo: Page é impagável! A leveza e a sutileza adotada pelo longa ao abordar um tema tão polêmico também é digna de aplausos, assim como sua fascinante trilha-sonora. Infelizmente, tal sutileza acaba sendo quebrada pelas diversas palavras de baixo calão desnecessariamente inseridas no roteiro e o seu final previsível também não é nada interessante. Ainda assim, uma “comédia teenage” atual e inteligente como poucas.
Avaliação Final: 8,5 na escala de 10,0
P.S.: Não adianta, “Juno” me cativou e por mais que eu tente, não consigo deixar de aumentar a nota do mesmo, nem que seja um mísero meio ponto. Portanto, onde se lia: “Avaliação Final: 8,0 na escala de 10,0”, agora lê-se: “Avaliação Final: 8,5 na escala de 10,0”.
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Crítica – O Caçador de Pipas
Sempre comentei que o pior defeito que um filme pode conter é a presença de clichês e/ou estereótipos em seu contexto. Porém, nestes últimos dias tenho reparado que algo me incomoda muito mais do que a simples inserção de chavões no roteiro do filme: se trata dos insultos a inteligência do espectador (perdoem-me, mas não encontrei expressão mais conveniente para a ocasião). Do mesmo modo que os dois filmes da série “A Lenda do Tesouro Perdido” insulta a inteligência de seu público afirmando que os Estados Unidos são um país honrado e que sempre visou proteger os valores históricos de toda a humanidade (que em um ato de hipocrisia exacerbado, são representados por tesouros pertencentes exclusivamente aos Estados Unidos), esta bomba, baseada no best-seller de Khaled Hosseini, insulta o público ao tentar fazê-lo acreditar que a terra do Tio Sam é um grande mantedor da ordem e da justiça social em países subdesenvolvidos. Confirma mais detalhes de tamanha alienação abaixo.
Ficha Técnica Em Andamento
Sinopse: Em um país dividido e à beira da guerra, dois amigos de infância, Amir e Hassan, estão prestes a se separarem para sempre. É uma gloriosa tarde em Kabul e os céus explodem com a alegria contagiante de um torneio de pipas. Mas, depois da vitória daquele dia, um terrível ato de traição de um menino irá marcar suas vidas para sempre e dar início a uma busca épica pela redenção. Agora, depois de viver nos Estados Unidos durante 20 anos, Amir volta para um perigoso Afeganistão, sob o governo mão-de-ferro do Talibã, para enfrentar os segredos que ainda o assombram e aproveitar a única e última ousada chance que tem para consertar as coisas.
Crítica:
“O Caçador de Pipas” me remeteu, da maneira mais estranha o possível, à lembrança de “…E o Vento Levou”. Acalmem-se, não perdi a razão e já irei explicar o porquê desta bizarra analogia que realizei entre ambos os filmes. Comparar a obra de Forster com a de Flemming não é necessariamente um elogio, mas sim uma crítica negativa. Enquanto assistia a este “O Caçador de Pipas” tive a ligeira impressão de que diretor e roteirista decidiram transportar um dos maiores defeitos do vencedor do Oscar® de 1940, a alienação daquele. O longa em questão bem que poderia começar com uma narrativa ridícula como a obra-prima de Victor Flemming afirmando que, antes da invasão que os Ianques realizaram à parte sul dos Estados Unidos, latifundiários e escravos viviam em plena harmonia. O problema é que aqui os Ianques seriam substituídos pelos Comunistas, o sul estadunidense pelo Afeganistão e latifundiários e escravos respectivamente pelos burgueses e proletários. Contando com uma excelente premissa em mãos, Forster transforma o que tinha tudo para ser um grande filme em algo absurdamente conservador. Segundo o longa, antes da invasão comunista ao Afeganistão, os habitantes daquele país eram pessoas felizes e satisfeitas com o seu estilo de vida regado pelas “maravilhas” consumistas oferecidas pela Globalização (que sim, já existia, ao menos teoricamente, naquela época). Contudo, o longa afirma que tal invasão viria a ser o divisor de águas entre uma era gloriosa que viveu o Afeganistão pré-Guerra Fria e o inferno que o país se tornou após o ocorrido. Além de politicamente hipócrita, o longa em questão conta com o maior número de estereótipos que tive a infelicidade de testemunhar nos últimos dois anos, variando entre pessoas bondosas ao extremo, a ponto de serem estoicistas e indivíduos que se mostram extremamente cruéis apenas por prazer (não preciso dizer que muitos destes indivíduos são soldados comunistas, não é?). O longa ganha muita força graças à direção de Forster e seus minutos finais, mas o desfecho extremamente previsível é algo imperdoável.
Avaliação Final: 3,0 na escala de 10,0.
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